O estudo sobre tipologia dos valores, em Psicologia social, se constitui em objeto de pesquisa há quase quatro décadas (Gouveia et al, 2001; Gouveia et al, 2009), porém as tentativas teóricas de classificar o conteúdo essencial dos valores ainda carece de ampla aceitação (Schwartz, 2006).
No dicionário de língua portuguesa, Houaiss & Villar (2009) definem o termo biotipologia, como o “[..] estudo dos tipos antropológicos com suas variações morfológicas, fisiológicas e psicológicas, com o fim de estabelecer uma classificação dos seres humanos[..]” (p.29), no entanto, muito mais que classificar, trata de identificar a estrutura e a natureza dos valores, a partir de evidências empíricas.
As funções dos valores são escassamente tratadas na literatura e por vezes têm sido considerados, erroneamente, como tipos específicos de crenças, necessidades, atitudes ou uma combinação desses. Também já foi interpretado como sendo um determinado objeto tal como dinheiro, ou uma qualidade inerente a um objeto (Gouveia, 2003). De sorte que, os principais autores contribuintes das teorias sobre valores (Kluckhohn, Rokeach, Schwartz, Maslow) referendam que as necessidades humanas são a fonte dos valores e que estes são representações cognitivas e transformações das necessidades (Schwartz, 2006; Gouveia, 2003; Ros, 2006b).
Na busca por uma teoria que apresente uma tipologia de valores, Gouveia et al (2011a) destaca a obra pioneira de Milton Rokeach cujo mérito foi dado a partir da publicação do livro The nature of human value, em 1973, sendo considerado o divulgador
da temática da teoria dos valores, destacando-se as seguintes contribuições: a) sintetizou conceitos e ideias de diferentes correntes de pensamento (antropológica, econômica, filosófica, sociológica e teológica); b) efetuou, conceitualmente, a diferenciação de valores com respeito a outros constructos (por exemplo, atitudes, interesses, traços de personalidade); c) apresentou uma definição específica dos valores e sistemas de valores; e, d) Propôs o primeiro instrumento elaborado, especificamente, para medir valores.
Ainda que alvo de controvérsias, no plano teórico acredita-se que suas três principais contribuições para esclarecer a estrutura e função dos valores tenham sido: a) classificar os valores como instrumentais e terminais, com seus subtipos correspondentes; b) desenvolver o método de auto-confrontação para mudança de valores; e, c) propor uma discutível e controversa tipologia de ideologia política, a partir da combinação dos valores igualdade e liberdade (Ros 2006a).
Shalom H. Schwartz (2006) no esforço de contribuir para a classificação do conteúdo dos valores estende a teoria de Rokeach e propõe que as motivações universais originam e organizam os valores nas diferentes culturas. Ele parte do conceito de valores como “[..] metas desejáveis e transituacionais (terminais e instrumentais), que variam em importância e servem como princípios na vida de uma pessoa ou entidade social [..], que os valores enquanto metas servem aos interesses de alguma entidade social; podem motivar a ação – dando-lhe direção e intensidade emocional; funcionam como critérios para julgar e justificar a ação, e ainda são adquiridos tanto por meio da socialização dos valores do grupo dominante quanto mediante a experiência pessoal de aprendizagem [..]” (p.57/58).
Segundo Gouveia et al (2001), Shwartz desenvolve uma teoria transcultural sobre valores pessoais baseando-se na aplicação da Schwartz Value Survey (SVS) em mais de 95 amostras procedentes de 46 países, e ademais, conseguiu reunir em torno de sua teoria pesquisadores de mais de 50 países dos cinco continentes. O modelo de Shwartz difere daquele do seu antecessor em alguns pontos, tais como: a) A proposta de uma medida que combina intervalos com âncoras (geralmente dois valores, um avaliado como de máxima importância e outro que é identificado como contrário aos demais valores do respondente); b) A ênfase na base motivacional como explicação para a estrutura dos valores; e c) A universalidade da estrutura e do conteúdo dos tipos motivacionais de valores.
Este modelo tem reunido dados consistentes sendo explicados em grande medida, transcultural e intraculturalmente, tal qual se constatou no Brasil (Tamayo, 2007) e em outros países, como Espanha (Gouveia et al, 2001), além de países da Ásia, África e Américas (Schwartz, 2006).
Os valores são universais quanto às motivações que os sustentam e esses dão origem aos tipos de valores ou tipos motivacionais que são considerados em termos de sua relação dinâmica de incompatibilidade e de harmonia entre si. Precisamente, os valores representam, na forma de metas, as respostas que os indivíduos e a sociedade devem dar a três requisitos universais: necessidades biológicas; necessidades de interação social coordenada e funcionamento e sobrevivência do grupo (Gouveia et al, 2001).
