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IBM 5/360 BOS System Control (16K Tape)

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simbólicus, sendo a função do símbolo dar significado ao homem e estruturá-lo com o

mundo (Símbolo, do grego syn-ballein = por junto). Esse, não sendo “um invólucro fortuito do pensamento, e sim o seu órgão essencial e necessário” (2001, p.31). Então desde que o ser humano tem consciência de mundo é um produtor de símbolos. Edelarzil ressignificou muitos objetos dentro de seu ritual, cuja estética analisaremos. Quando ouvimos a palavra estética, normalmente a imagem que subitamente mentalizamos, são aqueles padrões alinhados, regulares e belos. Costumamos a associar a estética ao que é agradável aos olhos e nos trazem sensação de prazer, se a ligarmos à religião, imediatamente imaginaremos os belos quadros da renascença, dos templos bem construídos e ornamentados que arrebatam a imaginação humana. Tendemos a sacralizar a estética na religião, até por que:

A arte sacra, em união com a religiosidade, expressa a vida espiritual do ser humano que, ao longo dos séculos, representou o seu anseio pela experimentação e resguardo do sagrado, tido como forma ontológica e existencial de provar uma dimensão peculiar que impele o “ser-no- mundo” a sobrepujar a condição finita em que está encerrado. [...]. A

arte sacra, fruto dessa inquietação e da admiração do mistério insondável da vida, é o produto cultural que atesta o movimento antropológico de atribuir sentido a tudo o que se apresenta e remete ao sobrenatural (VALVERDE; OLIVEIRA, 2005, p. 23).

Porém, a experiência estética por vezes pode se mostrar deveras desagradável, dependendo do contexto em que se apresentam a arte ou artefato. A experiência estética, não ocorre somente com o objeto em si, mas com todo o contexto que ele se encontra. Tal objeto, isoladamente, seria compreendido mais objetivamente, mas o contexto em seu derredor pode elevá-lo a níveis simbólicos, dependendo da ambientação em que ele se encontra empregado. Esta situação particular que envolve o objeto é o que controla os procedimentos específicos. Ao mesmo tempo, segundo Cardoso Filho, os poderes dado a esses objetos não podem ser considerados inéditos, a experiência parte da experiência prévia do indivíduo. De alguma maneira o despertar da experiência é uma releitura de outras experiências agradáveis ou não. Sendo esse sentido transitório, podendo modificar com o passar dos anos.

Como a experiência estética engloba o inesperado, a aventura e surgimento de elementos que reconstroem, total ou parcialmente, a experiência prévia é uma peculiaridade da perspectiva relacional da Comunicação que permite compreender o que emerge do encontro da criatura com o ambiente. Uma vez que pode haver qualidade estética em qualquer experiência ordinária, o problema a ser compreendido é: por quais motivos somente em algumas ocasiões essas qualidades estéticas se tornam explícitas (CARDOSO FILHO, 2011, p. 44)? Os objetos que Edelarzil Munhoz supostamente materializa no algodão em seu ritual de benzeção, se apresentam numa linha contrária do que se é concebido como esteticamente belo. A limpeza espiritual é promovida por meio da materialização de objetos relacionados ao grotesco, bizarro, sendo marcadas pela sujidade, obscuridade e relacionadas com a simbologia do mistério ou do mal, como: velas coloridas e com diversos formatos, flores plásticas de cemitério ou até mesmo restos de animais e ossos, acompanhados de água, terra, moscas e larvas. Ou seja, é uma experiência com a imagem abjeta. No entanto, tais objetos extraídos têm um duplo impacto dentro do ritual, pois, ao mesmo tempo em que podem causar estranheza ou nojo, eles são capazes de provocar sentimento de alívio em seus “pacientes” ou “clientes”, mesmo tendo representatividade simbólica negativa – os males extraídos, a materialização do mal –, significam a libertação dos mesmos, recebimento de graças. Eles possuem uma linguagem própria, que se comunicam com o interlocutor através de significados pré-sugestionados, porém, ganham vida mediante o contexto e necessidade individuais.

