EAST AND SOUTHERN AFRICA - -AFRIQUE DE L'EST ET AUSTRALE
J..- htrtr- arabe libyenne
4. INFANT MORTALITY RATE TAUX DE MORTALITE INFANTILE
Ao pensar uma educação que possuísse como diretrizes aspectos psicológicos e biológicos, aos quais os educadores deveriam se associar, elevava-se a Medicina e, por meio da higiene pública, instaurava-se uma medicalização da sociedade. Nesse sentido, a escola seria a reformadora das “gentes” no País e, de acordo com Marques (1994, p. 101), “[...] regenerar pela educação passara a ser a tônica do discurso educativo [a partir] dos anos 1920, que colocava a escola, com seus rituais, como espaço aberto para as reformas morais e intelectuais propostas pelos republicanos”.
A partir desse período, conforme Kuhlmann Júnior (2001), começou a se apresentar com maior profundidade um interesse em torno da criança e de sua cultura como objetos de estudo. O discurso da regeneração incidia, de modo particular, sobre essas crianças, a quem valeria a pena educar para um futuro como homens mais fortes, energizados e preparados para elevar a nação.
A medicalização se faz presente na escola, cujas novas formas vão se adequando às reais necessidades impostas com as mudanças sociais. Juntamente com isso, a infância recebe tratamento cada vez mais especializado e diferenciado nas instituições destinadas ao seu cuidado e ensino, a dizer das escolas primárias. “Essa visão de escola modeladora, que não só aperfeiçoava o espírito como também conformava o corpo, fazia ver como indispensável a presença de novos saberes a compor o universo da escola” (MARQUES, 1994, p. 101), entre os quais, estavam os saberes médicos. Na revista Educação Physica, a circulação desses saberes é uma
constante, estando sempre vinculados à Educação Física, com finalidades claras de medir, classificar, corrigir e, claro, regenerar.
O Dr. Humberto Baldariny (1940), especializado em Educação Física, compreendia que o método francês era utilitário, fisiológico, atraente e que contribuiria para o reerguimento social, por atuar no aperfeiçoamento do indivíduo, melhorando a raça. Para ele, esse método englobava os “Jogos [jogos infantis – quatro a sete anos; jogos intensivos – sete a doze anos; jogos esportivos – treze a dezoito anos], Flexionamentos, Educativos, Aplicações, Esportes [dezenove anos em diante] individuais e esportes coletivos” (BALDARINY, 1940, p. 39, grifo do autor).
No entanto, por alguns médicos, esse método também sofria críticas. Para Valdemar Areno (1942), a falha estava no modo como indicava a seleção dos grupos para as aulas de Educação Física, uma divisão baseada somente na idade, tornando-se uma classificação “[...] insegura e sem apoio científico” (ARENO, 1942, p. 46). Com relação ao grupamento homogêneo, essa é uma crítica, geralmente indireta, feita por diversos médicos, inclusive já pontuada na Revista de Educação Física (do Exército).
Areno (1942) aponta uma necessidade de resolver o problema do grupamento homogêneo presente no regulamento do método, que, a princípio, é simples, mas que merece maior importância do que lhe estava sendo dada. Sugere, então, a adaptação da tabela americana de Christian, introduzida, em 1922, na ACM, que era direcionada para classificações nas competições esportivas infanto-juvenis, para a realização do grupamento homogêneo na educação infantil. Essa tabela consistia de informações sobre idade, estatura, peso e capacidade vital, correspondendo, cada um, a um determinado número de pontos, o que, para Areno (1942), seria adaptável a alguns aspectos do método francês.
Eram assuntos em pauta, na revista Educação Physica, o crescimento e o desenvolvimento das crianças, a formação física e as deformações dos escolares, as fichas, as prescrições biométricas e o grupamento homogêneo, a fisiologia, a higiene e a saúde.
Assunto recorrente na revista era mesmo a questão das deformações das crianças. Sobre isso, Robles (1939, p. 28) enfatiza que “[...] a Educação Física do pre-púbere deve ser muito medida e controlada” e completa, “[...] é necessário que sempre nos compenetremos da verdadeira importância do nosso papel no
desenvolvimento dos homens de amanhã, e empreguemos nosso saber, nosso carinho, nosso entusiasmo a favordeles [sic]”.
