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subprime

Diversos estudos recentes abordaram os comovimentos de mercados financeiros internacionais durante a crise financeira internacional de 2008. Um dos primeiros foi

Longstaff (2010). Ele conduziu uma investigação empírica para verificar os efeitos de contágio dos títulos baseados em ativos subprime (CDOs - Collateralized Debt Obligation / Obrigação de Dívida Colateralizada) sobre outros mercados. Usando a definição frequentemente adotada de contágio na literatura como um significativo aumento temporário nas relações entre os mercados depois de um grande choque, ele aplicou um modelo VAR para testar se houve mudanças na relação entre os índices de mercado ABX (baseados em CDOs de títulos subprime) e outros mercados financeiros depois da crise. Os resultados mostraram forte evidência de aumento nas relações entre os mercados. Antes da crise do

subprime, os retornos do índice ABX continham pouca informação útil para prever os

retornos em outros grandes mercados. Depois do início da crise, no entanto, esse índice se tornou altamente preditivo para os retornos dos títulos do Tesouro, dos spreads dos retornos corporativos, dos retornos dos mercados de ações e de mudanças na volatilidade. Esses resultados fornecem forte suporte de que o contágio financeiro se espalhou entre os mercados na medida em que a crise do subprime se desenvolvia.

Pimenta Jr. (2012) fez uma ampla investigação examinando a natureza e a intensidade dos movimentos conjuntos dos mercados de ações dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) e de quatro países desenvolvidos (EUA, Japão, Inglaterra e Alemanha) durante a crise financeira internacional de 2008. Ele analisou os retornos logarítmicos dos índices acionários dos oito mercados no período de 2006 a 2010. Seu objetivo não foi testar a existência de contágio, mas investigar o fenômeno da interdependência entre esses mercados durante a crise do subprime e, principalmente, verificar se os países emergentes do referido grupo já se comportavam como os desenvolvidos no tocante aos retornos e volatilidades. Para isso, ele adotou uma metodologia abrangente, empregando três abordagens univariadas para a modelagem das volatilidades dos mercados (GARCH, EGARCH e TGARCH) e um modelo GARCH multivariado (VECH-MGARCH), além do VAR para a análise conjunta dos mercados, a análise de Funções de Resposta a Impulso (IFR) e da Decomposição da Variância (VDC).

Seus resultados revelaram que os mercados emergentes ainda não se comportam como os desenvolvidos e apresentaram menor poder de influência que os mesmos no período. Além disso, os EUA foi o mais influente dentre os países analisados, pois mudanças em seu mercado provocaram destacados impactos sobre todos os demais, com significativos transbordamentos (spillover) de volatilidade entre eles. Outro resultado interessante é que não foram detectados efeitos de transbordamentos de retornos a partir do Japão. Dentre os mercados dos BRICs, apenas o Brasil mostrou transbordamentos de retornos mais

consistentes. Variações de seu índice mostraram capacidade de influenciar os mercados da Rússia, Índia e China. Já os autotransbordamentos de volatilidade (own-volatility spillovers) mostraram-se expressivos para todos os mercados, e não houve diferenças significativas na intensidade destes fenômenos para os mercados desenvolvidos e os emergentes.

Dimitriou, Kenourgios e Simos (2013) investigaram os efeitos do contágio na crise financeira global por meio de um modelo multivariado assimétrico FIAPARCH (Fractionally

Integrated Asymmetric Power ARCH) e pelas correlações condicionais dinâmicas DCC no

período de 1997 a 2012. Eles focaram os cinco mercados emergentes BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), bem como os Estados Unidos durante diferentes fases da crise de 2008. A evidência empírica não confirma a existência do efeito contágio para a maioria dos BRICS durante os primeiros estágios da crise, indicando sinais de isolamento ou dissociação (decoupling). Porém, depois do colapso do Lehman Brothers, a correlação entre os mercados aumentou significativamente, sugerindo uma mudança na aversão ao risco dos investidores.

