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Higher level text objects

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An Introduction to Display Editing with Vi

4. Moving about; rearranging and duplicating text 1. Low level character motions

4.2. Higher level text objects

Os sentimentos nunca foram tão levados em consideração como agora. No entanto, dentro do jornalismo, o homem ainda aparece engessado; é difícil dizer o que ele é, o que pensa, o que sente, pois na maior parte das vezes, sua voz aparece apenas para falar sobre um assunto geral e expressa uma opinião de maneira rápida e superficial. Cabe aqui perguntar: Que homem o jornalismo está representando? É um ser que vive em quais circunstâncias? Em quais situações ele é ouvido e em quais ele é calado? O jornalista está preparado para ouvir?

Em capítulos anteriores ressaltou-se o avanço da História em relação à perspectiva de homem. Na área de comunicação, o movimento do Jornalismo Literário tem se preocupado em conhecer o homem que vive o cotidiano brasileiro. Mas o que é necessário para resgatar a humanidade na produção jornalística?

A resposta a essa pergunta passa por várias questões, entre elas, a importância que o veículo de comunicação dá ao resgate e a valorização humana e a preocupação em retratar a realidade social de maneira complexa perpassando por um jornalismo que não é apenas econômico, preocupado em gerar lucro.

Depois, é preciso saber ouvir. Vivemos uma época que valoriza a comunicação, a troca de ideias. Mas, muitas vezes, esquecemos que para essa troca exista, alguém precisa ouvir com interesse e sem preconceitos, procurando entender o grau de

78 complexidade existente naquela vida. Nada é simples. É preciso fugir do maniqueísmo de retratar o ser humano como bom ou mal, dos rótulos e dos estereótipos. As pessoas são complexas, às vezes são boas, às vezes, são más. Na matéria “Lugar de bandido é em alto-mar” (piauí 2, novembro de 2006), a enfermeira sexagenária Maria Dora dos Santos saca um revolver da bolsa quando passeia com o cachorro no Flamengo, Rio de Janeiro, para investir contra o assaltante:

[...] um desses que vivem perambulando pelas redondezas [...] achei que tinha cheirado cola [...] remexi na bolsa, fiz que procurava o dinheiro e saquei o revólver, rápido. Ele veio pra cima com o canivete. Eu vi o peito dele na minha mira, mas desviei para a esquerda, apertei o gatilho e acertei na mão. Não matei porque não quis.13

O sangue frio é explicado, “relata que foi obrigada a fazer uma ligadura de tendão „na mulher de um bandido, com a arma dele na cabeça‟ e que em 1998 ela e a filha mais nova, então com 24 anos, foram vítimas de um sequestro”. A reportagem relata a violência no Rio de Janeiro: “Maria Dora defende uma severa política de controle de natalidade e sugeriu que bandidos sejam confinados em navios e mandados para alto-mar”. Essa passagem do texto desfaz o estereótipo da vovó boazinha, pois em sua complexidade, tem pensamentos e ideias nazistas.

A humanização é o retrato de uma pessoa real, do ser humano em toda sua amplitude: profissional, pessoal, familiar, afetiva. Os textos são pequenas reportagens onde o repórter revela a importância da pessoa, sua essência, opinião, crenças e valores.

O ápice do texto humanizado acontece quando o repórter chega aos pensamentos mais íntimos do entrevistado (nesse caso, envolve tempo de apuração e de convivência). Na literatura, a técnica de se chegar à alma recebe o nome de “fluxo de consciência”, inicialmente criada pelos russos no século XIX (Dostoiévsky, Tolstói, Gogol, Tchecov, etc) e aprofundada por James Joyce. Em Ulisses, Joyce (1993) analisa o comportamento humano em todos os aspectos possíveis. O fluxo de consciência quebra a narrativa linear e mistura lembranças dos personagens, não se sabe se ele está no presente ou no passado. Isso exige muita sensibilidade e não é nada fácil de realizar. Eu diria que piauí já chegou a fazer isso, mas não nas matérias realizadas com os “anônimos”. Apesar de a revista abrir espaço para os protagonistas do cotidiano, os textos da seção Esquina não atingem a humanização em todos os seus aspectos, pois falta aprofundamento,

79 acompanhamento, o que pode ser feito no jornalismo, como já demonstrou o New Jornalism. Mas a piauí consegue “pincelar” a vida de muitos protagonistas.

Como dito anteriormente, a humanização visa colocar a pessoa em primeiro plano, demonstrar sua importância diante dos outros e da sociedade como também constituinte da História. Em um relato bem feito é possível entender o protagonista, vê- lo com outro olhar que não o do preconceito.

Percebe-se que a maioria dos textos da seção Esquina tem como tema central o ser humano represetado pelo repórter em sua vida cotidiana, como seguem alguns exemplos. A matéria “Paladar Absoluto” (piauí 1, outubro de 2006), conta a história do provador de café Fernando Henrique Freire, que exerce a profissão há 38 anos. Em “O púcaro búlgaro” (piauí 01, outubro de 2006), José Cândido Sobrinho, de 71 anos, busca seus cruzeiros – Cr$ 27 milhões que lhe eram devidos (pouco menos de R$ 200 mil em dinheiro de hoje) – relativos a direitos trabalhistas, quando as emissoras de rádio e televisão dos Diários Associados faliram ou tiveram sua concessão cassada pelo governo. Em “O negócio do dízimo” (piauí 19, abril de 2008), Antoninho Tatto, católico fervoroso trabalha com arrecadação de dízimo. Antoninho escreveu nove livros sobre o dízimo, todos publicados pela Editora O Recado, de sua propriedade, e diz que vendeu cerca de 3,5 milhões de exemplares. E em “O Príncipe de Copacabana” (piauí 2, novembro de 2006) Diduzinho Souza Campos, 57 anos, apresenta-se como ex-playboy falido. “[...] Gosto de andar de ônibus. Aqui a gente vê as pessoas e fica imaginando a vida que elas têm. Se a gente soubesse, se surpreenderia. Ninguém diria que eu sou filho de princesa”.

No entanto, segundo João Moreira Salles, a piauí não foi feita com uma proposta militante de resgatar o humanismo no jornalismo brasileiro. Ele apenas criou uma revista, literalmente, que gostaria de ler, sem saber se ela teria público ou não. Apesar de ser considerada uma revista erudita por alguns, foge de rotulações, principalmente da de revista “cabeça”. Ela é uma revista de leitura, mas que não discute, por exemplo, o pós-modernismo. A piauí é uma revista de ideias, mas do concreto, do real, das coisas que acontecem no mundo procurando humanizar os personagens retratando suas facetas cotidianas.

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