Analisando alguns dos objetos catalogados por Edelarzil, com suas respectivas interpretações57, podemos levantar algumas possíveis classificações:

Alguns elementos com significados já presentes no meio popular: • Amendoim: Afetar a vida sexual da pessoa.

• Boneca (o): Para imobilizar a pessoa. • Casca de ovo: Intriga, desavença, falsidade. • Punhal: Traição.

Alguns elementos que revelam o imaginário negativo de Edelarzil em relação às entidades do Candomblé e Umbanda.

• Cigarro: Trabalho de Pomba-Gira para perturbar a mente. • Esmalte, Perfume, Batom: Trabalho para Pomba-Gira. • Farinha Ou Farofa: Oferta para exu, para mexer com a vida. • Vela Com Imagem/Exu/Caveira/Etc: Trabalho de alta magia.

Alguns elementos que normalmente refletem boas significações, na perspectiva da materialização de Edelarzil, ganham significados negativos.

• Sementes: Iniciando um mau de saúde ou problemas em negócios. • Fita Ou Vela Branca: Para tirar a paz.

• Incenso: Fechar os caminhos, não acreditar em mais nada.

Alguns apontamentos sobre esses objetos, não classificamos todos aqui devido à extensão da lista, trata-se de um catálogo contendo 126 objetos58 identificados por

Edelarzil com seus correspondentes significados. Na primeira categoria, temos elementos já presentes em meio popular, como por exemplo, o amendoim é conhecido por suas propriedades consideradas afrodisíacas, então imediatamente ele fora ligado à significação da sexualidade. Outro exemplo é a boneca, que pode nos fazer trazer à lembrança os rituais envolvendo bonecos como os bonecos vodu, com objetivos de atingir a pessoa a eles análogos. Já o ovo, normalmente é considerado um símbolo universal de fertilidade e símbolo de vida, no ritual de Edelarzil, temos a impressão de seu significado negativo vir do ditado popular “pisando em ovos”, remetendo à fragilidade da casca como símbolo de desavença e o punhal que também consta no imaginário popular como símbolo da traição “apunhalar pelas costas”.

A seguir temos outra categoria, os elementos que demonstram visão negativa em relação às religiões de matriz africana, como o cigarro e objetos femininos remetidos ao

57 CASA CAMINHO E LUZ, s/d, p. 21-24

espírito da Pomba Gira59, farinha ou farofa, assim como velas com formas da entidade

Exú ou caveira, sendo analisados como trabalhos de alta magia. Ou seja, no imaginário de Edelarzil, não apenas nos objetos, mas em seu discurso, as entidades do Candomblé e Umbanda são de trato pejorativos ou mesmo, muitas vezes, remetidos de forma direta à conhecida “macumba”, como são denominadas, a grosso modo, as oferendas dessas religiões no meio popular.

São materializadas as influências negativas, de inveja, de ódio ou de trabalhos de magia negra. Quer dizer que nem todas as pessoas podem ter trabalhos de magia negra, [...]

Nem tudo são trabalhos de magia. Porque tem pessoas que vem aqui e não entende...aí ele sai falando que todo mundo tem macumba.

Todo mundo tem influências negativas, isso é certeza. Tem muita coisa pior do que trabalho de magia (TRV 3)

Para nós, uma das coisas que saiu no algodão foi um esmalte vermelho e uma vela em formato de um casal, um de costas para o outro, então disseram se tratar de magia negra feita à Pomba-Gira para a autora com a intenção de “separar casal” (a autora não é casada até a presente data). O que esclarece mais ainda o imaginário do mal em torno das religiões afro-brasileiras. O que só não é pior do que pensamentos negativos, inveja dentre outras influências que Edelarzil considera pior do que “macumba”. Segundo o pesquisador Altierez Sebastião dos Santos, essa distinção pejorativa em relação às religiões afro-indígenas evidencia com a presença de outras doutrinas que não são recebidas de outra forma.

