PLIAGES ET CONSTRUCTIONS A LA REGLE ET AU COMPAS
II – CONSTRUCTIONS A LA REGLE ET AU COMPAS
Resumo
Contexto: A partilha do conhecimento (PC) é uma atividade tendencialmente natural entre os professores universitários, onde se espera que o conhecimento seja partilhado e promovido entre pares de forma contínua, no entanto, hoje em dia a realidade demonstra que essa prática encontra-se pouco ativa nas instituições de ensino superior (Ramayah, & Ignatius, 2013). A literatura acerca desta temática tem vindo a identificar fatores que influenciam a PC em diversos setores de atividade, todavia, são poucos os que focalizam a problemática no contexto universitário, acrescendo os comportamentos dos professores como estando na origem da aparente disfuncionalidade na PC (Buckley, 2012). Objetivo: Este artigo pretende analisar em que medida os fatores individuais, como a orientação, as crenças e a intenção constituem antecedentes do comportamento de PC entre o corpo docente da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Metodologia: O estudo assenta numa abordagem quantitativa, integrando uma amostra de 165 docentes. A coleta dos dados foi efetuada com recurso à aplicação de um questionário on-line de resposta fechada, com uma escala tipo Likert. O conjunto dos dados foi tratado estatisticamente através do software Smart PLS. Resultados/Conclusão: Os resultados revelam que os docentes que privilegiam uma orientação para a aprendizagem e que gostam de ajudar os outros com o seu conhecimento tendem a participar mais ativamente em processos de PC. Originalidade/Valor: Este estudo apresenta um modelo conceptual relevante na identificação de novos efeitos preditores do comportamento de PC entre docentes no contexto de ensino superior. Os resultados obtidos contribuem para uma melhor compreensão da dinâmica deste processo, explorando características individuais que se encontram subjacentes.
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Palavras-Chave: Partilha de conhecimento, Conhecimento escondido, Orientação para os objetivos, Ensino Superior.
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2 Marques, C.P., Sousa, N., & Leal, C. (2019). Hiding and sharing knowledge amongst faculty: the influence of goal orientations. Has been selected for submission as a paper to
the 20th European Conference on Knowledge Management, 5–6 September 2019, Universidade
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Hiding and sharing knowledge amongst faculty: the influence of goal
orientations
Abstract
Context: knowledge sharing (KS) is a natural activity among university professors, where knowledge is expected to be shared and promoted among peers in a continuous way, however, reality today demonstrates that this practice is found active in higher education institutions (Ramayah, & Ignatius, 2013). The literature on this subject has been identifying factors that influence the KS in several sectors of activity, however, there are few that focus the problem in the university context, adding the behaviors of the teachers as being at the origin of the apparent dysfunctionality in the PC (Buckley, 2012). Objective: This article intends to analyze to what extent individual factors such as orientation, beliefs and intention are antecedents of KS behavior among the faculty of the Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Methodology: The study is based on a quantitative approach, integrating a sample of 165 teachers. Data were collected using a closed-ended online questionnaire with a Likert scale. The data set was statistically treated using Smart PLS software. Results/Conclusion: The results show that teachers who prefer a learning orientation and who like to help others with their knowledge tend to participate more actively in KS processes. Originality/Value: This study presents a relevant conceptual model in the identification of new predictive effects of KS behavior among teachers in the context of higher education. The results obtained contribute to a better understanding of the dynamics of this process, exploring individual characteristics that are underlying.
Keywords: Knowledge sharing; Knowledge hiding; Goal orientations; Higher education institutions.
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Introdução
A PC é uma forma de disseminação de inteligência entre colegas dentro e através dos limites das organizações, este processo permite criar bases de partilha importantes na produção de conhecimento e desenvolvimento de ações conjuntas (Dong et al., 2016; Boso, Story, & Cadogan, 2013). Esta tendência torna a participação em processos PC num comportamento fundamental no contexto universitário, pelo seu papel
impulsionador no alcance de objetivos comuns (Kong, 1999). A aparente disfuncionalidade na troca de conhecimentos pode comprometer o processo de produção de valor científico (Basu & Sengupta, 2007), uma vez que, a conduta dos intervenientes nos processos de PC tem um impacto significativo no cumprimento das solicitações provenientes do seu meio e na contribuição para o conhecimento comum (Suppiah & Sandhu, 2011).
