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Figure 3.1. Energy models for the study

6. COMPARATIVE ASSESSMENT ANALYSIS OF ENERGY OPTIONS AND STRATEGIES UP TO 2025 AND STRATEGIES UP TO 2025

6.2. Final energy consumption

6.2.2. Industrial energy consumption trends

Como foi referido na colonialidade do poder, as compreensões “do outro” a partir do dispositivo de raça/etnia – desenvolvido pela empresa colonial – traçou a linha divisória de superioridade que distinguiu o conquistador do dominado, gerou identidades históricas coloniais (índio, negro, mestiço, mulato, branco) e, baseadas nas formas de compreender o mundo, a humanidade, a sociedade e as culturas por parte dos conquistadores foram-se impondo estratégias favoráveis para “descivilizar” ao colonizado de sua própria forma de habitar seu mundo e manifestar sua identidade, suas singularidades, incluindo as construções simbólicas e seus sistemas de representação (abrangendo a linguagem e o conhecimento).

Maldonado-Torres (2007) identifica como fazer explícito este tipo de colonialidade, que é uma resposta à pergunta pelas formas como estes dispositivos do poder incidiram e afetaram a experiência vivida pelos sujeitos subalternos.

As análises sobre a colonialidade do ser interpelam as técnicas e estratégias ativadas durante o processo de colonização, a partir das quais emergiram as identidades do outro (colonizado), desconhecendo seus vínculos com a natureza e o divino, suas formas de produzir e reproduzir saberes e conhecimento; e se produziram relações verticais de subalternidade que hoje se mantêm ocultas em ideias modernas de raça e etnia.

Embora o conceito de raça tenha mudado e seu significado não represente o mesmo que durante a colonização, ou durante a revolução da biologia, os críticos decoloniais apontam semelhanças entre o racismo do século XX e a ideia de graus de humanidade desenvolvida pelos conquistadores; em palavras de Maldonado-Torres:

Pode-se dizer que o racismo científico e a própria ideia de raça foram as expressões explícitas de uma atitude mais geral e difundida sobre a humanidade de sujeitos colonizados e escravizados nas Américas e na África, ao final do século XV e no século XVI. Eu sugeriria que o que nasceu então foi algo mais sutil, mas por sua vez mais penetrante que o que parece a primeira instância no conceito de raça: trata-se de uma atitude caracterizada por uma suspeita permanente (MALDONADO- TORRES, 2007, p. 133) (tradução nossa).41

O que o autor denomina como nascimento da “suspeita permanente” vincula-se ao conceito do Ser (Europeu) proposto na filosofia clássica, que tem como consequência a criação de um subalterno na zona de Não-Ser (FANON, 1973) em condições desiguais e possibilidades diferenciadas dos “portadores de humanidade”.

A colonialidade do ser como conceito – conforme Maldonado-Torres – é proposta por Walter Mignolo, que adverte como ela está inserida na colonialidade do poder e do saber e manifesta-se através da codificação das subjetividades.

Esta colonialidade é configurada com contribuições da filosofia da libertação, concretamente da filosofia crítica do Ser (DUSSEL, 1993, 2005), além das contribuições dos estudos pós-coloniais, especificamente o trabalho de Fanon (1963, 1973), que articula expressões existenciais da colonialidade como a experiência racial e de gênero.

Dussel (1994), na crítica à ideia do Ser, construída pela filosofia clássica, evidencia como a compreensão do SER, explícita no ideal da subjetividade moderna localiza o EU no centro da existência (Eurocentrismo), e desvela a existência do ego conquiro que antecede e sobrevive ao ego cartesiano; na essência projeta a superioridade do conquistador sobre o conquistado e, no jogo do poder, lhe faz duvidar da sua humanidade; e lhe identifica como “bárbaro” incapaz de alcançar o “mundo civilizado” construído fora dele.

Trata-se da concepção do SER colonizado que, na conexão com a colonialidade do poder, insere-se dentro de critérios de subordinação e exploração, através dos quais se fundamenta a linha divisória que separa conquistadores/conquistados, civilizados/bárbaros, desenvolvidos/subdesenvolvidos, centro/periferia, norte/sul.

