IV. RESULTS AND DISCUSSION
6.1 In relation to cross-disciplinary qualities
O conselho de classe é um dos mecanismos de acompanhamento e avaliação de natureza colegiada; é constituído pelos docentes das turmas, representantes dos segmentos pais ou responsáveis, servidores da carreira assistência (pedagógica), gestores e alunos – em alguns casos de turmas inclusivas, pode haver também representantes dos serviços de apoio especializado. Suas reuniões devem oportunizar o trabalho coletivo em busca de bons resultados do processo de ensino-aprendizagem, de forma a contribuir para a democratização da educação.
São esses momentos privilegiados de encontro, não só para avaliação mas, sobretudo, de diálogo, que permitem analisar as dificuldades, erros e acertos, de forma a se buscarem alternativas de aperfeiçoamento e conscientização do processo de ensino-aprendizagem, realizando-se um acompanhamento mais detalhado dos sujeitos desse processo, bem como
das decisões reflexivas que precisam ser tomadas. Nesse momento, o aluno sente-se parte integrante de seu processo avaliativo (educativo).
Essa abertura é necessária não somente em virtude da apresentação de notas, comportamento ou frequência dos educandos, mas para que a família compreenda o que faz parte do currículo escolar, como é a organização da escola nas questões de aprendizagem e, ainda, possa estabelecer contato com outras famílias na troca de experiências sobre educação.
Conforme exposição feita por Dalben (1995), entende-se que o conselho de classe se caracteriza como um momento de informação acerca de como ocorre o processo educativo e o trabalho dentro de uma unidade escolar, construindo formas de ensino e gerando as articulações necessárias entre os diversos espaços integrantes de uma unidade escolar.
Apesar dessa abertura de espaço que o conselho de classe destina à comunidade na participação do processo de ensino-aprendizagem, a análise nos remete a pouca utilização dessa ferramenta na escola. Se comparado à categoria anterior, da participação em festas e eventos, o conselho de classe não obteve um relevante destaque em meio aos planos selecionados:
E3: “Conselho de Classe participativo ou reuniões.” E4: “[...] continuidade ao conselho de classe participativo.” E8: “A escola também realiza conselhos de classe participativos em todos os bimestres, alternando um bimestre com pais, alunos, professores e direção, em outro, somente com alunos, professores e direção.” E9: “O rendimento do aluno é avaliado em todo o ano letivo com o acompanhamento e discussão nos conselhos de classe e posterior a presença dos pais.” E11: “Promoção de encontros com as famílias e conselhos de classe participativos.” E14: “É realizado bimestralmente por turma, onde são tomadas decisões de natureza deliberativa em assuntos didático-pedagógicos que visam à melhoria da aprendizagem. Mas ainda há pouca participação da comunidade escolar.” E15: “Os pais e responsáveis são informados sobre a aprendizagem de seus filhos através da divulgação do IDEB, nos conselhos de classe participativo onde os pais conversam em particular com os professores.” E16: “Desenvolvimento de Conselhos de Classe Participativo.” E18: “Os pais ou responsáveis buscam saber do rendimento de seus filhos, participam das reuniões das turmas, entrega de boletins [...], Assembleia da Associação de Pais e Professores e Conselho deliberativo [...].”
Um número relativamente baixo de planos apresentou a participação da comunidade escolar em conselhos de classe, apesar de ser uma modalidade que vem sendo implementada há tempos e se configura na presença da família na vida escolar dos filhos. Sendo a sala de aula o local de participação diária e direta do estudante, faz-se necessário que os princípios pedagógicos de cidadania sejam externados na convivência entre os membros do processo formativo, de maneira que a sala de aula seja não somente um local de aprendizado pedagógico, mas de socialização e construção do estudante e da comunidade em que atua.
Sendo esta uma ferramenta importante para conhecimento e acompanhamento da vida escolar, deveria ser contemplada em todas as propostas, pois é parte importante da
implementação de uma gestão democrática. É o momento no qual a família assume seu compromisso com a formação dos educandos, identifica as potencialidades e fragilidades nesse processo, e auxilia a escola na resolução dos possíveis problemas e dificuldades encontrados.
Deve-se, por fim, dar maior abertura e estímulo às famílias para que participem de momentos como esse, compreendam a importância de sua representatividade e contribuam para desconstruir a imagem atual de que,
Na realidade de nossas escolas públicas básicas, em que se evidencia o divórcio entre a prática escolar cotidiana e uma consistente emancipação intelectual e cultural dos educandos, o que se verifica é que a estrutura da escola mostra-se inteiramente consoante com esse divórcio [...] na medida em que não é concebida de modo a favorecer a condição de sujeito dos agentes envolvidos. O próprio conselho de escola, instituído presumivelmente para esse fim, mostra-se, na maioria das vezes, totalmente inoperante, mergulhado numa estrutura avessa à participação e ao exercício da cidadania. (PARO, 2001, p. 44).
Para isso, o papel do gestor é fundamental, tanto para propor e efetivar esse modelo de representatividade na escola quanto para instigar os pais acerca da importância de sua participação não somente quando se encontram questões problemática em sala de aula, mas, ainda, para saber das potencialidades e produções dos seus filhos.
Consequentemente, ao envolvermos a participação das famílias nos conselhos de classe para tratar dos problemas de aprendizagem ou comportamento, acabamos por adentrar na próxima categoria: a presença da comunidade por meio de solicitações e contemplando informações sobre comportamento, aprendizagem, evasão, entre outras.