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Chapitre 4 : Elargissement de l’étude

4.1 Etude microstructurale

4.1.2 Influence du post-traitement

Considero de fundamental importância, para além da caracterização da escola onde a pesquisa se deu, caracterizar também o entorno que ela está inserida, o bairro e sua clientela, bem como a trajetória realizada para se chegar a um conjunto de dados que pudesse oferecer elementos para essa caracterização, já que são muitas as necessidades que emergem no

contexto de recolha de dados – mais perceptível aos pesquisadores iniciantes, quanto a consideração de elementos indicadores à construção de um itinerário metodológico de caracterização local, agravados em situação em que há inexistência de documentação oficial e de meios de comunicação escritos que ofereçam elementos de historicidade.

O itinerário realizado para a busca das fontes foi plural no que se refere aos locais e tipos de materiais utilizados. Iniciei a busca na escola, primeiramente na consulta ao Projeto Político Pedagógico, que ofereceu poucos dados relativos apenas à população local:

O bairro Jardim das Margaridas situa-se na periferia da cidade de Araraquara, distante do centro da cidade; o bairro localiza-se próximo à Rodovia A.M.S, bairro com cerca de 1.300 famílias, caracteriza-se pela exclusão não só geográfica, mas também devido ao índice de violência que era muito grande, causado principalmente pelo tráfico de drogas, que se fortaleceu e se consolidou como meio de sobrevivência e garantia de renda na comunidade (PROJETO Político Pedagógico da escola, 2009, p.3).

Dentre as fontes consultadas para a busca de informações específicas sobre o bairro, cito: Arquivos públicos, Jornais, DAAE (Departamento de Abastecimento de Água e Esgoto), CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz), CTA (Companhia Trolebus de Araraquara), Prefeitura; e como fonte oral: moradores, informantes-chave (diretora da escola e responsáveis por setores das fontes documentais). A diretora da escola onde a pesquisa se deu ofereceu dados informais acerca da história do bairro e indicou a procura do Presidente da Associação de Bairro e a Prefeitura Municipal de Araraquara para fins de maiores informações63, os quais serviram de indicadores para rastrear vestígios de informações para composição da história do bairro.

Após a consulta na escola, iniciei64 uma busca de documentos no domínio dos arquivos públicos da cidade de Araraquara os quais, na grande maioria, não dispunha de arquivos. A escassez de materiais incitou a busca por fontes de comunicação jornalística e oral, além da criação de instrumentos de coleta própria (como os que se apresentam em



A mesma justificou que a escola dispunha apenas de dados restritos aos interesses da escola. “Pergunto-me qual a delimitação do que se chama ‘dados restritos’ aos interesses da escola... Conhecer a população para a qual se presta o serviço não é de interesse da escola? Não faz parte da educação?! Como será a adaptação curricular com tamanha generialidade?” (Minhas reflexões. Caderno de Campo, maio de 2009).



Destaco a imensa colaboração que tive do historiador Antonio Netto Junior para a realização dessa etapa de varredura local de fontes, bem como na forma de arquivo dos documentos coletados – fato que facilitou, em grande parte, a realização de agrupamentos de dados que veio a compor essa densa etapa de apresentação metodológica.

apêndice – Instrumento de Caracterização de Arruamento e Instrumento de Caracterização de Imóvel e fotos). O quadro a seguir mostra os documentos encontrados nesse âmbito:

Fontes Materiais

EMEF Roseiras PPP; cd de fotos do bairro (elaborado pelo professor de Geografia),

registro oral da diretora; Relatório de Síntese da Entrevista Sócio- antropológica junto aos pais dos alunos

Biblioteca Municipal Não dispunha de documento

Arquivo Histórico Rodolpho Telarolli

Jornal

Arquivo Público Municipal Não dispunha de documento

Secretaria de Obras Planta das construções públicas do bairro

Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura Municipal de Araraquara

Planta dos terrenos/lotes e ruas do bairro

CPFL65 Não dispunha de documento

CTA - Companhia Trólebus de Araraquara

Tabela de horários do serviço de transporte público urbano do bairro

Unidade de Saúde do bairro Planilhas do SIAB (Sistema de Informação da Atenção Básica)

ano base de 2007, 2008 e 2009; registro oral Assistente Social da Unidade

de Assistência Social do bairro

Registro oral Presidente da Associação de

Moradores do bairro

Registro oral

Moradores do bairro Registro oral

Jornal Tribuna Impressa Matéria do Caderno “Seu Bairro”

Fontes elaboradas Instrumento de caracterização de arruamento; instrumento de

caracterização de imóveis; fotos; notas de campo, bem como relatos orais de informantes chaves destes locais e ainda relatos de moradores.

