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1. PRESENTATION DU MILIEU D’ETUDE

1.4 Hydrographie

02 03 04 05 06 07 08 … <rdf:RDF xmlns:rss="http://www.w3.org/1999/02/22-rdf- syntax-ns#" xmlns:jornal="http://www.neilgaiman.com/entries"> … <rss:autor>Maria</rss:autor> <jornal:autor>Manoel</jornal:autor> …

Tendo visto o básico para o entendimento dos arquivos XML utilizados no decorrer do trabalho, somente serão tratados aspectos quanto a esse tópico quando necessários para o esclarecimento de algum item em particular.

2.3 JAXB

Segundo (Ballem, 2011), JAXB (Java Architeture for XML Binding) “é uma biblioteca Java que possibilita a conversão de arquivos XML em objetos java ou vice-versa”.

A utilização de JAXB simplifica a transformação de arquivos XML em Java e de objetos Java em arquivos XML usando o núcleo da sua API com interfaces definidas como Marshaling, Unmarshalling e validação de arquivos, utilizando conceitos de Java como objetos POJO e anotações (McLaughlin & Edelson, 2007).

30 Pode-se trabalhar com o arquivo XML diretamente, criando manualmente as classes necessárias para a sua manipulação ou se pode usar um arquivo DTD (Document Type Definition) e o comando de linha xjc, sendo a função deste comando a geração das classes a partir da estrutura definida no arquivo DTD. As principais anotações do JAXB estão listadas na Tabela 2.1.

À geração das classes Java a partir de um documento DTD dá-se o nome de binding, um procedimento de linha de comando utilizando o comando

xjc. A partir de parâmetros e da correta indicação dos arquivos se consegue as

extrair as classes e seus relacionamentos (Java Arquiteture for XML Biding (JAXB), 2009).

Tabela 2.1: Relação de algumas das anotações JAXB. Adaptado de (Ballem, 2011).

Anotação Função

@XmlRootElement Indica a classe que representa o elemento raiz do documento XML.

@XmlAcessorType Indica se as anotações estão nos atributos ou nos métodos das classes POJO.

@XmlType Indica a informação que a classe mapeia no arquivo XML.

@XmlElement Relaciona um atributo ou método a uma tag do documento XML.

@XmlElementWrapper Mapeia um objeto do tipo lista

No caso da geração das classes usando o comando xjc as classes geradas (a partir da versão 2.0 do JAXB) serão POJOS anotados (McLaughlin & Edelson, 2007).

Para executar o procedimento de unmarshal de um documento XML é necessário que antes seja criado um contexto JAXB. A função do unmarshal é transpor os dados contidos no arquivo XML para objetos instanciados a partir das classes anotadas criadas.

Os objetos criados podem ser manipulados como qualquer objeto POJO de Java, podendo assim passar as alterações para um novo arquivo XML (ou

31 alterar o mesmo arquivo). Esse processo é definido como marshalling (JAXB user Guide, 2010).

2.4 Considerações Finais

Nesse capítulo foram introduzidos os conceitos computacionais básicos das linguagens usadas no presente trabalho. Não se pretendeu cobrir todos os aspectos de cada uma das tecnologias envolvidas, mas apenas dar uma noção básica para que ao se mencionar tais tecnologias não se perca tempo em definições básicas nos capítulos que narram a execução do projeto em si.

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Capítulo 3

Processos de Negócios

O trabalho nas empresas é guiado por processos de negócios, mesmo quando estas não os controlam ou não se dão conta de como esses processos se desenrolam, todo produto ou serviço oferecido por uma empresa está apoiado em um ou vários processos de negócios (Gonçalves, 2000).

Em uma definição formal um processo é um conjunto de atividades executadas em uma sequência lógica para produzir um bem ou serviço que terá alguma validade para um grupo de clientes (Gonçalves, 2000).

Existem fluxos de processo que não tem uma sequência definida, nos quais os passos a serem executadas não são previsíveis e as atividades não seguem nenhum fluxo, podendo ocorrer em qualquer ordem e a qualquer momento. Este tipo de processo não faz parte do conjunto do qual este trabalho trata.

