• Aucun résultat trouvé

ANALYSIS PROGRAMS

Dans le document 10,28 $ (Page 87-102)

8.3. A HALT LOAD KERNEL ROUTINE

8.3.21 ANALYSIS PROGRAMS

O Festival Internacional de Curtas Metragens tem sido realizado pelo Cineclube de Vila do Conde - Associação Juvenil, designação que recebeu aquando da sua constituição, em Dezembro de 1989 na Secretaria Notarial de Vila do Conde. Composto por dez elementos, que se consideram a si mesmos, muito voluntaristas (sete do sexo masculino e três do sexo feminino), constituiu-se com uma sede provisória na casa particular de um dos seus membros. Eram pessoas com uma média de idades de vinte e quatro anos, quase todos com formação académica na área das artes plásticas, tendo alguns já alguma experiência cineclubística139.

139 Em 1959 surgiu em Vila do Conde um Cineclube por iniciativa de alguns elementos de uma tertúlia de

café ligados ao Clube Fluvial Vilacondense que funcionou, até à década 70, nas instalações deste. Os seus objectivos, diz-se na revista comemorativa do 90° aniversário do Fluvial, foram "proporcionar o prazer de ver grandes filmes e, através de uma escolha seleccionada, transmitir valores estéticos, culturais e de liberdade". Algumas embaixadas faziam cedência de filmes.

A partir de 1992, o Cineclube passou a usufruir de instalações cedidas pela Câmara Municipal, nomeadamente de uma sala no Auditório Municipal, que passou a constituir a sua sede e do próprio Auditório para a exibição das sessões de filmes e realização do Festival Internacional de Curtas Metragens. Este teve a sua primeira edição em 1993, tendo um ano antes sido organizadas em Vila do Conde as chamadas Sessões Extensão, relativas ao Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz. Estas sessões não vieram a ter reedições na programação do Cineclube de Vila do Conde.

Por uma questão simbólica óbvia, o primeiro filme exibido foi "A Divina Comédia" de Manoel de Oliveira.

O Festival Internacional de Curtas Metragens, desde a sua primeira edição, tem mantido um carácter regular, realizando-se anualmente durante uma

semana em Julho, tendo cumprido em 2000 a sua oitava edição140.

Apesar de ter uma direcção constituída por elementos jovens e apresentar um percurso temporal curto, a sua organização tem-se revelado sempre de bom nível, capaz de atrair a Vila do Conde nomes sonantes do panorama internacional das Curtas Metragens. Diz-se que já conquistou junto do público e crítica nacionais o título do Festival mais jovem e mais bem organizado.

Desde a segunda edição que o festival obteve do Ministério da Cultura, o estatuto de "actividade de manifesto interesse cultural"141.

No que diz respeito ao poder local, pode-se afirmar que tem existido um apoio constante ao Cineclube, desde logo pela cedência de instalações (futuramente ficarão instalados no Cine-Teatro Neiva, em fase de recuperação), mas ainda com apoio logístico, recursos humanos e meios técnicos, colaborando ainda financeiramente na organização do Festival. De um modo geral, a direcção tem a atitude de recorrer à Câmara Municipal sempre que precisa de algum apoio.

Indicadores de 1999: Cerca de 150 Curtas Metragens apresentadas; 18 000 espectadores - 72% jovens, até aos 35 anos - durante 6 dias; 2 salas de exibição; 10 000 cartazes de rua (Porto, Lisboa, Guimarães, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, etc); 60 passagens de spots na televisão; 200 passagens de spots na rádio; 70 inserções na imprensa - diários e semanários; 200 000 programas distribuídos ao público; 2 000 catálogos oficiais; 220 notícias na imprensa na ocasião do Festival.

141 Em 1999 recebeu do IÇAM (Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia) a importância de doze

mil e quinhentos contos, assim como do Programa MEDIA da União Europeia o subsídio de cinco mil contos. Se traduzirmos estas receitas das Curtas Metragens, CRL, em percentagens pode-se sintetizar da seguinte forma: 40% privados (institutos, fundações, empresas); 45% instituições (Ministério da Cultura, Câmara Municipal de Vila do Conde, União Europeia); 15% receitas de bilheteira.

Como é óbvio, este apoio financeiro142 é fundamental e confortável para o nível

de trabalho realizado e reflecte, da parte da autarquia, o interesse político pela visibilidade externa de que o Festival se reveste. Este interesse é bem materializado na frase proferida pelo presidente da autarquia, aquando da sessão de abertura do corrente ano: "Pedidos da direcção do Cineclube, são ordens para a Câmara".

Para além da realização do Festival, a direcção do Cineclube comprometeu-se, face à Câmara Municipal, a dinamizar regularmente o espaço do Auditório Municipal em termos de exibição de cinema, dispondo de plena autonomia no processo de escolha e exibição dos filmes.

A partir de 1994, para além da realização da segunda edição do Festival, deu- se início às sessões regulares de cinema para públicos infantis/juvenis e para adultos, tornando-se o Auditório a única sala de exibição cinematográfica no concelho. Do mesmo modo, o Cineclube é o único agente cultural de oferta de cinema de autor143.

Para além da programação semanal regular, o Cineclube realiza vários ciclos temáticos e um conjunto de actividades paralelas: conferências, colóquios, edições e lançamento de Festivais de Curtas Metragens; um concurso de Montras que funciona como ligação e incentivo ao comércio e à comunidade local; uma biblioteca e uma videoteca sobre cinema; e a edição de um Boletim Informativo. Em 1995 foi feita a apresentação da exposição Screen Lovers da

Kobal Collection.