Quadro 7. Fontes e materiais utilizados para a caracterização. Fonte: Elaboração minha.

As fontes foram possíveis por meio de visita que se realizou em momentos diversos da pesquisa, sendo a data inicial três de julho de 2009, primeiramente no Arquivo Público Municipal onde foram solicitados ao atendente documentos gerais (fotos, plantas, documentos administrativos) referentes ao bairro e à escola pública Roseiral, sendo fornecida a indicação de procurar em outras instâncias e órgãos públicos da cidade, pois não

65 A CPFL – Companhia Paulista de Força e Luz, localizada na Av. José Sales Gadelha, 100, Jardim Guanabara, Araraquara, foi consultada para fins de resgate histórico quanto as instalações elétricas no bairro, e possível aquisição de documento do tipo cartográfico ou plantas de edificações elétricas que dessem elementos de sua evolução, pois segundo relatado por moradores na ocasião de coleta de dados do instrumento de caracterização de imóveis, o bairro teve inicio em 1990, sendo que os primeiros moradores não dispunham por alguns anos de energia elétrica. No entanto, o material da década de 90 referente aos bairros da cidade foi transferido para a unidade de Jundiaí-SP, o qual não tive acesso. Na ocasião da visita, em 21 de julho de 2009, fui atendida pelos funcionários: I.H.S.B. - Auxiliar e H.N.M. - Técnico em Edificações.

dispunha de dados a fornecer. Nessa mesma data, realizou-se a visita ao Arquivo Histórico Rodolpho Telarolli, localizado na Casa da Cultura, no centro da cidade de Araraquara, onde foram consultados diversos jornais de circulação na cidade, como: Folha da Cidade, Tribuna Impressa, O Imparcial, Folha Três e Jornal São Francisco de Assis. O Arquivo, no entanto, não dispunha de muitas informações referentes ao bairro e à escola, com exceção de um único excerto de matéria que fazia menção à participação de moradores estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Roseiral em desfile de várias entidades cívicas em comemoração ao aniversário da cidade em 22 de agosto do ano de 2008, uma sexta-feira. A consulta, realizada na ausência do responsável pelas documentações dos bairros da cidade, não pode recolher o material, sendo isso feito apenas na ocasião de uma segunda visita ao local, em 17 de Julho de 2009. Nesse momento, como o atendimento foi feito pela arquiviologista, foram disponibilizados para consulta e fotocópia todos os arquivos dos Jornais da cidade que ela mesma organizava com o objetivo de coletar informações que agreguem notícias relacionadas a história do município. De posse do material, cuja matéria à escola Roseiral se deu pelo Jornal O Imparcial, segui para o Jornal Tribuna Impressa66, pois segundo indicação da arquiviologista, poderia encontrar algo relacionado no caderno “Seu Bairro” desse Jornal67. Os parcos dados que dispunha me intrigavam quanto à divulgação pejorativa que há acerca do bairro, não se vendo preocupação por parte da mídia, em mostrar os pontos positivos que nele existem.

À Secretaria de Obras foram solicitadas, por meio de um requerimento feito à mão no próprio local, na ocasião da visita à Prefeitura em 3 de julho de 2009, pela manhã, informações relativas à construção da EMEF Roseiral, bem como outras obras públicas situadas no bairro, seguidas de plantas arquitetônicas e outros documentos relacionados ao bairro que o setor pudesse ceder. O retorno dessa coleta de dados estimada para 15 de julho foi suspenso, fazendo-se necessário encaminhar um pedido formalizado constando a finalidade dos dados solicitados ao secretário municipal de obras, como condição para o atendimento ao pedido _ o que foi realizado na mesma data, com registro à mão no local.

