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High-Speed Supply Current

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Section 13. Ordering Information

B.3 High-Speed Supply Current

De acordo com Santos (2011), as galerias alternativas desde o começo do século XX emergiram como uma solução para a falta de espaços que abrigassem a intensa produção artística local, embora naquele período a ação mercadológica fosse mais visada do que a apreciação da obra.

Neste capítulo procuro analisar as informações que obtive através do levantamento de dados por conversas e questionários dirigidos aos artistas da cena e público frequentador de exposições em espaços institucionais e autônomos, além de matérias em blogs e periódicos locais. Os questionários foram pensados a partir dos três agentes que figuram a cena artística, como citado anteriormente: gestores dos espaços, artistas e público. Os documentos foram desenvolvidos através do Google Docs, devido à facilidade para encaminhamento e retorno das respostas.

No capítulo anterior foram mostrados os principais interesses dos gestores dos espaços selecionados. Nitidamente foram observadas

semelhanças em suas atividades primárias: espaços que começaram focados no ramo comercial e que mais tarde transmutaram-se em centros culturais.

A afinidade com a arte foi uma das respostas que predominou quando os gestores foram indagados sobre o que levou a abrirem ou ampliarem as estruturas e atividades de seus estabelecimentos, assim como a falta de um lugar para inserir o tipo de experimentação que alguns artistas produzem. Independente de suas ambições, são espaços que de alguma maneira procuram somar através de vivências e práticas culturais. O diferencial de um espaço independente é justamente levar arte, sem a pretensão de algo substancial em troca.

São espaços comprometidos com a arte e com a sociedade na medida do alcance, do desejo e das possibilidades de seus gestores. E aí está sua condição de singularidade e autonomia. Por não serem grandes empreendimentos, seus objetivos tampouco visam o lucro, mas o encontro, o ensino, a formação e o agenciamento da produção contemporânea de arte. Nesse sentido, à urgência da arte. Geralmente os espaços autônomos não possuem autonomia para continuarem existindo sem aqueles que o conceberam. (NUNES, 2013, p. 56).

Diante do trecho final na citação, fica o questionamento acerca da terminologia da categoria em que pertencem: são lugares autônomos, justamente porque dependem unicamente de um responsável para gerir suas atividades, e fica a critério dele dar continuidade às práticas que o concernem ou não. Claro que o público também intervirá na ação, uma vez que os espaços são direcionados a ele.

A forma em que esses espaços se apresentam é determinante para a assiduidade do público, sendo contrária ao modelo mais sóbrio dos espaços institucionais, muitas vezes associados à sofisticação e algo excludente, visto que muitas pessoas que não fazem parte do meio associam uma exposição a algo somente para estudiosos da área.

Os espaços independentes com suas arquiteturas mais modestas e convidativas, muitas vezes com ares de residência e casas adaptadas, criam uma atmosfera mais acolhedora e receptiva, uma espécie de relação simbólica em que transforma esse espaço num lugar de vivências e não apenas de apreciação da arte.

Outro fator relevante para o sucesso dos espaços alternativos está na maneira em que divulgam suas atividades: de um jeito informal, utilizando mídias e redes sociais diversas, contribuindo para um maior alcance de público. Sendo a má divulgação dos eventos culturais na cidade o fator que gostariam que melhorasse, de acordo com o público que respondeu os questionários endereçados a ele.

Diante do crescimento no número de galerias alternativas em Natal, artistas despontaram simultaneamente. Em resposta aos questionários desenvolvidos para coleta de dados desta pesquisa, questionei acerca das diferenças entre o espaço institucional e o independente. Em sua maioria colocam o espaço autônomo à frente do institucional, devido à maior liberdade para se expressar e reconhecem seu papel, na questão de resistência e incentivo à arte, diante das lacunas existentes na área.

Mais uma vez se referindo ao questionário voltado aos artistas, uma das perguntas era a respeito das melhorias que gostariam que houvesse no cenário artístico local. Um dos artistas mencionou que na cidade existe muita “panelinha”, só se prioriza alguns artistas e não abrem espaços aos novos. E dentre os problemas enfrentados está a falta de comprometimento por parte de alguns.