Isso se torna claro quando outros grupos religiosos como as wiccaou outros cultos neopagãos recém-chegados ao cenário brasileiro, via classe média, não são estigmatizados. Percebe-se que a relação que historicamente foi estabelecida entre europeus e africanos ou indígenas no Brasil, de dominação, permanece com desdobramentos ainda hoje presentes na cultura e mentalidade da sociedade. No esforço de dar à dominação uma dimensão total, diversos aspectos do ethos afro- indígena foram, como seus portadores, tachados como “inferiores”. A nível cultural, as expressões – tanto materiais quanto imateriais – foram consideradas como patrimônio desimportante, impuro, incivilizado e por isso, passível de ser desmobilizado ou suprimido. Inclui-se aqui de forma destacada toda a perseguição institucionalizada que se abateu sobre as formas religiosas afro-brasileiras, vítimas de violência simbólica (SANTOS, 2016, p. 126).

Por fim, uma característica do ritual de materialização de Edelarzil é que todos os objetos, independente de significados são analisados em seus aspectos negativos. Não há quaisquer significações boas relacionadas a eles. Como mencionamos no texto, eles são

a materialização do mal, são sujos, de aspecto repugnante. Como exemplo temos os símbolos da semente, que tem significação normalmente boa como, a semente do Evangelho, a semente como sinal da abundância e da benção, a cor branca que normalmente significa pureza, iluminação e paz ou ainda o incenso utilizado por tantas religiões para a purificação ou elevação das preces (no catolicismo), todos aqui são observados a partir de um ângulo negativo ou totalmente contrários ao seu significado. Segundo Bittencourt Filho (2003), a religião é uma busca coletiva de sentido e o mito, o rito e o interdito são necessários, no caso dos objetos de Edelarzil, os objetos são um dos elementos interditos. A mediação simbólica na narrativa cumpre a função de estruturadora da linguagem religiosa.

Figura 58: Objetos extraídos para a autora no dia da visitação

Fonte: Fotografia do arquivo da autora

Claro que aqui precisamos consideras a polissemia dos símbolos, podendo os mesmos ter significações boas e más, o punhal mesmo, pode ser um símbolo de justiça. Mas o que nos salta aos olhos é que absolutamente todos os objetos extraídos nas materializações contém significações ruins. Essa característica é que faz a originalidade ritual de Edelarzil. Porém, são desejados, pois a não materialização significa o não merecimento da graça, então cabendo à materialização em si, ser bem ao representar a limpeza espiritual e o mau ao representar a sujeira retirada, ou maus “fluidos”, é o

imaginário da libertação de forças negativas, dos espíritos vagantes ou espíritos demoníacos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Retomemos em uma síntese, o que apresentamos nesta pesquisa. No primeiro capítulo analisamos, primeiramente através da perspectiva teórica da Matriz Cultural Religiosa Brasileira e pudemos perceber que o Brasil, desde seu “nascimento”, com as religiosidades que já estavam aqui em meio aos povos indígenas se agregou a religiosidade do povo luso-europeu e às religiões de matriz africana. Amalgamando não apenas a religião, como diversos traços culturais que comporam e deram forma ao que hoje é conhecida como cultura brasileira. Uma das características que mais contribuíram para que o catolicismo no Brasil abraçasse essas religiões de forma sincrética, por consequência, as religiões africanas e indígenas tenham sido sincretizadas nesse processo, deve-se ao fato de que até em fins do século XIX, sobressaía o leigo como protagonista da religião, não tendo um clero formado tanto em número como em formação intelectual e eclesiástica. A religião católica trazida pelos portugueses era composta por uma vertente religiosa mais afeita ao místico e às manifestações populares do que ao catolicismo romano oficial, facilmente integrou-se ao imaginário indígena e africano que possuíam características místicas similares em suas culturas. Com isso, mesmo o catolicismo sendo a religião oficial do Estado, as religiões africanas e indígenas não deixaram de ser praticadas à margem do sistema religioso.

