ELEMENT IV - ANTI-SPAM TECHNOLOGIES
HELO/CSV
“Vilar, Aveiro”
2. Como é constituído o núcleo familiar?
“Agora? Ahh durante a minha vida. Eram os meus pais, já morreram e somos cinco irmãos. Já 3 morreram, só estou eu e um 10 anos mais novo do que eu”
A senhora se casou?* “Não, sou solteira” Não tem filhos?*
“Não tenho filhos, quando há alguma coisa é os sobrinhos. São muito amigos. É como se fossem filhos”
3. Tens relações de amizade atualmente?
“Com raparigas. É mais ou menos aqui, não ando lá fora a perguntar nada” Com as pessoas aqui do Patronato?*
“Sim, é daqui do Centro de Dia”
E são pessoas de outras gerações?*
“Não, mais ou menos da minha idade. Sabe que as novas agora, a mocidade não têm nada conosco, não quer nada conosco”
A senhora sente isto?*
“Sinto. Eu também, não ando aí pra fora né? É aqui, é com os meus sobrinhos e mais nada”
Desde quando a senhora vive aqui no Patronato de Vilar?*
“Desde o início. Eu fui a fundadora do Patronato. Eu e o senhor Padre Almeida e a minha tia Luzia. Risos. Portanto desde o início. Vivi sempre com crianças eduquei crianças. Tive crianças, uma criança . . . ensinava não é? Isso começou assim, começou num serreiro . . . o que isto é e o que isto foi. Comecei no serreiro com uns tijolos e umas tábuas para as crianças se sentarem e as ensinava assim. Ensinei um, por acaso até é o meu sobrinho, mas já nem foi pra primeira classe, foi pra segunda classe já, foi, foi. Lá em baixo tem um solar, que tem uns quadros que até indicam tudo. Um salão com as carteiras, as crianças nas carteiras e eu a ensinar no quadro a apontar, assim tá, e no outro as crianças na catequese. Eu vivi a minha vida toda na igreja, com coisas da igreja, até, era tudo, catequista, é tudo”.
Então a senhora teve uma relação com crianças, com pessoas bem mais novas do que você!*
“Sim, tenho, tenho. Por exemplo, eu era Maria Clara, não é? Tudo tratava. E a noite, os pais vinham buscar as crianças, viam tanta amizade que começaram a me chamar Clarinha e foi desde aí que eu fiquei a ser, até hoje aqui em Vilar já é tudo Clarinha. Mas foi o pai das crianças que começaram a me chamar. Às vezes até digo assim: Clarinha soa que é uma criança e é uma velha”.
Clarinha, você acha importante a relação que você teve com estas crianças, em sua vida?*
“Tenho que . . . . Há pais de crianças que me reconhecem, que não me esqueceram, e eu não os conheço. Ficou tão enraizado aquilo que e assim. Tenho aqui bisnetos de crianças que andaram aqui. Crianças que andaram aqui que estão casados ou já são bisavós e tudo. Tem aqui uma que todos os filhos, todos os netos, todos os bisnetos, é isso é! É a vida.
Clarinha e qual é a idade aproximada dos seus sobrinhos? * “Oi. Um tem 60 anos e outra tem 62”
Têm filhos?*
“Têm. Esse aqui que mora em frente a mim, tem 2 que tão no Brasil”
E a senhora teve contato próximo com os filhos dos teus sobrinhos?* “Sim”.
Qual é a importância das relações entre as gerações?*
“Como é que eu hei de dizer. Eu com os meus sobrinhos, sobre os filhos do meu sobrinho não é, que estão no Brasil. Quando cá vêm é uma festa. Também não vêm sempre, vêm às vezes, no verão, ou passar o Natal, mesmo assim, é uma festa muito grande”.