Esse relato abre uma discussão acerca da questão da boa relação com pessoas que estão por trás da divulgação. Embora esses espaços tenham uma receptividade maior, ainda há a prática de dar vez a pessoas que possuam certo grau de intimidade ou afinidades, como o Daniel França, gestor da Lee Boards afirmou que o critério utilizado para a seleção de artistas era ter certa afinidade estética com seu trabalho.

Tais fatores não anulam suas importâncias, no que tange a disseminação de cultura, já que muitas vezes os artistas que expõem nesses espaços não possuem o tipo de produção adequada para um museu de cultura popular ou qualquer instituição normativa que Natal possui.

Embora a pesquisa esteja focada nos espaços emergentes alternativos, espaços institucionais se adequaram a informalidade em algumas situações. Como no caso da Pinacoteca do Estado, durante a gestão do artista e arquiteto Mathieu Duvingnaud, que se interessava por diferentes linguagens artísticas. Em sua gestão a instituição recebeu exposições, flash day de tatuagens, shows

diferenciados nos jardins e no interior do prédio, ressaltando sua visão de que a arte pode se manifestar diferentemente dos modelos tradicionais de exposição, visto que o público aprecia a diversidade e formas de interagir diretamente com o objeto artístico em questão.

Questionado sobre o modelo tradicional de exposições e as novas possibilidades dos museus atraírem público, Mathieu afirma:

Museus geralmente são lugares de memória, não lugares de experimentação, ou seja, demoram muito para serem inovadores. O que está errado, claro, eles acabam não atraindo um público porque as linguagens comunicativas são ultrapassadas. Museu é espaço de inovação sim, tem que evoluir sempre, procurando surpreender. A colocação das obras não é o mais importante, mas sim os conteúdos que acompanham elas e a forma que as obras interagem com os públicos. (DUVINGNAUD, 2016).

De acordo com Mathieu, a cidade possui pouco incentivo cultural, e como a produção artística é acelerada, sempre crescente, e possui uma baixa incidência de exposições individuais, isso faz com que os artistas busquem novas alternativas para divulgação de suas produções, como a criação de coletivos e formação de grupos de produção, focados na ilustração e no ramo dos quadrinhos.

O Memorial Ferreira Itajubá também entrou no leque de espaços normativos em harmonia com linguagens diferenciadas, assim como a Pinacoteca do Estado. Durante eventos culturais como o Circuito Ribeira10,

sempre funcionava com exposições e servindo como backstage no período do Festival Dosol11 na Rua Chile. A ideia do gestor do espaço é de transformá-lo

num café com galeria de arte, realização de palestras, cursos e vivências: em outras palavras, um centro cultural.

Tais ações ressaltam a questão da mentalidade dos gestores dos espaços na forma de se adequar aos tipos de manifestações e linguagens. São

10 O Circuito Ribeira foi idealizado pelo Centro Cultural Dosol e o Centro Cultural Casa da

Ribeira em 2011 para revitalizar o bairro da Ribeira, através de eventos culturais em parceria com o poder público e a iniciativa privada. No período todas as casas de cultura do bairro, que aderem ao projeto, funcionam gratuitamente.

11 Festival de música independente idealizado pelos produtores Ana Morena Tavares e

Anderson Foca, gestores do Centro Cultural Dosol no bairro da Ribeira. Teve sua primeira edição no ano de 2002 e hoje faz parte do cenário dos grandes festivais de música do Brasil.

profissionais inseridos num contexto mais burocrático, porém se abrem a experimentações e novas possibilidades de conquistar um público diferenciado.

CONCLUSÃO

Ao idealizar a pesquisa pensei em espaços que traziam um diferencial em suas propostas. Escolhi exatamente os que eram carregados de personalidade e que ofereciam experiências relevantes, que agregavam algo, além de suas atividades comerciais. No decorrer da realização do trabalho, alguns espaços infelizmente fecharam suas portas. Na arte, como em qualquer campo o tempo é um fator inexorável. Embora esses lugares tenham encerrado suas atividades, ficarão na história através das vivências de seus frequentadores e desta pesquisa.