As mulheres tiveram maior liberdade para agir dentro desse catolicismo leigo e sincrético, muitas sendo aceitas como verdadeiras santas, que uniram as práticas da reza católica, com os conhecimentos indígenas curativos da floresta e os amuletos africanos, como alternativa medicinal numa época em que a presença de médicos era escassa e um benefício para ricos. Essas mulheres que ficaram conhecidas como rezadeiras e benzedeiras, ofício que sobreviveu aos séculos, ao avanço da medicina e descobertas da biomedicina. O Brasil, a partir do século XIX, recebeu o espiritismo, mesmo a contragosto da Igreja Católica, que estava vivendo um processo de romanização e consolidação do clero em solo brasileiro. O espiritismo foi catolicizado rapidamente, ganhando força e se somando ao imaginário místico popular, influenciando religiões como a Umbanda e outras novas religiões que afloraram no século XX. Também chegaram as comunidades evangélicas pentecostais e houve uma verdadeira “explosão gospel” a partir de meados do século XX, e a aproximação das religiões com as diversas

mídias que contribuíram para a propagação de personalidades carismáticas com grande capacidade de reunir massas. Com isso, muitas variações e novas “mutações religiosas” aconteceram nas mais variadas expressões. Nessa perspectiva, podemos notar que Edelarzil Munhoz Cardoso recebeu diversas influências na criação de seu imaginário religioso. No começo de sua trajetória, ao lermos sua história, pouco ela se distancia do trajeto de uma benzedeira “comum” ao seu grupo. Sim, ela já dizia materializar objetos, mas devemos considerar que no Brasil há uma variedade de ritos entre as benzedeira, como pudemos perceber no capítulo primeiro, as benzedeiras de garrafadas e costura no Paraná, entrevistadas por Hoffmann-Horochovski ou as benzedeiras de benzedura com brasa, pena de galinha preta embebida em óleo, costura, imposição das mãos tendo em posse um terço, como as observadas por Quintana no Rio Grande do Sul. Claro que a materialização é um rito diferenciado, mas considerando as prerrogativas guardadas em seu meio, a escolha divina, a resignação e sofrimentos que sacrificam sua vida para a purificação da alma, a gratuidade, os espíritos guias, a crença num mundo espiritual onde espíritos atormentados podem prejudicar a vida, onde a benzeção aparece como meio de libertação de influências negativas, e de afastar os espíritos maus etc, tudo o que permeia o imaginário de uma benzedeira estava mais presente na vida de Edelarzil, inclusive o atendimento em sua própria casa. Foi assim até a década de 1980. A partir desta época, quando veio o “consentimento” de seu marido Natalino, o número de pessoas atraídas pelo “fenômeno da materialização”, deveras original em seu grupo, levou a benzedeira Edelarzil a conquistar um espaço religioso próprio, primeiro com a doação de um barracão em Parisi e depois com um sítio em Votuporanga. Ainda em Parisi, na década de 1990, a peregrinação ao centro “Nossa Senhora do Rosário” era tamanha que chamou a atenção de diversas mídias de jornais, rádio e televisão. Quando mudou-se para Votuporanga e construiu seu centro Estância Casa Caminho e Luz, percebemos maiores modificações.

No segundo Capítulo, podemos notar em seu espaço uma similaridade modesta da estrutura do espaço de Edelarzil com os espaços de peregrinações católicas, como podemos observar na figura 7. Através do “nascimento de seu espaço sagrado” podemos perceber as influências que permeiam o imaginário de Edelarzil, de como deve ser um centro religioso. Podemos compará-las a estruturas como a da comunidade católica Canção Nova, por exemplo, possui restaurante, pousada, um local para as palestras religiosas, local para oração, uma estrutura administrativa para montagem de caravanas e demais organizações. Por todo o seu espaço, sobressaem a presença de imagens católicas

de Jesus, dos santos e principalmente de Maria. A capela central remete à centralização de imagens características dos excessos da arte barroca, presente no imaginário popular dos oratórios de benzedeiras60. A presença dos ex-votos, os testemunhos de graças

