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Chapitre 4 : Autoritarisme compétitif

4.4 Implications théoriques

tratamento para resolver;

– Impedimentos: (pelo modelo centrado em ações curativas mais pela descontinuidade de articulação [falta de comunicação] entre pontos da rede);

* modelo curativo, oferta de medicamentos, receitas e atendimentos médicos mais reativos Æ começar a oferecer cura, prevenção, promoção Æ ofertar di- versos tipos de ações para ter atendimento integral; mais ações coletivas/grupais X individuais;

= trabalhar com prevenção (práticas grupais) Æ di- minui a demanda no PSF por ações curativas, ime- diatas;

* população = percepção curativa, pontual, físico X PSF = prevenção e cura, ver como todo, todas as necessidades;

Vários profissionais (trabalho multiprofissional), maior integração dos profissionais Æ aumenta a possibilidade de resolver.

Æ Articulação do PSF com outros pontos da rede de saúde Æ fortalecer comunicação entre os setores, através de mecanismos de referência e contrarreferência

* descontinuidade Æ articulação intersetorial do PSF com outros pontos da rede, muita demanda para pouco profissional;

= descontinuidade quando volta para comunidade também acontece de outros pontos para o PSF; * integralidade em todos os pontos de atenção = oferecer ações de diversas naturezasÆ prevenção, promoção, cura, reabilitação; e articular um ponto com o outro Æ garantir a continuidade para tentar resolver);

- fluxo/contra fluxo para garantir a continuidade = instrumento importante para viabilizar a prática da integralidade.

INTEGRALIDADE = HUMANIZA- ÇÃO

Tratar com integralidade = Huma- nizar e acolher

Æ Agir com humanidade

= tratar a todos igualmente, independente do tipo de relação/afinidade que se tenha com eles (usuários) e do jeito que são;

= comprometer a fazer aquilo que é possível (e impossível?) em relação ao que as pessoas estão procurando na unidade.

Após o resumo, buscando dar continuidade ao processo de intervenção, definimos outra data para nos encontrarmos e ampliarmos nossa compreensão sobre os sentidos de integralidade produzidos, em direção a operacionalizá-los. Assim, ficou agendado que nos reuniríamos dali a quatro semanas, no mesmo espaço, dia da semana e horário. E, para participar os membros da equipe iriam se organizar da mesma forma como fizeram nesse encontro.

6.2.3- Terceiro encontro grupal – ampliando as descrições sobre integralidade na direção de operacionalizá-las nas práticas cotidianas dos trabalhadores

Nesse dia estavam presentes nove participantes (Esperança, Nilmar, Cristina, Maria Joana, Ana, Camila, Sorriso, Katrina e eu – pesquisadora), os demais justificaram suas ausências. Reunimos-nos no mesmo espaço das conversas anteriores.

Primeiramente relembramos os acordos de convivência e suas adequações para continuarmos convivendo de maneira confortável para planejarmos ações que a equipe precisava parar de fazer, continuar ou começar a fazer para sistematizar as descrições de integralidade produzidas. Organizamos a sequência dos acontecimentos daquela tarde, que ficou da seguinte forma: leitura das descrições enunciadas, organizadas por linhas e apresentadas no quadro anterior, desenvolvimento de reflexões e produção de um quadro-resumo. Como eram várias descrições, acordamos que trabalharíamos o que fosse possível num espaço temporal de duas horas e meia.

Nessas conversas busquei atuar de maneira a ajudar a equipe a pensar em práticas a serem implantadas, revistas ou modificadas, discutindo alguns projetos de ação, que permitissem a equipe incorporar tais descrições enunciadas em suas práticas cotidianas.

Com a participação dos todos fizemos uma leitura do quadro, a fim de termos uma noção da produção descrita e de escolhermos por qual descrição o grupo gostaria de começar a conversar. Então, decidimos começar pelas descrições das três primeiras linhas do quadro com as descrições resumidas dos sentidos, por estarem correlacionadas entre si e pela ocasião que a equipe estava vivendo “discutir ações vinculadas à produção X qualidade das ações e ver a pessoa como um todo seria útil”.

Após essa definição, convidei os demais participantes a pensarem e escreverem algumas práticas que eles, enquanto trabalhadores de saúde teriam que parar, continuar e/ou começar a fazer para que aquelas descrições de integralidade acontecessem. Essas questões foram trazidas com o propósito de ajudar aqueles trabalhadores efetivamente a (re)pensarem suas práticas atuais, bem como de continuarmos conversando e ampliando nossa compreensão sobre a integralidade.

Passados dez minutos começamos a produzir o quadro-resumo. Nesse momento, os participantes iam trazendo seus enunciados, eu ia registrando em folhas de papel kraft fixadas na parede e convidando-os a refletirem sobre como poderiam tornar esses compromissos em ações concretas. Essas atividades tiveram como finalidade gerar entre os trabalhadores um processo de negociação e de compromisso público em direção à mudança.

No final dessas atividades tínhamos produzido o grande “resumo”, que foi deixado na unidade para uso da equipe, juntamente com cópias do quadro com os sentidos resumidos.

Quadro 08 – Ações planejadas com a equipe para operacionalização dos sentidos de integralidade produzidos

PARAR CONTINUAR COMEÇAR

- colocar o usuário dentro da unidade, dentro da organização do serviço = trazer os usuários pra mais avaliações das condições de saúde.