Em um trabalho recente, também abordando esse grupo de países, Santos (2015) investigou se a relação de interdependência e contágio entre os países emergentes dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e os países emergentes não BRICS (México, Indonésia, Turquia, Irã e Polônia) é semelhante à observada entre os países desenvolvidos (EUA, Japão, Alemanha, Inglaterra e França) durante a crise do subprime. Para isso, foram utilizados os retornos dos índices acionários de cada mercado no período de 2008 a 2013. A partir de modelos VAR, causalidade de Granger e um modelo GARCH multivariado, foi possível investigar a interdependência entre esses mercados, avaliando a influência de uns sobre os outros durante a crise. A autora não testou diretamente a existência de contágio nestes mercados, de acordo com a definição adotada neste trabalho, mas sim sua interdependência. Seus resultados indicam que os países emergentes, tanto os BRICS como os demais analisados, não se comportam como mercados desenvolvidos. Porém, um dado interessante encontrado é que os países do grupo BRICS têm maior influência sobre os demais mercados, comparado aos países emergentes não BRICS.

Já Jin e An (2016) empregaram uma abordagem de análise de resposta ao impulso da volatilidade para verificar a extensão dos efeitos de contágio entre os mercados de capitais dos BRICS e Estados Unidos durante a crise financeira global de 2007-2009. Usando dados de julho de 1997 a dezembro de 2013 eles aplicaram modelos bivariados GARCH, com representação BEKK(1,1) para modelar o comportamento da variância condicional das séries, verificando os efeitos de transbordamentos de volatilidade entre os mercados de capitais. Seus

resultados empíricos mostraram que durante o período da crise houve significativos efeitos de contágio dos EUA para os mercados de capitais dos BRICS. No entanto, o grau de reação dos mercados de ações a esses choques diferem de um país para outro, dependendo do nível de integração com a economia internacional. Syriopoulos, Makram e Boubaker (2015) também encontraram resultados similares. Aplicando modelos bivariados VAR(1)-GARCH(1,1), com representação CCC (coeficientes de correlação constantes), eles encontraram significativos transbordamentos de retornos e volatilidade entre os mercados de capitais dos BRICS e dos Estados Unidos, e também dos setores de negócios.

Birau e Trivedi (2013) analisaram dados de mercados emergentes europeus (Hungria, Romênia, Eslováquia e Polônia) em relação a quatro mercados desenvolvidos (EUA, Reino Unido, Japão e França) no período de janeiro de 2007 a fevereiro de 2013, englobando o período da crise financeira do subprime. Segundo os autores, eles buscaram investigar o contágio baseado no comportamento dos mercados de capitais emergentes, com foco na transmissão de choques financeiros originados nos mercados maduros. Para isso, utilizaram um modelo VAR e um GARCH bivariado. Eles encontraram que há uma relação direta e impacto positivo em quaisquer dois mercados de capital desenvolvidos. Além disso, a análise empírica sugere que os mercados de capitais emergentes são altamente dependentes dos movimentos dos índices dos mercados de capitais desenvolvidos. Também foram encontradas evidências de que quando ocorrem altos níveis de flutuações nos mercados desenvolvidos, há um impacto dramático nos mercados de capitais emergentes. É importante ressaltar que os autores não captaram a existência direta de contágio nestes mercados, de acordo com a definição adotada neste trabalho, apenas sua interdependência.

Segundo Mierau e Mink (2013), os estudos de contágio financeiro geralmente examinam se os comovimentos entre mercados aumentam durante uma crise. Eles usaram a extensão da medida de sincronicidade de Morck, Yeung e Yu (2000) e a aplicaram a mercados de ações internacionais para examinar como as conclusões destas análises dependem da amostra escolhida para o período de “crise”. Para este fim, eles analisaram os comovimentos dos mercados de ações durante a crise asiática de 1996-1998 e a crise financeira global de 2007-2009 para diversas fontes de países e períodos de tempo. Os resultados sugerem que não há uma relação clara entre o excesso de comovimentos e os exemplos comumente usados de crises. Eles defendem que escolher apenas um país para ser a “fonte” de qualquer efeito de contágio é muito restritivo. Além disso, eles encontraram que focar em um subgrupo pré-definido de dias de negociação também é excessivamente restritivo.

