6.3 Comparaison des syst`emes envisag´es
6.3.4 Formation de faisceaux variables avec un formateur adaptatif et
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Nº ENTREVISTA ENTREVISTADO
CIDADE
EDUCAÇÃO
RENDA FAMILIAR OCUPAÇÃO
Partido Político IDADE
FILHOS
Estado Civil ETNIA
RELIGIÃO ABORTO DIVORCIOHOMOSS. LIB.SEXUAL
Entrevista 1
Maria Cristina Oliveira Guesso
Gov. Valadares Medio
1 SM+ ajuda mãeona casa+vice ass.mora
PDS
44 anos
4 filhos
Divorciada
Branca
Batista
Polêmico A favor Respeita Prudencia
Entrevista 8
Marli Lopes
Gov. Valadares Pós-Graduada
12 SM
Dona de Casa
DEM
59 anos
4 filhos
Casada
Branca
Batista
Polêmico A favor Respeita Contra
Entrevista 10
Iovanete Almeida de Paula (Niete)
Gov. Valadares Fundamental
7 SM
Dona de Casa
Não
44 anos
3 filhos
Casada
Parda
Presbiteriana?Contra PrudênciaRestaurar Contra
Entrevista 11
Maria Cândida Borges de Almeida
Gov. Valadares Fundamental
8 SM Da. de Casa/Empreen.
Não
64 anos
4 filhos
Casada
Parda
Católica Polêmico A favor Respeita Prudência
Entrevista 14
Ilda Rodrigues
Sitio-Sobrália
Analfabeta
2 SM
Dona de Casa
Não
68 anos
9 filhos
Casada
Branca
Católica Contra Contra Contra Contra
Entrevista 20
Solange Francisca de Assis
Sobr/Paraíso
Fundamental
1 SM+ Bolsa Família Dona de Casa
Não
34 anos
2 filhos
Casada
Branca
Católica Polêmico A favor Respeita Prudência
Entrevista 22
Maria da Paixão Dias Camil
Assenta. Oziel Semi-analfabeta 1/2 SM+Bol.Família Dona de Casa
Não
42 anos
2 filhas
Casada
Negra
Católica Contra A favor Respeita Prudência
Entrevista 23
Dirce de Oliveira Almeida
Gov. Valadares Médio
3 SM
Mov.Donas Casa
PP
65 anos
1 filha(adoção)Viuva
Branca
Católica Contra A favor Respeita Contra
Entrevista 24
Maristane Alves de Oliveira Borges
Gov. Valadares Superior
10 SM
Dona de Casa
Não
35 anos
1 filha
Casada
Parda
Católica Polêmico A favor Respeita Contra
94 Fonte – Elaboração própria
Número de filhos
Não tem filhos 1 Filho 2 Filhos 3 Filhos 4 Filhos 5 Filhos 6 Filhos 9 Filhos Estado Civil Solteira Casada
Divorciada / Separada Judicialmente Viúva Etnia Branca Parda Negra / Morena Religião Católica / Presbiteriana
Comunidades de Base / Pasotorais Batista / Batista Pentecostal / Cristâ
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Histórias de Vida –
Das 24 mulheres entrevistadas, nove (09) se definem exclusivamente como donas de casa. As outras 16 mulheres, tanto de pequenas localidades próximas quanto as que vivem em Governador Valadares, todas elas exercem alguma ocupação fora do lar. Somente duas delas já estão aposentadas, e é interessante registrar, porém, que evitamos tratá-las na mesma esfera das donas de casa tendo em vista terem dedicado toda uma vida às atividades profissionais. Uma delas, de 62 anos, casada, mãe de três filhos já criados, avó, a meio caminho de conseguir o diploma do ensino fundamental, passou a vida trabalhando em uma pequena escola estadual depois municipalizada. Ora exercendo a função de professora substituta (foi como chegou a essa escola) e depois sendo efetivada como auxiliar de serviços gerais, o que significa dizer que a função de faxina da escola onde entrou como professora enterrava seu sonho de tornar-se mestra daquelas crianças - sua verdadeira vocação, descoberta ainda na infância, quando alfabetizava adultos a pedido de seu pai no sitio onde se criou nos arredores de Sobrália. Embora não tenha nem mesmo o diploma de ensino fundamental mostrou-se mulher educada em letras e na capacidade de reflexão, constituindo-se em importante referência na vida comunitária da localidade de Plautino Soares/Paraíso via trabalhos sociais e está há décadas ligada às Comunidades Eclesiais de Base, as conhecidas CEBES.
