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HOURLY LOADS

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 171-180)

CHAPTER 7: MODELLING RESULTS

7.1 URBAN CATCHMENT

7.1.2.2 HOURLY LOADS

A Educação em museus, em certa medida, necessitou do desenvolvimento do campo de atuação da museologia em nosso país para ingressar como área de conhecimento nas universidades. Sabe-se sobre as tentativas de prática desses cursos no ano de 1922, por ocasião do decreto 15.596, que criou a liberação do chamado “curso technico”. Esses cursos deveriam ter a duração de dois anos apenas e não equivaliam a cursos de graduação, mas sim cursos especiais que foram ministrados no Arquivo Nacional e Biblioteca Nacional, e no recém-criado Museu Histórico Nacional (TANUS, 2013). Porém, por questões de ordem humana e estrutural, esse curso não entrou em funcionamento. Segundo Ivan Coelho Sá (2007), na época, o curso “equivalia a um investimento na formação de técnicos absolutamente insólita para a realidade brasileira da época, sobretudo se considerarmos a inexistência de uma tradição museológica” (SÁ, 2007, p. 45)36. As tentativas já mencionadas denotaram esforços, no Rio de Janeiro, valendo lembrar que as mesmas ações, também sem êxito nesse primeiro momento, ocorreram com Gustavo Barroso e Valentín Calderón, no estado da Bahia, e, no estado de São Paulo, entre os anos vinte e trinta, com Waldisa Russio Camargo Guarnieri37.

Segundo Grinspum, (2000, p. 8), o aprofundamento das reflexões sobre o campo da museologia evidenciou-se, de maneira mais visível, como fenômeno mundial, entre os anos de 1958 e 1992. A pesquisadora aponta três eventos que foram seminais para o desenvolvimento do campo da museologia: o Seminário Regional da UNESCO sobre a função educativa dos museus, realizado na cidade

36 SÁ, Ivan Coelho de. História e memória do curso de museologia: do MHN à UNIRIO. Anais do Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro, v. 39, p. 10-42, 2007.

37 Segundo Tanus, (2013, p. 81) o curso de pós-graduação em Museologia criado pela Waldisa Rússio,

do Rio de Janeiro; a Declaração da Mesa-Redonda de Santiago do Chile , em 1972, que introduziu o conceito de museu integral, abrindo novas trilhas para as práticas educativas museais; e a Declaração de Quebec, em 1984, que sistematizou os princípios básicos da Nova Museologia, mais a Declaração de Caracas, de 1992 , que avaliou de maneira crítica todo o percurso, ao reafirmar o museu enquanto canal de comunicação. Lembra-nos Benvenuti, (2004) que, apesar de a profissão de museólogo ter sido criada no ano de 1932, ela somente foi oficializada no ano de 1984.

Tanus, (2003) aponta um importante histórico em sua pesquisa a respeito dos cursos de Museologia no Brasil, e elenca a presença de apenas quatorze universidades brasileiras como ministrantes desses cursos. É curioso notar que, embora conste esse número de quatorze instituições ministrando o curso de Museologia, percebe-se que as grades curriculares parecem não contemplar disciplinas ligadas à educação em Museus, apreciação estética em exposições ou nada semelhante. De certa forma, os cursos em Artes Visuais e as licenciaturas ficam encarregados da tarefa de apresentar o campo da Museologia, bem como a Educação em Museus, aos estudantes de graduação. Um fato expressivo, nesse contexto, é o de que as Artes Visuais sejam responsáveis por essa tarefa, ou seja, cabe a elas a tarefa de alertar, educar, voltar os olhos dos estudantes de graduação e licenciatura para a importância dessas disciplinas no contexto contemporâneo. Elas têm a finalidade de sensibilizar e fundamentar os jovens estudantes com os conceitos de apreciação da arte, por meio das instituições museológicas.

A importância de compreender a arte em sua totalidade vai além de ver e aprender a arte reproduzida nas salas de aulas da universidade. Comenta a esse respeito Ostetto, (2004):

É o convite da arte que chega, chamando ao ensino de novos olhares, ao dar-se conta do olhar, do ato de contemplar uma pintura, de entrar na dança, arriscando os passos, de Fazer, experimentar, sentir a sensação de caos, da frustração, do erro e também da satisfação da realização, do acerto. Arte é isso: totalidade! (OSTETTO, 2004, P. 12)

compreensão, por meio da sensibilização de ver as obras originais.