Os professores universitários são vistos como tendencialmente independentes, mantendo uma distância objetiva e deliberada do trabalho dos seus colegas que pode comprometer a capacidade de resposta às necessidades individuais e coletivas do corpo docente e da própria instituição (Koppi et al., 1998). O facto de o conhecimento ser visto como um recurso escasso e valioso nas organizações, que confere status e poder ao seu portador, torna a PC a terceiros num ato pouco evidente, dada a perda de influência individual que advém do ato de partilha (Bock, Zmud, Kim, & Lee, 2005; Ipe, 2003; Hislop, 2003)
A preocupação em compreender a dinâmica da PC tem-se refletido num conjunto significativo de estudos, sobretudo no que concerne à compreensão e identificação dos fatores que a influenciam nos diversos setores de atividade (Serenko & Bontis, 2013). No entanto, constata-se na literatura que são pouco expressivos os estudos que
focalizam a problemática no contexto universitário, bem como, os que estudam a sua relação com os comportamentos dos professores enquanto principais agentes no
43 processo de PC neste tipo de instituições (Buckley, 2012).
Posto isto, como sugerem Hassan et al., (2016), é imperativo considerar os fatores individuais como eventuais antecedentes do comportamento de PC. Segundo o estudo de Sousa, Marques e Leal (2018), esses fatores estão relacionados essencialmente com as crenças individuais em relação aos resultados esperados, previstas na teoria da troca social (SET) e à perceção sobre o comportamento dos colegas à luz da teoria do comportamento planeado (TPB) em contextos de PC. Ainda segundo Sousa, et al., (2018), percebe-se que há uma tentativa em explicar os comportamentos de partilha recorrendo a um conjunto de variáveis individuais.
Neste estudo foram abordadas as orientações dos docentes para objetivos de aprendizagem e de desempenho, a sua crença em relação a custos e benefícios em participar neste processo, a confiança e a sua intenção de esconder conhecimento com o intuito de testar o seu efeito no comportamento de PC dos docentes do ensino superior. Como sugerem Hassan et al., (2016) os próximos estudos sobre esta temática devem concentrar-se em fatores individuais como possíveis antecedentes do comportamento de PC.
Considerando a importância do papel dos docentes na PC no ensino superior (Seonghee & Boryung, 2008) e o número reduzido de estudos que incidem em análises empíricas quantitativas no âmbito desta temática (Sousa et al., 2018), desenvolveu-se esta investigação, com o intuito de atribuir ênfase aos aspetos individuais que
influenciam o comportamento dos docentes na sua participação em processo de PC entre colegas. Assim sendo, partindo da conceptualização de um modelo estrutural fundamentado pela literatura, este estudo propõe avaliar se as orientações e atitudes dos docentes influenciam a sua participação em processos de PC em contexto académico.
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Revisão da Literatura
A orientação para os objetivos e seus efeitos no comportamento dos docentes em processos de PC
O conceito de orientação para objetivos/metas foi desenvolvido com base na convicção de que, se os indivíduos mantêm orientações com objetivos claros, refletindo as metas que pretendem alcançar, então essas orientações constituem preditores
significativos do comportamento e desempenho individual (Dweck, 2000). Partindo do entendimento de que as orientações individuais representam o conjunto de processos afetivos, comportamentais e cognitivos da motivação (Dweck, 2000), foram
identificadas duas categorias importantes de antecedentes que refletem as disposições individuais, com objetivos disposicionais diferentes, nomeadamente a orientação para a aprendizagem (OA) e a orientação para o desempenho (OD) (VandeWalle, 2003).