Horta, Lagoa e Martins (2014) analisaram como as crises financeiras de 2008 e de 2010, que começaram nos EUA e na Grécia, respectivamente, afetaram os expoentes Hurst dos retornos dos índices dos mercados de capitais da Bélgica, França, Grécia, Japão, Holanda, Portugal, Reino Unido e EUA. Eles utilizaram modelos de cópula para avaliar se as correlações entre os expoentes Hurst dos mercados onde as crises se originaram e aqueles dos outros mercados aumentaram devido às crises. Os resultados mostraram um significativo aumento na correlação entre esses expoentes locais de diversos mercados, sugerindo a existência de contágio financeiro.

He et al. (2014) estudaram o mercado de capitais da China a respeito da liberalização financeira e a interdependência internacional de mercado. Eles encontraram que, depois da quebra de crédito nos EUA de 2007 e a crise financeira mundial nos anos seguintes, foram observadas algumas anomalias na medida em que o mercado acionário chinês se tornou mais interdependente do mercado global.

Kenourgios e Dimitriou (2015) investigaram os efeitos de contágio na crise financeira global (2007-2009) examinando dez setores em três regiões geográficas desenvolvidas (Europa desenvolvida, Pacífico e EUA) e três emergentes (Europa emergente, Ásia e América Latina) durante as várias fases da crise. A análise testa diferentes canais de contágio financeiro entre as regiões e os setores da economia real utilizando a correlação condicional dinâmica de um modelo multivariado assimétrico ARCH (FIAPARCH). A evidência mostra que a crise financeira global pode ser caracterizada por efeitos de contágio entre os mercados de ações regionais e os setores financeiros e não financeiros regionais nas fases posteriores à fase inicial.

Luchtenberg e Vu (2015) investigam o contágio mundial e seus determinantes durante a crise financeira de 2008. Foram usados retornos dos dez mercados de capitais mais importantes em três regiões geográficas: América do Norte, Europa e Leste Asiático no período de 2003 a 2009. Primeiramente, eles utilizaram os testes de Causalidade de Granger para examinar as relações causais entre mercados antes e durante a crise. Depois empregaram um modelo GARCH assimétrico para verificar a existência de contágio. Para investigar seus determinantes, eles desenvolveram um modelo de regressão logística utilizando os dados mais recentes da crise financeira. Com isso, foi possível verificar se as mudanças na estrutura de comércio com parceiros ou os fundamentos econômicos, como as flutuações nas taxas de juros, inflação ou retornos do mercado de ações de um país em relação aos outros podem explicar os resultados encontrados de contágio.

Eles encontraram forte evidência de contágio ao redor do mundo resultante da crise financeira de 2008, pois houve significativo aumento das ligações entre os mercados após a mesma. Um resultado interessante foi que o contágio não estava confinado aos mercados emergentes. Os mercados desenvolvidos transmitem e recebem contágio. A América do Norte (EUA e Canadá) e a região dos mercados da Europa são os mercados mais integrados em todos os modelos. Durante a crise, os EUA transmitem contágio para Austrália, Canadá, Reino Unido, Hong Kong, Índia e Espanha, mas recebem contágio somente do Canadá e do Reino Unido. Alemanha, China e Japão não recebem contágio de ou transmitem para os EUA. Alemanha, Japão e EUA são os que menos recebem contágio na maioria dos modelos. Ao examinar os determinantes do contágio, eles encontraram evidência significativa de que ambas variáveis financeiras e de comércio influenciam a incidência de contágio. Nas regressões logísticas, mudanças nos fundamentos econômicos, efeitos regionais e aversão ao risco dos investidores explicam o contágio na crise de 2008.

Chittedi (2015) aplicou a correlação dinâmica condicional (DCC) e o modelo bivariado GARCH para capturar os efeitos de contágio durante a crise financeira global dos EUA para a Índia. Os dados utilizados foram os retornos diários de ações no período de 2002 a 2011, sendo que a amostra foi dividia em dois períodos: de 2002 a 2007 como antes da crise e de 2008 a 2011 como período de crise. Os resultados empíricos mostraram que houve um aumento significativo na média dos coeficientes de correlação entre os mercados no período da crise, comparado ao período antes da mesma. Isso indica a existência de contágio entre os mercados dos EUA e a Índia.

