Chapitre 4: Définition des critères d’évaluation des performances et optimisation du système
4.6 Indicateur d’impact environnemental C dom
Para manter as CAJs no espaço da atividade de música, o professor realiza alguns acordos. Entre eles, a utilização de uma bola de futebol como recompensa para aqueles que se mantiverem na atividade de música. Essa atitude foi uma das poucas estratégias utilizadas pelo professor durante o período de realização das observações direta no projeto SESC Cidadão, conforme registramos no diário de campo.
Momento jogo de bola: segundo o professor, o futebol no final das atividades funciona como uma recompensa para todos aqueles alunos que participaram ativamente das atividades de música. É sempre realizado um acordo, para que participem comportadamente da atividade de música e da reflexão, para que no final possam jogar bola. Se eles não adquirem o direito de jogar bola, o comportamento deles durante a atividade de música é bastante prejudicado, pois todos começam a “bagunçar” tudo o que o professor quer construir (DIÁRIO DE CAMPO, 18/05/15).
Além de observarmos os motivos que o levam a utilizar o futebol como recompensa, percebermos que a recreação é parte da rotina da instituição, pois sempre eram finalizadas as atividades da instituição com futebol, vôlei, atividades funcionais, etc. Quando o professor de educação física estava presente, ele era o responsável pelo futebol. Mas, em sua ausência, o professor de música era quem supervisionava as CAJs, e até participava da brincadeira com todos. Além disso, se relacionarmos esse fato aos objetivos do projeto social, percebemos que essa rotina institucional é intrinsecamente ligada a um dos objetivos específicos da instituição: “Promover a prática de esporte recreativo, como forma de lazer e entretenimento, alicerçado em princípios pedagógicos” (SESC CIDADÃO, 2014).
Nessa perspectiva, percebemos que essa conjuntura já foi encontrada pelo professor de música ao ingressar na instituição, vemos assim, uma adaptação do professor à rotina institucional já estabelecida antes de sua chegada, onde o mesmo procurou adaptar-se a ela utilizando-a em benefício da aula de música. Essa questão é tratada por Tardif (2014), ao comentar sobre os ambientes institucionalizados. Segundo o autor, todo professor ao atuar em um contexto institucionalizado sempre lida com os hábitos, rotinas, filosofias e ideais já consolidados nas instituições (TARDIF, 2014). Ou seja, o professor sempre articula e mobiliza seus saberes dentro de um contexto de limitações impostas pelo ambiente. Essas
limitações podem ser físico-estruturais, como vimos no caso da sede do SESC Cidadão, e sociais, ligadas a condutas, rotinas e hábitos preestabelecidos para mobilização e adaptação dos saberes docentes. Comentando sobre esse assunto, (TARDIF, p. 196) acrescenta que:
O quadro socioinstitucional delimita suas atividades, mas lhe deixa, ao mesmo tempo, uma boa margem de iniciativa para realizar seu trabalho. Noutras palavras, a ordem na sala de aula é certamente condicionada pela organização física e social da escola e das salas de aula, mas é ao mesmo tempo uma ordem construída pela ação do professor em interação com os alunos. Ora, é precisamente na construção dessa ordem pedagógica que o professor deve exercer seu julgamento profissional, tomar decisões, pensar e agir em função de certas exigências de racionalidade. No decurso de seu trabalho, o professor normalmente não precisa tomar decisões a respeito do que já está determinado de antemão (o sistema escolar, o ambiente físico, as relações sociais, as grandes finalidades e etc.), mas deve refletir sobre o que depende dele.
A partir das ideias de Tardif (2014) percebemos que, mesmo existindo uma forte influência do contexto socioinstitucional do SESC Cidadão na regulação das ações pedagógicas do professor de música, não é a instituição a única responsável por moldar as interações e o processo de ensino e aprendizagem. O professor, por meio de sua ação pedagógica e interação com as CAJs, também é responsável por regular e manter a ordem no seu local de atuação. Não podemos julgar o ambiente institucional como o único responsável pela forma com que o professor articula seus saberes docentes no Projeto SESC Cidadão, o professor como um agente mobilizador e promotor de educação, deve sempre refletir sobre suas ações, no intuito de não agir por impulsos, elencando soluções pontuais de resolução dos problemas enfrentados em sala de aula. Assim, deve tomar medidas que estejam pautadas em lógicas educacionais que condizem com a vontade de aprender das CAJs.
Em outras palavras: “é sempre possível manter os alunos ‘presos’ fisicamente numa sala de aula, mas é impossível levá-los a aprender sem obter, de uma maneira ou de outra, seu consentimento, sua colaboração voluntária.” (TARDIF, 2014, p. 196). O acordo de recompensa utilizado pelo professor de música do SESC Cidadão realmente é eficaz no sentido de manter as CAJs “presos” no local da atividade de música. No entanto é questionável a aprendizagem obtida pelos alunos nessas condições supracitadas.
Nessa perspectiva, acreditamos que essa ação sem uma devida conscientização por parte das CAJs de que são eles os protagonistas de sua própria aprendizagem, os verdadeiros responsáveis pelo que aprendem, dá à ação do professor um caráter de invalidez diante da verdadeira necessidade das CAJs de ficarem na atividade de música porque sentem-se motivados a aprender música e responsáveis pelo que eles julgam como mais importante para sua formação naquele momento. “Transformar os alunos em atores, isto é, em parceiros da interação pedagógica, parece-nos ser a tarefa em torno da qual se articulam e ganham sentido todos os saberes do professor” (TARDIF, 2014, p. 196).
5.2.3 O compartilhamento de saberes experienciais na ação pedagógico-musical do professor