De forma particular, o facto de as orientações para os objetivos serem concebidas como traços da motivação individual, estas revelam um impacto significativo em processos de PC (Kim & Lee, 2013), e concomitantemente, a sua ocorrência constitui um antecedente importante para analisar o comportamento e o desempenho individual, refletindo as metas de cada colaborador (Swift, Balkin, & Matusik, 2010). Verifica-se nos últimos anos, que o corpo científico quanto à temática tem vindo a debruçar-se progressivamente em questões individuais e na sua significância para o cumprimento de objetivos, como é o caso de variáveis como a motivação, o comportamento e o
desempenho na realização de tarefas (Payne, Youngcourt, & Beaubien, 2007). Sabe-se que, é sobretudo em contextos organizacionais que se estabelece a sua aplicabilidade, desempenhando um papel importante nas decisões sobre o capital humano (Porath & Bateman, 2006; Payne, Youngcourt, & Beaubien, 2007). Este
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Os indivíduos com OA são geralmente congruentes com padrões de resposta adaptativos, que influenciam positivamente a PC, dado que o seu comportamento está intimamente relacionado com a preocupação em aumentar a sua competência e a aquisição de novos conhecimentos, facto que tende a promover o seu envolvimento em processos de troca de informação (Kim & Lee, 2013; Porter, Webb, & Gogus, 2010). Por seu turno, os indivíduos com OD surgem associados a padrões de resposta desadaptativos, com propensão a inibir a sua participação em processos de PC.
Neste enquadramento, a procura por julgamentos favoráveis da sua competência e de superiorização em relação aos seus colegas, induz frequentemente a sua
indisponibilidade para participar em processos de troca, com receio de perder vantagem em relação aos outros (Kim & Lee, 2013). Acresce ainda, o facto dos indivíduos
orientados para o seu desenvolvimento intelectual percecionarem as tarefas desafiadoras como oportunidades de aprendizagem, enquanto indivíduos que privilegiam o
desempenho encaram as tarefas desafiadoras como arriscadas, temendo falhar e revelar as suas fragilidades aos outros (Dragoni & Kuenzi, 2012).
É com base nesta perceção comportamental que provém o facto de os indivíduos com maior OA estarem particularmente associados a processos de troca de qualidade superior entre colegas (Janssen & Prins, 2007). Assim, como apontam Kim e Lee (2013), os indivíduos com OD estão menos predispostos a reunir esforços para trocar conhecimento, receando serem percecionados como incompetentes, devido à incerteza sobre o valor do seu conhecimento e como ele será recebido entre colegas. Por outro lado, os indivíduos com OA apenas tendem a partilhar o seu conhecimento com quem
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estabelecem ligações próximas, de modo a facilitar o alcance ao conhecimento, porém, esta discriminação pode contribuir para inibir a sua participação na PC (Swift et al., 2010). No entanto, como afirmam Payne et al., (2007) não é evidente que a OD, por si só, reduza o efeito positivo geral da OA em contextos em que os dois tipos de objetivos estão presentes.
Apesar de as relações sociais impulsionarem a PC, o conhecimento nem sempre é partilhado com base em laços estreitos entre os pares, por vezes acontece que os
indivíduos só estão dispostos a partilhá-lo com pessoas com as quais não dispõem uma proximidade social, em virtude da valorização e da aceitação serem mais favoráveis do que quando este é partilhado entre os pares (Reagans & McEvily, 2003; Swift et al., 2010). De acordo com Matzler e Mueller (2011) subsistem evidências empíricas consistentes que alegam que a OA influencia positivamente o comportamento de PC, enquanto a OD induz um impacto negativo.
Independentemente de permanecerem alguns estudos que atestam dados significativos sobre o efeito direto entre os dois tipos de orientação face a
comportamentos de partilha (Swift et al., 2010; Gong et al., 2017), permanece pouco definida a relação existente entre as orientações individuais e as táticas de
autorregulação dos indivíduos nas interações pessoais com os outros (Sommet et al., 2014). Neste âmbito, considerou-se adequado estabelecer as seguintes hipóteses:
H1: A orientação para a aprendizagem tem um efeito positivo no comportamento de PC.
H2: A orientação para o desempenho tem um efeito negativo no comportamento de PC.
47 A teoria da troca social e a relação com a perceção dos custos e benefícios da PC
A teoria da troca social (SET) destaca-se entre os paradigmas conceituais mais influentes para a compreensão do comportamento em contexto de partilha (Liu et al., 2012). Em conformidade com esta teoria, os indivíduos interagem entre si partindo de uma análise do interesse próprio, dos custos e benefícios dessa mesma interação (Blau, 1964), o que significa que estes procuram maximizar os seus benefícios, em detrimento dos custos adjacentes à troca de recursos entre si (Molm,Peterson, & Takahashi, 2001).
