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Hypothèse explicative 1 : Ils ont des traits psychopathiques, mais ils n’ont pas été

Chapitre V – Discussion et conclusion

5.1. Interprétation des résultats

5.1.1. Hypothèse explicative 1 : Ils ont des traits psychopathiques, mais ils n’ont pas été

Nessa tentativa de construção de uma acepção não homogênea sobre juventude, acreditamos que a alternativa mais coerente pararefletir essa intenção é através da busca de uma definição marcada por conotações amplas assumidas pelos próprios sujeitos .Diante disso, como esses jovens se auto-definem? Afinal, o que é ser jovem para esses sujeitos? Que perspectivas almejam para o futuro?Passemos a palavra mais uma vez aos protagonistas desta discussão.

De acordo com Ana, 21 anos, ser jovem é uma etapa de amadurecimento, de buscar o futuro. “Mas não pode ser adulto demais, senão perde a parte boa que é a adolescência. Se eu

147 pudesse não deixaria de ser jovem nunca, eu parava no tempo”(Entrevista realizada em 05 de Novembro de 2007).

Esta associa o termo à felicidade. “É ser feliz e estudar muito para ser alguém na vida”. (JUSSARA, 16 anos. Entrevista realizada em 26 de Outubro de 2007).

Roberto, 25 anos, relaciona a juventude a experiências de vida. Já John, 15 anos direciona sua resposta a atos mais pensados. “É a coisa que a pessoa faz que vai lhe comprometer para o resto da vida”(JOHN, 15 anos. Entrevista realizada em 10 de Novembro de 2007).

Alberto, 25 anos ,assim se expressa:“é uma pessoa que tem mais coragem, força de vontade para conseguir mais coisa para o futuro, quando ficar velho não pode mais” (Entrevista realizada em 26 de Outubro de 2007).

Podemos observar que os depoentes nas suas auto-definições apontam elementos constitutivos reveladores de que suas identidades estão condicionadas à liberdade, autonomia e lazer. Atestam que a condição juvenil se apresenta como uma característica de predisposição à vida, sempre em busca pelo novo. Visto sob este paradigma, o vocábulo juventude assume uma polissemia de significados, uma vez que designa um conjunto variado de relações sociais, que são vividas em múltiplos contextos.Vale ressaltar, no entanto, que nem sempre essas expectativas se coadunam com a realidade presente e vivida por esse grupo juvenil.

Para os rapazes solteiros (um total de 18 pessoas) ser jovem está relacionado a:se divertir, ser livre, fazer amizade, trabalhar, experimentar várias coisas; estudar, por sua vez, vem em último plano.

Fernando, 17 anos argumenta: “é uma maneira de sentir a vida ao máximo. Eu gosto de ser jovem”(Entrevista realizada em 10 de novembro de 2007).

Artur 16 anos, sintetiza com a seguinte compreensão:

Ser jovem é muito importante, porque é uma vez única na vida da pessoa, então é muito importante se divertir muito, fazer muita amizade, porque aonde eu chego procuro fazer amizades (Entrevista realizada em 14 de Outubro de 2007).

As moças solteiras (10 no total) compreendem a juventude como o momento para estudar, se divertir e trabalhar. Para Kátia, 18 anos, ser jovem é “a pessoa ser nova, ter educação, respeitar os mais velhos” Já Elba, 18 anos, associa a condição de ser jovem a uma posição de independência: “se eu tivesse um emprego agora eu gostaria de ser independente. Mesmo que ainda não sou, mas jovem para mim é ser independente”(Entrevista realizada em 30 de Outubro de 2007).

148 A opinião das jovens solteiras com filhos (03 moças) não difere das demais. Elas acenam que a juventude é momento de diversão em busca de amizades. “É viver sua vida, respeitar o seu próximo, sem discriminação.Ter sua opinião feita, cabeça aberta.(JANDYRA, 28 anos. Entrevista realizada em 27 de Outubro de 2007).

Os casados (num total de 03 entrevistados) apresentam anseios mais direcionados a perspectivas de trabalho. Para estes, a ocupação profissional não se relaciona com juventude ou com ser jovem. Os indicadores desta pesquisa atestam que os casados não se consideram jovens por dois motivos: a condição civil priva-lhe do direto à liberdade, assim como a inserção prematura no mundo do trabalho os tira da condição juvenil. Muitos deles, por exemplo, associam a condição de ser jovem ao estado civil. Nas palavras de Igor,23 anos, “ser jovem é ser mais liberto. Jovem é uma coisa e casado é outra”. (Entrevista realizada em 13 de Novembro de 2007).

Já Simão, 20 anos,assim se expressa: “não me sinto mais jovem. Não gosto mais não, é só trabalhar” (Entrevista realizada em 27 de Outubro de 2007).

