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A comunicação entre as culturas, falando-se agora como a expressão de vida de um povo, envolve algum grau de “personificação”, uma vez que implica transmitir e receber conhecimento. Quando falamos de “diálogos interculturais” tal expressão sugere um ideal que, pelo menos até agora, parece estar longe de ser alcançado. A “conversa ente culturas” aparentemente se dá em níveis muito mais agressivos do que a simples troca de conhecimentos, indicando antes atritos e agressões do que “diálogo” que vise o crescimento mútuo. São muitos os interesses, desde os econômicos até os da própria sobrevivência, que interferem no relacionamento das mais variadas culturas, quando há sempre a tendência de sujeitar o “outro”. Será mesmo possível existir relacionamentos totalmente desinteressados entre culturas? Encontraríamos assim culturas com tal nível de altruísmo?

Uma cultura alcançará enorme influência em outra principalmente quando for ao encontro dos interesses e/ou necessidades de tal dada sociedade, ou quando imposta nos

modelos históricos de colonização, ou ainda, nos atuais de neocolonialismo. As que se enquadram no primeiro modelo, chamaremos de “culturas de interesse”, já as que se encaixam no segundo, de “culturas predatórias”.

V.2.1 Culturas Predatórias

Quando falamos de “culturas predatórias”, propõe-se iniciar a argumentação analisando a abordagem da cultura como Cânon. Portugueses e espanhóis, ao descobrirem o paradisíaco Novo Mundo, com a nudez pura e praticamente inocente dos seus habitantes originais, a exuberância das matas, com muitos de seus animais, flores e frutos desconhecidos, foram tomados pela visão edênica, mas que se mostrou insuficiente para impor o devido respeito ao “intocado” ou “quase sagrado”. Ainda que as novas terras inspirassem “saudades do paraíso”, os colonizadores concebiam a cultura europeia como uma espécie de “cânon”, inquestionável e superior àquelas de todas as demais civilizações. Assim, afirmava-se a identidade europeia como a mais elevada quando comparada a todos os demais povos e culturas não europeus (Said, 2010, p. 34). Certamente, encontravam no apoio religioso sustento para tal pretensão. Não singravam os mares apenas em nome de seus reis, mas também sob a suposta “bênção” do Deus cristão. Enquanto os reis católicos da península ibérica tinham a chancela papal, os protestantes se viravam com o “destino manifesto” e a doutrina da vocação. Quanto a estes, no pretendido e abençoado determinismo que acreditavam, concebiam a missão de conquista como “predestinada” ao sucesso, o que levava à leitura de todas as ocasiões, mesmo os reveses, de forma positiva. No segundo caso, como percebeu Max Weber, os protestantes de linha calvinista, e acrescentamos, também os luteranos, viam nos trabalhos “profissionais” também serviços prestados a Deus. Para os seguidores da Reforma Protestante, no viés da doutrina da vocação, mesmo um sapateiro cristão, que realiza bem o seu ofício, serve a Deus de forma tão importante e relevante quanto um pregador das Escrituras.13 Já Mantinho Lutero afirmava que a doutrina da vocação era

como usar uma máscara de Deus em tudo aquilo que o cristão fazia (Veith, 2007, p. 19). Destarte, no que é feito no dia a dia, o próprio Deus é representado e espelhado nas atividades de seus servos. A liberdade da fé apregoada tão claramente nas Escrituras cristãs foi suplantada pela imposição dos interesses das coroas europeias. O poder da

13 Tal afirmação deve ser considerada à luz da importância do pregador na visão protestante e o contexto

mensagem cristã foi facilmente manipulado para subjugar nações e modelar suas culturas. Revelam-se aqui as divinas pretensões das culturas predatórias: moldar as outras à sua imagem e semelhança.

Alfredo Bosi esclarece como se deu o relacionamento entre as culturas do colonizador europeu e as dos ameríndios no Brasil. Em sua opinião, a atitude colonizadora pretendia a simples reprodução da cultura europeia nas terras recém-descobertas, o que se mostrou empreitada impossível. Dessa forma, continua o autor, Anchieta compõe um poema em latim clássico, dedicado à Virgem Maria, quando caiu prisioneiro dos tamoios no episódio que resultou na célebre “Paz de Iperoígue”. No entanto, mais tarde, quando premido pela necessidade de seu público alvo compôs em tupi “autos” para encenar com os ameríndios:

A transposição para o Novo Mundo de padrões de comportamento e linguagem deu resultados díspares. À primeira vista, a cultura letrada parece repetir, sem alternativa, o modelo europeu; mas, posta em situação, em face do índio, sem alternativa, ela é estimulada, para não dizer constrangida, a inventar. Que o primeiro aculturador dê exemplo: Anchieta compõe em latim clássico o seu poema à Virgem Maria quando, refém dos tamoios na praia de Iperoígue, sente necessidade de purificar-se. O mesmo Anchieta aprende o tupi e faz cantar e rezar nessa língua os anjos e santos do catolicismo medieval nos autos que encena com os curumins. Uma antiga forma literária, a epopeia, nobilitada pela Renascença italiana, molda conteúdos de uma situação colonial, no primeiro caso. No segundo, porém, aguilhoado pelas urgências na missão precisou mudar de código, não por motivos de mensagem, mas de destinatário. O novo público e, mais do que público, participante de um novo e singular teatro, requer uma linguagem que não pode absolutamente ser a do colonizador (Bosi, 1992, p. 31).

