Sea water
ISOTOPE INVESTIGATIONS OF MAJOR RIVERS OF INDUS BASIN, PAKISTAN
4.4. Hydrographs and seasonal variations of isotopes
Mas nas áreas da região do Lunda, onde predominam os relevos suaves, também encontramos alguns dos antigos e bem sucedidos colonos brasileiros (Foto 30), além de outros novos que vão se apropriando das terras que ficam disponíveis para venda.
Foto da autora (Agosto / 2004).
Foto 26 – NJK - Cultura de limão do Senhor Izumi,“região” do Lunda
Foto 27 – NJK - Cultura de mamão do Senhor Izumi, “região” do Lunda
5.3.1. Atuação político-social e identidade dos japoneses e seus descendentes A comunidade japonesa vive atualmente entre a maciça presença de proprietários brasileiros. Conforme mencionado, mais de dois terços deles se foi do Núcleo JK em busca de oportunidades. Segundo relato do colono Rokuro Funaki,
[...] se foram em busca do sonho, porque aqui não estava dando resultado. Foram para Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Jacobina, Juazeiro em busca de melhores condições de vida, ou voltaram pra o Japão, na esperança de ganhar dinheiro. Se foram porque não quiseram ficar. Não gostaram daqui [...].40
A evasão tem sido um processo gradativo ao longo dos anos para os agricultores de modo geral, como resposta às dificuldades de manutenção da produção, em razão da inexistência de uma política adequada ao setor e ao pequeno produtor. Nos últimos anos, os imigrantes têm ido ao Japão para trabalhar, mas retornam com o propósito de trazer dinheiro e retomar as atividades da propriedade temporariamente abandonada. Segundo o que afirmaram, quem fica o faz por falta de opção, conformismo ou por não estranhar as condições difíceis. Nesse aspecto, o senhor Yukio Iseki opina dizendo que
[...] morar fora 5 anos, depois retornar, aqui fica fraco. Solo precisa regar e por adubo. [...] Eu conheço cem por cento pessoal japonês que saiu. Todo mundo, hoje está fraco. Todo mundo tem sonho. Mas aqui no JK bom de plantar! Aqui bom de plantar flores, essas tropicais.41
Mas a exemplo do que ocorreu ao Senhor Iseki, a eficácia da inserção no espaço local, e de certo modo a coesão social entre eles, se deu graças a criação e a participação em núcleos associativos (esportivos, culturais e profissionais), visando o fortalecimento como agricultores e cidadãos da sociedade local, ao mesmo tempo em que ajudava na manutenção de sua identidade cultural.
Quando vieram para o Brasil, trouxeram com eles, além da força de trabalho, o caráter, o sonho, a obstinação, a cultura e a tradição, como também a vivência da organização em grupos comunitários ou núcleos associativos. Essa foi uma idéia que evoluiu e as associações foram se delineando. As primeiras constituídas foram associações de jovens (Seinenkay), depois vieram as de produtores diversos, das donas de casas, dos esportistas e, por fim, a reunião de todas em uma só associação, a Associação Cultural Nipo-Brasileira de JK. Essa forma de organização em grupos, visava a realização dos objetivos almejados ou a otimização e êxito dos resultados obtidos. A organização, efetivada através de associações legalmente instituídas, representava para os nipônicos a garantia da inclusão socioeconômica
40 Imigrante nascido na província de Aomore, Japão. Veio para o NJK em 1961 e durante a entrevista, em abril de 2004, foi interpretado por seu filho, Masayuki Funaki.
135
no mercado local e a manutenção cultural.
A integração dos imigrantes na sociedade e no mercado local se estabeleceu, apesar de que, até a atualidade, haja ainda entre eles quem não fale o Português. Tal fato caracteriza certo isolamento dos japoneses em relação à sociedade onde vivem, e essa postura se confirma nas palavras de Maekawa (1995, p. 27), que afirma que “o japonês se isola para não perder os valores, e se integra para não se alienar”.
Assim, os nipônicos formaram redes de amizades fraternais e de ajuda mútua, além de uma rede de serviços na educação e no ensino do idioma Japonês através da Federação das Associações Culturais Nipo-Brasileiras da Bahia. Por essa atuação e adaptação à sociedade local, confirma-se que
[...] a vida dos grupos humanos e suas atividades jamais são puramente materiais. São a expressão (sic) de processos cognitivos, de atividades mentais, de trocas de informação e de idéias [...]. Exprimem-se por meio de práticas e habilidades que [...] estruturam-se pelas preferências, conhecimentos e crenças que são objeto de discursos e de uma reflexão sistemática (CLAVAL, 2001, p.39).
A Associação Cultural Nipo-Brasileira serviu, e o faz até hoje, para a realização de atividades da cultura nipônica original, como por exemplo, os encontros para atividades esportivas (Olimpíadas Undokai)42, as festividades religiosas das igrejas Tenrikyo43 e Presbiteriana de Cumberland, ou as comemorações simbólicas (Bon Odori44 e Shogatsu45), e essas atividades se consolidaram como eventos permanentes do calendário de atividades anuais. Os festejos e as comemorações representam o resgate e a manutenção dos valores simbólicos da cultura japonesa como estratégias de permanência e adaptação ao lugar.
O papel da Associação junto à comunidade é o de desenvolver atividades educacionais (ensino da língua japonesa), esportivas, religiosas e tradicionais da cultura nipônica. Desempenha também importante função na comunicação como porta voz da comunidade junto à Federação das Associações nipônicas da Bahia e dessta para acessar organismos de ajuda tanto do governo japonês quanto do governo brasileiro. Desempenha também a importante função de organizar assistência médica aos japoneses do NJK, cujo ônus em parte é custeado pelo governo do Japão, cabendo a outra parte aos próprios associados. Outra atividade da Associação é organizar cerimônias fúnebres e dar toda a assistência necessária à família, avisar parentes e amigos, já que, segundo os associados, “ela é um centro de decisões e de divulgação de todos daqui. É vida pra todos daqui”. Aos associados é
42 Undokai - olimpíada japonesa com modalidades esportivas da própria cultura. 43 Tenrikyo - religião dos japoneses, de orientação budista.
44 Bon Odori – na tradição japonesa, é uma dança praticada como um dos ritos comemorativos do dia dos mortos. 45 Shogatsu - festa de ano novo.
permitido o direito de participar e usufruir desses benefícios. Durante as datas festivas, o público freqüentador se constitui dos próprios associados e da população da cidade, quando convidados. Nas “Olimpíadas Undokay”, os condutores desse evento costumam abrir ao público presente a participação nas modalidades dos jogos que estiverem em competição. Os jogos são da própria cultura japonesa e são sempre festejados no mês de fevereiro. Apresenta- se em seguida, alguns momentos dos jogos das Olimpíadas Undokay de 2003 e 2004, observados nas fotos numeradas de 31 a 34.
Em suas competições lúdicas, todos os presentes são chamados a participar dos jogos. A premiação é dada a quem participar do jogo, independentemente da equipe vencedora. Parece haver uma intenção de estimular a participação de todos os presentes nas atividades propostas, cujas modalidades são relacionadas no Anexo 2 (Tábua das Competições da Olimpíada Undokay).
Foto 31 – Jogos da Olimpíada Undokay do