Diante desses referenciais identitários, parece-nos que tanto o casamento como o trabalho prematuro significam um certo aniquilamento à condição de ser jovem. Para Wanderley(2007,p.22), as distinções entre casados e não casados está na base das representações sociais da juventude . A autora adverte que, embora a juventude corresponda a um momento do ciclo de vida, há que se relativizar, levando-se em conta os aspectos culturais que demarcam esta etapa de vida, que estão condicionados a fatores diversos, tais como: fim dos estudos, constituição de uma nova família, início na vida profissional, além de outros .

Na realidade, este dado reflete o perfil da maioria dos jovens residentes no meio rural brasileiro que, em virtude das circunstâncias estruturais e do habitus inerente ao meio, perdem essa condição em detrimento à dura realidade que enfrentam como alternativa de sobrevivência. 144

As casadas, por sua vez, (09, no total das entrevistadas) embora expressem que a juventude é o momento de liberdade e diversão, demonstram um grau de maturidade quando acenam perspectivas para o futuro, principalmente quando consideram os filhos. Ida, 19 anos assim se expressa:- “é importante, é uma fase que a gente tem que aprender mais e no futuro

144 Observando atentamente a juventude no contexto brasileiro, percebemos o paradoxo presente na construção

dessa categoria, tanto no aspecto social, quanto econômico. Ou seja, o acesso aos bens e serviços são definidos por condições específicas que dependem do espaço social que o jovem está inserido. Isso pode ser vislumbrado numa relação intrínseca entre os jovens de um mesmo contexto urbano, ou entre os urbanos e os rurais.

149 ensinar para nossos filhos um futuro melhor. Sentar e conversar “(Entrevista realizada em 09 de Novembro de 2007).

Algumas, a exemplo de Carla ,18 anos, enfatiza que não se sente mais jovem , porque pensa como adulta.

Eu sou uma pessoa jovem, mas eu não uso minha cabeça como uma pessoa nova. Para mim jovem não é idade não. Jovem é responsabilidade, é saber o que deve fazer. Eu não ajo como uma pessoa jovem , mas como uma pessoa adulta já (Entrevista realizada em 26 de outubro de 2007).

Para Lucinara, 16 anos, o jovem deve ser uma pessoa que não trabalhe muito e consequentemente tenha mais tempo para estudar. Já Corina, 27 anos, revela que ser jovem é muito bom mas não desfruta mais dessa condição; “é tudo de bom, eu não me sinto jovem.A pessoa jovem pode estudar, e aproveitar a vida,”.desaba (Entrevista realizada em 13 de Novembro de 2007).

Esses depoimentos nos remetem a Velho(2006), quando afirma que há várias maneiras de “ser velho” como também de “ser jovem”, sempre atreladas a fenômenos sócio- culturais. “A permanente e complexa negociação da realidade que envolve variáveis dos mais diversos tipos, econômicos, políticos, de organização social e simbólica, vai estabelecer fronteiras e classificações etário-geracionais”(VELHO, 2006, p.194).

O referido autor reforça a concepção de que a juventude deve ser compreendida mediante uma pluralidade de interpretações: “Colocar juventude no plural, expressa a posição de que é necessário qualificá-la, percebendo-a como uma categoria complexa e heterogênea” (VELHO, 2006, p.192).145

Mannheim (1968) também advoga nesse sentido. Para ele, a juventude deve ser compreendida como uma categoria de sujeitos ordenados a partir de interações sócio- geracionais. Defende a assertiva de que uma geração146 abriga formas variadas de respostas, inclusive antagônicas, identificando diferentes grupos e contextos diversificados. Para este autor, esses grupos são as unidades de geração147, caracterizadas por reconhecimento de

145 Velho aponta ainda as dificuldades para uma compreensão acerca das diferenças de ordem cultural existentes

nas diversas sociedades.

146 Convém ressaltar que a compreensão que o referido autor adota sobre o termo geração é construída a partir da

ótica da contemporaneidade e não da coetaneidade.( Entendemos como coetaneidade aquele que vive na mesma idade numa mesma época histórica. Enquanto contemporaneidade se determina através dos que vivem uma mesma época com idades diferentes.) Nesse sentido, há que se considerar as diferenças ambientais e sociais para se definir o que é geração e o que estará condicionado às experiências vivenciadas em cada grupo social.

147 Geração: coetaneidade num período histórico específico. Embora esteja relacionada a um processo fluído,

150 reações afins, através dos modos que se relacionam com as experiências comuns. Dessa maneira, a acepção ao termo juventude não está apenas vinculada ao ser moço ou ao ser velho, mas também à forma de integração de grupos de jovens em determinados espaços sociais. Ou seja, a mocidade é percebida no nível das “reservas latentes” que se encontram em todas as sociedades. Entretanto, isso “dependerá das estruturas sociais (e quais delas, se houver) serem mobilizadas e integradas numa função” (MANNHEIM, 1968, p.77).

A compreensão deste autor é referendada pelos posicionamentos abaixo descritos:

Eu acho que ser jovem é você compartilhar as coisas, saber aproveitar a vida, não badernando, ter um espírito jovem, ser capaz de conquistar alguma coisa. É acreditar em você mesmo. Acho que por idade, ter filhos, nada disso não interfere de você conquistar alguma coisa” (MARIA DO CARMO, 25 anos. (Entrevista realizada em 20 de Outubro de 2007).