alcançadas, assim como os presentes de agradecimento. Ao mesmo que notamos outras imagens que fogem ao imaginário católico. Ao mesmo tempo que a médium é uma pessoa que declara seu catolicismo desde o nascimento, podemos contemplar em suas imagens, algumas de suas variações imaginárias. Como a presença de uma casa especial para atendimento de cartas e búzios, imagens ciganas em sua capela, um tabuleiro contendo palavras, cristais e simbologias para atrair boas energias, livros espíritas e esotéricos. Na década de 1990, não encontramos quaisquer menções de Edelarzil como cartomante, o que nos leva a crer tratar-se de um ofício mais recente. Também notamos variações em seu rito, a extinção do rito de purificação inicial com espada de São Jorge em cruz após fixação de uma capela religiosa em seu espaço, aliás, rito utilizado por algumas benzedeiras, Assim como a agregação de uma performance mais pendida para o midiático pentecostal, com microfones e imposição das mãos nas pessoas enquanto se ora. Apesar da imposição das mãos ser algo muito utilizado no ato das benzeção, a diferença está na postura, no caminhar, no fechar dos olhos, na impostação da voz e no uso de tecnologia. Sendo assim, percebemos que Edelarzil passou por um processo de modificação e distanciamento do que seria comum ao rito de uma benzedeira, ganhando centralidade em seu espaço religioso, tendo um espaço dedicado a si própria dentro da capela ritual, onde estão fotos e homenagens, assim como uma exaltação do significado de seu nome, que a revela como uma personalidade autônoma e forte. Essa centralidade condiz mais com a forma como as pessoas a descrevem ou a representam imageticamente em fotos, uma pessoa cercada pela luz, bondosa, pura, desprendida e capaz de sofrer pelos demais a sua volta, uma “mulher santa”. Como um todo, observamos que Edelarzil, apesar de ter se desenvolvido no, princípio de sua carreia, como uma benzedeira, com os anos aconteceram muitas transformações através de agregações simbólicas de outros cultos além dos símbolos católicos.

Nesse movimento relioso, permeado de hibridismo, a “Mulher do Algodão” é apresentada como figura central. Durante o ritual, Edelarzil assume a sua performance de médium, uma pessoa a quem é atribuída a dádiva miraculosa de transportar e materializar os males através de objetos no algodão e tudo em seu centro gira em torno dessa

60 Podemos apontar aqui a ausência de imagens santorais negras, mesmo a santa negra Sara Kali, santificada

expectativa. Sua presença é esperada, na verdade, cada vez mais esperada à medida em que a mesma se atrasa para iniciar seu rito, mediante o discurso de que cada vez mais se atrasará porque “quem sabe as pessoas desistam de procura-la”. Porém, a chegada simpática e risos dos espectadores enquanto menciona essas palavras que remetem à mediunidade o predicado de ser um fardo, nos fez brotar uma dúvida: seria o atraso uma medida para realmente fazer as pessoas desistirem ou um método consciente ou não da mesma fixar-se em seu potencial como médium? O fato é que as pessoas não desistem e parecem cada vez mais curiosas ou àquelas que frequentam assiduamente o recinto permanecem porque realmente acreditam e veem nela uma pessoa iluminada por Deus. Edelarzil é a líder religiosa que se converte em imagem, segundo as reflexões de Klein (2006). Seu Espaço Significativo propicia o trânsito de pessoas das diferentes profissões de fé e de diferentes classes sociais, que se agregam por um curto período de tempo numa

communitas espontânea.

Edelarzil possui um discurso mesclado entre o discurso cristão católico sobre a percepção de pecado e o dever de se fazer um exame de consciência com elementos do espiritismo, como maus fluídos, desencarne, vidas passadas. O “fazer exame de consciência” serve de método para diagnosticar erros que possam estar atraindo o mau. Sua visão de mundo é pessimista, a narrativa de seu próprio mundo é permeado de sofrimentos e sacrifícios, assim como suas previsões para o futuro se apresentam de forma apocalíptica. Para ela, estamos vivendo o “final dos tempos” e que o ser humano não pode esperar nada de bom nessa terra. Esse pessimismo se estende sobre a significação dos objetos que ela alega extrair do algodão.

Outro ponto importante sobre Edelarzil é que, notavelmente, ao mesmo tempo em que ela trata pejorativamente os elementos das religiões africanas, agrega elementos em seu rito do imaginário da Umbanda e do Candomblé, como ervas específicas que são designadas às energias dos orixás ou, até mesmo, a veneração de São Jorge que está mais presente nessas religiões através de sua representação do orixá Ogum.

Sintetizando sobre a atuação de nossa “atriz social” em sua representação,

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