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Flame acceleration and deflagration to detonation transition

3. HYDROGEN BEHAVIOUR IN WATER COOLED REACTORS

3.1. HYDROGEN GENERATION

3.2.4. Flame acceleration and deflagration to detonation transition

Como invocá-lo agora que o encontrei e me sinto Triste ao meio da solidão das grandes avenidas? Pudesse eu pelo caminho, vê-lo como a um anjo, Nesse silêncio onde nenhuma estrela ou lanterna, Jamais clareou a sua sagrada face como a sol. Tivesse eu, olhos violeta, o contemplaria sereno Como um anjo de cabelos rebeldes, prenúncio De Vida, Morte, Ressurreição.

(O Livro de Tânia, p. 53)

No poema, o eu lírico encontra-se completamente só, em silêncio, mergulhado no desejo de salvação através de Cristo, tendo em vista os obstáculos para se chegar até o Filho do Homem. O eu lírico não se sente merecedor da misericórdia de Cristo e lamenta. “Como invocá-lo agora que o encontrei e me sinto / Triste ao meio da solidão das grandes avenidas?” Para ele, Cristo seria um anjo de cabelos rebeldes, que desejaria contemplar e receber sua mensagem de Verdade e Paz.

Em busca da contemplação do Eterno, o poeta Walflan aprofunda o seu lirismo transcendente neste poema:

ABISMO

Senhor, convertei meu abismo em redenção, E mandai vosso anjo erguer a minha alma, Da profunda tristeza em que se encontra. Fazei, Senhor, que, nenhum demônio possa

Jamais encontrar em meu corpo alívio para o seu tormento. E derramai, vosso óleo e vosso vinho

Por sobre a minha miséria e a minha desolação.

(O Livro de Tânia, p. 55)

O poema é uma prece em que o eu lírico, de alma devastada, expressa a sua profunda tristeza. “Senhor, convertei meu abismo em redenção”. O abismo da angústia existencial, o abismo do Amor.

O eu lírico evoca o óleo e o vinho para salvar a sua alma. Sua alma ferida. O óleo, dentro da tradição bíblica, como símbolo do Espírito Santo, enquanto que o vinho, o sangue de Cristo, purifica.

No texto “Poesia e Tentativa”, o poeta Walflan havia afirmado que uma mulher pode ser um abismo ou uma flor da montanha. No seu caso, ele encontrou um abismo. Podemos pensar numa relação entrelaçada entre a mulher, o abismo, e o sentimento de redenção que isso tudo provoca nele.

A última parte d‟O Livro de Tânia, “O sustentáculo da nuvem”, é iluminada pela epígrafe de Rimbaud extraída do poema “Enfance” do livro Illuminations: “Les nuées s‟amassaient sur la haute mer faite d‟une éternité de chaudes larmes”13

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A mulher na poesia de Walflan de Queiroz é um elemento que muitas vezes provoca a experiência platônica da paixão sublime. A mulher representa o caos que gera conflitos:

TÂNIA

Embora o mar derrame as águas do seu pranto por sobre os nossos corações, E o tédio de suas ondas faça saltar as pedras contra a aurora,

Que, irrompendo como um leão dentre as colinas distantes Onde óleo, sal e espuma,

Entregam a Deus, o alento de nossas preces, Não partirei, minha doce amiga, não partirei, Para nenhuma terra desconhecida.

Deixemos que as estrelas, com suas vestes tão amigas,

Nos digam o que a enfurecida lua, não pode dizer em sua frieza.

(O Livro de Tânia, p. 61)

13

Na tradução de Ivo Barroso: “As nuvens se adensavam sobre o mar alto feito de uma eternidade de lágrimas quentes”.

O poema constitui-se como uma narrativa, uma sucessão de imagens encadeadas e conectadas umas com as outras. A linguagem personificada (“o mar derrama as águas do seu pranto”, “tédio de suas ondas”, “a enfurecida lua”) permite perceber a rede metafórica tecida pelo poeta em torno do seu objeto temático.

O amor sofrido é capaz de inspirar a devoção até a morte como consequência da frustração amorosa:

DESEJO

Uma pequena tumba, com um nome numa pedra. Algumas rosas, um olhar.

Eis o que quero.

Um abrigo, por fim alcançado, Perto do simples rio, de um salgueiro.

(O Livro de Tânia, p. 63)

No poema, o eu lírico exprime de maneira mórbida o seu sentimento. O desejo de morte traduz a sua nostalgia. Ele descreve um cenário onde há “tumba”, “pedra”, “rosas”, “abrigo”, “rio”, “salgueiro”. Sua sepultura à beira à beira do rio e do salgueiro.

O rio é uma metáfora constante na poesia de Walflan de Queiroz, como manifestação dos seus sentimentos e de suas inquietações. Percebe-se mais uma vez a sua influência como um produto do devaneio poético. O rio tem vida, tem morte. O rio tem o ritmo da angústia interior do poeta que tanto se identifica com essa metáfora.

