Chapitre 4 Modélisation numérique du pliage
3.1 Influence de l’augmentation de la masse volumique
Neste subponto pretendemos analisar a vida do duque de Bragança, inserida neste contexto de aparente acalmia nacional. Referimo-nos aos anos de 1441 a 1446. Durante estes cinco anos, D. Afonso verá os seus domínios aumentados, como já tivemos oportunidade de verificar. Mas qual vai sendo, entretanto, a sua estratégia, ou as suas iniciativas? As crónicas são silenciosas sobre personagem durante estes anos, a não ser para informar sobre a criação do ducado.
Desta maneira, temos que recorrer à documentação e ver o que nos diz a esse respeito a biografia realizada por Montalvão Machado. Relativamente a esta última, o autor refere que após o conflito de Lamego, o conde terá voltado para as suas terras, nomeadamente para Chaves, onde passaria a maior parte do tempo178.
Figura 1 – Representação de Chaves, realizada por Duarte d’Armas179
178 MACHADO, J. T. Montalvão – Dom Afonso, Primeiro Duque de Bragança…, p. 333. 179 Disponível em: http://chavesantiga.blogs.sapo.pt/278894.html.
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Esta informação é verosímil, até porque certamente se terá afastado dos centros políticos do reino depois do quase enfrentamento de Lamego de 1441. A sua posição na corte estaria fragilizada, os apoiantes de D. Leonor tinham-se dispersado e esta estava exilada em Castela, sem hipóteses de regressar. Além disso, a regência de D. Pedro tinha sido consolidada, com os apoios dos seus irmãos e, principalmente, do povo. Por isso mesmo, a hipótese de Montalvão Machado assegura-se como credível. Ainda acrescenta que “a edificação do Paço de Barcelos, bem como a construção ou reconstrução da ponte sobre o Cávado, já deviam estar concluídas, mas o Duque continuava agora a levantar as muralhas defensivas da vila, cuja conclusão viria a verificar-se no mesmo ano da sua morte, em 1461.”180
Figura 2 – Representação de Barcelos, realizada por Duarte d’Armas181
180 MACHADO, J. T. Montalvão – Dom Afonso, Primeiro Duque de Bragança…, p. 333. 181 Disponível em: http://www.projectoposter.info/nuno-grande/
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Além das obras que se estaria a fazer em Barcelos, também a construção dos paços em Guimarães estava em andamento. Segundo Barroso da Fonte, este paço já estaria habitável em 1438, mas só foi concluído após a morte de D. Afonso.182 Tratava-se de um edifício bastante ambicioso, que levaria muito tempo e dinheiro para ser construído. Mas as edificações em Barcelos e em Guimarães eram da maior importância para a projeção da sua imagem de grande senhor.
Figura 3 – Representação de Bragança, realizada por Duarte d’Armas183
182 FONTE, Barroso da – Aspectos menos conhecidos do Paço dos Duques de Bragança. Guimarães: Editora Correio do Minho, 1992, p. 13. Este autor ainda tem outro estudo sobre D. Afonso: FONTE, Barroso da – D. Afonso – o oitavo conde de Barcelos. Revista Aquae Flaviae, nº 11 (1994). Chaves: Grupo Cultural Aquae Flaviae, 1994. No entanto, como segue de acordo com o que diz Montalvão Machado, não o citamos. 183 Disponível em: http://4.bp.blogspot.com/-K97Xyj4hRj8/Td-
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Ainda relativamente a projetos que estariam em curso nas suas terras do norte, D. Afonso “fundou em Bragança e em Chaves, respetivamente, a Confraria da Nobre Cavalaria de Santiago e a Confraria da Nobre Cavalaria de S. João Baptista”184. Estes são
os únicos detalhes sobre a vida do duque de Bragança durante os anos referidos que podemos colher na biografia de Montalvão Machado. Naturalmente seria do maior interesse saber mais sobre aquelas duas confrarias, que no entanto não parecem ter deixado rasto documental, pelo que até a sua concretização efetiva pode levantar algumas dúvidas.
Quanto à informação proveniente de documentação, além da doação dos novos territórios analisados no ponto anterior, temos outros diplomas datados entre 1443 e 1445. O primeiro é uma doação por parte da coroa de uns bens na cidade do Porto, superiores a 100 coroas, que foram confiscados à viúva de Fernando Anes, morador desta cidade. A posse de património dentro da cidade do Porto tem um enorme significado, pois pode ser uma base para reclamar, primeiro, o direito a ter residência na cidade e, eventualmente depois, o senhorio da própria cidade. Os outros dizem respeito a Britiande, Ovelha e a Amarante e estão descritos como “da eleição feita pelos moradores da honra”185.
