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A Academia de Música de S. Pio X iniciou as suas actividades no dia 22 de Novembro de 1981, ficando, nessa fase, administrativamente dependente do Centro Paroquial "Padre Porfírio Alves". Desde 1986, que tem como Directora Pedagógica a professora Teresa Rocha.

Dado o rápido crescimento, depressa se verificou que seria difícil mantê-la na dependência daquele Centro. Deste modo, em 1991, a Câmara Municipal de Vila do Conde comprou o alvará e criou a Fundação Dr. Elias de Aguiar que passou a administrar a Academia, constituindo-se então uma instituição de utilidade pública destinada ao ensino da música e da dança, podendo organizar outras iniciativas, como cursos de aperfeiçoamento musical, exposições artísticas, palestras, concertos, festivais de música e edição de livros ou publicações. Desde 1995 que a Academia de Música ocupa parte do espaço do Centro Municipal da Juventude.

Inicialmente o projecto foi sustentado, em termos financeiros, pelo "Programa Itinerância Cultural" lançado pela Secretaria de Estado da Cultura, tendo tido dificuldades em se manter quando aquele findou. Foi a Câmara Municipal que susteve a Academia durante os anos de dificuldades financeiras, mantendo, segunda a sua directora, uma política de "porta aberta", sempre disponível a atender, de forma ponderada, qualquer solicitação.

A Academia de Música é uma escola de ensino especializado da música, vocacional e não profissional, com paralelismo pedagógico ao ensino particular e cooperativo. Os cursos, autorizados pelo Ministério da Educação, dão direito a certificação, sendo o plano curricular igual ao do Conservatório de Música do Porto, com acesso às Escolas Superiores de Música (Porto e Lisboa), às Universidades do Ensino da Música (Aveiro e Évora) e à Academia Nacional Superior de Orquestra (Lisboa). O Ministério da Educação comparticipa nas propinas dos alunos e no pagamento dos vencimentos dos professores,

através de um Contrato de Patrocínio147, permitindo o acesso à aprendizagem

a alunos que, de outro modo, teriam dificuldade em pagar as propinas148. A

Academia tem cerca de cento e setenta alunos, distribuídos por três graus de ensino, estando setenta em regime articulado com a respectiva escola que frequentam, fazendo a música parte do seu plano curricular.

Existem na Academia vários instrumentos à disposição dos alunos numa fase inicial de aprendizagem, adquiridos não só através de um protocolo estabelecido com a Secretaria de Estado da Cultura, mas também através do PRODEP (Programa de Desenvolvimento da Educação de Portugal), tendo a Câmara comparticipado nas despesas. Isto facilita não só a escolha ponderada do instrumento a que o aluno virá a dedicar o seu estudo, mas também constitui uma facilidade para alunos com dificuldades económicas uma vez que os instrumentos, de um modo geral, são caros.

Para além da Câmara Municipal e do Ministério da Educação recebem ainda apoio de várias entidades como o Ministério da Cultura, a Fundação Calouste Gulbenkian e o Instituto Português da Juventude, entre outros.

Dos alunos que têm obtido maior sucesso na área musical, distinguem-se: uma aluna que, tendo concluído o curso complementar na Academia S. Pio X, foi admitida, através de concurso, na Escola Superior de Música em Paris, encontrando-se a fazer o curso superior de cravo; um aluno de piano que entrou para a classe da professora Tânia Achot na Escola Superior de Música de Lisboa e tem obtido as classificações mais altas; uma aluna já licenciada que tem feito um percurso muito interessante, estando a ser solicitada pelo Instituto Orff do Porto para dar aulas; três alunos da Academia admitidos o ano passado na Escola Superior de Música do Porto, inseridos num conjunto de nove candidatos admitidos, em paralelo com quatro alunos do Conservatório de Música Nacional que tinham acabado o curso complementar com vinte valores. Estes exemplos provam o elevado grau de ensino da Academia e de formação durante os Cursos de Aperfeiçoamento. Estes constam de trinta horas de formação musical, concentradas numa semana, normalmente coincidente com o período de férias da Páscoa. São ministrados por professores estrangeiros e

As propinas de um aluno de curso básico são 150 contos por ano, mas do curso complementar chega aos 350 / 360 contos. Os alunos do ensino articulado pagam 30 contos por ano.

dirigidos a jovens músicos nacionais e estrangeiros (cerca de oitenta e quatro jovens no conjunto) que se deslocam a Vila do Conde.