4. Você têm telemóvel? “Tenho”.
E utiliza quando?*
“Olha, infelizmente não vejo. Das vezes que quero telefonar, peço a alguém para me telefonar, porque eu tive um AVC, já tive 4 e este último deu cabo de mim. Choro. Fiquei paralisada por todo o lado direito. É por isso que eu não utilizo, porque não vejo”
Pede ajuda para alguém, não é?*
“É sim, para empregadas. Estou aqui ou no lar (centro de dia ou lar), portanto, tanto aqui como lá elas é que me ajudam”
E ajudam de boa vontade?*
“Sim, boa vontade, são muito minhas amigas”
E quando a senhora fala ao telemóvel, geralmente é com quem, com familia- res?*
“Sim, com familiares e com uma rapariga, rapariga não já tem 60 ou 70 anos, não sei bem, esteve comigo 20 anos, depois, na minha casa. Amiga, amiga de verdade, nunca me deixou. Eu até digo, a minha Madalena. E é que digo a minha Madalena esteve aqui, assim, ela de vez em quando a aparece, vêm cá, pronto. Vinte anos não brincadeira não é? Como eu estava na minha casa, sozinha, ai os meus sobrinhos pra virem pra cá de noite e de dia, não era sempre, só iam de vez em quando, tinha o marido, os filhos já estão casados e assim, mais depois deu uma trombose no marido e ela teve de ir pra casa, deixou-me. Por isso que eu vim pro Lar, eu é que qui ir”.
A senhora é que quis vir?* “Pois, ao menos gozar aquilo que fiz.”
Eu percebo que você têm muitas atividade aqui e nestas atividades vocês têm contatos com pessoas mais novas? Por exemplo, esse grupo de jovens que têm vindo?*
“Sim, temos, eles têm vindo todas as sextas-feiras, para tirar o mestrado. E é uma alegria com eles connosco, é tudo jogo, jogamos as cartas, jogamos o jogo das cadeiras, jogamos o bingo. Tudo e tudo, pronto”
Se divertem?* “É verdade”
E pra senhora faz bem tê-los por perto?*
“Sim, gosto muito. A gente ajuda os a eles, mas com isso também recebemos, não é? E recebem o quê?*
“Na . . . recebemos, quer dizer, amizade, não é receber dinheiro.” Risos. Recebem carinho!*
“Pois, pois, claro”!
“Sim, a gente também já teve uma atividade, temos os computadores lá em cima e tivemos aqui uma rapariga que esteve a estagiar e depois ensinou. Ainda aprendi umas coisitas, depois esqueceu, pronto. Depois veio outra brasileira, não deu nada, não ensinou nada. Mas tive pena. Andávamos lá à ginástica neste salão onde estão os computadores e eu, apetecia-me ir para os computadores e todas as minhas colegas também, eram poucas eram só 5, mas gostava. Mas ela foi pra Misericórdia trabalhar, entretanto, pra outro lar porque aqui não ganhava nada, era estagiária”.
6. Criou um perfil em alguma rede social, como o Facebook?
“Tinha um Facebook. Agora tenho até, os meus sobrinhos deram uma Tablet e eu lá também vou, também jogo, também vou ao Facebook. Vou me entretendo assim, sabe?
Então a Clarinha tem um Tablet e gosta dele?* “Gosto, muito”
7. E usa com que frequência?
“Uso, todos os dias, mas ele aqui há dias dava não dava nada e eu assim: ai que pena. Fui à casa do meu sobrinho, tava lá, ele veio pra me ver aquilo, olha, tiveram a ver e não dava nada. Então, olha põe no lixo que é pra eu não tornar a ver. E no outro dia disseram-me assim: olha, já trabalha. Fiquei toda contente, já me deram”. Risos.
Então a Clarinha consegue enxergar melhor no Tablet?*
“Sim, e jogo, jogo sopa de letras e fazer aquele das, das . . . . Frutas, a água, também gosto muito de ver esse”
A Clarinha tira fotografias com o Tablet?* “Não, isso é que eu ainda não sei, não sei não”.
E gostava de aprender outras funcionalidades do Tablet?* “Gostava, mas eles também andam a trabalhar”
8. Qual a sua opinião sobre o meio tecnológico? Os telemóveis, as tabletes os computadores?
“Eu acho que isso é bom, tá muito . . . é tão, ahm . . . é, o telemóvel, se quer falar com uma pessoa, pronto, liga-se e já estamos a falar. Bem eu acho que isso tem, tem bom procedimento para o futuro. Conhecimentos não é? Tem evoluído. Uma evolução
9. A Clarinha gostava de fazer parte do Facebook? “Então não gostava? Tinha até muito amigos”
10. A sim? Fale um bocadinho destes amigos!
“Falava quer dizer, tinha muitas vezes também me ligavam, também apareciam. Apare- ciam no Facebok e falávamos assim: então, tá bom? Falávamos um bocadito de cada coisa, não era muito, porque não sou praí uma gênia muito grande. Risos. Sou pequenita como Clarinha. Sei pouco, gostava de saber mais. Pois é.