Podemos perceber a importância da imagem poética do rio principalmente neste poema:

O RIO

Em amor e saudade

Um rio não precisa de asfalto para correr, Nem de dísticos para viver.

Um rio nasce onde há ternura, E morre onde começa o mar.

Oh, dá-me um rio para a minha solidão. Um rio de pedras, de lamas, de peixe.

Um rio para viver, para sonhar, como um ninho de caniços, Como um beijo de mulher.

(O Livro de Tânia, p. 65)

O eu lírico canta ao rio, que suscita uma linguagem subjetiva atrelada a dor de existir. O rio expressa a imagem da angústia existencial. “Oh, dá-me um rio para a minha solidão”. O rio como metáfora da manifestação de desejos e fortes sentimentos: “Um rio para viver, para sonhar, como um ninho de caniços, / Como um beijo de mulher”.

O poeta Walflan sente-se arrasado por não ter ao seu lado a musa inspiradora de suas poesias:

FAROL

Não encontro o meu caminho. Por mais que procure, Não ouço nenhum som, nenhum chamado.

Não vejo nenhuma luz que indique o meu rumo. Nem nenhuma estrela mostra o meu caminho Por este mar profundo, onde

Nenhuma praia, nenhuma ilha Me aparecem.

Entanto, no meio deste turbilhão, deste caos Vejo a tua face, límpida e pura, coroada de estrelas.

A imagem do farol, que resplandece uma luz para guiar os navios no mar em direção ao porto, compreende também a metáfora da qual o poeta se serve para expressar a sua angústia, o seu desespero.

O farol é elemento metafórico que remete a Amada na crônica “Tânia e o rio”, caracterizando a natureza obsessiva do seu amor: “Um farol guia, livra da tempestade, conduz o viajante para o abrigo seguro. És este farol, orvalho, camélia, crisântemo. Eu sou o viajante”.

No poema, o eu lírico expressa-se como alguém desiludido, que não encontra o seu caminho, não ouve “nenhum som”, “nenhum chamado”, não enxerga “nenhuma luz”, “nenhuma estrela”, “nenhuma praia”, “nenhuma ilha”. As anáforas consubstanciadas nos pronomes indefinidos traduzem a ambiência nefasta. É como se o eu lírico vivesse numa Treva.

O fim do poema marca o contraste entre o pessimismo e a deslumbrante imagem da figura feminina com a “face, límpida e pura, coroada de estrelas”. Suas palavras resumem a tendência do poeta em divinizar sua musa. Ela surge como a Luz em meio a toda essa escuridão, essa penumbra. Nesse sentido, o seu rosto imaculado, eternizado e brilhante pode também remeter-nos à iconografia cristã da Virgem Maria, a Santa coroada com doze estrelas.

A mulher pode ser divinizada e santificada da mesma forma dos poetas que Walflan de Queiroz evoca em sua obra. A figura de Rimbaud, por exemplo, parece encarnar uma das suas obsessões literárias:

RIMBAUD

A Sanderson Negreiros

Não, não sofres mais no deserto do Harar, a secura Dos climas quentes e escaldantes.

Agora, qual suave rio, repousas numa planície. Sei que em Marselha, tomaste um navio

Para uma viagem, cujo capitão tinha roupas negras da morte. E eu te amo, cada vez mais, como ao próprio Cristo em agonia, Meu irmão Rimbaud, poeta, iluminado e santo.

(O Livro de Tânia, p. 75)

O poema, dedicado a Sanderson Negreiros, tematiza as chagas de Rimbaud, o seu sofrimento e a sua morte. O eu lírico condoído evoca o seu destino: Harar, na Etiópia, o deserto de areias e de pedras na África. A eterna errância é proferida. O abandono da poesia em prol de uma vida obscura, estranha.

O martírio de Rimbaud lembrado pelo poeta Walflan, que tanto o admira: “Agora, qual suave rio, repousas numa planície”. Um lugar plano onde se possa ao menos vislumbrar o seu túmulo.

O poeta Walflan enxerga uma intricada comunhão entre os seus últimos dias e o sofrimento de Cristo na cruz. Rimbaud louvado, santificado e amado como o Cristo em sofreguidão. “E eu te amo, cada vez mais, como ao próprio Cristo em agonia, / Meu irmão Rimbaud, poeta, iluminado e santo”.

Rimbaud é como se fosse um tema da poesia walflaniana, um tema que sempre se renova pelo poder transfigura(dor) da linguagem poética. Em O Tempo da Solidão, Walflan de Queiroz havia evocado o poeta francês sob o descortinar imaginário do seu “bateau ivre”.

Walflan de Queiroz mescla a tradição literária com a sua poesia amorosa. Se por um lado louva Rimbaud, por outro lado não se esquece de sua musa Tânia:

BALADA A TÂNIA