Os objectivos do Curso são precisamente fomentar o intercâmbio cultural entre estes jovens e individualidades da vida musical internacional - vertente pedagógico-didáctica; permitir a assistência gratuita da comunidade local e regional e dos jovens, em particular, a um ciclo de concertos e audições de alto nível - vertente pedagógico-cultural; dar oportunidade ainda aos pais e familiares de tomar contacto com os conhecimentos desenvolvidos pelos jovens; dar oportunidade a jovens do concelhos de contactar com formas de

música mais erudita, fomentando apetências para a sua aprendizagem.

Estes cursos constituem o momento anual mais alto da Academia de Música. A primeira edição ocorreu em 1988 e correspondeu a um desafio lançado ainda pela Secretaria de Estado da Cultura de então, através do projecto "Itinerância Cultural - Autarquias Locais", em que eram pagos, na íntegra, concertos, deslocações de músicos e agrupamentos, assim como a respectiva divulgação. Nessa época, realizava-se um concerto por mês em Vila do Conde.

Destaca-se, na terceira edição dos Cursos que integrou o 1 ° festival de Música da Primavera, o convite feito a dois dos alunos que frequentavam os Cursos de Aperfeiçoamento, para estudarem na Escola Superior de Música de Freiburg (Alemanha), tendo aulas com o professor Vitaly Margulis. Ambos vieram a obter a classificação máxima - Diploma de Virtuosismo.

Os Cursos de Aperfeiçoamento Musical que em 2000 fizeram a sua XIII

edição149, desenvolveram actividades paralelas. No âmbito das comemorações

do 250° aniversário da morte de Bach, realizaram-se conferências por Rui Vieira Nery e no Auditório decorreu uma exposição relativa a Bach.

Para além dos Cursos de Aperfeiçoamento, os alunos da Academia de Música realizam, durante o ano, no Auditório, vários concertos para piano e orquestra,

149 Estes cursos são subsidiados, para além do Ministério da Educação, pela Câmara Municipal que

também atribui um subsídio anual à própria Academia de dois mil contos. O orçamento anual dos cursos são cerca de seis mil contos. Para além deste apoio, a Câmara cede as instalações, assim como são da responsabilidade da edilidade as despesas de funcionamento. Paga ainda despesas de tipografia para divulgação dos cursos - folhetos, cartazes e ainda parte das despesas relacionadas com deslocação dos professores.

A Câmara atribui ainda um subsídio à Fundação Elias de Aguiar, administradora da Academia, para gratificações ao Conselho da Administração e uma bolsa de estudo que corresponde ao pagamento completo da propina - o que é superior a uma bolsa da Gulbenkian para o mesmo nível de ensino.

com uma assistência que ronda as duzentas / duzentas e cinquenta pessoas. No salão de festas do Centro Municipal da Juventude realizam-se ainda recitais especiais de flauta e violino, com uma assistência de cerca de cem pessoas. A Academia de Música Pio X estabelece intercâmbio cultural com outros Conservatórios de Música (Aveiro, Porto, Braga), Academias de Música (Paredes e Lousada), Escola Profissional de Arte de Mirandela e Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo do Instituto Politécnico do Porto; organiza / produz concertos em colaboração com a associação vilacondense "Círculo Católico de Operários" e com a Câmara de Vila do Conde, em diversas igrejas das freguesias do concelho e na igreja matriz.

Pode-se afirmar que a Academia de Música desempenha uma função importante no ensino da música e em termos culturais e sociais mais vastos, quer através do enriquecimento da sua actividade específica, quer ainda no modo como o faz, voltada para a comunidade local, batendo-se na defesa de que o ensino da música possa atingir camadas sociais com menores recursos económicos.