Neste intercâmbio de conhecimento, as pessoas acreditam que se ajudando mutuamente, poderão vir a adquirir os recursos que desejam obter no futuro, através desta reciprocidade social (Liu et al., 2012). No que diz respeito a esta troca entre pares, sabe-se que esta pode ser de dois tipos, económica ou social, em que a primeira implica obrigações específicas entre as partes, com benefícios que têm um preço exato, sendo o meio quantitativo o único meio de troca, passível de ser negociado. Por sua vez, a troca social não possui obrigações específicas, nem valor fixo, esta tende a gerar apenas uma troca de sentimentos de obrigação pessoal, gratidão e confiança (Bock & Kim 2002).
Na dinâmica da PC Jinyang (2015) destaca que o sucesso deste processo está relacionado não só com a aquisição de recompensas materiais, mas também com recompensas psicológicas, como o apoio, confiança, autoestima e o prestígio. Em contrapartida, Bock e Kim (2002) defendem que a PC entre os indivíduos depende da criação de um sistema de incentivos, o que quer dizer que, se os indivíduos acreditarem que vão receber benefícios, estes desenvolvem uma atitude mais positiva em relação à PC.
Esta análise da perceção dos sujeitos em relação aos custos e benefícios, tem-se afigurado como um dos antecedentes mais estudados na PC (Wang & Noe, 2010). À luz
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da SET subentende-se que os indivíduos que participam ativamente em processos de PC manifestam um entendimento de que os benefícios futuros serão superiores aos custos que incorrem ao participar nessa partilha (Sedighi et al., 2016), caso contrário, tendem a esconder o seu conhecimento ou a evitar partilhá-lo (Connelly et al., 2012). A crença de um indivíduo em relação a um determinado comportamento, refere-se a um resultado ou consequência expectável pelo próprio (Ajzen & Fishbein, 2005) e neste contexto, sabe- se que, quanto mais positiva for a sua perceção relativamente a uma conduta, mais favorável se tornará a sua concretização (Witherspoon et al., 2013; Hsu et al., 2007; Fullwood, Rowley & Delbridge, 2013).
Nesta linha de pensamento, a perceção sobre os benefícios está relacionada com as recompensas adjacentes à partilha de informação, o que de acordo com a literatura, correspondem a fatores como a reputação, a expectativa de receber benefícios e o gosto por ajudar os outros, fatores esses, sobre os quais os investigadores têm manifestado maior interesse no estudo do comportamento em processos de PC (Casimir, Lee & Loon, 2012; Chang & Chuang, 2011; Tan & Noor, 2013). Alguns autores acrescentam ainda que, quando o indivíduo acredita no valor do seu conhecimento, obtém satisfação em ajudar os outros e confia na reciprocidade por parte dos restantes participantes, estão reunidas as condições para um entendimento positivo do processo de PC (Bock et al., 2005; Kankanhalli, Tan, & Wei, 2005; Lin, Hsu, & Yeh, 2015).
Do ponto de vista dos custos, a literatura aponta para dois componentes principais que induzem um efeito direto negativo sobre o comportamento, nomeadamente o esforço e o receio de perder o poder sobre o conhecimento (Yan et al., 2016; Sedighi et al., 2016; Moghavvemi et al., 2017). Apesar da escassez de estudos e de estes se revelarem pouco conclusivos acerca dos custos da partilha, sabe-se que o esforço que o indivíduo necessita fazer para que consiga participar com sucesso em processos de PC e
49 o receio de perder a exclusividade sobre o conhecimento, são condicionantes
frequentemente apontadas como desencorajadoras de uma participação ativa (Casimir et al., 2012; Gupta, Joshi, & Agarwal, 2012). Na perspetiva de Tahir et al., (2016) a
generalidade dos indivíduos enfrenta reações negativas por parte dos pares, devido ao facto de recearem a perda dos seus conhecimentos, uma vez que estes estão
relacionados com a sua posição e poder.
No campo da perceção dos custos e benefícios no comportamento de PC a literatura permanece pouco expressiva, se por um lado, há autores que relatam efeitos diretos e positivos entre variáveis, (Abdul, Hamid, & Sulaiman, 2013; Mansor & Saparudin, 2015; Chang & Chuang, 2011), por outro lado, há indícios de que os mesmos antecedentes da PC apresentam coeficientes entre constructos manifestamente fracos (Tan & Noor, 2013; Yan et al., 2016; Rode, 2016). Esta disparidade reflete a necessidade de maior esclarecimento acerca do papel mediador das variáveis custos e benefícios, em processos de troca de conhecimento. Assim sendo, colocam-se as seguintes hipóteses:
H3a: O gosto por ajudar os outros tem um efeito positivo no comportamento de PC.