Daí, desses três requisitos universais derivam dez tipos motivacionais de valor e cada um deles formaria uma região espacial ou um fator, no caso de análise fatorial, conforme abaixo discriminado (Shwartz, 2006):
1. Autodireção (AD): Independência no pensamento e na tomada de decisão, criação e exploração (criatividade, independente, liberdade).
2. Estimulação (ES): Ter excitação, novidade e mudança na vida (ser atrevido, uma vida excitante, uma vida variada).
3. Hedonismo (HE): Prazer ou gratificação sensual para a própria pessoa (desfrutar da vida, prazer).
4. Realização ou autorrealização (RE): Êxito pessoal como resultado da demonstração de competência segundo as normas sociais (ambicioso, capaz, obter êxito).
5. Poder (PO): Posição e prestígio social controle ou domínio sobre pessoas e recursos (autoridade, poder social, riqueza).
6. Benevolência (BE): Preservar e reforçar o bem-estar das pessoas próximas com quem se tem um contato pessoal frequente e não casual (ajudando, honesto, não rancoroso, ter sentido na vida).
7. Conformidade (CO): Limitar as ações, inclinações e impulsos que possam prejudicar a outros e violar expetativas ou normas sociais (autodisciplina, bons modos, obediência).
8. Tradição (TR): Respeitar, comprometer-se e aceitar os costumes e as ideias que a cultura tradicional ou a religião impõem à pessoa (devoto, honra aos pais e mais velhos, humilde, respeito pela tradição, vida espiritual).
9. Segurança (SE): Conseguir segurança, harmonia e estabilidade na sociedade, nas relações interpessoais e na própria pessoa (ordem social, segurança familiar, segurança nacional).
10. Universalismo (UN): Compreensão, apreço, tolerância e proteção em direção ao bem-estar de toda a gente e da natureza (aberto, amizade verdadeira, igualdade, justiça social, protetor do meio ambiente, sabedoria, um mundo em paz, um mundo de beleza). Esse tipo também é denominado filantropia (Tamayo, 2007).
A partir dessa teoria sobre a estrutura dos tipos motivacionais, as ações adotadas para consecução de determinado valor tem consequências psicológicas, práticas e sociais que podem ser conflituosas ou compatíveis com um e outro tipo de valor.
Os tipos de valores são organizados em uma estrutura circular, significando que aqueles adjacentes são compatíveis e os localizados em extremos opostos representam conflitos. Schwartz (2006) considerando participantes de 20 países, classificados em 38 amostras, procurou demonstrar a universalidade das compatibilidades e dos conflitos dos tipos de valores. Concluiu através da técnica SSA (Smallest Space Analysis ou Análise do Menor Espaço ou Análise de Estrutura de Similaridade), que estes são claramente identificados em ao menos 70% das amostras.
No esquema teórico explicativo de Shwartz (2006), os seguintes pares de tipos de valores são estimados como compatíveis ou como conflituantes em uma estrutura hipotética bidimensional, que vai de um extremo a outro, ou seja, da mudança à conservação à abertura em uma dimensão, e da autopromoção à auto-transcendência em outra dimensão. São tidos como compatíveis os seguintes tipos de valores: poder-realização, realização- hedonismo, hedonismo-estimulação, estimulação-autodireção, autodireção-universalismo, universalismo-benevolência, benevolência-conformidade, conformidade-tradição, tradição- segurança, segurança-poder e segurança-conformidade. E os valores que são esperados estarem em conflitos são: autodireção-conformidade, autodireção-tradição, autodireção-
segurança, estimulação-conformidade, estimulação-tradição, estimulação-segurança, universalismo-poder, universalismo-realização, benevolência-poder, benevolência- realização, hedonismo-conformidade e hedonismo-tradição.
Em que pese os estudos empíricos ora apresentados que teorizam o tema valores humanos, considerado um constructo central na psicologia, uma nova abordagem denominada Teoria Funcionalista dos Valores Humanos (TFVH) apresenta-se como uma contribuição inovadora, parcimoniosa, inicialmente apresentada em 1998, e fruto das inquietações surgidas a partir da (re)leitura dos autores clássicos da psicologia social que o antecederam (Gouveia, 1998; Gouveia et al, 2008).