Os processos que podem ser melhorados de alguma forma são aqueles nos quais as etapas são previsíveis mas não necessariamente determinadas. Estes são os processos de interesse deste trabalho. Exemplos desse tipo de processo podem ser: A obtenção de um título de propriedade em um órgão público, a abertura de uma conta em um banco ou o processo de fabricação de um carro. Todos esses processos possuem etapas conhecidas e bem definidas mas a sua execução pode ser influenciada por fatores externos.

Outro conceito importante a ser elucidado é a diferença entre processos e projetos. Uma vez que um processo é uma atividade habitual, repetível e controlada, um projeto é uma atividade particular, única e portanto imprevisível quanto ao seu início e ao seu final.

33 3.1 Gerenciamento de Processos de Negócios

As organizações atuais precisam entender os seus processos para que, uma vez os tenha entendido, possam providenciar meios de aprimorá-los para redesenhá-los. É basicamente desse processo de conhecimento, melhoria e redesenho do qual trata a BPM (Business Process Management), mas nesse ponto deve-se ter em mente que BPM não é uma solução de software como vários vendedores de tecnologia podem dar a entender, mas uma metodologia que pode ser definida como em (Jeston & Nelis, 2008): a realização dos objetivos de uma organização através da melhoria, gestão e controle dos processos de negócios essenciais.

Dentre outras características (Jeston & Nelis, 2008) afirma ainda que BPM é mais do que modelar, também é sobre a execução de processos, tarefa essa que requer análise.

Um processo de negócio pode ser entendido, mapeado e analisado empiricamente. Pode-se avaliar sua eficiência e eficácia através da observação da sua execução, no entanto, nem sempre isso é possível, rápido, barato ou simples.

Outro ponto importante é a adoção de uma visão de processos em todos os níveis, desde o acompanhamento do desempenho de cada participante até o planejamento estratégico a longo prazo. Os processos devem estar alinhados à estratégia da empresa. Para isso é preciso que todos passem a ter a visão processual e não a departamental tradicional. Tendo como objetivo não só entender mas melhorar os processos aos quais lhe são atribuídas as responsabilidades.

É nesse ponto que as ferramentas de avaliação são úteis, elas podem prover uma forma mais rápida, eficiente e segura de analisar um processo.

3.2 Definições e terminologias

Algumas definições serão importantes para o entendimento do trabalho, além do entendimento do conceito de processo. São elementos que fazem

34 parte de qualquer processo para que o mesmo seja eficaz. São eles (Oliveira, 2008):

Instância de Processo ou Case: Representa uma execução em

particular de um processo. O termo Case é utilizado em modelos formais e poderá ser usado concomitante à expressão instância de processo.

Atividade: É o equivalente a uma unidade de trabalho, uma parte da

execução delimitada, encapsulada mas não necessariamente indivisível.

Participante: É algo ou alguém que executa uma atividade de um

processo. Geralmente é tratado como um recurso a ser consumido durante a execução de um processo

Instância de Atividade: É uma execução particular de uma atividade,

em outras palavras é uma atividade sendo executada em determinado instante.

Papel: É a definição dada a um grupo de recursos que representam as

mesmas qualidades, atributos e habilidades. Um cargo, um departamento ou qualquer outro conjunto que defina um conjunto de participantes, pode definir um papel.

Worklist: Uma lista de itens aguardando que um participante o execute

em uma atividade. Cada item da lista é executado pelo participante quando o mesmo estiver livre para executar uma instância da atividade, quando isso ocorre o participante informa da necessidade de se tirar o item da worklist.

Work Item: Cada item que compõe uma work list.

Subprocesso: Um processo interno a outro processo. Geralmente

subprocessos são utilizados na modularização de processos, permitindo, assim o reuso de estruturas comuns a vários processos.

Evento: A ocorrência de algo independente do sistema e externo a este.

A ocorrência de um evento está relacionada a dois elementos: um gatilho, que define as condições necessárias para que o evento corresponda a uma ação e a ação, que corresponde à resposta do sistema ao disparo do gatilho.

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Exceção: É um evento que cujo gatilho é um erro na execução do

processo e a ação é um procedimento de recuperação.

A Figura 3.1 representa o relacionamento entre esses elementos.

Figura 3.1: Relacionamento entre os principais elementos de um processo. Fonte: (Oliveira, 2008)

3.2.1 Estruturas de Controle de Fluxo

Além dos elementos apresentados anteriormente devem ser destacados, os elementos que dão a verdadeira força das notações de workflow: as estruturas que controlam o fluxo, fazendo com que se possa mapear não só um fluxo linear e inflexível, mas todas as possibilidades de um determinado processo.

