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I/O BOARD CONFIGURATION

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PROCESSOR CIRCUITRY

3.3 I/O BOARD CONFIGURATION

tanto para as professoras como para os discentes. Após as aulas observadas, sempre havia um momento para que a memória fosse revisitada e as anotações fossem complementadas ou mesmo aprofundadas.

Na escrita do JP utilizei a linguagem descritiva. Segundo Strauss e Corbin,

As pessoas literalmente não poderiam se comunicar sem a capacidade de descrever, independentemente de quão inapta ou primitiva possa ser sua linguagem. A descrição é necessária para informar o que estava (ou está) acontecendo, como está o ambiente, o que as pessoas envolvidas estão fazendo, e assim por diante. (2008, p. 30)

Todos os sentimentos, emoções e percepções das aulas registrados no JP juntamente com as entrevistas e questionários da fase quantitativa, permitiram a triangulação de dados para a escrita deste trabalho.

3.7. A PESQUISA DE MÉTODOS MISTOS

Após a entrada em campo, na Escola Municipal Luiz Anselmo, ficou claro que a pesquisa não poderia ter somente uma abordagem, a qualitativa, visto que as aulas de História não ocorreram, na referida escola, com a frequência necessária para que os dados pudessem ser coletados em profusão, no espaço de tempo de seis meses. Sendo assim, a fonte de dados apresentou-se insuficiente (CRESWELL; CLARCK, 2013).

Neste caso, é importante estudar o fenômeno de forma qualitativa, uma escola, duas professoras, mas também de forma quantitativa, algumas escolas de várias Gerências Regionais de Ensino (GRE) da Secretaria Municipal de Educação de Salvador (SMED), algumas professoras. A pesquisa qualitativa não exclui a quantitativa e vice-versa. Segundo Lazersfeld e Wagner, 1958 (apud STRAUSS; CORBIN, 2008, p. 40) “[...] as entrevistas exploratórias devem preceder a formulação e o desenvolvimento final de instrumentos de questionário”. Ambas acrescem algo de importante e essencial ao entendimento final do fenômeno em estudo.

Creswell e Clark (2013, p. 19) observam, em seus estudos, que a pesquisa de métodos mistos tem sido chamada de “o terceiro movimento metodológico após os

desenvolvimentos da pesquisa quantitativa e da pesquisa qualitativa [...], o terceiro paradigma da pesquisa e uma nova estrela no céu da ciência social”.

Strauss e Corbin (2008) posicionam os pesquisadores acerca dos procedimentos de pesquisa. Para os autores, os procedimentos não devem ser seguidos de forma dogmática, devendo ser flexíveis e criativos. Procurei, assim, associar, em uma única pesquisa, os métodos qualitativo e quantitativo, de acordo com as colocações de Flick, a seguir representadas:

Qualitativo (Exploração) Quantitativo (Questionário)

Um estudo poderá incluir abordagens qualitativas e quantitativas em diferentes fases do processo de pesquisa sem concentrar-se necessariamente na redução de uma delas a uma categoria inferior ou em definir a outra como sendo a verdadeira abordagem de pesquisa. Barton e Lazarsfeld (1955), por exemplo, sugerem a utilização da pesquisa qualitativa no desenvolvimento de hipóteses que serão posteriormente testadas por meio das abordagens quantitativas. Em sua argumentação, os autores focalizam não apenas os limites da pesquisa qualitativa (comparados aos da quantitativa), mas percebem nitidamente a capacidade da pesquisa qualitativa na exploração do fenômeno em estudo. Com esta argumentação, situam ambas as áreas da pesquisa em etapas diferentes do processo de pesquisa. (FLICK, 2009, p. 43)

John Creswell e Vicki Clark (2013) apresentam uma breve trajetória da pesquisa de métodos mistos (quali-quantitativa, neste caso específico). Segundo os autores, os primeiros a formularem uma definição dessa forma de desenvolver pesquisa foram Greene, Caracelli e Grahan (1989). Em seus estudos os autores definiram

... os projetos de métodos mistos como aqueles que incluem pelo menos um método quantitativo (destinado a coletar números) e um método qualitativo (destinado a coletar palavras), em que nenhum tipo de método está inerentemente ligado a qualquer paradigma particular de investigação. (GREENE; CARACELLI; GRAHAN, 1989, p. 256 apud CRESWELL; CLARK, 2013, p. 21)

Deve-se colocar que a definição foi aprimorada, à medida que os debates se desenvolveram ao longo das últimas décadas. Atualmente, a partir de estudos de Johnson e colaboradores (2007), concebe-se que:

