PARTIE V. ACTIVITE DU GROUPE OCP
II. F ILIALES ET PARTICIPATIONS DE L ’OCP SA
Diversas formas de prata, tais como prata metálica, nitrato de prata e sulfadiazina de prata têm sido utilizadas para tratar queimaduras, feridas e muitas infecções bacterianas. Com o advento dos antibióticos, a prata ficou em segundo plano, porém com o surgimento de cepas bacterianas resistentes aos antibióticos renovou-se o interesse nos compostos de prata (PRABHU; PATRAVEL; JOSHI, 2012). Nos últimos anos, a prata vem sendo estudada na área de imunização. Por exemplo, Jazayeri e colaboradores (2012) prepararam nanopartículas de prata com tamanho de 12 nm para ser usado como sistema de liberação de uma vacina de DNA para administração oral. As nanopartículas de prata (NPAg) foram sintetizadas para estabilizar esse sistema de liberação e foram obtidas por um método chamado “tecnologia verde”, o qual não utiliza substâncias tóxicas ao meio ambiente e faz uso de pouco solvente. O DNA utilizado foi o plasmídeo que codifica o gene da hemaglutinina do vírus da gripe aviária. Uma única imunização oral em galinhas resultou na indução de resposta imune humoral e celular, além do aumento do nível das citocinas. Além disso, as NPAg foram consideradas não citotóxicas. O efeito adjuvante imunológico de nanopatículas de prata foi investigado por XU e colaboradores (2013) através de estudo realizado in vivo com OVA e albumina do soro bovino em camundongos, administrando as formulações por via subcutânea e intraperitonial. Os níveis de IgG específico para OVA aumentou significativamente nos animais tratados com as NPAg para os dois modelos de antígenos utilizados. O aumento de anticorpos IgG1 em relação ao IgG2a indicou que as NPAg induziram resposta via Th2. Em ensaios in vitro, observou-se o aumento do número de leucócitos e das citocinas TNF-α e IFN-ɣ. A expressão do complexo de histocompatibilidade principal de classe II na superfície de macrófagos peritoneais aumentou significativamente e as nanopartículas puderam ser facilmente fagocitadas por macrófagos peritoneais, enquanto não afetou a absorção de antígeno pela célula. Os pesquisadores concluíram que as NPAg têm efeito adjuvante significativo e o mecanismo deste efeito é atribuído principalmente ao recrutamento e ativação de leucócitos locais e dos macrófagos.
O método mais tradicional para a obtenção das NPAg é através da redução do nitrato de prata pelo boroidreto de sódio a temperatura ambiente sob agitação. Essa dispersão apresenta comprimento de onda no espectrofotômetro UV/Vis de 399 nm (CREIGHTON; BLATCHFORD; ALBRECHT, 1979, SUH; DILELLA; MOSKOVITS, 1983, SCHWARCKE et al., 2010). Outro método que está sendo bastante utilizada para a síntese de nanopartículas, citado anteriormente, é chamado de “tecnologia verde”, uma vez que usam
extratos de plantas como agente redutor e vem sendo considerado menos agressivo ao meio ambiente. No estudo de Saxena e colaboradores (2012), os pesquisados utilizaram o extrato da folha de Ficus benghalensis como um agente redutor do nitrato de prata e consideraram um método rápido e conveniente para a síntese de NPAg. A caracterização por espectroscopia do UV-Vis mostrou absorção máxima em 410 nm e tamanho das partículas de 16 nm. No estudo de Kouvaris e colaboradores de (2012), os autores sintetizaram nanopartículas de prata a partir de nitrato de prata e do caldo da folha do Arbutus unedo, que agiu como agente redutor e estabilizador simultaneamente. As nanopartículas apresentaram tamanho de 30 nm e absorção máxima no uv/vis em 437 nm.
Além da prata, nanopartículas de ouro também são estudadas para estimular o sistema imune, podendo atuar como adjuvantes imunológicos. Bastús e colaboradores (2009) estudaram a conjugação com diferentes peptídeos com nanopartículas de ouro. Os macrófagos da medula óssea de camundongos foram capazes de reconhecer os conjugados de peptídeos com nanopartículas de ouro, enquanto que os peptídeos ou as nanopartículas por si só não foram reconhecidos. Por conseguinte, na presença de conjugados foi induzida a produção de citocinas pró-inflamatórias, tais como TNF-α, IL-1β e IL-6. Além disso, a ativação de macrófagos por conjugados de nanopartículas de ouro com diferentes peptídeos pareceu ser independente do comprimento do peptídeo e polaridade, mas dependente do padrão de peptídeo na superfície da nanopartícula. Esses resultados ajudam a ilustrar os requisitos básicos para que o conjugado de nanopartículas possa tanto ativar ou passar despercebidos ao sistema imune. O efeito adjuvante de nanopartículas de ouro também foi estudado por Huang e colaboradores (2010) que sintetizaram nanopartículas de ouro com tamanho de 5 nm e verificaram que esse sistema permite a liberação de proteína na pele, devido à interação desse sistema com os lipídios da pele, induzindo aberturas de poros transientes e reversíveis no estrato córneo. Assim, quando as nanopartículas de ouro foram administradas em associação com a OVA, também foi observada a capacidade desse sistema em ultrapassar a barreira da pele e migrar e para as camadas mais profundas da pele. Explorando essa propriedade das nanopartículas de ouro, os pesquisadores desenvolveram uma estratégia de liberação de vacina não-invasivo para ser aplicada topicamente, já que altos títulos de anticorpos IgG foram obtidos após a administração dessa formulação.
As nanopartículas de ouro podem também aumentar a estabilidade dos lipossomas em contato com a pele. Pornpattananangkul e colaboradores (2010) mostraram que nanopartículas de ouro ligadas a superfície de lipossomas evitam a fusão entre as vesículas lipossomais,
promovendo a estabilização das mesmas antes de atingirem o local de ação, bem como durante o período de armazenamento. Portanto, a obtenção de lipossomas associados à nanopartículas metálicas pode aumentar a estabilidade desses lipossomas e associados a iontoforese, as nanopartículas metálicas podem aumentar a eficiência da corrente elétrica e facilitar tanto a penetração do antígeno encapsulado nos lipossomas quanto a penetração das próprias nanopartículas metálicas.
Como não há relatos da associação de lipossomas e iontoforese visando a imunização transcutânea, acredita-se que é de grande relevância o desenvolvimento do presente trabalho.
3. OBJETIVO