Gouveia (2003) reafirma para os valores os mesmos pressupostos básicos da Teoria de Schwartz (2006) quando se refere à TFVH, quais sejam: a) guiam as ações do homem (tipo de orientação) e (b) expressam suas necessidades (tipo de motivador). Portanto, as funções dos valores são definidas como os aspetos psicológicos que os valores cumprem ao guiar comportamentos e representar cognitivamente as necessidades humanas. Presumindo que tais funções valorativas são legítimas, as subfunções derivadas passam a ser prováveis. O cruzamento dos dois eixos funcionais – tipo de orientação (guia de ações) e tipo de motivador (guia das necessidades) permite identificar seis subfunções valorativas as quais serão definidas mais adiante.
Apesar de os valores específicos poderem variar ou receber outras denominações, as subfunções são admitidamente universais; sua operacionalização se faz por meio de marcadores valorativos específicos, sendo estes menos preponderantes do que a definição de cada subfunção.
A teoria funcionalista, entendida como modelo integrador e parcimonioso, admite quatro suposições principais para a tipologia dos valores: a) A natureza humana é benevolente, portanto ainda que alguns valores possam ser negativos, na sua essência são positivos; b) Princípios-guia individuais. Os valores são considerados padrões gerais de orientação para comportamento; c) Base motivacional. Os valores são representações cognitivas das necessidades humanas individuais e societais. D) Caráter terminal. Tomando como referência a teoria de Shwartz, ambas dão enfase à natureza motivacional dos valores humanos e por isso espera-se a convergência entre os modelos (Gouveia, 2003; Gouveia et al, 2008, Gouveia et al, 2009; Gouveia et al, 2010).
A TFVH admite as seguintes caraterísticas consensuais para a definição dos valores (Gouveia et al, 2010):
1. São conceitos ou categorias;
2. Sobre estados desejáveis da existência; 3. Que transcendem situações específicas; 4. Que assumem diferentes graus de importância;
5. Que norteiam a seleção ou a avaliação de comportamentos e eventos; 6. Representam cognitivamente as necessidades humanas.
O modelo compreende duas dimensões funcionais, sendo que uma serve de guia de comportamento, e é identificada pela dimensão funcional denominada tipo de orientação, na qual há três possibilidades: social, pessoal e central. A dimensão funcional tipo de motivador corresponde à função dos valores para expressão das necessidades humanas e pode ser pragmático/materialista ou humanitário/idealista. (Gouveia et al, 2008).
Dito de outro modo, as funções primárias dos valores humanos são definidas como os aspetos psicológicos que os valores cumprem ao guiar os comportamentos e representar cognitivamente as necessidades. Dessa forma, as subfunções podem ser mapeadas em um delineamento 3 x 2, com três tipos de orientação e dois tipos de motivador (Gouveia et al, 2008), a saber (Figura 5):
1. Central (existência e suprapessoal); 2. Social (interacional e normativa); 3. Pessoal (experimentação e realização).
Indivíduos guiados por valores sociais são centrados na sociedade ou possuem um foco interpessoal, enquanto aqueles guiados por valores pessoais são egocêntricos ou possuem um foco intrapessoal. Assim, os indivíduos tendem a enfatizar o grupo (valores sociais) ou eles mesmos (valores pessoais) como a unidade principal de sobrevivência (Gouveia et al, 2003). Também existe um terceiro grupo de valores que não são completa ou exclusivamente social ou pessoal (Gouveia et al, 2003) que se situam entre os sociais e
pessoais, e porque eles são a base organizadora dos outros valores, são referidos como centrais.
Dessa forma, como resultado do cruzamento das funções dos valores de direcionar comportamentos (tipo de orientação) e de expressar as necessidades humanas (tipo de motivador) deriva-se seis subfunções dos valores que ressaltam o ajuste do indivíduo à sociedade e suas instituições, bem como a sua sobrevivência individual. Portanto, a Teoria Funcionalista dos Valores sugere uma configuração em dúplex contendo uma faceta axial horizontal e outra vertical (Figura 5), respetivamente, correspondente a tipo de orientação e a tipo de motivador, estando os valores centrais no meio do espaço bidimensional e se referem aos interesses do indivíduo sem que haja noção de conflito, como previsto no modelo de Shwartz (Gouveia et al, 2008; Gouveia et al, 2010).
Figura 5. Dimensões, funções e subfunções dos valores básicos.
Extraído de: Gouveia et al, 2008.
Em relação à segunda função dos valores, estes expressam as necessidades humanas como um motivador materialista ou humanitário. Valores materialistas são relacionados a ideias práticas, e uma ênfase nesses valores indica uma orientação para metas específicas e
regras normativas. Por outro lado, os valores humanitários expressam uma direção universal, baseada em ideias e princípios mais abstratos (Gouveia et al, 2009).
Alguns valores são mais relacionados com a busca de ajustamento social do que outros, especialmente aqueles que põem ênfase na orientação social e no motivador materialista (Gouveia et al, 2008; Gouveia et al, 2009).