A tentativa da cultura canônica de aculturar a colônia resulta sempre trocas e algum grau de hibridismo. Certamente que a libido portuguesa contribuiu enormemente para isso, pois rapidamente gerou a mestiçagem indígena. O mesmo se deu depois com a chegada dos negros. Assim, no caso das colônias portuguesas, a miscigenação foi enorme, o que asseverou ainda mais a óbvia mistura cultural. Bosi argumenta que logo no primeiro século de colonização preservava-se ainda grande distinção étnica. Nesta época, como veremos, os cronistas europeus ainda puderam registrar os rituais tupis das tribos costeiras. Todavia, com o passar do tempo, “a simbiose cabocla, mulata ou cafuza foi prevalecendo em todos os campos da vida material e simbólica: na comida, na roupa, na casa, na fala, no canto, na reza, na festa... A aculturação é, sem dúvida, o tema por excelência da antropologia colonial” (Bosi, 1992, p. 46). Todavia, os valores do colonizador e do colonizado não se harmonizavam. O universo simbólico do habitante da

terra foi vivido de forma dúbia. Em si mesmo era visto como altamente positivo, a herança do próprio povo. Contudo, assumia concepção negativa na mente do colonizador, bem como, no próprio nativo como introjeção do outro (Bosi, 1992, pp. 59, 60).

Quando analisamos o relacionamento entre as culturas, quanto ao que temos denominado “culturas predatórias”, é inegável que exista uma espécie de “Darwinismo Cultural”. Com isso não nos referimos ao conceito “evolucionista”, como visto pelo antigo ramo da antropologia identificado pelo mesmo nome. Indicamos, antes, a ideia constitutiva da teoria da evolução darwiniana da “seleção natural”. Aplicando este conceito às culturas, pode-se dizer que, desde a colonização até os dias de hoje, quando foram colocadas como que “no mesmo habitat”, elas naturalmente competem entre si. Ora, dizia o maior proponente da Teoria da Evolução das espécies, que quando duas competiam no mesmo ambiente sem equilíbrio, a espécie mais forte prevalecia sobre a mais fraca, causando não apenas a extinção desta, mas a evolução daquela. Isso se dava como um tipo de “resultado biológico” ao ter que assumir o espaço ambiental deixado por aquela que foi extinta (Darwin, 2004, pp. 93ss). Assim, mutatis mutandis, ao aplicarmos tal conceito às culturas, diríamos que dificilmente uma cultura levará outra à completa extinção, como veremos a seguir.

Deve ser explicado que a “evolução”, no caso das culturas, não é uma “melhora” no sentido de eleger uma como “superior” à outra, mas incremento ou “aperfeiçoamento”, ao enriquecer-se de elementos culturais diferentes dos seus, ou seja, aquilo que está subentendido nos conceitos pós-modernos como “hibridismo”, “cruzamento de fronteiras” e interculturalidade. Falando-se do mundo atual, é oportuno aqui observar o que diz Canclini quanto à questão cultural. Sua análise percebe as diferenças, as desigualdades e as (des)conexões. As diferenças estão ligadas principalmente aos traços culturais; as desigualdades, à diversidade econômica; as (des)conexões, à necessidade de interação transcultural. Afirma que a real necessidade vai além de apenas reconhecer as diferenças, tratar as desigualdades e conectar as maiorias aos meios de comunicação globais. Para que se abordem estes temas, argumenta que é preciso pensar os modos pelos quais se completam e se desencontram. As fronteiras culturais ruíram com as trocas econômicas, o deslocamento de multidões pelo mundo e a popularização dos meios de comunicação. Não basta reconhecer e respeitar as diferenças culturais, ou seja, a aceitação do heterogêneo e a multiculturalidade. Propõe o caminho da globalização e da interculturalidade, isto é, da negociação, dos conflitos e empréstimos recíprocos entre as

culturas patrocinados especialmente pela mídia (Canclini, 2009, pp. 16, 17). Portanto, na opinião de Canclini, a saída para o mundo atual está na interculturalidade.