A outra aposentada, outra Maria, é uma senhora de seus avançados 81 anos bem vividos, proprietária da casinha onde mora, em um bairro operário próximo ao centro de Valadares. Já com problemas de audição mas bastante lúcida, esta velha senhora recebe sua entrevistadora com sorrisos e raras críticas ao processo de trabalho das fábricas da região, onde fez parte dos primeiros grupos de mulheres operárias do Leste de Minas onda vive. Nos idos de 1953, recém-casada em segundas núpcias Da. Maria Pereira obtém seu primeiro emprego de carteira assinada em uma antiga fábrica de mica que funcionava naquela região (Ipatinga, segundo ela). Mica, aquele mineral utilizado por décadas como importante componente na fabricação de ferros elétricos de passar roupa, em modelos mais antigos de fabricação.
A tarefa da jovem Maria Pereira, (já mãe de três filhos do primeiro casamento e que iria se tornar mãe de mais três ao longo de suas segundas núpcia-s), era justamente fazer com que as chamadas “folhas de mica” se tornassem mais finas. Seu trabalho então, ao lado de suas colegas em longos galpões cobertos de alumínio, tendo os “encarregados” em seus calcanhares, era passar o dia inteiro passando as folhas de mica em um antigo aparelho destinado a afinar aquele material. Aparelho que estranha, mas simbolicamente, Da. Maria (e talvez todas as operárias daquela época) denominavam de “relógio”. Quando perguntada sobre qual era seu trabalho na fábrica de mica, ela responde com ar divertido: “Uai, era passar a folha de mica naquele negócio, o relógio”.
Disse ela à sua entrevistadora que trabalhar com carteira assinada, dinheiro certinho no final do mês e poder ainda sempre almoçar em casa todos os dias (o irmão a levava em casa e a trazia de volta na garupa de sua bicicleta) era uma grande alegria.
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“Bom demais!”, reforça com seu jeito maroto de quem sabe o que é não ter o dinheiro no final do mês. Sobre aqueles “encarregados” do serviço, provavelmente encarregados de fiscalizar a produção das operárias, que se ocupavam em colocar ordem no ambiente de trabalho (“gerenciar recursos humanos”, diríamos hoje), ela demonstra compreender seu papel sem as esperadas críticas tantas décadas depois: “Se eles não estivessem lá, ia ser aquele converseiro... imagine uma porção de mulheres num galpão!...” Mas elas podiam ir ao banheiro?, pergunta a entrevistadora. “Mas claro, minha filha”, responde rápido entre espantada e divertida: “Quem aguentaria passar o dia todo trabalhando sem ir ao banheiro? É lógico que a gente podia!”. E como se respondesse a uma pergunta imaginária de alguém mais crítico, ela emenda logo um raciocínio muito pessoal: “E naquele tempo acho que era melhor de criar os filho. Eu vejo aqui na minha rua os menino à toa, sem tê nada pra fazê. Naquelas fábricas era mulher, era homem, era criança, todo mundo trabalhando. Eu criei meus filho assim, graças a Deus. É todo mundo trabalhador”, conclui.
Da. Maria Pereira, operária aposentada e uma das três (03) analfabetas do grupo de 24 mulheres entrevistadas nessa pesquisa. A única coisa que ela admite lamentar: o excesso de trabalho nas fábricas e em casa para criar seis filhos (mais duas filhas que o marido trouxe da viuvez precoce) não permitiu que ela estudasse. Ao final da entrevista também admite muito discretamente que criar os filhos sem poder oferecer a eles mais de seu tempo, isto é, amá-los, alimentá-los com seu trabalho sem poder conviver muito com eles, foi a limitação mais difícil que teve que enfrentar na vida.