Eunice, 22 Anos, Afirma :

Sempre tento andar como os jovens, não quero ser uma garotinha, mas eu me sinto mais velha do que eles.Ser jovem para mim é se divertir, ter amizade, estar sempre junto dos jovens (Entrevista realizada em 30 de Outubro de 2007).

Diante dos depoimentos aqui apresentados, entendemos que não podemos engessar o conceito de juventude por critérios rígidos, fechados, mas buscando compreendê-lo num processo amplo, diversificado, marcado por particularidades que se sobressaem em diferentes contextos sociais.

Novaes (2006) adverte que o conceito de “ser jovem” passa por constantes mudanças circunscritas ao tempo e às distintas culturas nos espaços sociais. A autora questiona: quem e até quando pode ser jovem?

Jovens são aqueles nascidos há 14 ou 24 anos- seria uma resposta. No entanto, esses limites de idade também não são fixos. Para os que não têm direito a infância, a juventude começa cedo. [...] Com efeito, qualquer que seja a faixa etária estabelecida, jovens com idades iguais vivem juventudes desiguais (NOVAES, 2006, p.105).

Situando essa discussão no nosso campo empírico percebemos que as diferenças que demarcam esse categoria juvenil se consubstancializa de forma muito evidente pelas condições de vida daqueles sujeitos, aqui referenciadas a partir de sua trajetória de vida . Assim é oportuno problematizar que a delimitação de faixas etárias para definir o ser jovem é contraditória, na medida em que os grupos não se constituem de forma homogênea, já que cada sociedade define suas etapas de vida, atribuindo-lhes significados distintos. Ou seja, a

151 condição de ser jovem não está mais vinculada a uma idade que antes se norteava por etapas etárias, através de ritos de passagem entre juventude e vida adulta.

Bourdieu (1983) é um dos autores que integram essa corrente de pensamento, afirmando que as divisões entre idades são arbitrárias, pois a fronteira que separa a juventude da maturidade relaciona-se a um jogo de manipulações que se faz presente em todas as sociedades e, como tal, insere-se num processo de classificação no qual as fronteiras passam a ser socialmente construídas.

A reflexão sociológica que o autor oferece parte do pressuposto de que a fronteira entre a juventude e a velhice, na verdade, configura-se como um objeto de disputa encontrado em todas as sociedades. Nesse sentido, argumenta: “quando digo jovens-velhos, tomo a relação em sua forma mais vazia. Somos sempre o jovem ou o velho de alguém” (BOURDIEU, 1983, P.113).

Ressalta ainda que as fronteiras estabelecidas entre o que se designa por velhice e juventude também são fatores usuais ao longo do tempo. Ou seja, tanto a juventude como a velhice são socialmente construídas, tornando, portanto, muito complexas as relações entre idade social e a idade biológica.

Utilizar o termo juventude para falar dos jovens como se fosse uma unidade social, um grupo constituído, dotado de interesses comuns e relacionar esses interesses a unidade definida biologicamente, é uma manipulação evidente e um formidável abuso de linguagem “ (BOURDIEU, 1983, p.144).

De acordo com seu pensamento, cada campo148 possui uma lei específica de funcionamento, com seus respectivos objetos de luta e as consequentes divisões operadas nesta direção. Sob tal ótica, “a idade é um dado biológico socialmente manipulado e manipulável”. O autor fundamenta sua argumentação alegando que quando se menciona o termo jovem enquanto unidade social, um grupo constituído dotado de interesses comuns, definidos biologicamente, implica tendência semântica que sugere manipulação.

Nesse sentido sobressai a constatação do fato de que a “juventude é apenas uma palavra”, tendo em vista que não se pode utilizar o termo de forma genérica, diante das diferentes realidades. Assim, mais do que uma palavra, a juventude pode ser caracterizada por uma experiência de vida que é elaborada através de diversas formas de classificação, resultante das relações estabelecidas entre pessoas, classes sociais, relações familiares e

148 Bourdieu (2004, p.20) conceitua o campo como “o universo no qual estão inseridos os agentes e as

instituições que produzem, reproduzem ou difundem a arte, a literatura ou a ciência.” Para ele, este universo configura-se como um mundo social igual aos outros, entretanto obedece a leis sociais.

152 relações de poder. Enfim, o conceito pode ser interpretado como inerente ao universo subjetivo que perpassa a realidade.

Os relatos acima descritos evidenciam que a condição juvenil se apresenta, nas suas mais variadas dimensões, como um processo que se define como projeto de vida, voltado, muitas vezes, para o estudo e o lazer. Entretanto, há que se levar em consideração que nem sempre estas disposições generalizadas se configuram em experiências vivenciadas. Embora sua condição social seja marcada por situações precárias de sobrevivência, limitada ao trabalho, ao estudo e ao lazer de forma bastante reduzida, a maioria desses jovens vislumbra outras experiências de vida, muitas vezes seduzida pelos atrativos oferecidos no meio urbano.