Replaceable Parts
9.3 Illustrated Parts Breakouts
Como exposto no capítulo anterior, a Comunicação Social tem o compromisso de levar informação à sociedade. Sendo assim, ela leva temas de discussão para Esfera Pública, tais como a Responsabilidade Social, tema recorrente nesse segundo decênio. A Comunicação Social leva ao debate, provoca a curiosidade e leva informação pública aos diversos públicos envolvidos em sua sociedade. Ela realiza seu poder de expor a livre circulação de conceitos ao entregar e estabelecer espaços para dar visibilidade pública a qualquer tipo de discussão (MARTINO, 2015).
Uma sociedade que entende a importância da esfera pública, que segundo Martino (2015) está estritamente ligada à democracia, ao ser o local de debate de ideias e estabelecimento de conceitos mediante os diversos públicos, consegue lutar pelo exercício de seus direitos. A comunicação exerce fator diferencial em promover e auxiliar os cidadãos na discussão de ideias, em seu papel de informar e educar o público (MARTINO, 2015).
Margarida Kunsch e Ivone Oliveira complementam a importância da Comunicação em expor temas de discussão de relevância para a sociedade, tais como a Sustentabilidade Ambiental:
Ela envolve desde aprimorar conceitos e mecanismos da comunicação, adequando-os à perspectiva da complexidade, até, de um ponto de vista pragmático, exercê-la em nome da transformação de uma realidade que não se sustenta mais, que chega a limites em todas as dimensões, trazendo-nos um sistema em crise. A promoção da reflexividade sobre os campos teórico
e empírico constitui um primeiro passo na incorporação da sustentabilidade em nossas comunicações (KUNSCH; OLIVEIRA, 2009, p. 30).
Esse movimento de reflexão em relação à Responsabilidade Ambiental e Sustentabilidade traz uma relação comunicacional entre os indivíduos que se manifestam em pensamento. O tema proposto de discussão é estimulado, e novos métodos de relacionamento com o meio ambiente podem ser pensados em uma perspectiva que atenda aos interesses da sociedade vigente, tal como Wilson Bueno (2015) expõe que os sujeitos envolvidos em um tema de discussão público, não selecionam ou aderem significados a temas diversos ao acaso, eles estão em uma relação comunicacional construída por interesses sociais de um grupo que pode provocar mudanças ao modo de pensar social, esse é o papel da comunicação, estimular mudanças para o bem comum, dentre elas, podemos citar a relevância do debate sobre a sustentabilidade (BUENO, 2015).
Wilson Bueno complementa ao dizer que “a comunicação competente pode contribuir para a consolidação do conceito de sustentabilidade, buscando eliminar equívocos como os que associam a ações meramente pontuais ou que reduzem à simples dimensão ambiental.” (2015, p. 51). A Comunicação tem papel primordial em expor e esclarecer esses conceitos à sociedade.
Um dos grandes problemas enfrentados é convencer as organizações e seus empresários a estimular e realizar ações voltadas à Responsabilidade Social. Sabe- se que neste milênio as ações voltadas ao Meio Ambiente são destaques e devem ser pensadas o quanto antes, como foi desenvolvido nos capítulos 2 e 3, com apoio teórico de Reinaldo Dias. Sendo assim, é estimulado esse movimento pela Comunicação Social, e Bueno (2015) defende que empresas e empreendedores devem se atentar a essas demandas sociais, é um erro ignorar a grande importância que a questão ambiental tem atualmente, pois “tão importante quanto à prevenção, mitigação e compensação do meio ambiente físico é a preservação da qualidade de vida das populações.” (BUENO, 2015, p.8). O diálogo com a sociedade, a atenção aos interesses de seus stakeholders, a demanda ambiental pode trazer valorização e interesse público a uma organização que compreende o debate atual socioeconômico voltado ao meio ambiente (BUENO, 2015).
O diálogo com a sociedade é primordial, ações governamentais começam a ser discutidas, tardiamente, com a cobrança da sociedade e em particular dos estudiosos da área ambiental. Sendo assim, o Ministério Público começa a agir, ao ver as
populações atingidas por empreendimentos não sustentáveis e assim começam a compreender e recorrer a organizações ambientais e comunicacionais por seus direitos como cidadão, Bueno (2015) se atentou ao buscar exemplos dessa realidade:
O Ministério Público (MP), as organizações ambientais, a mídia, as redes sociais, a sociedade civil organizada, a população geral e, principalmente, as comunidades impactadas direta e indiretamente pelos empreendimentos, dentre outros públicos, são os principais responsáveis pelas críticas aos empreendimentos que não atendem às expectativas sociais e ambientais da sociedade em geral (BUENO, 2015, p.4).
Essas populações provocam a mudança da sociedade e levam temas novos à maioria da população para a Esfera Pública. Novos empreendimentos são pensados e aos existentes são cobrados para realizar ações para que haja melhorias na sociedade a qual pertence e atinge, pois “... o discurso ambientalista insere-se numa estratégia de mudanças tecnológicas e sociais, que estimula uma produção de conhecimentos capazes de ser aplicados a formas alternativas de organização social e produtiva.” (LEFF, 2002, p. 69). Essas ações simbolizam novas demandas para a sociedade, entre elas, principalmente, a Responsabilidade Ambiental, como apresenta Dias:
O papel das organizações está mudando, ainda lentamente, mas com rumo definido para uma maior responsabilidade social, inserindo-se como mais um agente de transformação e de desenvolvimento nas comunidades; participando ativamente dos processos sociais e ecológicos que estão no seu entorno e procurando obter legitimidade social pelo exemplo, e não mais unicamente pela sua capacidade de produzir. Ao seu papel econômico, que continua fundamental, agrega-se outro que assume conscientemente, de assumir maior responsabilidade social, onde se inclui a perspectiva ambiental (DIAS, 2009, p. 161).
Essa transformação de pensamento mostra mudanças no modo de agir, o pensar ambiental sai do campo teórico e se direciona a realidade das empresas. As novas propostas das empresas começam a ser vistas em suas ações, e a crise ambiental moderna começa a ser preocupação da sociedade, como Leff expõe:
O saber ambiental ultrapassa o campo do conhecimento científico para se inserir na ordem da racionalidade – dos imaginários coletivos, das regras de pensamento, das formações discursivas – que permitem vincular os valores e o saber com o pensamento e a razão na constituição de atores sociais. [...] O debate ambiental se desloca do raciocínio sobre o modo de produção e dos paradigmas do conhecimento para compreender a crise ambiental como uma crise da racionalidade da modernidade (LEFF, 2002, p. 17).
Ele complementa ao explorar a construção da racionalidade ambiental moderna:
A construção da racionalidade ambiental é um processo político e social que passa pelo confronto e concerto de interesses opostos pela reorientação de tendências (dinâmica populacional, racionalidade do crescimento econômico,
padrões tecnológicos, práticas de consumo); pela ruptura de obstáculos epistemológicos e barreiras institucionais; pela criação de novas formas de organização produtiva, inovação de novos métodos de pesquisa e produção de novos conceitos e conhecimentos (LEFF, 2002, p. 112).
Para concluir, Kunsch (2009) debate temas relacionados à Responsabilidade