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Escolha (Xor): Representa um ponto em que o fluxo se divide em vários caminhos cuja execução é exclusiva, ou seja, se um fluxo for executado os outros não o serão.

Fusão ou Junção: São pontos onde fluxos paralelos, exclusivos ou não se encontram para dar prosseguimento a um único caminho.

Paralelismo (And): É um ponto de desvio do fluxo no qual um único fluxo se divide em vários (dois ou mais) que serão executados simultaneamente.

Iteração: corresponde à repetição de um fluxo dentro de um mesmo case.

Para o escopo deste trabalho, as estruturas de fusão, quando unem fluxos paralelos também representam um ponto onde tais fluxos serão sincronizados.

3.3 Abordagens para o desenho de processos

Existem diversas abordagens para o desenho de processos, entre várias pode-se citar Diagrams de atividades da UML (Unified Modeling Language), XMPL Process Description Language (XPDL), Business Process Execution

Language (BPEL), várias outras representações apresentadas por pesquisadores ao longo de vários trabalhos (Oliveira, 2008).

As abordagens que serão o centro deste trabalho são BPMN (Business

process Model and Notation) e GSPN (Generalized Stochastic Petri Nets).

3.4 Introdução às Redes de Petri

Modelo proposto por Carl Petri no final do ano de 1950 no Departamento de Matemática Instrumental da Universidade de Bonn, Alemanha para modelar a comunicação entre autômatos, representando sistemas baseados em eventos discretos (Cardoso & Valette, 1997). Redes de Petri são ferramentas

37 gráficas e matemáticas usadas para descrição formal de sistemas. Elas se caracterizam por propriedades como concorrência, paralelismo, sincronização, distribuição, assincronismo e não-determinismo.

Na tese “Kommunikation mit Automaten” (Comunicação com autômatos), Petri demonstrou a possibilidade de construir um sistema que poderia ser expandido indefinidamente, neste primeiro trabalho o conceito de rede de Petri era puramente matemático, sem uma representação gráfica (Reisig, 2013).

3.4.1 Componentes das Redes de Petri

Uma Rede de Petri é composta por uma pequena quantidade de componentes, formando um conjunto compacto de elementos com funções bem definidas e regras simples.

Tabela 3.1: Elementos básicos de uma Rede de Petri genérica. Fonte: Adaptado de (Reisig, 2013)

Figura Nome - Função

Lugar

Um lugar p (place em inglês) sempre modela um componente passivo, pois pode guardar, acumular ou mostrar coisas. Um lugar tem estados discretos. Um lugar sempre será um elemento circular. Na figura ao lado dois lugares P1 e P2 estão representados.

Transição

Uma transição t sempre modela um elemento ativo. Ela produz, consome, transporta ou muda coisas. Uma transição sempre será representada por um elemento retangular.Na figura ao lado há 5 transições nomeadas de T1 a T5.

Arco

É o elemento de ligação entre lugares e transições. Um arco nunca liga duas transições ou dois lugares diretamente. Um arco não necessariamente é uma linha reta.Um arco com um círculo na extremidade inibe a ação de uma determinada transição e deve sair de um lugar. Este tipo de arco é

38 As Redes mais simples, sem especializações, por exemplo, têm apenas três tipos de componentes, conforme se vê na Tabela 3.1.

Nesta tabela estão representados os elementos necessários para a criação de uma rede de Petri, ou seja, é possível modelar determinados sistemas apenas com esses elementos, no entanto, os modelos resultantes seriam limitados na sua representação.

Na Tabela 3.2 estão apresentados elementos complementares á notação básica. São elementos que podem ser omitidos ou excluídos, mas que trazem mais clareza e torna possível a criação de modelos de redes mais complexas.

Esses são os elementos básicos que compõem uma rede de Petri. O seu comportamento é definido pela semântica.

Tabela 3.2: Elementos Complementares à notação Básica de Redes de Petri

Figura Nome - Função

Tokens

os tokens ou fichas são elementos que geralmente representam algum recurso presente em um lugar

específico. O disparo de uma transição poderá criar tokens, assim como destruir tokens de um lugar e construir em outro. Eles são representados geralmente como círculos preenchidos ou como números. A quantidade de círculos indica a quantidade de tokens ou o número representa a quantidade de tokens.

