Tal como já foi referido, neste estudo foram entrevistados elementos do Ministério da Educação, das Direções Provinciais de Educação das províncias em estudo, das direções das três Escolas de Formação de Professores em estudo, professores das áreas disciplinares de biologia e de química das três EFP, CCP e AC das áreas de biologia, química e física do programa
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Saber Mais, assim como especialistas da educação em Angola, num total de 44 entrevistas e
47 entrevistados.
A escolha de professores das áreas disciplinares de biologia e química deve-se ao facto de ser a área de formação académica da investigadora e de esta ter integrado a Assistência Técnico-Pedagógica (ATP) do programa Saber Mais, sendo a responsável para a área das ciências.
As entrevistas aos professores das três EFP iniciaram-se com a recolha de algumas informações que permitissem caracterizar os professores entrevistados, nomeadamente naturalidade, formação académica, habilitações académicas e experiência profissional. Faz-se de seguida um apanhado dessa informação.
Foram entrevistados 28 professores, dos quais 14 são da EFP Benguela, 7 são da EFP Cabinda e 7 são da EFP Ondjiva. No entanto, não foram entrevistados todos os professores dos grupos de biologia e de química das três EFP. Relativamente ao número total de
professores: na EFP Benguela, dos 14 professores de biologia foram entrevistados 10 e dos 16
professores de química foram entrevistados 4. Na EFP Cabinda, existem 5 professores de biologia dos quais foram entrevistados 4 e 4 professores de química, dos quais foram entrevistados 3. Na EFP Ondjiva, num universo de 10 professores de biologia foram entrevistados 5 professoras e de 4 professores de química foram entrevistados 2 (Figura 1).
Figura 1: Ratio número total de professores/número de professores entrevistados de cada EFP, por área de especialidade. 14 16 5 4 10 6 10 4 4 3 5 2 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18
Biologia Química Biologia Química Biologia Química EFP Benguela EFP Cabinda EFP Ondjiva
Nº de professores total e entrevistados
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Relativamente aos professores entrevistados nas três províncias, dos 28 entrevistados, 15 são professoras e 13 são professores (Figura 2). Verifica-se também que, entre os entrevistados, o grupo de biologia tem mais professoras (13) do que professores (6), ao passo que o grupo de química tem mais professores (7) do que professoras (2) (Figura 3).
Figura 2: Número de professores entrevistados por género.
Figura 3: Número de professores entrevistados por área de especialidade e por género.
Quando se distinguem os professores por EFP de cada província, verifica-se que na EFP Benguela foram entrevistadas 6 professoras e 4 professores de biologia e 2 professoras e 2 professores de química. Na EFP Cabinda, foram entrevistadas 2 professoras e 2 professores de biologia e 3 professores de química. Na EFP Ondjiva, foram entrevistadas 5 professoras de biologia e 2 professores de química (Figura 4).
Figura 4: Número de professores entrevistados por EFP, por especialidade e por género. 15 13 0 2 4 6 8 10 12 14 16 F M
Professores por género
13 6 2 7 0 5 10 15 F M F M Biologia Química
Professores por especialidade e género
6 4 2 2 2 2 0 3 5 0 0 2 0 1 2 3 4 5 6 7 F M F M F M F M F M F M
Biologia Química Biologia Química Biologia Química
EFP Benguela EFP Cabinda EFP Ondjiva
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Quanto à naturalidade dos professores, verifica-se que dos 28 professores, 13 são naturais da província onde se encontram a lecionar, ao passo que 15 vêm de outras províncias. A província que tem mais professores deslocados é a província do Kunene, sendo que, dos 7 professores entrevistados, apenas uma é natural dessa província. Esta frequência menor de quadros formados é generalizada no Kunene e um dos fatores apontados como justificação, por alguns dos entrevistados e informantes, para esta província é ter ficado alguns anos sem acesso à educação, nos anos 1980, na altura da guerra civil. Os restantes professores desta província são naturais de Cabinda, Huíla, Luanda, Namibe e Uíge. Na província de Benguela, a maioria dos 14 professores entrevistados também são deslocados (8), sendo que 6 são dessa província. Os professores deslocados são naturais das províncias do Huambo, Huíla, Kuando Kubango, Luanda, Namibe e Uíge. Na província de Cabinda, dos 7 professores entrevistados, apenas um professor é natural da província do Uíge, sendo os restantes naturais de Cabinda (Figura 5). De notar que, quando se fala em naturalidade da província, refere-se não só o município sede, mas também outros municípios de cada província, apontados pelos entrevistados.
Figura 5: Naturalidade dos professores entrevistados por EFP.
