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2. Ecosystème gastro-intestinal : description générale

3.2. Effets bénéfiques des probiotiques sur les fonctions extra-digestives

3.2.3. Les infections vaginales

Durante a Idade Média na Península Ibérica, entre os séculos XI e XVI, o termo

pandero foi utilizado para representar os frame drums redondos com ou sem platinelas. A

partir do século XVI, a palavra pandero passou a ser usada genericamente para representar os

frame drums redondos ou quadrados, tal qual ocorreu com outros termos como duff ou tympanum. O motivo pelo qual se utilizava palavras distintas para a mesma função é que cada

uma delas provinha de um idioma distinto. Desta forma, a palavra duff provinha do árabe,

em ocasiões mais formais e romance em situações cotidianas, daí a distinção de uso das palavras tympanum e pandero. É provável que a primeira menção do vocábulo pandeiro tenha ocorrido em um manuscrito moçárabe do século XI como tradução do termo latino tympanum.

Apesar do frequente uso do termo pandeiro como designação genérica, alguns textos medievais mencionam outros instrumentos atuando junto ao pandero, como o adufe, o que indica uma tendência ao uso do vocábulo pandero para instrumentos redondos e aponta para a utilização contemporânea das palavras adufe e pandeiro onde representam com frequência, hoje em dia, um framde drum quadrado e outro redondo respectivamente.

Estudos linguísticos sugerem que o termo pandero pode ter surgido das palavras grega

pandura e sua derivação latina pandorius, ambas representando um instrumento greco-

romano de cordas da família do alaúde. Esta teoria está baseada em uma transformação fonética onde a palavra latina pandorius evoluiu para o termo panduoro, posteriormente para o castelhano antigo panduero e finalmente para o termo pandero (MOLINA, 2010, p. 60- 61). Ainda sobre as mudanças fonéticas envolvendo a palavra pandero, Molina destaca o surgimento do termo bandair no vocabulário árabe como derivação de pandero. A palavra

bandair teria surgido a partir da tentativa árabe de pronunciar a palavra pandero, incorporada

ao vocabulário ibérico, trocando a letra p pela b, visto a dificuldade de pronuncia do original romance pelos árabes. A palavra bandair está relacionada ao instrumento que hoje conhecemos como bendir, muito comum no Marrocos e norte da África, de acordo com a descrição anterior no tópico 1.3.

Ainda de acordo com Molina, a palavra pandeiro surge no vocabulário galaico- -português como derivação de pandero a partir do final do século XV. É provável que seu uso tenha sido frequente junto ao vocábulo pandero, apesar de não aparecerem registros anteriores ao mencionado por Frei João Alvarez no livro Vida do Infante D. Fernando no fim do século XV. Também é possível que a palavra pandeiro tenha representado especialmente os instrumentos redondos, assim como o bandair, e que, tendo o pandeiro migrado para o continente americano e o bandair para o africano, tenham mantido o mesmo formato arredondado que conhecemos no pandeiro brasileiro e no bendir marroquino.

O formato predominantemente arredondado com que o pandeiro era identificado podia ser acrescido de ressonadores, geralmente platinelas metálicas, como podemos notar na figura 8. Os primeiros registros iconográficos apresentando um frame drum com platinelas na

Península Ibérica podem ser encontrados no final do séc XIV, tornando-se cada vez mais comuns no decorrer dos séculos XIV e XV sob a denominação de pandeiro, conforme observamos na figura 20. Mauricio Molina chama a atenção para o fato de que, mais do que uma mudança na produção iconográfica, o aumento dos registros de frame drums com platinelas no decorrer daquele período denota uma transformação na concepção estética de produção e escuta musical por meio dos frame drums (MOLINA, 2010, p. 41).

20. Mulher tocando frame drum redondo com platinela, século XIV26

26 A figura nos mostra uma mulher segurando um frame drum redondo com platinelas à direita e um homem com

um fiddle ao seu lado, ambos estão em pé e tocam para o homem sentado à esquerda, provavelmente um nobre. Esta ilustração faz parte do manuscrito português denominado Cancioneiro de Ajuda produzido entre os séculos 1290 e 1330 contendo compilações de aproximadamente quatrocentos textos de canções conhecidas como

CAPÍTULO

3

Os pandeiros durante os primeiros anos de colonização no Brasil

Nós somos uma contemporaneidade de milênios.

Luís da Câmara Cascudo A formação étnica, social, cultural e econômica do povo brasileiro sempre foi motivo de interesse para estudiosos destes temas e segue merecendo atenção e atualização de pesquisas. Entre tantos temas de interesse, o pandeiro poucas vezes mereceu menção ou destaque como elemento presente e contribuinte da identidade social e cultural do brasileiro. Tampouco foi frequentemente mencionado em relatos e documentos históricos que pudessem registrar sua presença e atuação. Por estes motivos encontramos poucos registros iconográficos ou textuais, históricos ou contemporâneos, mencionando a presença deste instrumento durante o início da colonização portuguesa no Brasil e, menos ainda, sua herança ibérica moura e judaica mesclada de cristandade, temas de interesse e contribuição para o desenvolvimento deste trabalho. Aqui trataremos de buscar e apresentar resquícios do pandeiro durante os primeiros anos de colonização, em um recorte temporal de duzentos anos compreendidos entre os séculos XVI e XVII. A escolha deste período se deve ao interesse de buscar compreender como eram os primeiros exemplares dos pandeiros que chegaram ao Brasil, por quais meios teriam aqui aportado, qual seria seu formato, função social e musical.

Conforme apresentado no capítulo 2, os frame drums e pandeiros tiveram participação ativa no cotidiano popular, religioso e palaciano da Península Ibérica medieval entre árabes, judeus e cristãos. Os poucos, porém representativos, registros iconográficos e textuais atestam a presença de um conjunto variado de frame drums em que o pandeiro, redondo ou quadrado, com ou sem elementos ressonadores, esteve muito presente na Idade Média portuguesa, época e lar dos pré-colonizadores do Novo Mundo.

Foi necessária toda a contextualização anterior sobre a situação social, cultural e religiosa da Península Ibérica medieval para que pudéssemos localizar e compreender a atuação histórica dos frame drums e pandeiros, de que forma eram utilizado pelos habitantes locais e em que circunstâncias, pois foi esta sociedade mesclada de cultura e religiosidade cristã, muçulmana e judaica, que trasladou ao Novo Mundo na aventura da colonização.

É comum identificarmos os primeiros colonizadores como portugueses. Mas, quem eram os portugueses à época da colonização? Dentre alguns estudos sobre este tema, destacamos os apontamentos feitos por Gilberto Freyre em Casa Grande e Senzala. O autor, preocupado em identificar os antecedentes e predisposições do colonizador português, indica um passado étnico e cultural diversificado pela presença de povos como gregos, romanos, visigodos, além de judeus, berberes e mouros. Estes povos marcaram o caráter português como povo indefinido entre Europa e África, uma gente mista na sua antropologia e cultura (FREYRE, 2003, p. 265).

Adiante iremos acompanhar o traslado dos pandeiros ao Brasil durante os primeiros duzentos anos de colonização por meio de árabes, judeus e cristãos, habitantes da Península Ibérica medieval que de alguma forma aportaram ao Novo Mundo desde o início do século XVI e que tinham os frame drums e pandeiros como instrumentos de sua cultura conforme foi apresentado no segundo capítulo.

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