Formalmente, as RdP são um tipo particular de grafo, possuindo um estado inicial M0, um grafo N, direcionado, ponderado e bipartido, composto por

dois tipos de nós chamados de locais (places, denotados aqui por p) e transições (transictions, denotados aqui por t), interligados por arcos (a) que podem conter seus respectivos pesos (k, cujo valor é um inteiro com padrão mínimo 1 não é indicado na notação). Um arco com peso k deve ser interpretado como o equivalente a k arcos paralelos e simultâneos. (Murata, 1989).

39 Os arcos ligam transições a lugares e vice-versa, não sendo possível transições do tipo representado na Figura 3.2 (Reisig, 2013):

Figura 3.2: Principal restrição em Redes de Petri

Neste ponto será possível dar uma definição formal à notação gráfica apresentada.

Definição 3.1 (Rede de Petri): Segundo (Aalst & Stahl, 2011) uma rede

de Petri é 𝑢𝑚 𝑡𝑟𝑖𝑜 𝑁 (𝑃, 𝑇, 𝐹), 𝑛𝑜 𝑞𝑢𝑎𝑙:

1. 𝑃 é 𝑢𝑚 𝑐𝑜𝑛𝑗𝑢𝑛𝑡𝑜 𝑓𝑖𝑛𝑖𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑙𝑢𝑔𝑎𝑟𝑒𝑠; 2. 𝑇 é 𝑢𝑚 𝑐𝑜𝑛𝑗𝑢𝑛𝑡𝑜 𝑓𝑖𝑛𝑖𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑟𝑎𝑛𝑠𝑖çõ𝑒𝑠;

3. 𝐹 ⊆ (𝑃 × 𝑇) ∪ (𝑇 × 𝑃) é 𝑢𝑚𝑎 𝑟𝑒𝑙𝑎çã𝑜 𝑑𝑒 𝑓𝑙𝑢𝑥𝑜.

Embora a definição 3.1 sirva para os elementos básicos, alguns conceitos já citados carecem de definição.

Figura 3.3: Semáforo único representado em uma Rede de Petri.

Na Figura 3.3 há um exemplo de uma rede de Petri que atende à definição 3.1. Ela é uma RdP que representa a transição de luzes de um semáforo e foi adaptada de (Aalst & Stahl, 2011). Neste exemplo os lugares Vermelho, Verde e Amarelo representam os estados das luzes acesas do

40 semáforo. As transições V2V, V2A e A2V representam as transições da luz Vermelha para a Verde, da Verde para a Amarela e da Amarela para a Verde.

Na Figura 3.3 existe um elemento para o qual não foi dada uma definição formal (embora os tokens estejam no Quadro 3.2).

Definição 3.2 (Marcação): Uma marcação de uma rede de Petri (𝑃, 𝑇, 𝐹)

é uma função 𝑚: 𝑃 → ℕ, atribuindo a cada lugar 𝑝 𝜖 𝑃 o número 𝑚(𝑝) de tokens a esse lugar. O conjunto M de todas as marcações desta rede é o conjunto dessas funções (Aalst & Stahl, 2011).

Com este conceito em mãos pode-se definir mais um termo.

Definição 3.3 (habilitação): Em uma rede de Petri(𝑃, 𝑇, 𝐹), uma

transição 𝑡 ∈ 𝑇 estará habilitada se houver uma quantidade de tokens em seu lugar de origem de tal modo que o número de tokens seja maior ou igual à cardinalidade do arco de origem desse lugar.

Um outro conceito referente a redes de Petri necessário a esse trabalho é o de disparo de uma transição.

Definição 3.4 (disparo de transição): Para uma rede de Petri(𝑃, 𝑇, 𝐹) ,

sendo 𝑤 a função de peso e 𝑚: 𝑃 → ℕ a marcação atual. Uma transição 𝑡 ∈ 𝑇 pode disparar se e somente se ela estiver habilitada em 𝑚 (Aalst & Stahl, 2011).