Quanto às habilitações académicas, e diferenciando os dados por habilitações académicas e por género, verifica-se que a maior parte dos professores entrevistados tem
6 8 6 1 1 6 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Benguela Fora da província Cabinda Fora da província Kunene Fora da província
EFP Benguela EFP Cabinda EFP Ondjiva
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licenciatura (15), sendo 10 professoras e 5 professores; 2 professores e 2 professoras têm bacharelato e 6 professores e 3 professoras têm mestrado (Figura 6).
Figura 6: Número de professores entrevistados por EFP, por especialidade e por género.
Desagregando os entrevistados por província, verifica-se que a maioria dos professores entrevistados com pós-graduação/mestrado são da EFP Benguela (2F + 6M), a EFP Cabinda tem uma professora entrevistada com mestrado e a EFP Ondjiva não tem professores entrevistados com mestrado. Os professores entrevistados com bacharelato encontram-se nas EFP Cabinda (1M) e na EFP Ondjiva (2F + 1M). Os professores entrevistados com licenciatura são também a maioria na EFP Cabinda onde há 5 professores (1F + 4M) e na EFP Ondjiva onde há 4 (3F + 1M), sendo que na EFP Benguela há 6 professoras com licenciatura (Figura 7). 2 2 10 5 3 6 0 2 4 6 8 10 12 F M F M F M
Bacharelato Licenciatura Mestrado
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Figura 7: Número de professores entrevistados por EFP, por habilitações académicas e por género.
Sobre as áreas de formação inicial académica, a maioria dos professores entrevistados que o referiu, fez o ensino médio nos IMNE (Instituto Médio Normal de Educação – designação à data e atualmente as EFP) na especialidade de biologia-química. Quanto aos bacharelatos, são em biologia (Escola Superior Politécnica de Ondjiva) e em química (RDC). Relativamente às áreas das licenciaturas, há 8 professores licenciados em biologia, pelos ISCED (Instituto Superior de Ciências da Educação) Cabinda, Huambo e Lubango; 7 professores são licenciados em psicologia pelos ISCED Benguela e Cabinda; 4 professores são licenciados em química pelo ISCED Lubango e na RC; há ainda 1 professor formado em cada uma das seguintes áreas: Ciências da Educação (ISCED Cabinda); Ciências Naturais (RC); Engenharia Agrónoma (RDC); Medicina Veterinária (Checoslováquia) e Pedagogia (ISCED Benguela). Verifica-se assim que uma parte dos professores entrevistados (cerca de 12) não têm formação inicial académica adequada à área disciplinar que estão a lecionar. Esta realidade é mais acentuada na área disciplinar de química, em que existe menos oferta formativa.
Relativamente ao local da formação académica inicial graduada (bacharelato e licenciatura), verifica-se que o número de professores entrevistados da EFP Benguela que fizeram a sua formação graduada na província é igual ao número dos que a fizeram fora da província, sendo que entre estes, uma professora fez a sua formação fora do país, na Checoslováquia (nome do país à data da formação). No caso da província de Cabinda, dos
0 0 6 0 2 6 0 1 1 4 1 0 2 1 3 1 0 0 0 1 2 3 4 5 6 7 F M F M F M F M F M F M F M F M F M
Bacharelato Licenciatura Mestrado Bacharelato Licenciatura Mestrado Bacharelato Licenciatura Mestrado
EFP Benguela EFP Cabinda EFP Ondjiva
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professores entrevistados, 3 fizeram a formação graduada em Cabinda e 4 fizeram fora da província, sendo que destes, 3 fizeram a sua formação fora do país, no Congo Brazzaville e Kinshasa, pois na altura estavam como refugiados nestes países. No caso da província do Kunene, dos 8 professores entrevistados, apenas 2 fizeram a formação graduada na província, sendo que dos 6 que a fizeram fora da província, um deles a realizou na República Democrática do Congo (Figura 8). Nesta província não é de estranhar o número de professores que realizaram os seus estudos fora da província, tendo em conta que, como se verificou anteriormente, a maioria dos professores desta província são deslocados de outras províncias.
Figura 8: Número de professores entrevistados por EFP, por local da formação académica inicial graduada (licenciatura e bacharelato).
Relativamente aos professores entrevistados com formação pós-graduada (pós- graduação/mestrado), todos fizeram esta formação em instituições internacionais, sendo que a maioria (5 professores) a realizou na instituição portuguesa (ISCE Odivelas) que tem parceria com o Ministério da Educação de Angola para a parte letiva dos mestrados em Supervisão Pedagógica e em Gestão Escolar, que é ministrada nas várias províncias de Angola. Houve ainda uma professora entrevistada que realizou o mestrado na Universidade de Coimbra, em Portugal, e 3 professores entrevistados que realizaram a sua pós-graduação/mestrado no Brasil. De referir que há 2 professores entrevistados da EFP Benguela que estavam a frequentar o doutoramento, um deles pela Universidade de Granada, em Espanha, em parceria com o ISCE Odivelas, e o outro na Argentina, na Universidade de Buenos Aires.