Todavia, percebe-se nitidamente, na história e na atualidade, que o relacionamento entre as culturas não é naturalmente tão amistoso. O conceito de “culturas predatórias” necessariamente implica a existência de uma “selva cultural” onde as culturas assumem os papéis de presa e predador. Isso é necessariamente assim, pois mesmo quando o contato entre elas é aparentemente pacífico, as trocas são desiguais e assimétricas, beneficiando mais um grupo do que ao outro. Uma das culturas se apresentará necessariamente superior, especialmente quando forem culturas de “troncos” muito diferentes, tendendo a diminuir o “senso de grandeza” à medida que compartilhem elementos fundantes semelhantes. Em outras palavras, parece ser possível dizer que o grau de predação é ligado diretamente ao nível de diferença entre as culturas. O senso de “superioridade” se manifestará também quando for vantajoso a uma cultura se submeter à outra por interesse, como veremos adiante. No entanto, devemos entender que o conceito de predação cultural não visa erradicação. Ainda que seja essa a intenção, como no caso da colonização do chamado “Novo Mundo”, isso dificilmente poderá ser feito completamente, pois alguns elementos da cultura subjugada sempre sobreviverão como que diluídos naquela que prevaleceu. Isso é possível mesmo nos casos de etnocídio. Aparentemente, o total apagamento de uma cultura ocorrerá somente quando um povo que nunca estabeleceu contato suficiente com outro, desaparece sem deixar vestígios. A explicação para isso é que muitos dados culturais podem ser recuperados, preservados em utensílios e outros achados da civilização extinta.

Impõe-se algo parecido com a “lei da selva”. Espécies que estão no cardápio diário dos carnívoros comumente entram em relação de cooperação. Isso as aproxima para o benefício mútuo. Aumentando os alvos em potencial, dificulta-se o foco do caçador. Além disso, beneficiam-se da vigilância coletiva e dos alarmes contra predadores “disparados” pelas outras espécies, sons que aprenderam a identificar. De forma análoga, aquelas culturas das chamadas “minorias” tendem a se juntar para defesa e afirmação. Isso pode ser visto em passeatas e na solidariedade diante de alguma “perseguição”. Na opinião de Appadurai, as minorias são criadas pelo medo de uma maioria perder sua hegemonia (Appadurai, 2009, pp. 45ss). Uma minoria é “identificada” quando passa a ser discriminada de alguma forma, não reconhecida como integrada à cultura da sociedade à qual pertence. Ideologicamente, uma cultura pode estar “fechada” em si mesma em maior

ou menor grau. Boaventura de Souza Santos explica que o processo de exclusão no relacionamento entre culturas é ainda maior do que aquele percebido dentro de uma cultura específica. No primeiro caso, cita as conclusões de Raymond Williams e, no segundo, Edward Said. O grau de exclusão, argumenta Santos, está ligado à concepção que a cultura tem de si mesma. Se ela se autodefine de forma tão específica tende a ter concepção ainda mais estrita em relação às outras (Santos, 2011, p. 18). Isso implica necessariamente a existência de culturas com diferentes ângulos de abertura à interação cultural.

Aquelas culturas que chamamos de “predatórias” são as culturas imperialistas/capitalistas do colonialismo e neocolonialismo. Certamente, as análises de Edward Said nos ajudam a entender o que é, na prática, uma cultura predatória. Quando falamos de “predação”, paradoxalmente, estamos também falando de “preservação”. Uma das características mais marcantes dos predadores é que são animais territoriais. Demarcam seu território e o defendem com a própria vida. O único motivo para isso é a caça. Instintivamente sabem que as presas daquele determinado espaço não podem suportar outros grupos de caçadores. Assim, repelem qualquer violação territorial. Esse tipo de prática preserva as espécies para o abate controlado, que de outra forma, poderia levar à extinção não apenas das presas, mas dos próprios predadores. Nesse sentido, quando culturas se encontram e se adaptam em seus papéis de predador e presa, estabelece-se uma troca desproporcional entre elas, um “desequilíbrio harmônico”, que não deixa de ser uma espécie de associação. Said, por exemplo, argumenta que o Oriente e o Ocidente sustentam-se e, de certa forma, refletem-se mutuamente (Said, 2010, p. 31). As culturas predatórias tendem a modelar as culturas que subjugam. Comumente, culturas imperialistas impõem a sua compreensão sobre as culturas que submetem a estas mesmas sociedades que sujeitam, criando uma versão “revista e corrigida” delas. Em outras palavras, as culturas dominadas são forçadas a assimilar o conhecimento que o outro tem sobre elas, passando a ser o conhecimento que tem de si mesmas. O que se toma como base para a “correção cultural” é a cultura ocidental. É isso o que explica Said, ao asseverar que o orientalismo não corresponde ao Oriente, mas às ideias próprias do orientalismo (Said, 2010, p. 32). Em outras palavras, orientalismo é a visão que o Ocidente criou do Oriente. A predação de uma sociedade por outra ocorre à proporção do grau de dominação exercido. Todavia, deve ficar claro que, ainda que haja uma completa hegemonia, esta se manifesta complexa, percebendo-se diferentes níveis de