Diante de todo o processo de transição e adaptação sofrido por esses espaços expositivos, alguns se mostram consolidados, figurando no cenário artístico com a mesma relevância de um espaço normativo, até mesmo com parcerias. Embora sejam atividades do ramo comercial as responsáveis pelas finanças, a afinidade artística continua a prevalecer entre seus proprietários, que continuam a oferecer suas agendas multifacetadas e colaboram na divulgação da arte local, que vive em constante efervescência.

Diferente do ideal do cubo branco ou das convenções dos espaços institucionalizados, esses espaços autônomos representam uma alternativa para que os artistas que não se firmaram no cenário possam expressar sua arte, independente de qual seja e, do público apreciar com uma maior liberdade.

Assim como alguns espaços fecharam, outros abriram nesse tempo, todos com essa proposta de centro cultural, espaços como o Centro de Cultura Popular Casa da Ladeira, Espaço Vira Mundo e Espaço Casa Cultural12, ambos

com propostas de fomentar a arte através da autonomia. Cito brevemente só para ilustrar a rapidez na aparição de novos espaços independentes, embora não tenham entrado nesta pesquisa. Espero, no entanto, que surjam novas pesquisas para analisar esses espaços.

A história da arte potiguar possui tanta importância quanto os outros acontecimentos de campo geral, e fazendo registros é imortalizada, mesmo que os acontecimentos sejam de caráter efêmero, como muitos desses

12 Emergiram entre o final de 2017 e o ano de 2018, ambos possuem características de centros

espaços estudados. É confortante saber que uma cidade pequena como Natal possui artistas que sempre estão produzindo e ansiando por ter uma vez no cenário artístico, mesmo com as dificuldades presentes. Almejo que essa pesquisa que dá continuidade a outra, também receba uma continuidade e o ciclo cresça e novas histórias sejam registradas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CINTRÂO, Rejane. Algumas exposições exemplares: as salas de exposição na São Paulo de 1905 a 1930. Zouk. 2011.

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REPORTAGENS

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urbano/350866> Acesso em 16 de junho de 2017.

TRIBUNA DO NORTE. Revitalizando o Memorial Itajubá. 2014. Disponível em < http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/revitalizando-o-memorial- itajuba/272574> Acesso em 23 de maio de 2018

APÊNDICE A - AÇÃO PEDAGÓGICA

Plano de Aula

1. Tema: Transições no espaço expositivo: do cubo branco aos espaços independentes.

2. Público estimado: 10 pessoas (Alunos da graduação de Artes e comunidade).

3. Duração: 4 horas (planejamento de atividade); 4 horas (aula).

4. Objetivos:

 Geral:

Abordar acerca do contexto dos espaços expositivos e as mudanças ocorridas em seu formato ao longo da história.

 Específicos:

- Explanar acerca das mudanças no formato expositivo num contexto geral; - Abordar os fatores de surgimento dos espaços autônomos relatados por Nunes (2013);

- Relacionar com os espaços emergentes autônomos locais. 5. Recursos:

Computador, slides, questões desenvolvidas para serem respondidas no final da aula.

6. Metodologia:

Apresentação pautada na contextualização dos espaços expositivos, desde o seu formato de Salões, bastante comum nos séculos XVIII e XIX, passando pelo ideal dos modernistas com suas galerias que dão a ideia de eternidade e isolamento, ao foco da pesquisa: os espaços emergentes expositivos autônomos, que serão abordados desde o seu surgimento, relacionado à contracultura e formação de coletivos, informações levantadas por Nunes (2013) em sua obra Espaços Autônomos.

Serão distribuídas questões elaboradas para complementar essa atividade. Cada questão referente ao cenário cultural de Natal, contendo

questões de múltipla escolha e uma discursiva sobre as possíveis melhorias que anseiam.

APÊNDICE B – RELATÓRIO DA AÇÃO PEDAGÓGICA

No dia 19 de junho de 2018 foi realizada a ação pedagógica referente ao trabalho de conclusão de curso, no turno vespertino, no Departamento de Artes da UFRN, com o público composto por colegas da graduação de Artes Visuais. A proposta foi uma apresentação sobre a transição nos espaços expositivos: do formato dos Salões de arte europeus, passando pelo ideal dos modernistas, até o foco do trabalho de conclusão de curso, que é pautado no surgimento das galerias alternativas em Natal.