Cruzando os eixos horizontal e vertical podem ser derivadas as subfunções valorativas que são um delineamento 3 x 2, ou seja, 3 (tipos de orientações: social, central e pessoal) x 2 (tipos de motivadores: materialista e idealista). As setas que partem do tipo central de orientação (isto é, das subfunções existência e suprapessoal) indicam que os valores que a representam são a fonte principal ou a referência a partir da qual têm lugar as outras seis subfunções dos valores: experimentação, realização, existência, suprapessoal, interacional e normativa. No que concerne às subfunções dos valores passar-se-á à descrição das mesmas, ressaltando os valores selecionados para representá-las e que têm sido empregados como instrumentos de medidas em varias situação, denominados Questionário de Valores Sociais (QVS).
Valores humanos básicos e Tipos motivacionais
O QVB proposto por Maslow contem 24 valores básicos de acordo com as respetivas funções psicossociais e com os tipos motivacionais, e ao aplicar o QVB pretende-se obter a adequação psicométrica do mesmo e as correspondentes posições que se ocupam na estrutura de valores, conforme descrição abaixo (Gouveia, 2003):
EXPERIMENTAÇÃO
Sexual. Diz respeito à necessidade fisiológica de sexo, constituindo um padrão de orientação para pessoas jovens ou para aquelas que foram ou estão privadas desse estímulo. Prazer. Corresponde à necessidade orgânica de satisfação, em um sentido amplo (comer ou beber por prazer, ter diversão, etc.). Embora relacionado com o valor anterior, sua particularidade se fundamenta no fato de que a fonte da satisfação é difusa.
Estimulação. Representa a necessidade fisiológica de movimento, variedade e novidade de estímulos enfatizando estar sempre em atividade e ocupado, e descreve alguém que é impulsivo e talvez consciencioso.
Emoção. Representa a necessidade fisiológica de excitação e busca de experiências arriscadas. As pessoas que adotam este valor são menos conformadas às regras sociais. Este é considerado como parte do valor estimulação.
REALIZAÇÃO
Prestígio. O presente valor enfatiza a importância de no contexto social se ter uma imagem pública e ser aceite pelos demais, sendo que resulte em benefício próprio. Também inclui a posição social que tem um conteúdo similar a este valor, mas que considera um aspeto de autoridade que define o valor poder.
Poder. Esse valor é menos social do que o prestígio. As pessoas que atribuem importância a ele podem não ter a noção de um poder socialmente constituído.
Êxito. Esse valor assim como os dois anteriores representa a necessidade de estima. Este enfatiza ser eficiente e alcançar metas. As pessoas que adotam este valor têm uma ideia clara de sucesso, de ser eficiente e alcançar metas.
Autodireção. Juntamente com a privacidade representam a precondição de liberdade para satisfazer as necessidades. Adotá-lo implica em um reconhecimento de autossuficiência. Alguns valores são encontrados na literatura com uma designação similar, tais como liberdade, autodeterminação, autonomia e independência.
Privacidade. Um espaço privado é necessário para diferenciar os diversos aspetos da vida pessoal. Aqueles que adotam este valor não rejeitam ou subestimam os demais; eles simplesmente reconhecem os benefícios de ter seu próprio espaço íntimo. Este valor é raramente citado.
SUPRAPESSOAL
Maturidade. Enfatiza o sentido de autossatisfação e de autorrealização de uma pessoa que se considera um ser humano útil. Os indivíduos que priorizam este valor tendem a apresentar uma orientação social que transcende pessoas ou grupos específicos. Apesar de
certos elementos como autorrespeito e sabedoria serem incluídos em seu conteúdo, a ideia central é de crescimento pessoal e autorrealização.
Justiça Social. Este valor representa a pré-condição de justiça ou igualdade para satisfazer as necessidades. Cada um tem os mesmos direitos e deveres que lhes capacitam para uma vida social com dignidade. Este é geralmente mencionado como igualdade.
Conhecimento. As necessidades cognitivas são representadas por tal valor, que tem um caráter extrassocial. As pessoas orientadas por este valor procuram ter um conhecimento atualizado e saber mais sobre temas pouco compreensíveis. A presente definição corresponde a diferentes valores encontrados na literatura (imaginativo, criativo, intelectual, curioso, instruído, estudioso, conhecedor, informado).
Beleza. Representa a necessidade de estética, a beleza como um critério transcendental. Este valor tem sido relacionado com a natureza e os espaços físicos específicos. Inclui a ideia geral de estética.