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Cujo contato foi possível por meio de telefonema e conversa com a Sra. M.B. do setor de assinatura, a qual forneceu informações relativas ao preço de mercado do referido jornal - assinatura mensal com duração de um ano para pessoa física por R$ 26,90, sendo que para órgãos ligados a Prefeitura há desconto – e quanto a data de publicação de matéria sobre o bairro Parque das Hortênsias no dia 30 de abril de 2009, no Caderno “Seu Bairro”, o qual foi solicitado uma edição. No entanto o retorno que seria dado por telefone, não se efetivou e a coleta do material foi possível apenas 23 dias após o pedido. (Caderno de Campo)

67 Vale a ressaltar que o Arquivo consultado não dispõe de assinatura do referido Jornal, aliás restringe-se a assinatura do Jornal Folha da Cidade e do Jornal O Imparcial, sendo que as poucas materiais do Caderno “Seu Bairro” foram organizadas pela arquiviologista por iniciativa e aquisição pessoal ou por doação de jornais realizadas por amigos.

Na Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura foi possível recolher em 15 de julho de 2009 um ploter impresso em A3 da planta aérea do bairro contendo os quarteirões e ruas do bairro Parque das Margarida e bairros vizinhos, material este cedido pelo técnico de designer fotográfico do setor, que relatou a existência de formação de dois novos aglomerados urbanos nas proximidades do Parque das Margaridas, locais esses que, ao menos por ora, são acessíveis através do bairro Parque das Margaridas.

A propósito das fontes encontradas por meio da pesquisa de campo, nota-se que foram poucas, o que nos exigiu a construção da caracterização do bairro por meio de outras fontes, as quais consideramos intermediárias, por favorecer uma aproximação com os dados que colaboraram para a elaboração desta caracterização: os relatos orais dos moradores do bairro e de alguns informantes-chave – registros feitos em Caderno de Campo.

Quanto à denominação do bairro, vale ressaltar que encontramos algumas distinções de nomenclatura e escrita durante a coleta de dados junto às fontes: o ônibus urbano68 que

faz o percurso de linha no itinerário centro – bairro possui nomenclaturas diferentes, na base de dados disponível pelo Google Earth e na planta de planejamento urbano da cidade de Araraquara aparece “Parque das Margaridas” e a base de dados online69 da Prefeitura “Jardim das Margaridas”. Moradores argumentam que o nome do bairro se deu pelo fato do bairro se formar a partir de um meio natural de mata. Há, como se vê, pouca ou nenhuma preocupação em regularizar o nome do bairro mesmo entre os orgãos oficiais, sugerindo certo descaso com a regularização.

Vale dizer que a preocupação inicial que motivou a busca por explicitar esse trajeto foi quanto à inexistência de bibliografia temática específica, bem como apresentar alguns desafios para pesquisadores de campo na busca de fontes e coleta de informações, os quais são agravados pela dificuldade que a burocracia apresenta para se coletar e estruturar os dados, sendo o tempo e a paciência fatores em relevo a serem ponderados em pesquisas desse caráter e, as quais, não têm espaço nos ‘tempos’ exigidos dos pesquisadores hoje.

O Parque das Margaridas, bairro do tipo residencial, popular, onde se insere a escola onde atuam os professores participantes da pesquisa, localiza-se no Setor Extremo Norte da cidade de Araraquara-SP, área de periferia, marginal ao município. Em termos de dimensão possui aproximadamente 0,5km2 de extensão territorial (área de 763.275,95m2). A localização geográfica do bairro é de total isolamento com relação aos demais bairros da

68 Ônibus da empresa CTA - Companhia Troleibus de Araraquara.

cidade – fato que potencializa práticas marginais e a visão preconceituosa e aversiva manifestada pela opinião pública quanto a essa região e seus moradores.

A única via de acesso ao bairro não possuia, até o final do ano de 2009, qualquer tipo de infra-estrutura (como calçadas e iluminação pública – obteve melhorias no primeiro semestre de 2010) aos pedestres e ciclistas – forma de transporte muito utilizada pelos moradores. Ladeada por uma mata ciliar, a referida extensão oportuniza a ação pública no desenvolvimento de projetos que otimizem o espaço natural para os moradores (como criação de um Horto Florestal).

