INSTRUMENT DE NOTIFICATION
10. Informations en retour sur le questionnaire
Comecemos pela conceitualização do termo Fenda Digital. Deriva do inglês digital divide, e foi primeiramente utilizada nos Estados Unidos, na década de 90.
De acordo com Escola (2007:96):
"Coube ao Departamento de Comércio do Governo a primeira utilização do conceito e teve como intuito chamar à atenção para as situações de desigualdades não só entre os que possuem computador mas também para aqueles que têm acesso á rede e todos os que se encontram privados dos recursos informáticos bem como da possibilidade de conectividade".
Ainda sobre o conceito, Escola (2007:95-98) chama à atenção para as traduções do termo em inglês e fala da diferença entre eles. Os termos são: brecha digital, fenda digital e fractura digital, representando, ordenadamente, distância, separação e ferida. As duas primeiras, representam um abismo entre pontos separados por distâncias, já a terceira acrescentando a dor à ação de ruptura, como quando se fratura alguma parte do corpo. Por isso ele afirma que o termo fratura é:
" seguramente, uma tradução feliz, pois para além de recordar o abismo e separação que afasta muito mais que aproxima, sublinha a dimensão dolorosa e traumática que envolve a situação daqueles que se vêem relegados para uma situação de manifesta desigualdade do que se considera indispensável para se aceder à sociedade da informação e do conhecimento".
50 Ele também acrescenta que o único consenso sobre o termo é a sua relação com as novas tecnologias, pois " não há uma definição de brecha digital que se imponha com caráter definitivo e que suscite a adesão de todos os investigadores".
Com o uso do termo Fractura Digital, também concorda Gewerc (2007:137) quando afirma que "de ahi que algunos autores prefieran, en español, el término "fractura digital", por ser mucho más expressivo sobre lo que realmente significa".
Fenda Digital para Moreira (2005:157) é um:
"(…) fenómeno conocido como «brecha digital», provoca que unos grupos sociales estén en condiciones de mayor privilegio que otros colectivos que no tienen la capacidad económica ni cultural para el acceso y uso de las nuevas tecnologías. Esta brecha o distancia se agranda todavía más si esta comparación se realiza entre uno países y otros del planeta".
Gewerc (2007:137) diz que " La brecha digital se trata de " una diferencia" (ya sea entre individuos, grupos o áreas geográficas), que se refiere al acceso, utilización y capacidad o habilidad en el uso da las Tecnologías de la información y de las comunicaciones (TIC)".
Echeverría (2007:79) afirma que "la brecha digital es una nueva forma de desigualdad. […] pero el avance de la sociedade de la información y el conocimiento produce nuevas formas de desigualdad derivadas del desigual reparto del conocimento, la información y las tecnologías".
Relacionando Fenda Digital e desigualdades, podemos observar que não só Echeverría está de acordo com essa relação, também Gewerc (2007:136) menciona que "podríamos afirmar sin temor a equivocarmos demasiado que no estamos ante un fenómeno nuevo, sino ante el mismo, pero vestido para outra fiesta". Também Escola (2007:97) confirma que "desta feita é possível defender que a questão da fractura digital é uma nova face de um velho e multifacetado problema: as desigualdades económicas e culturais que perpassam a "aldeia global".
Moreira (2005:74) corrobora dizendo que a desigualdade tecnológica aumentará ainda mais a distância cultural e econômica entre os grupos sociais e que as TIC podem separar mais que unir, visto que só estreitam a comunicação entre quem faz uso delas e excluem quem não faz.
51 A Fenda Digital pode se manifestar de diversas maneiras, em diferentes graus de intensidade e de vários tipos. Echeverría (2007:86-89) fala de 9 tipos: militar, científica, tecnológica, econômica, educativa, linguística, cultural, social e geracional.
Sendo a Fenda Digital reconhecida como a desigualdade de acesso à informação, ao conhecimento e à tecnologia, e sendo indispensável para a conquista da Sociedade do Conhecimento esse acesso, Escola (2007:109) alerta para a importância de se conseguir esse conhecimento: "razão pela qual importa investir, de forma consciente, em tudo o que facilite o acesso ao que circula nas auto-estradas da informação". Vemos assim o quão importante é erradicar a Fenda Digital. Alguns autores arriscam sugestões para tal fato.
Escola (2007:109) alega que é preciso "criar infra-estruturas, disponibilizar equipamento em espaços com vocação educativa, sejam salas de aula, bibliotecas ou museus".
Serra (1998:140) diz que tem se que equipar os espaços públicos, para que, quem não tenha condições financeiras para a aquisição e utilização das TIC, possam usá-las nesses espaços.
Moreira (2005:75) é a favor da criação de "medidas que favorezcan a los grupos menos favorecidos culturalmente el aprendizaje y uso de las TIC".
Para Echeverría (2007:79), "contra la brecha digital no se lucha com alimentos y medicinas, sino com escuelas, educación y tecnologías TIC".
Sobre o papel da Escola na solução da Fenda Digital os autores são unânimes em reconhecer a sua grande importância.
Gewerc (2007:139-140) afirma que "la escuela está cumpliendo con su papel importante en este proceso de eliminar brechas, si a través de ellas niños y adolescentes impossibilitados en otros contextos, acceden a la tecnología". Além disso chama à atenção ainda para o fato de que não é só instalar equipamentos e permitir o acesso que fará com que a Fenda Digital seja eliminada. É preciso analisar como e para que se usam e se esse uso vai ao encontro da construção de uma Sociedade do Conhecimento. Neste aspecto " lá escuela aquí novamente tiene un papel muy importante, ya que allí es posible desarrollar estas competencias".
Echeverría (2007:92) fala de uma outra possibilidade, que seria a transferência de conhecimento e tecnologia entre os "info-pobres" e os "info-ricos", não como esmola mas com softwares grátis. Fala também de um conceito novo a "solidariedad digital" e completa
52 dizendo que "afirmar esse valor sería el principal modo de luchar contra las diversas brechas digitales".
Antes de terminar a questão da fenda digital é necessário salientar que não devemos esquecer nunca que as desigualdades digitais só existem porque anteriores a ela existem as desigualdades sociais e econômicas e que enquanto essas "matrizes" não forem sanadas nenhuma outra desigualdade será. Poderão sim, é vir a aparecer outros tipos de desigualdades, também originadas destas.