EXISTÊNCIA
Saúde. Representa a necessidade de segurança. A ideia é não estar doente. Ao adotar esse valor, a pessoa lida com um drama pessoal oriundo do sentimento de incerteza que está implícito na doença.
Sobrevivência. Representa as necessidades mais básicas, como comer e beber. Sua relevância é evidente como princípio-guia na vida daquelas pessoas socializadas em um contexto de escassez, como também daquelas que atualmente vivem sem os recursos econômicos básicos.
Estabilidade Pessoal. Enfatiza uma vida planejada e organizada. As pessoas que assumem esta orientação tentam garantir sua própria existência. Provavelmente configure o tipo motivacional de segurança e pode ser relacionado com itens específicos, tais como: ter um trabalho estável e segurança econômica.
INTERACIONAL (INTERATIVO)
Convivência. Enquanto o valor afetividade descreve uma relação pessoa-pessoa, com ênfase na intimidade, o presente é centrado na dimensão pessoa-grupo e tem um sentido de socialização (viver em vizinhança, sentido de pertença).
Honestidade. Valor que enfatiza um compromisso em relação aos demais, permitindo manter um ambiente apropriado para as relações interpessoais e responsabilidade para satisfazer as necessidades.
Apoio Social. Valor que representa a necessidade de segurança, no sentido de não se sentir sozinho no mundo e receber ajuda quando a necessite. Está presente em vários instrumentos, recebendo diferentes etiquetas: amigos próximos que me ajudem, solidariedade com os demais e contato social.
Afetividade. Enfatiza a necessidade de amor e afiliação e visa o social. As relações próximas e familiares são enfatizadas, assim como o compartilhamento de cuidados, afetos e pesares. Também se encontra as seguintes denominações na literatura: amizade verdadeira, amigo próximo, íntimo ou satisfazer relações interpessoais.
NORMATIVO
Religiosidade. Este valor também representa a necessidade de segurança e não depende de preceito religioso. É reconhecida a existência de uma entidade superior, por meio da qual obtém a harmonia social requerida para viver em paz.
Ordem Social. Com este valor se completa a lista daqueles que representam a necessidade de segurança. Implica uma escolha de alguém orientado a padrões sociais que assegurem uma vida diária tranquila, um ambiente estável. Os seguintes itens podem representá-lo: ordem nacional, proteção da propriedade pública e segurança nacional e satisfazer relações interpessoais.
Tradição. Este valor e o próximo representam a precondição de disciplina no grupo ou na sociedade como um todo para satisfazer as necessidades. Os indivíduos precisam respeitar símbolos e padrões culturais seculares, e contribui para aumentar a harmonia na sociedade. Tomado como uma dimensão ou um valor específico, a sua presença é assegurada em outras tipologias.
Obediência. Este valor evidencia a importância de cumprir os deveres e as obrigações diárias, além de respeitar aos pais e aos mais velhos. É uma questão de conduta individual; os membros da sociedade assumem um papel e se conformam à hierarquia
social tradicionalmente imposta. Tal valor é típico de pessoas mais velhas ou que receberam uma educação tradicional.
Todos os valores básicos são terminais e expressam um propósito em si mesmo, sendo definidos como substantivos. Tais valores são categorias-guia que transcendem situações específicas. Estes 24 valores formam um sistema valorativo baseado em três critérios de orientação, cada um subdividido em duas funções psicossociais, como segue: pessoal (experimentação e realização), central (existência e suprapessoal) e social (interacional e normativa) (Gouveia et al, 2003).
Cabe aqui alguns esclarecimentos sobre os valores centrais. Eles são valores do indivíduo, expressando o núcleo básico das necessidades humanas, isto é, a diferenciação entre as necessidades mais básicas (fisiológicas) e as mais altas (autorrealização). Portanto, não implicam um conflito entre interesses pessoais e sociais. Tais valores são importantes para todas as pessoas, embora possam ser mais relevantes para diferenciar indivíduos vivendo em contexto de escassez (subfunção existência, motivador materialista) daqueles vivendo em ambiente seguro e com recursos abundantes (subfunção suprapessoal, motivador idealista) (Gouveia et al, 2011a).
As seis subfunções enfatizam em graus variados o ajuste social do indivíduo à sociedade e suas instituições. Porém, alguns valores são mais relacionados com a busca de ajustamento social do que outros, especialmente aqueles que enfatizam a orientação social e o motivador materialista, isto é, os valores normativos (Gouveia et al, 2009)
Em resumo, esta teoria considera unicamente valores terminais coerentes com a natureza benévola do ser humano, centrando-se nas funções e subfunções que foram derivadas. Em termos mais operacionais, esta teoria pode ser tratada em duas partes