Sobre essa compreensão, Maldonado-Torres (2007) destaca a justificativa da não-ética da guerra que até hoje “permite” o avassalamento da humanidade do outro, e traz a ideia do 41 Puede decirse que el racismo científico y la idea misma de raza fueron las expresiones explícitas de una actitud

más general y difundida sobre la humanidad de sujetos colonizados y esclavizados en las Américas y en África, a finales del siglo XV y en el siglo XVI. Yo sugeriría que lo que nació entonces fue algo más sutil, pero a la vez más penetrante que lo que transpira a primera instancia en el concepto de raza: se trata de una actitud caracterizada por una sospecha permanente (MALDONADO-TORRES, 2007, p. 133).

cepticismo misantrópico como vínculo que permite o ingresso e emergência do ego

cartesiano:

O cepticismo misantrópico manifesta dúvidas sobre o mais obvio. Afirmações como “você é humano” tornam-se perguntas retóricas cínicas: “você é realmente humano?” “Tem direito” transforma-se em porque você pensa que tem direitos?” Da mesma maneira, expressões como “você é um ser racional” converte-se em “você é realmente racional?” O cepticismo misantrópico é como um verme no próprio coração da modernidade. Os alcances do “ego cogito” e da racionalidade instrumental operam dentro da lógica que o cepticismo misantrópico ajudou a estabelecer (MALDONADO, 2007, p. 136) (Tradução Nossa).42

As conexões que formam a colonialidade do ser, em contato com a colonialidade do poder, indicam ideias de representação de um “outro” que se reconhece externo ao Ser Racional promovido pela modernidade, e que na estrutura hierárquica – traçada pela classificação descrita – será sempre suspeito, diante da atitude imperial como possibilidade de legitimação de exercício do poder.

Estas manifestações observam-se durante o avanço da empresa colonial através da não ética da guerra e dos processos de subjugação do outro, em relações assimétricas e progressivas de poder (DUSSEL, 1994), e nas manifestações contemporâneas via dispositivos de sujeição (não necessariamente de extermínio, ou melhor, de outro tipo de extermínio) ao sistema de dominação econômica e sistemas de produção de conhecimentos instalados nos centros de poder (CASTRO-GÓMEZ, 2000).

As contribuições dos estudos pós-coloniais, concretamente da obra de Fanon (1963, 1973) permitem a compreensão da profundidade do racismo e da colonialidade e sua imbricação com as formas de produção de conhecimento.

Para Fanon o sujeito produzido pela colonialidade precisa – no trânsito à emancipação – reconhecer e analisar sua história, sua linguagem e sua existência; em síntese identificar as formas como a colonialidade gera os dispositivos que naturalizam a “desumanização”, ou em palavras de Maldonado-Torres (2007), identificar as armadilhas que perpetuam a lógica do desejo para manter o sistema de dominação e exploração.

42 El escepticismo misantrópico expresa dudas sobre lo más obvio. Aseveraciones como “eres humano” toman la

forma de preguntas retóricas cínicas, como: “¿eres en realidad humano?” “Tienes derechos” se transforma en “¿por qué piensas que tienes derechos?” De la misma manera, expresiones como “eres un ser racional” se convierte en la pregunta “¿eres en realidad racional?” El escepticismo misantrópico es como un gusano en el corazón mismo de la modernidad. Los logros del ego cogito y de la racionabilidad instrumental operan dentro de la lógica que el escepticismo misantrópico ayudó a establecer. (MALDONADO, 2007, p 136)

Contudo, desvelar o tecido de relações que na colonialidade do ser se articulam aos dispositivos que alimentam formas de dominação e exclusão é só início do caminho que permite tornar visível também a colonialidade do saber como estratégia que contribui para programar o genocídio cultural e epistêmico.

Na virada decolonial, o deslocamento do sujeito prático e de conhecimento, instituído na M/C, instala-se nos diversos confrontos pelo reconhecimento da diversidade epistêmica, da mudança na consideração do Ser como totalidade; da imbricação da identidade com política; e da legitimidade na construção dos discursos e narrativas próprias na diversidade linguística.

Dussel (1994), em resposta à crítica da totalidade do Ser, pondera a alteridade como fundamento ético na construção de uma saída possível para a prática da colonialidade instalada no “encobrimento do outro” que, na expressão da ocultação da diferença, foi-se perpetuando como princípio da existência humana. Neste sentido, a filosofia da libertação identificou na educação e na política os cenários estratégicos mediante os quais seria possível avançar na criação de relações menos assimétricas, em diálogos mais horizontais.

Na análise de Maldonado-Torres (2007) sobre a desqualificação do outro, ou encobrimento do outro, a colonialidade do ser e do saber foram desveladas como as bases da estratégia de negação de sua humanidade, seus direitos, seus conhecimentos e saberes, hoje manifestas na valorização do predomínio de umas epistemologias sobre outras, instaladas pelo projeto moderno.

Com base no exposto anteriormente, e com o interesse explícito nesta tese de procurar

leituras outras das tecnologias, além da lógica imposta pela economia global, relevo o sentido

de pensar na colonialidade do saber para transitar na linha dos aportes epistemológicos construídos desde o sul.