A pesquisa de métodos mistos é o tipo de pesquisa em que um pesquisador ou um grupo de pesquisadores combina elementos de

abordagens de pesquisa qualitativa e quantitativa [...] para o propósito de ampliar e aprofundar o entendimento e a corroboração (p. 123). Nessa definição, os autores não encaravam os métodos mistos simplesmente como métodos, mas como uma metodologia que unia os pontos de vista às inferências e incluía a combinação de pesquisa qualitativa e quantitativa. (JOHNSON, 2007 apud CRESWELL; CLARK, 2013, p. 21)

Ainda a partir de Creswell e Clark, nas pesquisas de métodos mistos, o pesquisador:

 coleta e analisa de modo persuasivo e rigoroso tanto os dados qualitativos quanto os quantitativos (tendo por base as questões de pesquisa);

 mistura (ou integra ou vincula) as duas formas de dados concomitantemente combinando-os (ou misturando-os) de modo sequencial, fazendo um construir o outro ou incorporando um no outro;

 dá prioridade a uma ou a ambas as formas de dados (em termos do que a pesquisa enfatiza);

 usa esses procedimentos em um único estudo ou em múltiplas fases de um programa de estudo;

 estrutura esses procedimentos de acordo com visões de mundo filosóficas e lentes teóricas; e

 combina os procedimentos em projetos de pesquisa específicos que direcionam o plano para a condução do estudo. (2013, p. 22) Uma das vantagens de se desenvolver uma pesquisa de métodos mistos está no fato de que proporciona maiores evidências para o fenômeno em estudo, a partir do entrelaçamento das abordagens qualitativa e quantitativa. Nesta pesquisa, em particular na fase exploratória, houve a escuta isolada dos sujeitos, a compreensão de suas falas e percepções através das entrevistas e das observações. Posteriormente, na fase quantitativa, houve a ampliação das reflexões a partir de dados coletados nos questionários aplicados, de forma aleatória, em escolas municipais da cidade de Salvador.

Na segunda fase da pesquisa (quantitativa), alguns obstáculos precisaram ser superados, dentre eles a ausência de tempo, e a falta de recursos financeiros. O tempo foi pouco, aproximadamente um ano letivo e quatrocentas escolas para pesquisar. Além disso, a pesquisa não contava com financiamento de nenhum tipo. A saída encontrada foi montar uma equipe de pesquisa custeada com recursos próprios que, durante aproximadamente dez meses, percorreu aproximadamente cem (100) escolas da Rede

Pública Municipal da cidade de Salvador. Esta equipe foi composta por quatro integrantes: uma graduada em Pedagogia; uma graduanda em Pedagogia; duas graduadas em História.

Segundo Creswell e Clark (2013, p. 30) “[...] se uma equipe puder ser formada, ela tem a vantagem de reunir indivíduos com diferentes qualificações metodológicas e de conteúdo e de envolver mais pessoal no projeto de métodos mistos”, enfatizando a importância da multiplicidade de formação dos integrantes da equipe para a constituição de diversos olhares sobre o campo.

Durante todo o período de aplicação do questionário, ao longo do ano letivo de 2015, ocorreram momentos formativos com reuniões periódicas para estudos, troca de experiências e olhares sobre o campo de pesquisa, importantes para a superação das resistências colocadas pelas escolas e pelos docentes, resistências estas apresentadas tanto por parte de diretores das escolas como por parte dos docentes.

O primeiro desafio do grupo foi convencer os diretores a liberarem o acesso às escolas, mesmo com autorização da SMED, obtidas através de solicitações feitas por meio de ofícios encaminhados a Diretoria Pedagógica da SMED (Apêndice 8), a fim de que os primeiros diálogos com os docentes ocorressem. Estes diretores informavam que a autorização não havia sido recebida por e-mail e solicitavam o retorno da equipe com a autorização impressa, ou então que houvesse a solicitação para que a SMED entrasse em contato telefônico com a escola. O segundo desafio foi convencer os professores de que a pesquisa era importante e de que não se estava no ambiente escolar para avaliar os docentes, por parte da Secretaria Municipal de Educação.

Enfim, foram muitas as colocações e impedimentos para que os questionários não pudessem ser aplicados. Todos estes contratempos precisaram ser concebidos no momento em que a pesquisa de métodos mistos foi considerada, tendo o questionário como instrumento de coleta de dados desta fase.

3.8. CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO: AS ESCOLAS DA REDE

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