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2. RESULTATS CLES

3.3. Electricité

3.3.1. Évaluation des coûts additionnels

3.3.1.2. Extension du réseau

3.3.1.2.3. Hypothèses utilisées

É possível imaginarmos outra disciplina, além da Educação Física, que procure despertar no aluno o melhor que em si reside? Que, de uma forma sublime, foca a sua praxis não apenas na vertente técnica do seu objeto de estudo, mas procura o holístico e o eclético na pessoa que habita no aluno? Que ensina o corpo através do corpo, num ambiente repleto de vida e energia? É, sem sombra de dúvida, uma disciplina ímpar, que vive atualmente tempos bastante difíceis. Ora se desvaloriza o seu papel, ora se lhe reduz a carga horária. Quiçá, não tardará a ter que lutar pela sua sobrevivência, tal é a dimensão dos ataques a que tem vindo a ser sujeita. Nós, profissionais da Educação Física, somos quem tem que reverter este processo. Devemos assumir a mea culpa que nos cabe, pelo crescente processo de desvalorização que a disciplina enfrenta, por não a termos sabido valorizar devidamente. Aqueles que já se encontram na luta em prol da Educação Física têm de cuidar dos argumentos nem sempre bem explorados que invocam. Por exemplo, o combate à obesidade e o ensino de valores através do jogo têm sido recorrentemente utilizados para valorizar o papel da Educação Física, mas por vezes com um peso superior àquele que lhes deve ser atribuído e que inclusive, chega a remeter para segundo plano o verdadeiro papel desta disciplina. Podemos incorrer facilmente neste enleio, por ingenuidade ou descuido, pela pluralidade de construtos e discursos que a área das Ciências do Desporto alberga na sua génese e que permitem, por vezes, uma elevada flutuabilidade e divergência de temas. No entanto, o que a torna singular e inigualável, que lhe dá substância e corpo, que deve ser o principal objeto de estudo desta disciplina é o ensino do desporto. Apenas depois de exaltarmos a razão, este robusto argumento, poderemos adensá-lo com outras dimensões do ensino, que também podemos explorar e que, naturalmente, o fazemos.

As modalidades desportivas são matéria exclusiva da Educação Física e devemos assumi-las como a chave, o vetor orientador do nosso discurso de

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defesa da disciplina. Se a Educação Física for excluída do currículo escolar, a perda maior para os alunos será a ausência de uma formação desportivo- corporal, aquela que mais nenhuma disciplina escolar pode propiciar. A emoção lá estará na defesa, não fosse ela intrínseca. Mas teremos de a deixar fora desse âmbito, de modo a salvaguardá-la e invocá-la apenas quando as bases se tornarem mais sólidas e nos sustentarem nesse terreno instável que é a Educação.

Num dos seus textos, Amândio Graça23 reflete sobre um aforismo proferido por Woody Allen que expõe, de certa forma, a visão atual sobre a Educação Física e os seus professores: quem sabe faz, quem não sabe ensina

e quem nem ensinar sabe vai para professor de Educação Física. Uma leitura

chocante à primeira vista, mas que levanta uma problemática real. Apesar de as questões da estética e da sublimação do corpo terem voltado a ganhar relevo nas últimas décadas, nunca como hoje se verificou uma preocupação tão acentuada com as questões da formação académica, nem o conhecimento foi tão aprofundado e difundido. As preocupações dos principais críticos da escola têm-se centrado na qualidade de ensino das matérias de cariz técnico e científico, que remetem para um conhecimento teórico, deixando para segundo plano o corpo, aquele que é pertença de todo e qualquer ser humano, mas que não se revela determinante (à primeira vista) para o ingresso numa instituição de ensino superior de renome ou o alcance de um futuro profissional brilhante. O ato de ensinar remete habitualmente para a transmissão de um conhecimento inerte, desligado da ação, algo que em pouco condiz com o conhecimento da matéria de ensino da Educação física, baseado na cultura do corpo, através do jogo e do movimento. Com base nesta evidência e nos fatores socioculturais referenciados, podemos facilmente associar o não

ensinar a esta disciplina. Estamos perante um pensamento falacioso. Senão

vejamos. Um biólogo não é necessariamente dotado das ferramentas que o edificam como um bom professor de biologia. Tal exemplo poderia ser replicado por uma série de profissões. Ser professor implica, naturalmente, o domínio da sua matéria de ensino, mas sempre contextualizado com base num

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conhecimento vasto de construtos didático-pedagógicos que o permitam atuar de forma eficaz na transmissão do conhecimento aos seus alunos. Como em qualquer disciplina em qualquer disciplina, o professor de Educação Física necessita de revestir-se desta segunda dimensão e apenas será eficiente na sua prática se assim o fizer. Infelizmente, o Sr. Woody Allen, como muitas das personalidades que se revêm nesta perspetiva, baseiam a sua perceção do professor de Educação Física naquele que manda correr, sem peso nem medida, aquele que dá a mesma bola em todas as aulas e vai tomar o seu café, aquele professor que um dia confundiu Educação Física com animação desportiva e que fez de tal a sua conduta futura. Mas sendo esse o caso, o problema não será do Sr. Woody Allen, mas sim daqueles que se dizem professores e que um dia se abstiveram da função de ensinar. Tal dilema poderia ser atenuado se a Educação Física fosse alvo de maior vigilância e responsabilização. Como filho bastardo que é visto, acaba por não ser alvo das preocupações prementes de órgãos de regulação e gestão, como acontece com disciplinas como a matemática e o português.

Sendo recente recruta, aspirante a soldado, a capitão ou comandante, da guerra pela (re)valorização desta disciplina que tanto estimo e que quero proteger, acresce em mim um sentido de dever maior. O dever de mergulhar num universo de sapiência e conhecimento, de partilhas e vivências, de saberes teórico-práticos que me permitam resgatar a Educação Física dos densos nevoeiros que a envolvem.

Um bocejo. Não de aborrecimento, longe disso. É o sono que me ataca, finalmente. O discernimento começa a falhar, as pestanas a ceder. Se há horas atrás o meu corpo reunia esforços num sentido oposto, não me oferece resistência agora. A pulsação decresce, as sinapses diminuem. Cedo lentamente a este pedido sensato, movido pelo desejo de um corpo e mente revitalizados, de armas renovadas para o combate que se aproxima.