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4.3 Conditions d’impl´ementation des algorithmes

4.3.2 Influence de la synchronisation trame

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Mulheres do Sertão

Partindo de uma lista original de ex-alunas do curso de 2008, das quais conseguimos imediatamente contatar quatro lideranças, fomos recebendo indicações de outros nomes de mulheres líderes e donas de casa até montarmos um grupo de 24 entrevistadas (14 mulheres líderes e 10 donas de casa), tanto em Governador Valadares como nas comunidades do entorno, seja em pequenas cidades próximas como Engenheiro Caldas, Sobrália, Tumiritinga, como nos assentamentos da região e pequenos sítios vizinhos. Desse total, encontramos sete (07) mulheres com diploma de nível superior (uma com Licenciatura) – três (03) destas sete entrevistadas são pós-graduadas (latu- sensu). Também desse total das 24 entrevistadas pela pesquisa, cinco (05) mulheres têm diploma de nível médio, sete (07) estudaram até terminar o nível fundamental. Tendo em vista todas as localidades onde essas mulheres vivem, encontramos três (03) analfabetas – uma delas é dona de casa em um sítio localizado próximo de Sobrália; a outra também dona de casa de um assentamento de ex-sem terra que há alguns anos conquistaram o título de proprietários em uma fazenda invadida; a terceira mulher analfabeta é uma operária aposentada que vivia na maior cidade da região Leste de Minas, uma senhora idosa de 81 anos, moradora de Governador Valadares.

Dez (10) dessas 24 mulheres entrevistadas na pesquisa vivem e trabalham nas pequenas cidades, assentamentos rurais ou sítios nos arredores de Governador Valadares. Dessas, três (03) definem-se como essencialmente donas de casa, embora este conceito em se tratando do interior rural tenha suas fronteiras borradas tendo em vista que o cotidiano das donas de casa de centros urbanos guarda diferenças consistentes com o dia a dia das mulheres do meio rural. Todas são meio que trabalhadoras da agricultura familiar – trabalhar em casa na definição do meio rural significa também (além dos afazeres domésticos convencionais) cuidar da horta, das criações como galinhas, cabritos, cães, etc. Guardadas as devidas diferenças de meio urbano e rural, são três as donas de casa entrevistadas121 em localidades nos arredores de Valadares, o que somam 10 (dez) donas de casa no total das 24 mulheres entrevistadas na pesquisa.

121 Trecho de entrevista com dona de casa, 42 anos, analfabeta, casada, avó, tem 2 filhas jovens, moram

em um assentamento rural:

P -Se você fosse explicar pra alguém que tipo de vida você tem, o que você falaria?

R - Que a gente é assentada, que trabalha.

P - E quando teve a ocupação vocês sofreram alguma pressão? Como foi isso?

R - Foi muito pesado. Às vezes estava no almoço da gente ... você estava comendo e tinha que soltar o prato de comida porque estava chegando polícia pra tirar.

P - E aí, vocês saiam correndo e se escondiam?

R - Não, não saia não, ia pra frente enfrentar.

P - Ia lutar?

R - Enfrentava.

P - Então a senhora é corajosa?

R - Todo mundo enfrentava e ninguém corria.

P - E quanto tempo durou isso?

R - Muito tempo.

P - A senhora até esqueceu, tanta coisa boa que está acontecendo agora que a senhora até esqueceu.

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Além das três donas de casa que vivem nas pequenas localidades na vizinhança de Valadares, as sete outras mulheres encontradas nessas pequenas comunidades são todas lideranças de movimentos sociais no sertão do Leste mineiro – três (03) presidentes de sindicatos de trabalhadores rurais de pequenas cidades rodeadas de propriedades rurais onde estes trabalhadores exercem suas atividades profissionais; uma (01) mulher líder é diretora de um destes sindicatos; uma outra (01) é vereadora; outra ainda (01) é servidora municipal aposentada e expressiva liderança comunitária em sua região. Dessas dez (10) mulheres sertanejas entrevistadas nas pequenas localidades, uma delas (01) tem diploma de curso superior (Licenciatura); cinco delas (05) têm diploma de ensino fundamental; duas (02) têm diploma de nível médio e duas (02) são analfabetas. Sintomaticamente, as duas analfabetas vivem no campo – uma delas com a família em um pequeno sítio, a outra vive com sua família em um assentamento de reforma agrária.

Monossilábica, a dona de casa do assentamento rural já referido aqui, analfabeta, mãe de duas filhas, acaba relatando alguma coisa do que viveram no período mais sombrio, onde não sabiam o dia de amanhã. Da. Maria é uma senhora bem escura com feições de índia, desconfiada e quieta. Sentada na sala nova da casa que a família construiu no assentamento, com a luz da tarde batendo nos cabelos escuros e presos para trás, ela descansa na sala de visitas em um sofá coberto por uma manta de cor encarnada. Conta que tem bolsa família e bolsa escola para seus dois netos que brincam em frente à casa. Muitas perguntas tiveram que ser feitas para que Da. Maria afinal fizesse o seu relato. Eliminamos as perguntas e juntamos pequenos trechos da conversa para que se possa ter noção do acontecido – seu relato representa situações que muitas famílias de sem-terra vivenciaram pelo país afora. Ela diz:

“Foi uns dois, uns três anos de enfrentamento mesmo. Não tinha líder. A gente conversava, sentava todo mundo. E falavam: ‘Essa luta nós vamos lutar’. Todo mundo cantava, até hoje ainda canta. Tem vez que tem as reuniões, tem assembléia, tem tudo. Porque a gente agora faz uma reunião, às vezes tem que passar uma coisa que está acontecendo, aí a gente vai para as reuniões e eles vão explicando. De primeiro a reunião era mais pesada, as coisas que a gente tem agora é diferente de quando era lá. ‘Vem, vem todo mundo correndo, porque está chegando, está vindo polícia, está vindo cavalos, cachorros’ . Os pistoleiros não vinham junto não, mas o meu marido foi pego, o Zé França ali, eles foram pegos (...) “.

Das cinco (05) mulheres que declararam viver com a renda familiar mais baixa de todo o estudo, quatro delas (04) moram nestas pequenas localidades vizinhas de Valadares. Elas estão assim distribuídas: uma (01) dona de casa de 42 anos, mãe de duas (02) filhas, casada, analfabeta (só assina o nome), vivendo em assentamento de reforma agrária com marido, filhas e netos, declara renda familiar de cerca de ½ salário mínimo (mais Bolsa Família e Bolsa Escola); uma (01) mulher de 33 anos, casada, mãe de três (03) crianças, com diploma de ensino fundamental, expressiva liderança sindical na região, trabalhadora rural, vive com renda familiar de um (01) salário mínimo; uma (01) mulher casada de 34 anos, dona de casa, moradora de pequena cidade, mãe de duas (02) crianças, com diploma de ensino fundamental, declara renda familiar de um (01) salário mínimo (com Bolsa Família e Bolsa Escola); uma (01) mulher casada de 48 anos, diploma de ensino fundamental, trabalhadora rural, mãe de quatro (04) filhos já criados, avó,

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expressiva liderança sindical na região, vive com renda familiar de um (01) salário mínimo.

TABELA: MULHERES DE