preponderância nos vários departamentos ou áreas que compõem a cultura sujeitada. Mais uma vez, essa é a conclusão de Said. Para ele, a relação do Ocidente com o Oriente é uma relação de poder, de dominação, de graus variados dentro de uma hegemonia complexa (Said, 2010, p. 32). Assim, como resultado da preponderância e da imposição da leitura que se faz do outro ao outro, materializa-se uma entidade cultural, um sistema de conhecimento que está longe de ser mera fantasia. Destarte, o orientalismo não é uma visionária fantasia europeia sobre o Oriente, mas um corpo elaborado de teoria e prática – um sistema de conhecimento sobre o oriente (Said, 2010, p. 33). Não há demonstração maior de poder do que modelar a visão do outro, forçando-o a introjetá-la. Como já foi dito, há algo de “divino” nisso. As culturas predatórias são geralmente capitalistas.14 Na

história da humanidade, foram as que procuraram a sujeição de seus semelhantes. V.2.2 Culturas de Interesse

O que chamamos de “culturas de interesse” indica aquelas que se sentem atraídas pelo modo de vida culturalmente alheio, especialmente aquilo que resulta “ascensão social”. Individualmente, é possível assumir outra identidade cultural apenas devido à questão de gosto estético ou prático. Todavia, quando pensamos em grandes assimilações culturais, isso pode se dar por outro tipo de relacionamento que não se enquadra exatamente como “imposição”, aproximando-se mais da “sedução”. As culturas hegemônicas são aquelas que detêm liderança cultural por possuir ideias mais influentes (Said, 2010, p. 34). Diferente das culturas predatórias, quando o “eu” quer dominar o outro, aqui é o outro que quer ser “dominado”, assimilado ao modo de vida da outra cultura, o que inclui não apenas os princípios e o comportamento, mas também a moda e a estética. Geralmente, isso se dá por algum senso de inferioridade cultural imposto, embora seja igualmente possível a simples eleição de outro modelo de vida, conformo o gosto do sujeito. Hoje já é possível ver orientais artificialmente loiros e com plásticos olhos azuis, em sociedades altamente capitalistas, assim como também negros imitando o análogo padrão estético. Mesmo as culturas predatórias geralmente despertam certo grau de “interesse” naquelas que subjugam, mesclando alguma assimilação voluntária à oposição natural contra o dominador. Na verdade, muitas culturas de interesse são “filhas” da predação. Como resultado do contato com uma cultura que se afirma como “superior” em suas realizações, a diferença cultural em relação àquela que desfruta de

prevalência econômica é vista como sinal de inferioridade e fraqueza, levando à busca da semelhança, o querer ser o outro. Talvez possa ser dito que o colonialismo se deu mais pela predação, enquanto o neocolonialismo pela sedução e o despertar do interesse. É possível que, atualmente, o exemplo mais claro de uma cultura de interesse seja o caso de Porto Rico que aceitou, por referendo popular realizado em seis de novembro de 2012, ser o quinquagésimo primeiro estado estadunidense. Aguardava apenas a aprovação do Congresso Americano.15 A história americana já registra casos análogos, como os da

Califórnia, Texas e outros.

É certo que mesmo nas culturas predatórias o desejo de ser o outro é despertado, especialmente no caso de escravidão. Os negros importados para o Brasil foram tolhidos de grande parte de seus costumes, mas passaram a desejar ser como o “branco”, pois isso catalisava não apenas o anseio da liberdade, mas a vida suprida com a dignidade e, ao menos, o básico para a sobrevivência. No entanto, mesmo o querer assimilar a cultura do branco não significava a busca do total “branqueamento” cultural, mas o ser o outro “à sua maneira”. De certa forma, significava o desejo de reconstrução cultural, tendo a liberdade para fazer o seu próprio projeto. Uma cultura “malhada”, resultado da introdução de elementos culturais do branco na cultura original africana. Isso acabou por acontecer mesmo quando ainda eram escravos (Almeida Jr., 2011, p. 116ss). No momento em que, finalmente, a abolição chegou, não concedeu ao negro as necessárias condições para a vida, mas um “descarte” em favor do melhor negócio com o imigrante. A libertação foi a negação do trabalho ao negro, substituído pelo europeu que chegava em levas. A este foi imposto o lugar, o “rancho” necessário para suprimento, e negada a terra tão pretendida, que se tornou cativa (Martins, 2010, pp. 34ss). A imigração no Brasil, ao menos em seu início, foi uma semiescravidão branca. Percebe-se, portanto, que o interesse está presente ainda que na imposição de culturas, apesar de, neste caso, em tensão por causa da rejeição natural à dominação.

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