A aprovação do bairro ocorreu em 198070, mas o desenvolvimento urbano no local se fez apenas em 1994 aproximadamente, quando moradores fundadores (alguns ainda residentes no bairro) iniciaram suas construções residenciais por meio de aquisição de terreno junto a Prefeitura Municipal de Araraquara. Segundo relatos de informantes-chave na prefeitura e pela demonstração das plantas do loteamento que foram analisadas, pode-se inferir que o bairro teve início a partir da venda de terrenos nas dimensões 7,5 x 30m2, antes de domínio de 3 proprietários71 para lotes de 7,5 x 15m272, sendo a partir de 14 de maio de 1994 de propriedade privada da Sra J.B.F – esta durante tempos utilizou o espaço para a criação de gado. As ruas são pavimentadas, porém o asfalto é deficiente e não atende à dimensão total do bairro.

Apesar da relativa pequena dimensão espacial do bairro, ele agrega em média, cerca de três mil e seiscentas pessoas, segundo registra o número de atendimentos realizados pelo PSF (Programa Saúde da Família) do Ministério da Saúde, tendo por referência o período de agosto de 2007 a novembro de 2009, e pouco mais de mil famílias73.



De acordo com fonte jornalistica, em matéria publica no Caderno “Seu Bairro” do Jornal Tribuna Impressa em 2009.

71 Segundo consta no documento de Desapropriação de Lotes para fins de projeto de habitação social a ser efetivado pela Prefeitura, datado de 3 de Abril de 2008.

72 A diminuição dos terrenos provavelmente deu-se em função do poder aquisitivo de compra da clientela que passou a procurar o bairro para residir.



O Jornal Tribuna Impressa em matéria de 30 de abril de 2009, e sem citar fonte, estima que a população local é de 3896 habitantes – uma diferença de quase 300 pessoas à mais.

A proporção de homens e mulheres é ligeiramente assimétrica, sendo que não mantém a mesma discrepância entre sexos se comparado as diferentes faixas etárias nos diferentes anos74. Destaca-se, entretanto que no intervalo entre os quinze aos quarenta e nove anos (correspondente a idade reprodutiva) há uma maior proporção de mulheres, e no intervalo entre cinco e nove anos essa proporção se inverte, havendo uma maior concentração de meninos – o que justifica, inclusive, a visível percepção dessa desproporção nas salas de aula do ciclo 1 do Ensino Fundamental. Entre os pré-adolescentes (dez a quatorze anos), a proporção do sexo masculino é maior do que a do sexo feminino, invertendo-se novamente entre os jovens (quinze a dezenove anos).

Em termos de infra-estrutura e já correspondendo ao perfil sócio-econômico da população residente, o bairro compõe de terrenos pequenos, nas dimensões de 7,5 x 15m2. Correspondente a tal situação, as casas, na sua quase totalidade (99,8%), de adobe/tijolo, apresentam-se na grande maioria sem acabamento (revestimento de qualquer natureza nas paredes), outras com acabamento parcial (apenas reboco em geral na frente da casa), facilitando a umidade do ambiente interno das residências, bem como o desenvolvimento de condições desfavoráveis à saúde (como o bolor) provocativas de doenças respiratórias. Por outro lado, a maioria apresenta cobertura em telha (do tipo brasilite ou cerâmica) e/ou laje, e poucas são as casas com condições de extrema precariedade, como se vê na tabela a seguir:



Os dados do SIAB-MS-Brasil apenas foram disponíveis no período de 2007 a 2009 porque segundo informou a secretaria do Posto de Saúde, as bases anteriores foram perdidas devido a um problema com o computador servidor, restando apenas, a título de consulta, as fixas manuscritas dos pacientes.

Apesar de a grande maioria apresentar condições como portão, muro e calçamento, nota-se o estilo rude e de improvisação nas construções, marcada pelo aspecto inacabado e em menor proporção também conjugados (residências com salão comercial). Há ainda uma variação relativamente considerável de tipos de imóveis no bairro, havendo, contudo, uma grande proporção de residências e lotes, e uma quantidade considerável de construções do tipo vila (pequenos cômodo em um único terreno, destinado a moradia de mais de uma família).