Gondra (2000) menciona as preocupações presentes, em diversas teses médicas, com a escola e a educação das crianças. Segundo ele, um projeto científico para a educação nasce ainda no século XIX. Com vista a uma higienização dos indivíduos, uma dessas preocupações era com o mobiliário escolar. Rui Barbosa, por exemplo, mencionava estudos sobre construção e usos dos bancos escolares. Numa perspectiva da correção dos desvios e da prevenção de deformações, essa é também uma preocupação de alguns médicos que escrevem para a revista Educação Physica.
Os bancos escolares eram considerados inapropriados para as crianças e, para Ramos (1940, p. 14), era o “[...] inimigo figadal da educação física”. Se, na escola, a criança deveria mesmo ficar sentada, para esse autor, seria preciso, minimamente, que os bancos fossem adaptados ao seu tamanho, pois não se poderia negligenciar a saúde das crianças. Assim, para o autor “[...] os cuidados que se lhes devem precisam ir ao encontro do individuo logo ao despontar de sua existência – na infância, portanto” (RAMOS, 1940, p. 14).
No número 41 da revista, Ramos (1940) sugere a utilização da cadeira de Bennett, que pode ser visualizada na Figura 13, como padrão de carteira escolar, adaptável melhor às especificidades do corpo infantil, para evitar as deformações tão indesejáveis.
FIGURA 13 – Cadeira de Bennet
O artigo de Edna Carew Jennings (1942), sobre a Educação Física corretiva, aparece na revista Educação Physica alguns meses, depois de haver sido publicado na Revista de Educação Física (do Exército). O artigo é o mesmo, mudando apenas o título de: “Centros de educação física corretiva nas escolas elementares de Los Angeles” para “Objetivo da educação física moderna”. Essa ocorrência pode corresponder a um uso tático (CERTEAU, 2004) da revista Educação Physica, significando concorrência, mas, também, pode reforçar a questão das redes de sociabilidade (SIRINELLI, 1996), podendo ter havido algum tipo de proximidade entre os editores.
Os pressupostos médicos preconizados pelo Dr. Sette Ramalho e pelo Dr. Arthur Ramos também aparecem na revista civil, alguns anos depois de haverem sido publicados na revista militar. O primeiro vem reforçar seu discurso sobre a necessidade das fichas para as crianças na fase escolar, a fim de separá-las em grupos homogêneos para a prática da Educação Física. A revista retoma também o tema da caracterologia que, no artigo escrito por Ramos, em 1936, tinha o título “A educação física elementar sob o ponto de vista da caracterologia”, o qual aparece sem recortes na revista civil, apenas dividido, dada a sua extensão, em dois números da revista que circularam em 1941.
Acerca da Biometria, a revista apresenta recomendações fornecidas pelo Departamento Nacional de Educação, ao mencionar a necessidade de o médico de Educação Física direcionar os exames das crianças, a fim de separá-las em grupos de normais e deficientes, caso possuíssem algum desvio. O artigo indica as formas como deveria ocorrer essa separação, tanto as normais, quanto as anormais.
Sobre o grupamento homogêneo, destacam-se, especialmente, as incursões de um não-médico, o professor Inezil Penna Marinho. Seu texto sobre esse assunto foi escrito especificamente para esse periódico, publicado em 1942, e republicado no número 77, de 1947, com algumas alterações. O autor pontua que o grupamento homogêneo não é um caso particular da Educação Física, mas um problema geral da educação. Sendo assim, para cada finalidade que se tivesse, deveria haver um tipo de grupamento, pois um mesmo grupamento nunca serviria para os diversos fins.
A justificativa de Marinho (1942) para o grupamento centrava-se na impossibilidade cromossômica de dois indivíduos apresentarem os mesmos patrimônios hereditários. Além disso, o próprio meio se encarregaria de atenuar tais
diferenças. Para ele, realizar um grupamento verdadeiramente homogêneo seria algo muito complexo.
Sobre a Educação Física, o autor pontua que ela também é um processo de educação e que “O professor de educação física nas escolas primárias e secundárias não é um simples instrutor, mas, exclusivamente, um educador” (MARINHO, 1944, p. 59).
O mesmo Marinho virá, em 1943, a falar de processo educativo, citar os nomes de estudiosos como Rousseau, Pestalozzi, Dewey, entre outros, para reafirmar a importância da Educação Física da criança, dentro de seus pressupostos, como elemento essencial nos preceitos de uma educação nova e, nesse sentido, apresenta os nomes dos brasileiros Afrânio Peixoto e Anísio Teixeira.71
5.1.2 Discussões pedagógicas: justificativas para a Educação Física e