O estudo de Dewandaru, Masih e Masih (2016) buscou verificar a existência contágio entre os mercados de capitais da Ásia-Pacífico (Japão, Hong Kong e Austrália) atribuídos aos choques comuns originados de doze grandes crises ao redor do mundo. Usando dados de janeiro de 1970 a agosto de 2011, eles aplicaram decomposições de wavelet discreta e contínua para desvendar a natureza multi-horizonte de comovimentos. Além disso, procuraram identificar os canais de transmissão tanto de puro contágio ou contágio/interdependência baseados nos fundamentos. Em seus resultados, encontraram que antes da recente crise do subprime, todos os choques tinham sido transmitidos via ligações excessivas, representando evidência de puro contágio. Já durante a crise do subprime houve evidência de contágio ou interdependência baseado em fundamentos, com a presença de choques tanto de curto como de longo prazo, para todos os pares de índices. O aumento nos comovimentos é relativamente muito maior do que de outras crises, indicando a gravidade da mesma.

Alguns estudos recentes abordaram os efeitos posteriores da crise de 2008, como a resultante crise da dívida na área do Euro, analisada por Antonakakis, Floros e Kizys (2015), Mollah, Quoreshi e Zafirov (2016) e Tola e Wälti (2015).

Antonakakis, Floros e Kizys (2015) estudaram os transbordamentos dinâmicos de volatilidade entre mercados futuros e à vista (spot) no Reino Unido e Estados Unidos no período de 2008 a 2013, que engloba tanto a crise financeira internacional do subprime como a crise da dívida na Zona do Euro. Eles encontraram que as volatilidades tanto do mercado à vista como do mercado futuro do Reino Unido são recebedores líquidos de choques de volume vindos dos EUA. Especificamente, os transbordamentos de volatilidade entre os mercados dos EUA e do Reino Unido são de natureza bidirecionais. Além disso, eles são afetados por eventos econômicos maiores, como a crise financeira global e a crise da dívida na Zona do Euro.

Tola e Wälti (2015) afirmam que a interdependência de mercado tem sido o epicentro da crise na área do Euro. Em seu estudo, eles testam a existência de contágio financeiro durante essa crise, definido como a transmissão internacional de choques específicos de um país por meio dos canais normais de interdependência financeira. Usando dados de nove países da área do Euro (Bélgica, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Holanda, Portugal e Espanha) no período de 2007 a 2014, eles adotaram um sistema estrutural dinâmico de equações simultâneas para modelar a interdependência dos mercados financeiros. Depois, tendo controlado o grau considerado normal de interdependência entre os mercados, eles avaliaram o impacto de choques específicos ocorridos em determinado país sobre os demais. Os resultados sugerem que o contágio tem sido muito difundido durante a crise na área do Euro, pois três quartos dos choques específicos foram contagiosos sobre todo o período da amostra.

Por fim, Mollah, Quoreshi e Zafirov (2016), em seu amplo e recente estudo, por meio da utilização de US MSCI índices diários denominados em dólar de 55 mercados de ações para o período 2003-2013, encontraram evidências de contágio em mercados desenvolvidos e emergentes durante a crise global (crise do subprime) e da Zona do Euro, adotando a definição de contágio como o aumento significativo nas correlações condicionais entre os períodos antes e durante a crise. Eles usaram modelos VAR-Causalidade de Granger e DCC- GARCH (correlação condicional dinâmica) para identificar essas relações. Seus resultados indicaram a existência de contágio espalhado dos EUA para os mercados mundiais durante as duas crises. Além disso, identificaram que a transferência de risco bancário entre os Estados Unidos e outros países é o canal de transmissão chave para correlações entre países, sendo

que a diferença entre as taxas de juros reais entre os EUA e os outros países é um canal secundário de transmissão apenas para a correlação cruzada entre países desenvolvidos. Outro resultado relevante foi que os países emergentes da América Latina foram afetados durante ambas as crises, mas os países emergentes da Ásia foram apenas parcialmente afetados pela crise financeira global. Os países emergentes da África e Oriente Médio não foram afetados de forma significativa pela crise financeira global, mas foram parcialmente afetados pela crise da Zona do Euro.