Espera-se que a sua acção seja cada vez mais desenvolvida e apoiada, porque constitui uma mais-valia segura para o panorama cultural local e regional.

Em Suma

Os dois projectos aqui referidos fazem parte da programação anual de eventos culturais de Vila do Conde. Embora se possam considerar expressões culturais dirigidas públicos específicos, são, no entanto, abertas à comunidade local. No que diz respeito, porém, à dimensão desses públicos, são dois eventos bastante diferentes: O Festival Internacional de Curtas Metragens enche exaustivamente o Auditório, com um público jovem, em grande parte de Vila do Conde, mas também da Área Metropolitana do Porto e do resto do país (em 1999, atingiu dezoito mil espectadores, no total dos seis dias de Festival); Os Cursos de Aperfeiçoamento, e mesmo a audição final e outros eventos realizados pela Academia ao longo do ano, têm um público bastante mais reduzido, na ordem das poucas centenas. No entanto, o programa os Pequenos Músicos ou o Bichinho da Música organizado pela Academia, que

será referido mais à frente neste trabalho, tem um sucesso enorme junto dos alunos das escolas do concelho150.

Pensa-se ainda que se está perante duas formas diferentes de fazer promoção dos eventos, pois pode-se afirmar que o Festival Internacional de Curtas Metragens beneficia de uma promoção junto da imprensa bem feita, com projecção local, nacional e internacional, que começa muito tempo antes do evento. Por seu lado, os Cursos de Aperfeiçoamento, apesar dos nomes sonantes dos formadores, não dispõem do mesmo grau de divulgação.

No entanto, são ambos momentos altos, de grande qualidade do panorama cultural vilacondense, que têm vindo a reforçar-se e que, juntamente com a Feira Nacional do Artesanato e as Corridas de Automóveis, são essenciais para a consolidação de um programa regular de eventos culturais em Vila do Conde.

Acrescenta-se ainda uma pequena reflexão, de âmbito geral, que se considera pertinente: a análise desenvolvida neste trabalho relativamente aos eventos / projectos culturais refere-os muitas vezes relativamente aos públicos envolvidos - se têm muito ou pouco público, se são de carácter mais elitista ou popular, se têm mais um cariz educativo ou de diversão. Na realidade esta classificação não é muito linear. Do mesmo modo que cada projecto não responde só a um objectivo de uma política cultural, como já aqui se defendeu, também a classificação dum evento por qualquer destes termos parece bastante reducionista, questão que deriva do carácter multifacetado dos projectos e da sua capacidade de envolvimento.

Percebe-se que se vive um período em que os acontecimentos culturais têm socialmente uma valorização significativa. A dimensão dos públicos toma-se, por isso, sujeita a alguma análise crítica, pois pode-se estar perante públicos que pretendem uma valorização do seu capital social que não corresponde de facto a práticas culturais adquiridas e "cultivadas".

Do mesmo modo, uma forma de cultura considerada "clássica", não é elitista por ela mesma, mas torna-se elitista pela prática social e política que a

1 ° Em termos de números "arrendondados" de espectadores ou visitantes, pode-se referir o seguinte

Festival de Curtas Metragens - 18 000 em 6 dias (1999); Cursos de Aperfeiçoamento - cerca de 84 alunos + uma/duas centenas de público, durante uma semana, podendo as sessões infantis "Bichinho da Música" atingir largas centenas; e ainda, as Corridas - de 15 a 20 000; Feira de Artesanato - 400 000.

envolve. Por exemplo, a melhor maneira de criar públicos para a música faz-se através da sua democratização, da sua disseminação e do seu ensino, para os quais, sobretudo a política central, mas também a local e, por consequência, a escola têm uma função determinante, capaz de criar sementes para futuro. Do mesmo modo, as manifestações ditas populares não dispensam actualmente exigências de qualidade e de inovação, capazes de as tornar atractivas e valorizadas perante outros tipos de público, que não aqueles que lhe são atribuídos.

Defende-se assim a importância e validade das diferentes expressões culturais, contribuindo a sua diversidade para o enriquecimento da cultura e a disseminação social do capital cultural.

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