7 6 1 3 1 3 2 5 1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 Benguela Fora da província Fora do país Cabinda Fora da província Fora do país Kunene Fora da província Fora do país
EFP Benguela EFP Cabinda EFP Ondjiva
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A experiência profissional dos professores é diversa até porque os professores entrevistados têm idades19 muito diversas. A maior parte dos entrevistados não fez a
formação graduada imediatamente a seguir ao ensino médio, tendo ido lecionar em escolas do ensino primário e do I ciclo do ensino secundário e só depois de terminarem a licenciatura é que começaram a lecionar na EFP.
De referir que foram entrevistados todos os professores coordenadores das áreas
disciplinares de biologia e de química de cada uma das EFP.
Relativamente aos elementos da direção das EFP, na EFP Benguela entrevistou-se o diretor e o subdiretor pedagógico, ambos presentes na EFP à data da realização da entrevista. Na EFP Cabinda entrevistou-se apenas o diretor, visto que a subdiretora pedagógica estava de licença de maternidade à data da entrevista. Na EFP Ondjiva entrevistou-se apenas o subdiretor pedagógico pois o diretor, à data, não se encontrava na EFP.
Das Direções Provinciais da Educação das três províncias, não foi possível entrevistar os Diretores Provinciais da Educação. No caso da DPE Benguela, após o contacto com o diretor, este solicitou que a entrevista fosse concedida pelo chefe da educação, visto que este estaria mais dentro do assunto da formação de professores, até pelo facto de já ter sido, anteriormente, diretor provincial da educação. No caso da SPE Cabinda, a secretária provincial de educação não se encontrava na província, pelo que foi o secretário provincial da educação adjunto, na altura secretário provincial da educação em exercício20, que concedeu a
entrevista. No caso da DPE Kunene, o diretor provincial da educação também não se encontrava na província, pelo que foi a diretora provincial de educação em exercício, que ocupa o cargo de chefe da inspeção, que concedeu a entrevista.
Foram realizadas entrevistas com elementos do Ministério da Educação, a diretora- geral do INFQ e o diretor-geral adjunto do INIDE, não pelas vias oficiais (pedido formal), mas
19 Não se considera a idade/ano de nascimento dos professores porque nem todos o referiram.
20 Designa-se diretor em exercício a pessoa designada pelo diretor para ficar responsável pela direção de
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porque existem relações de amizade entre estas pessoas e um dos orientadores da investigadora.
Os especialistas de educação entrevistados foram contactados pela investigadora, por serem pessoas de referência na educação em Angola, com intervenção ativa, e por terem permanecido em Portugal durante um período de tempo que permitiu disponibilidade por parte dos mesmos para a realização da entrevista.
Foi também entrevistado um técnico da ONG angolana ADRA – Ação para o Desenvolvimento Rural e Ambiente, por ser a ONG angolana com programas de maior envergadura na área da educação. A ADRA caracteriza-se como “uma ONG angolana comprometida com a construção de um desenvolvimento democrático e sustentável, social, económico e ambientalmente justo, e com o processo de reconciliação nacional e a paz para Angola. Esses compromissos se realizarão fortalecendo a capacidade dos excluídos, valorizando as tradições e práticas das comunidades rurais e fortalecendo a capacidade das organizações da sociedade civil para que se tornem sujeitos do mais amplo processo de mudança que assegure opções e oportunidades para todos.21”
Foi ainda entrevistado o coordenador das ZIP da província de Cabinda, por se considerar que seria interessante uma compreensão mais aprofundada do funcionamento das ZIP a nível da província. Este encontrava-se à data da entrevista a frequentar o doutoramento em ciências da educação numa universidade espanhola.
Os Agentes da Cooperação (AC) do programa Saber Mais aquando da realização das entrevistas nas províncias não se encontravam ao serviço, visto que o programa estava em período de mudança de ciclo. Assim, à exceção da AC BIO EFP Benguela, que se encontrava em Benguela a título pessoal, os outros AC foram entrevistados em Portugal. Como se pode constatar no Quadro nº 6, foi também entrevistada a AC FIS EFP Cabinda em conjunto com o
AC QUI EFP Cabinda. Dos AC entrevistados, apenas a AC BIO EFP Benguela tinha mestrado,
sendo que os restantes têm licenciatura.
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No programa Saber Mais, não foi possível entrevistar a CCP Benguela, por indisponibilidade da mesma. Porém, foi entrevistada a CCP Namibe pois, sendo esta uma província abrangida pelo programa Saber Mais, mesmo não sendo uma das províncias de estudo deste trabalho, considerou-se que a CCP Namibe, pelo seu perfil profissional e académico, seria uma pessoa que traria reflexões interessantes a este estudo. De notar que, à data das entrevistas, ambas as CCP entrevistadas se encontravam a realizar trabalhos de investigação de mestrado, no âmbito de temas relacionados com Angola.