Em 1996 a qualidade do Festival consolidou-se junto da crítica nacional e internacional, alicerçando projectos internacionais, como a realização de um acordo com a Comissão de Coordenação dos Festivais de Cinema (Comissão Europeia) para a elaboração de um Programa Oficial da Curta Metragem exibido pela Europa e a participação em festivais internacionais, como o Festival de Kiev e o Nordisk Panorama da Escandinávia. Nesse ano, no âmbito das comemorações dos cem anos do Cinema, para além da exposição "100 Anos de Cinema em Portugal", foi organizado um ciclo temático - O caso do

142 Apoio financeiro da autarquia na ordem dos sete mil contos, acrescidos de quinhentos contos para um

prémio de cinema a distribuir.

143 Em 1994 o número de sócios do Cineclube era de quinhentos e oitenta, tendo oitenta por cento idades

inferiores a trinta anos. Actualmente tem cerca de setecentos sócios e uma média de cem espectadores por sessão.

cinema expressionista alemão - em colaboração com o Goethe Institut do Porto e ainda uma exposição de fotografia alusiva ao cinema - O Cinema Francês visto pela Agência Magnum. No âmbito do atelier "Cinema de Animação", incluído num projecto financiado, foi realizada a curta-metragem "A Viagem".

Acrescenta-se ainda que, até 1997, houve, todos os anos, debates e encontros com realizadores e músicos e a realização, paralelamente ao Festival, de concertos musicais. Foram ainda desenvolvidos, em colaboração com a Câmara Municipal e as escolas, trabalhos com grupos juvenis, tendo em vista a formação de novos públicos, num processo prévio à realização do Festival:

iniciação teórica ao cinema e ao vídeo, ateliers de cinema de animação, sessões de vídeo, ciclos temáticos e sessões juvenis de curtas metragens nas próprias escolas do concelho144. Estas iniciativas designaram-se: "A Curta

Metragem vai à Escola" - apresentação de doze programas de Curtas Metragens nas escolas secundárias do concelho145; ABC Musical -

desenvolvido no Centro Municipal da Juventude por um músico especificamente contratado para o projecto e um grupo de trinta crianças das escolas primárias, que, depois da aprendizagem de várias técnicas, culminou com um concerto. O tema extra-competitivo centrou-se na "Música e Curtas Metragens".

A partir de 1998, dado que a organização do Festival passou a requerer uma estrutura mais profissionalizada, os elementos da direcção fundadora do Cineclube constituíram a Cooperativa Curtas Metragens, CRL, cedendo a direcção do Cineclube a um novo grupo de jovens.

Separada e profissionalizada a estrutura organizadora do Festival, caberia à actual direcção do Cineclube o desenvolvimento do trabalho paralelo com as escolas. Embora, teoricamente, se afirme que o Cineclube pretende continuar o mesmo trabalho de formação de públicos, prévio à realização do festival, nomeadamente dos públicos estudantis do concelho, tal não foi levado a efeito no último ano, assim como o desejo de concretizar, a longo prazo, um projecto de formação cultural mais vasto, junto de várias escolas da região do Norte e

144 Projecto apoiado pelo Sub-programa C do PRONORTE - 6.142 contos de investimento elegível. 145 Participação de 22 professores, 2 892 alunos e o envolvimento de 35 jovens na organização desta e

da Área Metropolitana do Porto, com o apoio e a colaboração das respectivas Câmaras. Esta faceta virada para a comunidade local é um dos projectos que, pela sua importância, interessa recuperar.

Em jeito de destaque, pode-se ainda acrescentar que o Festival Internacional de Curtas Metragens, reconhecido como exemplar em termos de qualidade programática e de organização, faz parte da Agenda Cultural Portuguesa e da Agenda Internacional da Arte; é considerado o único certame em Portugal que difunde e promove com sucesso "pequenos grandes filmes"; e tem constituído um encontro entre a melhor produção mundial de Curtas Metragens e o público que caracteriza estes eventos, incluindo várias individualidades de todo o mundo, entre realizadores, actores, profissionais da produção e divulgação cinematográfica e jornalistas (mais de duzentos profissionais, dos quais 45% são estrangeiros).

Em destaque ainda o lançamento, com êxito, a partir de 1997 do Mercado do Filme, onde podem ser vistos filmes de países estrangeiros (no ano 2000 foram cerca de 1.800 filmes), para uma selecção que integrará depois a Competição Internacional.

Foi criada ainda a Competição Nacional - montra anual de apresentação da mais recente produção. No seguimento desta acção, criou-se em Vila do Conde a Agência da Curta Metragem, com o fim de criar mostras para apresentar noutros países e festivais de cinema.

Está assim em velocidade de cruzeiro uma estrutura prestigiada dentro do âmbito cultural nacional e internacional, e especificamente das Curtas Metragens, montada e desenvolvida a partir de Vila do Conde. A equipa directiva considera que apresenta uma concepção de cinema vista como forma de arte e de intervenção cultural e social, mantendo-se o seu percurso firme no cumprimento dos objectivos do projecto inicial: O cinema nas suas mais diversas vertentes - artística, formativa e pedagógica .

146 A informação aqui exposta foi recolhida através de entrevista ao Dário Oliveira, membro da direcção

do Cineclube, através de material escrito por ele fornecido e através da candidatura apresentada ao Sub- programa C do PRONORTE. Não queria deixar de referir que foi muito importante ainda a leitura do trabalho de Dissertação em Mestrado de Natália Maria Azevedo Casqueira (ver bibliografia).

Dans le document 10,28 $ (Page 87-102)

Documents relatifs