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2.2.1 Febre

A temperatura corpórea é controlada por um centro termo-regulatório localizado no hipotálamo anterior, e que funciona como termostato, ao qual compete manter o equilíbrio

entre produção e perda de calor (o termostato age mais controlando a perda de calor), mantendo a temperatura interna em aproximadamente 37,0°C. Isso ocorre por meio de um sistema de feed-back. Na febre, o regulador eleva o ponto de termorregulação (set point) da temperatura para um patamar mais elevado (MURAHOVSCHI, 2003; ROCHA et al., 2009).

A fisiopatologia da febre é bem definida. A temperatura do corpo é controlada por neurônios termo-sensíveis, localizados no hipotálamo anterior (GLATSTEIN & SCOLNIK, 2008).

Uma alteração do controle no centro termorregulador ocasiona a febre, um dos sintomas mais comuns de doenças em crianças, que ocorre na presença de pirógenos, sendo considerada como uma resposta normal do organismo no combate às infecções. Essa ação benéfica da febre se dá pelo retardo do crescimento e da reprodução de bactérias e vírus, aumento da produção de neutrófilos e proliferação de células T (ROCHA et al., 2009).

Em relação à seqüência patogenética na febre, os agentes infecciosos (bactérias, vírus, fungos ou toxinas) ou não infecciosos (tóxicos, drogas, antígenos), os chamados pirógenos exógenos estimulam as células inflamatórias fagocíticas entre elas os linfócitos T, a produzirem substâncias de natureza protéica às citocinas conhecidas como pirógenos endógenos. Entre as citocinas envolvidas na produção da febre estão: Interlecina I (IL 1), Interferon-Beta (IFN- beta), Interferon-Gama (IFN-gama), Fator de Necrose Tumoral (TNF), e Inteleucina 6 (IL 6) (MURAHOVSCHI, 2003; GLATSTEIN & SCOLNIK, 2008).

Ao serem detectados pelos tecidos neurais fora da barreira hematoencefálica, os pirógenos endógenos desencadeiam a produção de prostaglandinas (PGE2), que atuam no centro termorregulador, elevando o patamar da termorregulação, induzindo e ativando a resposta febril e resultando em febre. A produção da PGE2 é controlada por enzimas, as cicloxigenases (MURAHOVSCHI, 2003; GLATSTEIN & SCOLNIK, 2008).

A partir da transmissão neuronal, o hipotálamo leva a conservação e geração de calor, elevando a temperatura corporal. Nos seres humanos o aumento de temperatura está associado com a diminuição da reprodução microbiana e o aumento da resposta inflamatória. Evidências sugerem que a febre é uma resposta adaptativa e poderia ser tratada apenas em determinadas circunstâncias (GLATSTEIN & SCOLNIK, 2008).

Febre e hipertermia não são sinônimos. Na hipertermia não há envolvimento do sistema nervoso central. Nesta ocorre um aumento da produção ou diminuição da perda de calor, sem alteração do termostato hipotalâmico (MURAHOVSCHI, 2003).

CROCETTI, MOGHBELI & SERWINT (2001), relatam que é importante repassar aos pais os conceitos de febre e hipertermia, uma vez que o tratamento das duas situações é diferente. A hipertermia em contraste com a febre é caracterizada por falha da termorregulação normal. O termostato hipotalâmico, e os mecanismos periféricos, tais como sudorese e dilatação arteriolar, são incapazes de manter a temperatura do corpo estável. O resultado é o aumento da temperatura corpórea. A hipertermia pode ocorrer em algumas doenças, pelo uso de determinados medicamentos ou por anormalidades da produção de calor e outros estresses térmicos.

Em crianças, a hipertermia pode ocorrer por excesso de agasalhos ou por exposição a altas temperaturas. As crianças mais velhas e adolescentes podem sofrer de estresse térmico e insolação. É importante que jovens atletas bebam água ao praticar esportes em climas quente e úmido. As pessoas com maior risco de hipertermia incluem os muito jovens, os idosos, os obesos e as pessoas desidratadas (CROCETTI, MOGHBELI & SERWINT, 2001).

De acordo com os autores BARBOSA et al. (2000), na febre há aumento da produção endógena de calor, gerado pela intensa atividade metabólica relacionada à liberação de pirógenos endógenos desencadeando a resposta hipotalâmica. Na hipertermia, há produção endógena normal de calor, mas há diminuição da perda que pode ser gerada principalmente pelo aumento da temperatura ambiente, aquecimento excessivo por agasalhos, exercícios físicos intensos e perda de peso por baixa ingesta hídrica.

Febre é elevação anormal da temperatura corporal, controlada pelo sistema nervoso central (SNC), em resposta a um estímulo endógeno ou exógeno. Hipertermia é elevação da temperatura corpórea por mecanismos distintos dos da febre, sem a alteração do termostato hipotalâmico (RINCÓN & BUSTOS, 2003).

Clinicamente, a febre se manifesta por temperatura corpórea elevada, extremidades frias e ausência de sudorese, enquanto que na hipertermia ocorre elevação da temperatura corporal, inclusive das extremidades e sudorese abundante. Enquanto a febre deve ser tratada com

antitérmicos, o tratamento da hipertermia é de suporte e inclui remoção do ambiente quente e o uso de roupas leves e frescas e hidratação oral/venosa (CROCETTI, MOGHBELI & SERWINT, 2001).

De acordo com GLATSTEIN & SCOLNIK (2008), a febre aumenta as perdas insensíveis através do aumento da transpiração, leva ao aumento do consumo do oxigênio, à produção de dióxido de carbono e ao aumento do débito cardíaco. Estudos sobre o valor adaptativo da febre demonstram associação entre a elevação da temperatura do corpo e diminuição na morbidade e mortalidade durante a infecção. Tem sido sugerido que a febre evoluiu como mecanismo de defesa do hospedeiro que o tem preservado por centenas de milhões de anos de evolução.

Em relação às definições da temperatura fisiológica tem-se que esta varia de acordo com o local e apresenta alteração diurna de 0.5°C, e seu valor varia entre 35.0°C e 37.2°C (BLUMENTHAL, 1998; ROCHA et al. 2009). Entretanto existe indefinição das temperaturas consideradas como normal, febre ou febre alta relatados na literatura (WALSH, EDWARDS & FRASER, 2008). De acordo com HERZOG & COYE (1993), a temperatura normal da criança varia de 37,5 + 0,3 °C, com 0,3°C de variação sazonal entre verão e inverno, considerando a temperatura de 38,2°C, como a mais aceitável de indicativo de febre na criança.

Já ou autores CHAMBERLAIN et al. 1995, definem que 38.0°C é indicativo de febre na criança. CROCETTI, MOGHBELI & SERWINT (2001), definem febre como temperatura oral de 37.8°C, temperatura timpânica e retal de 38.0°C e temperatura axilar de 37.2°C.

Figura 1 – Fisiopatologia da febre

Eferentes

periféricos

Contração

muscular

Produção

de calor

Centro

Vasomotor

Vasoconstrição

Conservação

de calor

F

FEEBBRREE

Mudanças Comportamentais

Córtex

Neurônios termo-reguladores

Termostato elevado

PGE

2

Pirógenos Endógenos

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