• Aucun résultat trouvé

Les implications des mesures budgétaires visant à lutter contre le changement climatique

Dans le document Bulletin économique (Page 63-67)

Évolutions des taux d’intérêt

4 Les implications des mesures budgétaires visant à lutter contre le changement climatique

O estudo da relação entre a concepção que os/as professores/as manifestam sobre ser mulher e ser homem e sua implicação para a formação de meninos e meninas constituiu os primeiros temas de pesquisa dos Estudos sobre a Mulher76 na educação formal brasileira, a partir dos anos 70, conforme pontuamos no primeiro capítulo

Nesse período, Elena Belotti se firma como um clássico na literatura científica acerca da educação “feminina” em nosso país, com Educar para a submissão: o descondicionamento

76Estudos sobre a Mulher, como foi chamada a área de pesquisa formada pelas feministas da segunda onda do

da mulher. Discute os resultados de suas observação em escolas italianas. No que tange ao

pensamento das professoras de aplicações técnicas (disciplina em que havia um diferencial sexual do conteúdo), quanto à discriminação sexual das atividades ofertadas, assim reagiram:

Passou-se por alto, porém, a questão de princípio se era ou não justo discriminar as atividades dos alunos com base no sexo, observando que ‘isto está previsto até nos programas ministeriais’, como se estes representassem a própria essência da verdade e da justiça e não pudessem ser revistos ou criticados. Verificou-se, neste caso, que as mulheres eram incapazes de perceber, no fato examinado, um ato discriminatório e, portanto, injusto, que contribuía para deformar a consciência dos alunos. E, como em tantos outros casos análogos, estavam defendendo posições conservadoras em prejuízo de seu próprio sexo. (BELOTTI, 1987, p. 163).

À época, no Brasil, também era frequente que professoras da educação básica tivessem uma percepção naturalizada das relações de gênero. Rosemberg, Piza e Montenegro (1990) organizaram o estado da arte da produção sobre a educação formal da mulher, no período entre 1970 e 1989. Ressaltaram que pouco se produziu sobre o entendimento de professores/as quanto à estereotipia sexual dos estudantes. E, como se poderia esperar, que não encontraram nenhum trabalho deste tipo realizado com a participação de professor homem.

Durante o trabalho de levantamento bibliográfico, as autoras depararam-se com a escassez de estudos sobre magistério de segundo grau, com abordagem sobre relações de gênero. As observações empreendidas por Belotti (1987) padecem da mesma limitação, vão até a escola média que equivale a faixa etária do nosso ensino fundamental II. Essa também foi uma dificuldade com a qual nos confrontamos em nosso levantamento, a lacuna na pesquisa científica acerca de temáticas de gênero relacionadas à docência no ensino médio.

Rosemberg, Piza e Montenegro (1990), ao reunir cinco pesquisas, realizadas entre 1980 e 1989, a respeito das justificativas que professoras atribuem ao insucesso escolar, constatou que nas falas das professoras ou das pesquisadoras, “por traz de pais e de famílias, encontra-se a mãe.” (p.95) E assim, concluem: [...] “os relatos das professoras parecem culpabilizar mães que abandonam seus filhos para trabalhar, que vivem uniões ‘promíscuas’ (ao invés de se dedicarem às crianças); que não se interessam pela lição de casa etc”. (ROSEMBERG; PIZA; MONTENEGRO, 1990, p. 99).

Comparando-se a produção científica a respeito da compreensão dos/as professores/as obre as questões de gênero, há quatro, cinco décadas, atrás com as pesquisas recentes é notável atualmente a manifestação de abordagem fundamentada quanto à compreensão da diversidade e da diferença manifesta em trabalhos a respeito da discriminação entre os sexos. Não obstante, certos relatos colhidos em trabalhos recentes se aproximarem daqueles característicos das

primeiras pesquisas que trataram da educação “feminina”.

Castro (2010) viu-se diante de preconceitos incompatíveis com a profissão de educador/a. Ao entrevistar uma professora de educação infantil sobre a experiência de receber um professor homem na escola em que trabalha, ouviu:

Quando eu tava lá [na escola], se dissessem, “Olha, vamos receber um homem...”, eu com certeza pensaria: “Deve ser um [gesticula com uma das mãos, girando o pulso em uma alusão a trejeito estereotipado de homens homossexuais]...” Mas, aí, quando a diretora lá disse: “Não, esse não é [gay]... Eu já estudei com ele, ele é casado e tal..”, eu... Mas quando ela disse que ia vir um homem pra lá, eu disse “Hum, deve ser um homossexual”. Me enganei... MAS é a primeira coisa que pensam. (Professora Sofia apud CASTRO, 2010, p. 50)

A concepção de gênero dessa professora, do nosso tempo, está em plena sintonia com ideia defendida pelo professor Calleja (1970) citado por Rosemberg, Piza e Montenegro (1990, p.124): “Perde de menina é um tanto vexatório e pode ocasionar uma problemática que iria afetar a personalidade em formação do menino”. À semelhança da pesquisa de Castro, na qual os estereótipos de gênero estiveram bastante presentes nos relatos dos/as participantes, temos os trabalhos de Lima (2008); Santos (2006); Castro (2010); Hampel (2013); Santana (2014); Lusa (2010) e França (2009). Compreendem estudos com professores de Pedagogia e/ou professores da educação infantil ou do ensino fundamental.

O único trabalho que encontramos sobre como os/as professores/as do ensino médio pensam as relações de gênero foi o de Torres (2009). E é também nele onde nos deparamos com uma maior consciência sobre a desigualdade entre mulheres e homens:

Com os alunos eu coloco esse mesmo discurso. Tem os meninos que ficam com a cara meio cheia. Quando digo a mãe não manda os meninos lavar as cuecas, mas as meninas têm que lavar as calcinhas. As meninas ficam tudo indignadas e os meninos se sentindo o máximo. Eles dizem assim, mas tá certa mesmo. Aí jogam fora o discurso deles machista. Eles dizem, olha, mas tá certa mesmo, a mulher tem que fazer. Eu digo nada disso. O que está em jogo não é a questão de mulher ou homem, é a questão da liberdade. Você tem que fazer alguma coisa com seu sexo oposto, com a mulher, com quem for por amor. Você permanece ao lado para amar e não porque ela lava minhas cuecas ou faz minha comida. Você tem que se libertar, porque se você fizer a opção de morar sozinho tem que saber que você precisará de um aprendizado nesse sentido. (professora de Geografia apud TORRES, 2009, p. 91). Tendo feito uma breve abordagem do estado da produção sobre a compreensão de professores/as acerca das relações de gênero, passamos agora a discussão de nossa ida a campo

Dans le document Bulletin économique (Page 63-67)