E, finalmente, para que as definições básicas necessárias ao presente trabalho sejam estabelecidas, o conceito das redes de Petri aqui geradas necessita de mais uma definição:

Definição 3.5 (Sistema de Rede de Petri): Um sistema de Rede de

Petri (𝑃, 𝑇, 𝐹, 𝑀0) consiste em uma Rede de Petri (𝑃, 𝑇, 𝐹) e um conjunto de

marcações iniciais 𝑀0 (Aalst & Stahl, 2011).

As definições vistas nesta seção não são suficientes, nem pretendem ser, para definir as redes de Petri utilizadas nesse trabalho, uma vez que será utilizado um subconjunto dessas redes citado anteriormente, as GSPN.

41 3.5 Introdução às Generalized Stochastic Petri Nets

No seu trabalho original Carl Petri não incluiu o conceito de tempo nas RdP, sendo esse modelo original uma descrição de causalidade no qual um evento a é a causa de um evento b. Essa é uma forma de se introduzir o conceito de tempo de forma quantitativa, com isso o conceito de tempo é associado apenas à sequência de transições. O acréscimo de dados temporais traz às redes de Petri a variável tempo na parte do controle da rede em vez de ficar restrito à parte de dados.

Dentre vários outros, existem dois grandes conjuntos de modelos de redes temporizadas:

Rede de Petri Temporal: a cada transição é associada um par de datas

(min,max), representando, respectivamente uma duração mínima de

sensibilização da transição antes do disparo e o cálculo da duração máxima de sensibilização.

Rede de Petri Temporizada: Também chamada de rede de Petri com

transição temporizada pois cada transição possui uma duração.

Quando se associa um tempo de duração a uma transição, está se indicando que essa transição não é mais um evento instantâneo, mas uma atividade com tempo de início e tempo de fim. Considera-se, entretanto que tal atividade não é interrompível.

Definição 3.6 (Rede de Petri Temporizada): Uma rede de Petri

temporizada é um par 𝑁𝑡 = {𝑁, 𝜃𝑓}, onde:

N é uma rede de Petri (P, T, F) com marcação M0;

 𝜃𝑓: 𝑇 → ℚ+ é a função duração de disparo, que associa a cada

transição um número racional positivo que descreve a duração do disparo.

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Definição 3.7 (Rede de Petri Temporal): Uma rede de Petri temporal é

um par 𝑁𝑡𝑙 = {𝑁, 𝐼}, onde:

 𝑁 é uma rede de Petri (𝑃, 𝑇, 𝐹) com marcação 𝑀0;

 𝜃(𝑡) = [𝜃𝑚𝑖𝑛(𝑡), 𝜃𝑚𝑎𝑥(𝑡)] é uma função que, a cada transição 𝑡

associa um intervalo fechado racional que descreve uma duração. A introdução de tempo no formalismo das redes de Petri permitiu a definição das redes de Petri estocásticas, uma extensão proposta que permite a análise de desempenho. As redes de Petri estocásticas (Stochastic Petri Nets – SPN) diferem das redes temporizadas e temporais pelo fato de que nas SPN os tempos associados às transições são distribuídos exponencialmente.

Às SPN foram acrescentadas as transições imediatas, que são, como o nome indica, transições que são disparadas imediatamente após serem habilitadas, com tempo de atraso para a execução com valor nulo. Nesse tipo de RdP podem ser atribuídas às transições níveis de prioridade, sendo que a prioridade de disparo das transições imediatas é superior à das transições temporizadas. As prioridades das transições imediatas podem ser diferentes entre si para solucionar situações de conflito. As redes de Petri estocásticas generalizadas podem ser consideradas redes isomórficas às SPN, portanto a próxima definição é a de GSPN (Marshan, Balbo, Conte, Donatelli, & Franceschinis, 1998).

Os termos presentes na Definição 3.8 caracterizam as GSPN e as diferenciam das redes de Petri puras. Esse é a subclasse de RdP que foi alvo da transformação neste trabalho.

A função de peso representa o peso (𝑤𝑡) das transições imediatas e a taxa (𝜆𝑡) das transições temporizadas.