Foto1. Imóvel tipo conjugado Foto2. Imóvel tipo residência

Foto 3. Imóvel tipo Vila Foto 4. Imóvel com pequenos cômodos

A pintura externa é pouco usual na maioria das construções, correspondendo ao poder aquisitivo da classe social dos moradores do bairro que não acompanham em termos de possibilidade de aquisição, os preços ainda elevados das tintas no Brasil.

A presença de cacos de vidro nos muros e da improvisação de portões (inclusive com restos de madeira, outros ainda de latão) e muros (de tijolos ou cerca de alambrado) demonstra o hábito cultural do brasileiro na proteção da terra, e nos últimos tempos também como proteção à presença marcante da marginalidade.

Foto 6. Improviso na proteção do imóvel Foto 7. Imóvel cercado por alambrado e local de depósito de sucatas

Também com características parecidas, vê-se o mesmo movimento de “defesa” em todo desenvolvimento urbano no estado de São Paulo com a crescente tendência do uso da cerca elétrica (presente em três residências que sobressaem o padrão da média dos moradores) e alarmes nas residências, bem como da proteção em condomínios. Este fato, à primeira impressão, causou estranhamento, tendo em vista que o padrão do bairro é de moradas simples. Porém, com a valorização imobiliária dos últimos tempos na cidade, veem-se pessoas, supostamente com melhores condições, a adquirir imóveis em regiões onde os preços parecem ainda ser mais acessíveis. O investimento na habitação – sonho dos brasileiros – em lugares pouco desejados tanto pela insegurança pública quanto pela falta de infra-estrutura e distância com relação aos pontos centrais da cidade de atenção laboral, aponta para a rotatividade da população advinda de situações educativas e financeiras com maiores condições (ou opções), fortalecendo a concentração de guetos de pobreza e de restrita socialização.

Quanto aos lotes, vê-se que há alguns com construções iniciadas no nível da planta (em geral de três cômodos), outros com criação caseira de animais (porcos, patos, galinhas, cavalo, cachorro, gato e passarinho) e plantações (couve, alface, salsa; mandioca, chuchu, tomate, batata doce, abóbora, maracujá), árvores frutíferas (em menor proporção – goiaba, laranja, limão, mamão, banana), mato, lixo e dejetos, entulho de material reciclável (papel e papelão, garrafas pet, latinhas, plástico, vidro). De uma forma geral, nota-se a presença de lixo e de mato – esses últimos também na dimensão do espaço público (ruas, calçadas, praça e ponto de ônibus) – que corroboram para o alastramento de animais peçonhentos (carrapatos, pulgas, baratas, ratos) com potencial de prejuízo à saúde humana, em especial das crianças que tomam, muitas vezes, esses espaços, como lugares para distração e brincadeiras75.

Foto 8. Terreno com plantação de mandioca

No que se refere à presença do poder público, o arruamento e a iluminação não abarcam a totalidade da pequena extensão do bairro; a rede de água, esgoto, lixo e energia elétrica atinge a quase totalidade deste (cerca de 3 moradores não dispõem de cobertura – SIAB 2007 a 2009). Entretanto, apesar da primordial importância e a necessidade da presença do poder público nesses aspectos voltados à infra-estrutura, sabe-se que é igualmente necessário haver programas e serviços que incentivem e propiciem a mudança de hábitos culturais que nem sempre correspondem aos hábitos e as possibilidades de poder aquisitivo dos moradores. Nesse sentido, há visíveis insuficiências de ações do poder público, evidenciando, por um lado, as limitações de permanência do Estado de Bem Estar Social, e por outro, demonstrando a histórica reprodução social de classes.

75 Constatação derivada de observação realizada ao longo do ano de 2009 e de conversas com moradores e alunos.

O cuidado com o lixo é um ponto grave, haja vista que o bairro não dispõe de coleta seletiva (a não ser por iniciativa de catadores do bairro, inclusive pais de alunos da escola) nem disposição de latões de lixo na sua extensão, mesmo em lugares estratégicos de maior concentração e trânsito de população, como os pontos de ônibus, praça e exterior da escola, como se é desejável e esperado. Isso implica pensar e justifica, em certa medida, a dificuldade de otimizar o uso dos latões no interior da escola76, bem como aceita-se, admitindo publicamente pela falta de atenção, os hábitos dos moradores.

Foto 9. Presença de lixo no espaço público Foto 10. Presença de lixo e entulho na rua

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