Promover uma análise sobre as relações entre bem-estar no trabalho e freqüência a programas organizacionais de promoção da saúde.
Específicos
a) Descrever os programas de promoção da saúde existentes na empresa.
b) Descrever a freqüência de participação dos empregados nos programas de promoção da saúde existentes na empresa.
c) Descrever o perfil dos trabalhadores que mais freqüentam os programas de promoção da saúde existentes na empresa.
d) Descrever níveis de bem-estar no trabalho.
e) Descrever a correlação entre bem-estar no trabalho e freqüência de participação a programas de promoção da saúde existentes na empresa.
3. MÉTODO 3.1. Participantes
A realização deste estudo contou com a participação de uma amostra constituída por 117 trabalhadores de uma indústria multinacional química e farmacêutica, situada na Grande São Paulo, sendo 53 (45,3%) do sexo masculino e 64 (54,7%) do sexo feminino, com idade média de 30,28 anos (DP=8,18), dos quais 63 (53,8%) são solteiros, 46 (39,3%) são casados e oito (6,8%) registram outro estado civil. O nível de instrução que prevalece é o superior completo (43,6%), enquanto os demais trabalhadores estão distribuídos entre superior incompleto (23,95) e segundo grau completo (32,5%). O tempo médio de trabalho na empresa é 4,22 anos (DP=4,05).
Tabela 1 – Dados da amostra (n=117)
Variáveis Níveis f % Média Desvios-
padrão
1. Sexo M
F 53 64 45,3 54,7
2. Faixa etária Até 25 anos
26 a 35 anos 36 a 45 anos 46 anos ou mais 40 48 21 8 34,2 41,0 17,9 6,8 3. Idade média 30,28 8,18
4. Estado civil Solteiro
Casado Outros 63 46 8 53,8 39,3 6,8
5. Escolaridade Segundo grau completo
Superior incompleto Superior completo 38 28 51 32,5 23,9 43,6 6. Tempo médio de empresa 4,22 4,05 3.2. Instrumento
Para desenvolvimento deste estudo, utilizou-se como instrumento um questionário composto por quatro partes. A primeira parte apresentava orientações gerais e instruções aos participantes (Anexo A).
A segunda parte foi constituída por três escalas: a) Escala de Satisfação no Trabalho; b) Escala de Envolvimento com o Trabalho e c) Escala de Comprometimento Organizacional Afetivo, descritas a seguir:
a) Escala de Satisfação no Trabalho – esta escala foi construída e validada por Siqueira (1995), originalmente composta por 25 frases que descrevem cinco fatores: satisfação com colegas de trabalho (α =0,86), satisfação com salário (α =0,92), satisfação com a chefia (α =0,90), satisfação com a natureza do trabalho (α =0,82) e satisfação com promoções. Neste estudo foi utilizada a versão reduzida da medida que contém 15 itens cujos fatores tiveram índices de precisão entre 0,77 e 0,90. As respostas foram dadas numa escala de sete pontos: 1 – totalmente insatisfeito, 2 – muito insatisfeito, 3 – insatisfeito, 4 – indiferente, 5 – satisfeito, 6 – muito satisfeito e 7 – totalmente satisfeito.
b) Escala de Envolvimento com o Trabalho – esta escala foi construída e validada por Siqueira (1995), composta por cinco itens (α =0,78). As respostas foram dadas numa escala de sete pontos: 1– discordo totalmente, 2 – discordo moderadamente, 3 – discordo levemente, 4 – nem concordo nem discordo, 5 – concordo levemente, 6 – concordo moderadamente e 7 – concordo totalmente.
c) Escala de Comprometimento Organizacional Afetivo – Esta escala foi construída e validada por Siqueira (1995), composta por 18 frases (α =0,97). Neste estudo foi utilizada a versão reduzida que contém cinco frases (α =0,93). As respostas foram dadas numa
escala de cinco pontos: 1 – nada, 2 – pouco, 3 – mais ou menos, 4 – muito e 5 – extremamente.
A terceira parte do instrumento identificou os dados pessoais dos participantes: sexo, idade, estado civil, grau de instrução e tempo de trabalho na empresa.
A quarta e última parte do instrumento foi composta por um conjunto de 23 questões que avaliaram a freqüência de participação em programas de promoção da saúde realizados na empresa. As respostas foram dadas numa escala de quatro pontos: 1 – nunca, 2 – poucas vezes, 3 – muitas vezes e 4 – sempre. A escala foi construída pela autora deste estudo, utilizando como referência o relatório de sustentabilidade desenvolvido pela Gerente de Responsabilidade Social da empresa.
3.3. Procedimentos
O projeto de pesquisa foi previamente encaminhado ao Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Metodista de São Paulo, que emitiu a autorização para este estudo (Anexo B). O
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE (Anexo C), foi assinado espontaneamente por todos os participantes da amostra.
A coleta de dados sobre bem-estar no trabalho e freqüência à participação em programas de promoção da saúde promovidos pela empresa foi realizada por meio de distribuição e recolhimento do instrumento nas dependências da empresa, com a autorização por escrito de seu responsável. Essa fase da pesquisa durou quatro semanas, período em que a pesquisadora esteve presente na empresa e aplicou o instrumento em ocasiões em que os participantes deixavam o trabalho para participarem da ginástica laboral.
Todos os dados recolhidos por meio do instrumento são numéricos o que permitiu sua análise eletrônica por meio do SPSS, versão 13.0 para Windows. Nessa categoria de dados incluem-se os de descrição da amostra, os referentes a bem-estar no trabalho e freqüência aos programas de promoção da saúde oferecidos pela empresa. Foi criado um banco de dados para realização das análises descritivas (freqüências, percentuais, médias e desvios-padrão) e de correlação bivariada (r de Pearson).
Os dados que permitiram descrever os programas de promoção da saúde promovidos pela empresa foram obtidos por meio de entrevista com a gerente de responsabilidade social, análise do relatório da empresa e de folhetos elaborados para divulgação e registro desses programas. Os dados sobre os documentos obtidos após análise de conteúdo estão descritos nas tabelas de freqüências e percentuais.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nesta seção serão apresentados e discutidos os resultados obtidos no estudo, organizados em cinco tópicos diretamente associados aos seus objetivos: descrição das categorias de programas de promoção da saúde desenvolvidos na empresa, apresentação das freqüências de participações nas cinco categorias de programas, exposição do perfil dos trabalhadores que mais freqüentam os programas, descrição do bem-estar no trabalho e, finalmente, apresentação das correlações entre bem-estar no trabalho e freqüência de participação nos programas.