Como podemos verificar, a informação sobre o duque de Bragança durante este período é escassa, verificando-se um afastamento natural da corte e uma dedicação às suas terras do norte. No entanto, é importante perceber o que se estaria a resolver neste período da regência e ver como foram anos cruciais para que o duque de Coimbra tomasse decisões erradas que culminariam com a sua capitulação em Alfarrobeira.
Após a fuga da rainha para Castela, são enviadas várias embaixadas para alertar para a recondução de D. Leonor; porém, não obtêm êxito. Praticamente ao mesmo tempo que se assiste à criação do ducado de Bragança, acontece a morte do infante D. João186. Este filho de D. João I morre em Outubro de 1442 e a sua morte acabará por ser um duro golpe para o duque de Coimbra, visto D. João ter sido sempre um fiel partidário do seu
184 MACHADO, J. T. Montalvão – Dom Afonso, Primeiro Duque de Bragança…, p. 333. É de acrescentar que não possuímos informações sobre a veracidade desta informação; porém, Montalvão Machado retira esta ideia da obra de Francisco de Santiago intitulada “Chronica da Santa Província de N. Senhora da Solenidade”, entre as páginas 216 e 218.
185 CUNHA, Mafalda Soares da - Linhagem Parentesco e Poder…, anexo 1, p. 194. 186 PINA, Rui de – Chronica do Senhor Rey D. Afonso V, cap. LXXXI, p. 688.
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irmão. Pouco depois, acontecerá a morte de D. Diogo, condestável do reino187. Este era filho de D. João, e o regente aproveita este facto para colocar o seu filho, também de nome D. Pedro188, neste cargo189. Esta atribuição deixa o conde de Ourém muito insatisfeito, pois quando lhe foi pedir que lhe desse este ofício importantíssimo, o infante respondeu que já tinha o oferecido ao seu filho e que ele, conde de Ourém, já herdaria um ducado e três condados quando o seu pai falecesse. Contudo, o conde “tamanho descontentamento e agravo mostrou o que do Yfante por ysso recebia, que nunca despois quys mais vir á sua casa, e menos aa Corte d’ElRey em quanto elle regeo, e este odio do Conde d’Ourem foy a causa principal da morte, e destruyçam do Yfante Dom Pedro”190.
Como podemos averiguar, Rui de Pina veicula uma interpretação dos factos que nos parece a mais correta: terá sido este episódio a ‘última gota’ que fez transbordar o cálice que levará à queda do duque de Coimbra, porque a partir deste momento vemos o filho do duque de Bragança ao lado do seu pai e do seu irmão. Ficará para sempre a dúvida: o que teria acontecido se D. Pedro confiasse o cargo de Condestável do Reino ao onde de Ourém? Uma resposta possível era a seguinte: não teria mudado grande coisa, uma vez que estaria a fortalecer muito o poder e o prestígio da sua linhagem, e o seu gesto podia ser entendido como uma fraqueza e uma cedência.
Por fim, como que a encerrar um ciclo iniciado com o falecimento do rei D. Duarte, importa destacar a morte de D. Fernando, o infante que estava cativo em Fez, no ano de 1443, e por último a morte de D. Leonor em Toledo, passados dois anos, em 1445. Convém ainda salientar as campanhas realizadas pelo condestável D. Pedro em ajuda ao rei de Castela, contra os infantes de Aragão191.
Em género de conclusão, fica-nos a ideia de que durante estes anos a vida na corte foi pautada por algumas movimentações discretas, sem grande aparato político, que, todavia, irão fazer estragos nos anos seguintes. Quanto ao conde de Barcelos, acreditamos
187 PINA, Rui de – Chronica do Senhor Rey D. Afonso V, cap. LXXXII, p. 689.
188 Sobre esta figura da nossa história, vide: FONSECA, Luís Adão da - O Condestável D. Pedro de
Portugal. Porto: Instituto Nacional de Investigação Científica, 1982.
189 Excesso de ambição? Erro de cálculo político grosseiro? Deixamos esta questão em aberto. 190 PINA, Rui de – Chronica do Senhor Rey D. Afonso V, cap. LXXXII, p. 690.
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que se terá fixado preferencialmente nas suas terras e se terá dedicado aos seus negócios e às construções dos seus paços e demais obras ‘públicas’ de grande aparato
2.3. 1446 – 1449: incursão na corte e marcação de posições