O objetivo da ação foi mostrar através de relatos históricos as mudanças ocorridas no modo de expor o objeto artístico. Durante a apresentação os ouvintes mediaram contando suas impressões acerca das diferenças entre os formatos de exposição. Busquei através do recurso de imagens a distinção entre cada um, para facilitar a assimilação do conteúdo apresentado.

No final da apresentação distribuí questionários elaborados com questões referentes ao circuito cultural de Natal, perguntas sobre o hábito de frequentar espaços institucionais ou autônomos, se estão satisfeitos com a cena cultural local e as possíveis melhorias que poderia acontecer para sanar o que falta e o que deixa a desejar.

Dentre as respostas, a falta de divulgação foi o maior problema relatado, além da falta de espaços “mais acessíveis a massa”. Em unânime não estão satisfeitos com a cena cultural de Natal. Na discussão a respeito das respostas usaram como exemplo o estigma de que arte é para uma minoria, seguido da má divulgação por parte das instituições competentes, até usaram como exemplo a galeria Convivar’t da UFRN. Levantando um questionamento acerca de o descaso vir dos próprios órgãos que fornecem cultura.

APÊNDICE C - QUESTIONÁRIO DESTINADO AOS GESTORES ACERCA DAS ATIVIDADES E TODA PROBLEMÁTICA ENVOLVENDO OS ESPAÇOS EXPOSITIVOS

Esse questionário faz parte de uma pesquisa para obtenção do título de graduação em Licenciatura em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte pela discente Samyla Santos da Silva, com o tema “Espaços emergentes expositivos de arte: um registro das principais galerias alternativas de Natal (1998 - 2017)”.

Natal, ____/____/____

1. Nome:

2. Nome do Espaço:

3. Como se classifica o espaço?

( ) Público

( ) Privado

4. Função/ Cargo:

5. Possui outra ocupação? Se sim, qual?

6. O que levou a abrir o espaço?

8. Quantos gestores o espaço possui? 9. Localização do espaço: ( ) Zona Sul ________________________________ ( ) Zona Norte_______________________________ ( ) Zona Leste_______________________________ ( ) Zona Oeste_______________________________ 10. Endereço do espaço: 11. Principal interesse:

12. Quantas atividades são desenvolvidas no espaço, em média, por mês?

13. Quantos artistas, em média, já expuseram no espaço durante o tempo de funcionamento?

14. Quais atividades oferecem:

15. Tipo de público que frequenta o espaço:

( ) Artistas;

( ) Universitários;

( ) Interessados na gastronomia/serviço de bar;

( ) Diversificado;

( ) Todas as alternativas.

16. Possui alguma parceria com o Estado ou iniciativa privada?

( ) Sim

( ) Não

17. Como funciona o processo para seleção dos artistas que exporão no espaço?

18. Precisam responder a algum critério? Ou o espaço está aberto a qualquer tipo de experimentação?

19. Possui acervo próprio?

( ) Sim

( ) Não

20. Como é o sistema para comercialização das obras dentro do espaço?

( ) O espaço recebe um percentual do valor da obra

( ) O valor total fica com o artista

( ) Só abrimos espaço para expor

21. Possui curador?

( ) Sim

22. Quais as maiores dificuldades enfrentadas?

23. Qual sua impressão sobre o cenário cultural da cidade?

24. Em sua opinião, o que falta para que o cenário cultural se torne mais consistente?

25. Se tivesse a escolha, o que gostaria que melhorasse dentro do cenário cultural na cidade?

26. Se pudesse mudar o espaço expositivo, o que mudaria?

APÊNDICE D - QUESTIONÁRIO DESTINADO AOS ARTISTAS QUE PARTICIPARAM DE ATIVIDADES EM ESPAÇOS AUTÔNOMOS

Esse questionário faz parte de uma pesquisa para obtenção do título de graduação em Licenciatura em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte pela discente Samyla Santos da Silva, com o tema “Espaços emergentes expositivos de arte: um registro das principais galerias alternativas

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