Æ a médica + a recepcionista começou a organizar uma prá- tica que associa o fornecimento de receitas de medicamentos controlados à presença do usu- ário para ser acompanhado, através de consultas agendadas.

- O HIPERDIA Æ integrar o paciente mais a unidade. Com ações, que façam com que eles tomem consciência de suas necessidades, estimulem a adesão ao tratamento e previnam complicações. Não vir só pra consultar, furar o dedo pra fazer uma glicemia, pra medir pressão, ou pegar remédio = respostas curativas + começar palestras; depoimentos, outras ações coletivas pra trabalhar educação em saúde.

GRUPOS = ver recursos com a prefeitura + organizar agenda para ter tempo de preparo e desenvolvimento de forma a motivar os usuários a participarem e ter mais confiança no profissional.

- com preo- cupação exagerada com os nú- meros; es- quecer uma parte dos nú- meros.

- Ter bem definida as caracte- rísticas, os dados, os números da população cadastra e acom- panhada.

- informações sobre dados familiares, socioeconômicos a- través de levantamentos, a partir da ficha A.

- Instalar o SIAB (banco de dados) na unidade para facilitar a atualização (diária) pelos ACS/equipe, que trabalharão com dados mais confiáveis para programar, pactuar e avaliar os resultados de suas ações + 01 computador de acesso pros ACS.

- com muitos atendimen- tos indivi- duais. __________ - com a for-

- com qualidade; vendo a pes- soa como um todo Æ se colo- cando no lugar do outro, vendo o lado dele, sua história, suas possibilidades, condições, o porquê está ali.

Mesmo os fora de área Æ ouvir, atender, saber orientá-los a pro- curar sua unidade de referencia pra dar continuidade ao seu tratamento; tratar com humani- zação Æ diferente de só mandar embora.

- gostando do que faz, desen- volver uma postura de compro- metimento e responsabilidade com o que faz.

- tendo o compromisso de fazer o máximo pela gente, fazer di- reito, da melhor maneira possí- vel pra evitar problema dentro da equipe e aumentar a satis- fação, o vínculo, a confiança, a receptividade, a compreensão do usuário, que como contra partida melhora o seu trata- mento para com a equipe

- fazendo solicitações às outras equipes de prontuários dos usu- ários, que mudam para a área + registrando no caderno de pro- tocolo os que são encaminha- dos

__________________________

- Capacitação e comprometimento de todas as equipes + rever o processo de seleção (perfil)

- Com mais atendimentos coletivos.

- Ações coletivas pra comunicar com os usuários; informá-los sobre o que é o PSF, o NASF, os serviços e ações que desenvolvem, que profissionais atuam. Isto irá ajudar a mudar modelo, a sair dessa proposta curativa. Divulgar através de um informativo/ boletim. Mas de onde virão os recursos?

* NASF?

* articular com igrejas e entidades * colocar cartazes na unidade

* integrar com a comunidade, com a associação de bairro; criar o Conselho local Æ que colaborar na divulgação das informações junto a população.

ma de atuar Æ cada ACS faz do jeito que entende para organi- zar a sua microárea.

consciência, comprometimento de fazer um trabalho bem feito, falando a mesma língua Æ sentar e discutir o que fazer e de que forma

- ter um retorno sobre os dados levan- tados (intersetorialidade Æ fluxo e contra fluxo de informações dos dados)

- fluxo e contra fluxo em relação aos usu- ários Æ muitos vezes esses não sabem explicar o que aconteceu com eles em ou- tros pontos da rede Æprofissionais devem fazer registros nos prontuários eletrôni- cos Æ facilita o acesso as informação mediante consulta por outros profissionais * construir rotinas formalizadas Æ di- ferente de ficar a critério de funcionário ser ou não comprometido, uma vez que o foco tem que ser o usuário.

- Realizar reuniões de equipe para discutir, identificar as falhas no cuidado ao usuário Æ um membro que não faz a sua parte compromete o trabalho de todos na equipe, gera reclamações, descrédito por parte dos usuários, porque um membro depende do outro.

* nas sextas-feiras à tarde a equipe deve fechar o PSF para:

** passagem de plantão, os ACS e outros membros colocariam as situações viven- ciadas com usuários, que seriam discu- tidas entre a equipe a fim de dar solução às mesmas.

** expor e solucionar os conflitos que es- tariam acontecendo na equipe pra não acumular Æ os membros têm que esta- rem dispostos a ouvirem, conversarem, com foco voltado para atenção ao usu- ário, que pode estar deixando a desejar, diferente de apontar defeitos ou corrigir as ações que o outro faz ou deixa de fazer. - formar e trabalhar com o Conselho local = uma ferramenta pra ajudar a equipe a resolver situações do seu dia a dia tanto vinculadas aos usuários, como dentro da própria equipe, com pessoas não com- prometidas.

* equipe tem que estar estruturada, falan- do à mesma língua, ter mais segurança no que faz, deve estar integrada, para de- senvolver e perceber o conselho local co- mo um parceiro e não como um inimigo.

Dessa forma, agradeci os participantes por terem confiado em mim e contribuído na produção do material, que seria analisado e utilizado na construção de minha pesquisa. Disse-lhes que para aquele contexto nossas atividades estavam encerradas. Porém, me pus à disposição caso a equipe quisesse continuar conversando sobre a sistematização das descrições de integralidade e pensando a (re)organização de suas práticas.