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Definição 3.8 (Rede de Petri Estocástica Generalizada): Uma GSPN

é definida como uma 8-tupla 𝐺𝑆𝑃𝑁 = (𝑃, 𝑇, Π, 𝐼, 𝑂, 𝐻, 𝑀0, 𝑊), onde:

 𝑃 é 𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑗𝑢𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑙𝑢𝑔𝑎𝑟𝑒𝑠;  𝑇 é 𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑗𝑢𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑟𝑎𝑛𝑠𝑖çõ𝑒𝑠, 𝑃⋂𝑇 = ∅;  Π ∶ 𝑇 → ℕ é 𝑢𝑚𝑎 𝑓𝑢𝑛çã𝑜 𝑝𝑟𝑖𝑜𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒, 𝑜𝑛𝑑𝑒: Π(t) = {≥ 1, 𝑠𝑒 𝑡 é 𝑢𝑚𝑎 𝑡𝑟𝑎𝑛𝑠𝑖çã𝑜 𝑖𝑚𝑒𝑑𝑖𝑎𝑡𝑎;0, 𝑐𝑎𝑠𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟á𝑟𝑖𝑜 }  𝐼 ∶ (𝑇 × 𝑃) → ℕ 𝑠ã𝑜 𝑜𝑠 𝑎𝑟𝑐𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎;  𝑂 ∶ (𝑇 × 𝑃) → ℕ 𝑠ã𝑜 𝑜𝑠 𝑎𝑟𝑐𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑠𝑎í𝑑𝑎;  𝐻 ∶ (𝑇 × 𝑃) → ℕ 𝑠ã𝑜 𝑜𝑠 𝑎𝑟𝑐𝑜𝑠 𝑖𝑛𝑖𝑏𝑖𝑑𝑜𝑟𝑒𝑠;  𝑀𝑜 ∶ 𝑃 → ℕ é 𝑎 𝑓𝑢𝑛çã𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑟𝑐𝑎çã𝑜 𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙;  𝑊 ∶ (𝑇 × (𝑃 → ℕ)) → ℝ+∗1 é 𝑎 𝑓𝑢𝑛çã𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑠𝑜;

Elementos novos foram introduzidos nessa definição sem uma prévia explicação do que se tratam. Descrevendo em termos simples tem-se os conceitos de:

Transições temporizadas: São transições cujo disparo ocorre após um

período que tem uma distribuição estocástica e cuja execução dura um tempo definido (um delay).

Transições imediatas: São as mesmas transições que já existiam nas

redes de Petri, mas foram renomeadas para diferenciar das transições temporizadas. Essas transições têm precedência de execução sobre as transições temporizadas.

Arcos inibidores: São arcos cuja origem é em um Lugar (p) e cujo

destino é uma Transição (t), sempre que o lugar (p) possuir uma marcação (token) que seja igual ou superior ao peso (w) do arco então o arco impedirá

1

+

44 que a transição T dispare. Na Figura 3.4 o lugar P1 impede que a transição T1 dispare, mesmo com o lugar P0 a habilitando.

Figura 3.4: Um exemplo de arco inibidor

Uma característica importante das GSPN é quanto ao seu comportamento quando múltiplos tokens habilitam uma transição, permitindo mais de um disparo nessa transição, quando isso ocorre a transição irá se comportar de acordo com um dos comportamentos a seguir:

Single server: as marcações são processadas em série. Logo após o

primeiro disparo da transição, o temporizador reinicia como se ela tivesse sido habilitada de novo.

Multiple server: as marcações são processadas com um grau máximo K de paralelismo. Caso o grau de habilitação seja maior do que K, nenhum

novo temporizador será criado para processar o tempo para o novo disparo até que o grau de habilitação tenha diminuído abaixo de K. Os componentes excedentes ficarão em fila.

Infinite server: o valor de K é infinito, todas as marcações são

processadas em paralelo, e as temporizações associadas são decrementadas a zero em paralelo.

As definições dadas até o momento são suficientes para o objetivo dessa seção que é definir as GSPN.

45 3.6 Introdução à BPMN

BPMN (Business Process Model and Notation) é a sigla em inglês para Notação e Modelo de Processo de Negócio e é um dos modelos de mais aceitação tanto entre os profissionais que estão mais distantes da tecnologia quanto para os profissionais de tecnologia.

Segundo (Reis, 2008) BPMN é um padrão em evolução, mas é uma das notações que mantém a maior concordância com a indústria . Apesar disso, ela não tem nenhum formato de armazenamento específico totalmente desenvolvido, assim como falta a conclusão de especificação matemática formal que permita uma real avaliação de um processo de negócio, como é

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