3. HYDROGEN BEHAVIOUR IN WATER COOLED REACTORS
3.1. HYDROGEN GENERATION
3.2.3. Ignition and combustion
Como angustiado anjo em exílio, percorro os caminhos do mar, Para te esperar nas manhas de orvalho, quando transformo Meu lânguido desejo em tormento.
Afastado de ti, sofro por não ver no céu ser nuvens, a ambicionada estrela Que me levaria a ti. Cansado de meu demorado exílio, sonho
Com a terra da promissão,
Que nada seria sem ti e contemplo mais uma vez este céu negro De formas de farol.
E te reconheço caminhando entre as algas do mar e no feliz astro Brilhante que me mostra a suave e tranquila luz eterna de Deus. Mas, os ventos das manhãs nem sempre soprarão
A longa ausência em meus olhos, quando te espero no mar de onde vim, E te vejo com os cabelos soltos e molhados, jogados como âncoras E me salvando de um naufrágio preenchido de inocência e de amor.
(O Livro de Tânia, p. 43)
A figura metafórica do anjo possibilita ao poeta expressar os seus sentimentos, as suas emoções. “Como angustiado anjo em exílio”. Exilado da musa. O sentimento de exílio associa-se a uma evocação sublime e religiosa. “E te reconheço caminhando entre as algas do mar e no feliz astro / Brilhante que me mostra a suave e tranquila luz eterna de Deus”.
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A terceira parte d‟O Livro de Tânia, “De Profundis”, é a mais espiritualizada. O seu título remete ao salmo homônimo de Davi. Seus primeiros versículos dizem: “Das profundezas clamo a ti, Yahweh: / Senhor, ouve o meu grito” (Sl 129, 1-2). Quanto à epígrafe, Walflan de Queiroz recorre aos versículos do mesmo salmo, mas em francês, a sua língua predileta: “Si tu retiens les fautes, Yahvé, / Seigneur, qui donc subsistera?”12 O poeta sente a necessidade de conhecer as profundezas do seu próprio espírito. Ele sofre com resignação, com lucidez e desventura. Dialoga com Deus, volta-se para o refúgio divino, visto que a sua paixão por Tânia só lhe traz angústias infindáveis. Vejamos o poema:
LEGENDA
Perdão para o que contemplou, de longe, o azul do céu
E que nunca teve Tempo nem Amor, esquecidos como foram o cipreste e o [salgueiro. Perdão para o que, imerso em sonhos,
Conversou, em vida, alguns momentos com uma estrela. E para o que, vivendo em solidão,
Teve o Mar como herança e o Vento como amigo. Perdão, Senhor, para o que, não tecendo legendas, Foi com uma mariposa em torno de uma chama, Ou mesmo um Clown triste que não conheceu o Amor.
(O Livro de Tânia, p. 47)
O eu lírico pede perdão não por seus pecados, mas por sua incessante busca pelo Inacessível, por tudo aquilo que represente uma realidade fora do convencional e do cotidiano. Não é do pecado que nos fala, mas sim de um intenso simbolismo do Absoluto e do Sagrado.
Ele contemplou o azul do céu, o infinito, o horizonte. Ele imergiu em abstrações. Imerso em sonhos. Vive na solidão. Falou tristemente à estrela. O mar é sua herança. O vento é seu amigo.
O poeta Walflan utiliza uma linguagem simbólica para expressar as suas sensações, as emoções. O cipreste e o salgueiro são árvores que possuem uma conotação sacra. Conforme o Dicionário de Símbolos de Chevalier (2009), o cipreste é símbolo da imortalidade, enquanto que o salgueiro está relacionado com a morte, pois a sua morfologia evoca sentimentos de tristeza.
Em seu Dicionário de Símbolos, Becker (1999) afirma também que devido a sua forma inclinada para o chão, lembrando lágrimas derramadas, o salgueiro é símbolo da lamentação fúnebre.
A mariposa mencionada pelo eu lírico no poema é símbolo do amor místico. Ela é atraída pelas chamas do fogo onde morre queimada. “Perdão, Senhor, para o que, não tecendo legendas, / Foi com uma mariposa em torno de uma chama / Ou mesmo um Clown triste que não conheceu o Amor”. A figura do clown remete-nos à antiga comédia grega e romana, a “commedia dell‟arte”. O Clown representa a simplicidade, oscilando entre o trágico e o cômico.
O poeta Walflan de Queiroz vê-se devorado e dilacerado interiormente, como neste poema:
PEDIDO
A Leda, a divina
Senhor, Deus, quero como recompensa apenas isto: O mar do poeta Hart Crane,
A ternura da chuva numa noite de solidão, E o sorriso daquela pobre criança.
Senhor, quero também, se tanto merecer para Vós,
A beleza daqueles barcos, que, brancos como os cisnes de Rilke, Não se de onde vem e nem para onde vão.
(O Livro de Tânia, p. 49)
O poema à semelhança de uma prece possui um discurso de natureza religiosa. O eu lírico faz uso do recurso da apóstrofe “Senhor, Deus”, desejando o “mar do poeta Hart Crane”, a “ternura da chuva numa noite de solidão”, o “sorriso daquela pobre criança”, a beleza de barcos que são “brancos como os cisnes de Rilke”. No poema seguinte, o poeta entrega-se à revelação do mistério:
A VOZ
Uma voz eu ouvi, vinda não sei de onde, Dizendo-me que, algum dia,
Eu faria uma viagem para muito longe.
Uma voz eu ouvi, vinda das pequenas ondas do mar, Dizendo-me que, eu deixaria este mundo por outro, Esta vida, por outra vida melhor.
Esta estranha voz, agora eu sei, veio da noite, Veio do rio, ou então, daquele sombrio cipreste, que, Como a minha solidão ofereço a Deus.
O eu lírico ouve uma estranha voz, um chamado, um convite para uma viagem. A mesma voz d‟O Tempo da Solidão, um chamado do mar, de um “navio inútil”, a voz do “bateau ivre”.
A voz do infinito, do mistério. A voz que liberta o seu mundo interior e tem íntima ligação com o seu destino. O poeta sabe ouvi-la com profunda serenidade. Sabe ouvi-la por toda parte. A voz, viagem. Essa voz vem das ondas do mar, da noite, do rio e do cipreste. A voz da solidão. Solidão cantante a Deus.
O poeta decaído se compraz na imagem divina do Cristo, uma imagem que lhe serve de exemplo de força, de amor e de compaixão: