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As relações entre a Ciência e a Sociedade têm vindo a estreitar-se e complexificar-se no sentido do reconhecimento social e simultaneamente do apelo a posturas participativas e socialmente interventivas do investigador na informação da decisão técnica, na arbitragem de interesses conflituantes e na “vulgarização” do conhecimento científico, em face da confiança pública de que é alvo comparativamente aos poderes políticos e aos leigos.

A consciencialização da responsabilidade social da profissão e da obrigação ética de ‘prestação de contas’ aos cidadãos e poderes públicos, bem como a perceção do carácter estratégico da mediatização como forma de legitimação social, tem vindo a objetivar-se no Grupo da Biodiversidade dos Açores à medida que a produção de um considerável corpus de conhecimento ganhava forma, tendo-se traduzido em diversas iniciativas de divulgação científica que vão ensaiando estratégias de desconstrução da linguagem encriptada da ciência, de diversificação das gramáticas e aproximação aos léxicos e interesses dos cidadãos e do seu envolvimento nos processos de decisão.

A trajetória percorrida pelo Grupo no âmbito da comunicação da ciência parece replicar a evolução e profundas alterações a que esta área foi sujeita, uma vez que os princípios que têm animado as ações se deslocaram progressivamente da tentativa primordial de elevar o nível de conhecimento de cidadãos, perspetivados como ignorantes e recetáculos de informação científica, para a promoção de dinâmicas de auscultação e de co construção de decisões e práticas mais funcionais entre parceiros com capitais culturais e experienciais distintos mas igualmente relevantes. Este percurso assemelha-se, de algum modo, à evolução muito significativa operada nas últimas duas décadas no estudo da compreensão da ciência pelo público, com a substituição de um modelo de défice cognitivo por um modelo interativo (Carvalho & Cabecinhas, 2004), que dá

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Dialogar com a sociedade, e em particular com as comunidades locais, incluindo os cidadãos como parceiros privilegiados na negociação de formas de entendimento e de ação coletiva, reclama desde logo ser sensível às suas visões de mundo, aos seus interesses e dificuldades – vertente que no âmbito de incidência deste projeto tem sido assegurada pela etnoentomologia, uma área de estudos relativamente recente que nos últimos 50 ou 60 anos tem explorado transdisciplinarmente as crenças, sentimentos e comportamentos que intermediam as relações das populações humanas com as espécies de insetos presentes nos respetivos ecossistemas (Neto, 2004). Subscreve-se a relevância atribuída por diversos autores (Gurung, 2003; Posey, 1983, Neto,2004) a problemas de investigação de segunda ordem (Marton, 1992) relativos às representações sobre os insetos, à descrição das etnotaxonomias e compreensão dos critérios que as sustentam e aos usos populares e valores de troca associados aos insetos, considerando que esse conhecimento representa uma fonte significativa de informação sobre as espécies com impactos manifestos no desenvolvimento de formas mais sustentáveis de produção agrícola e de proteção e conservação da natureza.

Neste sentido, e na linha de vários estudos exploratórios realizados pela equipa (ex. Gabriel, Silva & Borges, 2004; Gabriel & Arroz, 2011), numa primeira incursão empírica, Rosalina Gabriel e cols. analisaram as perspetivas de jovens do 3º Ciclo do Ensino Básico e Secundário acerca do património vivo e dos processos de evolução biológica dos Açores. Sequencialmente é apresentada a acção de divulgação “Insetos pela cidade”, uma intervenção urbana que pretende tornar seis insetos endémicos dos Açores, com uma distribuição restrita a habitats nativos (floresta natural e grutas), presentes nas cidades do arquipélago, a começar em Angra do Heroísmo. A utilização das novas redes sociais electrónicas como o Facebook, foi pretexto para se apelar à participação do público, que é aqui chamado a intervir e a pronunciar-se na criação de nomes comuns para outros 12 insectos endémicos. Dá-se conta de uma progressão entre o estudo das perspectivas e representações de uma parte da população, uma acção de divulgação de ciência para o grande público e a utilização de um método interactivo de comunicação, utilizando meios electrónicos e responsabilizando os açorianos e outros interessados na observação e incorporação de insetos na sua vida quotididana.

Esta secção apresenta também o relato da exposição “Vida de inseto” que esteve presente no Centro de Ciência de Angra do Heroísmo, em que este projecto colaborou.

Referências Bibliográficas

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