Em seu texto “Ensinando Crítica nos Museus”, Robert Willian Ott, fala sobre a importância de aprender nesses espaços:

O ensino da arte em museus constitui um componente essencial para a arte-educação: a descoberta de que a arte é conhecimento. A arte pode assumir diversos significados em suas várias dimensões, mas como conhecimento proporciona meios para a compreensão do pensamento e das expressões de uma cultura. Por meio dessa prática educativa em museus podem ser reveladas diversas formas de expressão artística que contêm muitas das maiores ideias da cultura universal, cujos significados de arte são contribuições relevantes para a sociedade. Esses conceitos necessitam ser trabalhados por meio de um ensino sensível, ou seja, um sistema de arte-educação que possibilite, nos museus, uma atmosfera positiva para a crítica. Ensinar crítica nos museus possibilita uma educação artística que auxilia os alunos no desenvolvimento, aprendizagem, percepção e compreensão da arte como expressão das mais profundas crenças e dos mais caros valores da civilização. (OTT, 1999, p. 113-114).

Segundo Fusari e Ferraz, (1993 p. 53) o aproveitamento da arte em espaços culturais cria um ambiente: “[...] que aproxima os estudantes do legado cultural e artístico da humanidade, permitindo, assim, que tenham conhecimento dos aspectos mais significativos de nossa cultura, em suas diversas manifestações”. As autoras também destacam a importância do professor de arte no sucesso desse processo transformador, auxiliando os alunos a melhorarem a sensibilidade e os saberes práticos e teóricos em arte.

Barbosa (2003) traz uma reflexão acerca do ensino de arte e da construção do leitor visual. E por que é importante trazer essa reflexão? Trata-se de discutir possibilidades que apontem para a falta do olhar, ou olhar não observador, se assim me posso expressar. Além da observação, da leitura e da releitura de obras de arte na sala de aula, é também importante fazê-lo no museu, pois são possibilidades que precisam se vivenciadas.

Para a professora Ana Mae Barbosa:

[...] As pessoas, de um modo geral, têm dificuldades para compreender as manifestações dos códigos estéticos, indiferentemente do sistema do qual façam parte e independentemente de se tratarem de informações artísticas ou

estéticas. Uns, para encobrir o desconhecimento, alegam não gostar de arte ou não ter interesse por tais produtos; outros simulam que a compreensão é tácita e evitam discuti-los; um terceiro grupo apela para interpretações baseadas em critérios extra-estéticos, como os pautados estritamente pelas emoções e pelos sentimentos ou até mesmo pela valoração comercial (BARBOSA, 2003, p. 30).

Há também as implicações sobre a cultura presente nos museus e a questão da identidade. Sobre isso afirma RIZZI (1998):

Uma das questões mais importantes envolvendo, nos museus, o controle sobre os artefatos e as obras de arte e a maneira de exibi- los, é a articulação da identidade, o que pode ocorrer de duas maneiras: de maneira direta quando o museu apresenta uma exposição com uma narrativa assertiva, ou de maneira indireta, quando o museu opta por uma narrativa implicativa. Quando nos relacionamos com o “outro cultural” via exposições, este contato nos mostra quem somos e talvez mais significativamente ainda quem não somos (RIZZI, 1998, p. 216-217).

As universidades estaduais e federais possuem um expressivo papel, pelo fato de colocarem em prática ações ligadas à Educação em Museus na graduação e pós-graduação via museus universitários. E foi por meio de decretos que ocorreu a inserção das disciplinas ligadas à Museologia e Educação em Museus nas grades curriculares da universidade.

A Universidade de São Paulo, por meio do Museu Paulista, prontificou-se a operar na disposição da Lei Estadual 7.843, de 11.03.1963, alterada pela Resolução 3.560 de 11.08.1989, que implementa responsabilidades científicas, culturais e educacionais no domínio da História da Cultura Material da sociedade brasileira. Em seus dispostos, constam no Artigo 2º:

I – Manter, ampliar e organizar seu acervo museológico bem como documentação pertinente;

II – Desenvolver pesquisas relacionadas com seu acervo, com domínios conexos e com os campos de atuação do Museu; III – Promover exposições públicas de seu acervo e de acervos conexos, assim como receber exposições itinerantes;

V – Oferecer disciplinas optativas de graduação, disciplinas de pós-graduação e cursos de extensão em seus diferentes níveis; VI – Manter biblioteca e laboratórios especializados;

VII – Promover publicações;

VIII – Colaborar na proteção e valorização do patrimônio cultural brasileiro.

Observe-se o item “V”, o qual prevê a inclusão de disciplinas optativas para a graduação, relacionando a pesquisa em Museus. A universidade atua nesse sentindo, sabendo da importância da elaboração de uma grade curricular que contemple as ações dessa natureza, ou seja, a ação de transformação via educação em museus para os estudantes dos cursos de graduação e pós- graduação.

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