H3b: A reputação tem um efeito positivo no comportamento de PC. H3c: A reciprocidade tem um efeito positivo no comportamento de PC. H4a: O Esforço tem um efeito negativo no comportamento de PC. H4b: A perda de poder do conhecimento tem um efeito negativo no comportamento de PC.
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A influência da confiança na perceção dos benefícios da PC
No contexto da PC a confiança estabelece-se como a crença de um indivíduo em relação à boa intenção, competência e confiabilidade dos colegas no que respeita à contribuição de conhecimento e reutilização do mesmo (Kankanhalli et al., 2005). As evidências indicam que uma relação recíproca entre os indivíduos facilita a troca de conhecimento, porém, esta dinâmica depende da perceção da confiabilidade entre os pares (Tan, 2016), o que torna a confiança no principal mediador das crenças em relação à PC entre pares (Tsay et al., 2014).
Segundo Kuo (2008) uma perceção positiva sobre as recompensas pode contribuir para o desenvolvimento da confiança, o que consequentemente afeta a disposição dos indivíduos em adotar comportamentos favoráveis à PC. O interesse individual dos participantes em processos de troca depende da sua perceção do quão benéfica e
produtiva pode ser a partilha (Tan & Noor, 2013), esta crença para com a reciprocidade aumenta a sinceridade no intercâmbio de conhecimento, facilitando a resolução de problemas comuns e prestando um contributo eficaz para um processo de partilha entre pares mais sustentável (McEvily, Peronne, & Zaheer, 2003; Tan, 2016). Para alguns autores, este entendimento vai ao encontro dos princípios da teoria do capital social (TCS) que defende que a perceção dos níveis de confiança que os indivíduos podem ter, é estabelecida essencialmente com base em relações assentes em garantias de
reciprocidade (Iqbal et al., 2011). À luz desta teoria pode-se assumir que os benefícios que os participantes em processos de PC esperam ver consumados, dependem
significativamente do nível de confiança sentido nessa expectativa (Iqbal et al., 2011; Moghavvemi et al., 2017). Percebe-se assim, que um nível elevado deste sentimento entre os colaboradores torna a perceção da troca de conhecimento mais favorável, facto que permite não só compreender os benefícios desse processo, como também reforçar a
51 combinação de recursos produtivos (Wasko & Faraj, 2005; Chiu et al., 2006; Wang, Yen, & Tseng, 2015).
No que concerne à relação da confiança em crenças relativas ao processo de PC, algumas pesquisas patenteiam um efeito significativo (Yasir, Majid, & Yasir, 2017; Wang, et al., 2015), reforçando a ideia de que a confiança pode assumir um papel importante na promoção de atividades de PC (Chiu et al., 2006; Yasir et al., 2017). Posto isto, é imperativo perceber qual o efeito direto da confiança nos benefícios da PC neste contexto (Moghavvemi et al., 2017). Tendo em conta o exposto, estabeleceram-se as seguintes hipóteses:
H5a: A confiança tem um efeito positivo no gosto por ajudar os outros. H5b: A confiança tem um efeito positivo na reputação.
H5c: A confiança tem um efeito positivo na reciprocidade.
O efeito mediador das crenças na relação entre orientações e o comportamento de PC
O estudo de VandeWalle (2003) sugere que as orientações individuais afetam a forma como os indivíduos percebem cognitivamente os custos e benefícios da partilha de informação. Essa visão está associada ao modo como os indivíduos valorizam os custos e os benefícios da PC de maneira diferente, dependendo da sua orientação, que molda as suas preferências pelos colegas de partilha e o tipo de conhecimento que desejam partilhar (Swif et al., 2010).
De acordo com o estudo de (Kim & Lee, 2013) o tipo de orientação influencia a forma como os indivíduos percebem os custos e benefícios da PC em diferentes situações. No que diz respeito aos indivíduos com OA, estes esperam obter benefícios adicionais e custos mínimos quando participam em processos de PC (Wang & Noe,