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Alguns psicólogos afirmam que a teoria dos traços da personalidade não faz sentido, visto que o nosso comportamento muda (e logo, a personalidade) de acordo com o contexto social. A palavra “personalidade” vem do grego persona, que siginfica literalmente, colocar uma máscara.

getting things done more easily” (cf. Ellis, 2008). Segundo o autor, somos sobretudo seres sociais, mais do que seres individuais e este factor destaca-se mais ainda quando deparamos com a crescente existência de software social através dos quais comunicamos e interagimos. Acentuada dimensão do exterior é assimilada pelo interior do indivíduo e parte do exterior, apodera-se do interior, o social apodera-se do individual e a acção da força do equilíbrio tanto pode equilibrar como desiquilibrar o sujeito, como sucede, não raras vezes, nas interacções sociais, possíveis criadoras de disfunções adaptativas e de dificuldades cognitivas (Karemaker, 2005: 198-199). Daqui se depreende que o factor biológico não determina a nossa personalidade, pois esta é maioritariamente formada pelo contexto e o que se faz neste.

2.3.3.1 O contexto na perspectiva interaccionista

“The need to include situations in the analysis of personality has long been the domain of the interactionist perspective to personality. Interactionists (with Henry Murray and Walter Mischel as main theorists) “explicitly attempt to consider the social situations in which people find themselves or create for themselves” (Krahé, 1990). They examined the relationship between, on the one hand, personality measures (extraversion, sociability, impulsivity), and on the other hand, the frequency with which the individual engaged in various recreational activities as well as the positive or negative affect experienced in those activities.” (cf. Karemaker, 2005)

Os investigadores da teoria da interacção procuram as dinâmicas da interacção social, o início e o fluir da passagem de cada momento da interacção social. As emoções são essenciais para entender o fluir de uma interacção social. As emoções regulam a interacção social e o controlo das emoções representa uma competência social essencial. Nestas interacções as pessoas são participantes activas, influenciadoras do contexto e influenciadas por este – embora esta influência seja intrínseca ao desenrolar da conversa, não necessariamente resultado de um

efeito a longo prazo da personalidade/comportamento da pessoa (MacDonald, 1988: 87).Assim,

as dinâmicas geradoras de mudanças comportamentais, não só se manifestarão através das comunicações verbais dos indivíduos, mas fundamentalmente, através das suas manifestações psico-corporais não-verbais, nas relações com o exterior e objectivos de vida, na autoconfiança, no processo de aprendizagem e necessidade de aprender. O modelo geral das suas conclusões sugerem que os indivíduos tendem a preferir as actividades congruentes com as suas disposições pessoais (cf. Karemaker, 2005).

A auto-avaliação das pessoas, quer explícitas quer implícitas, é presumivelmente formada através da interacção significativa com os outros. De acordo com as teorias de tradição do interaccionismo simbólico, a auto-estima das pessoas é formada através da forma como as outras pessoas as tratam, ou seja, através das suas interacções com outros. Indivíduos com baixa auto-estima têm sido relatados por terem repetido experiências de percepção de rejeição interpessoal. Inversamente, pessoas com elevada auto-estima têm passado por experiências

subjectivamente muito bem sucedidas ou de não rejeição nas relações interpessoais (cf. DeHart, Pelham e Tennen, 2006).

A auto-estima global tem também sido positivamente correlacionada com a extroversão e negativamente com o neuroticismo (cf. Watson, Suls e Haig, 2002) e portanto, tem especial

relevância em experiências de bem-estar subjectivo.

2.3.3.2 A personalidade na comunicação a distância

As capacidades multifacetadas do ser humano, componentes fundamentais de seu potencial intelectual, interdependem não só dos factores genéticos e hereditários, mas também, de maneira particular, das acções e dos comportamentos dos seus meios sociais e culturais, e desenvolvimentos emocionais, sentimentais e afectivos, factores constituintes da forma de pensar do indivíduo. Uma tal multifacetada diversidade de capacidades, de competências e de aptidões gera no indivíduo atitudes e comportamentos diferentes face aos processos de ensino- aprendizagem, às integrações sócio-escolares, sociais e profissionais (Fernandes, 2003: 15-18). Indivíduos com diferentes personalidades podem preferir diferentes estilos ou métodos de comunicação. Como resultado, a personalidade pode afectar as dinâmicas de grupo, o desempenho e a produção, até mesmo dar suporte ou impedir o sucesso do grupo na comunidade de aprendizagem. Perceber os vários tipos de personalidade é hoje em dia de grande utilidade, nomeadamente quando se trata de trabalhar em grupo/equipa, onde o software social, medias sociais ou qualquer forma de mediação tecnológica de comunicação estão em jogo.

A literatura parece sugerir que a escolha do meio de comunicação é moderada por características de personalidade. No modelo de Karemaker (2005) a preferência pela comunicação a distância sucedeu especialmente em indivíduos introvertidos/neuróticos, socialmente ansiosos, devido à necessidade demonstrada por alguns indivíduos em manipular a impressão que os outros têm deles em algumas situações. Também McKenna (2000) argumenta que:

“Relatively short explanations are the norm in spoken conversations and people often

interrupt one another in midsentence. In In e-mail or a newsgroup post however an individual

can say as much or as little about a subject as he or she pleases, without fear of interruption before being able to fully make his or her point”.

As diferenças de tempo e velocidade da comunicação mediada, tal como o correio electrónico, as mensagens instantâneas ou SMS, fornecem ao indivíduo as ferramentas adequadas para que este possa controlar a conversa. Na verdade, algumas pesquisas constataram que a ansiedade social é um factor importante quando se trata de identificar as pessoas com tendência a criar

relacionamentos via Internet (cf. McKenna, 2000). Num estudo com base em inquéritos e entrevistas etnográficas, Schiano et. al (2002) observaram que o Instant Messaging (IM – Serviço de Mensagens instantâneas) ajudou a superar a timidez, permitindo abordar online tópicos difíceis de tratar presencialmente com amigos.

Muitos internautas relatam que as redes sociais permitem de facto, serem mais empenhados, mais multifacetados, e mais honestos do que são na vida real. Por outro lado, alguns participantes preferem o contacto presencial ao virtual, quando se trata de interacções mais ambíguas, socialmente mais sensíveis, e intelectualmente difíceis (cf. Jones, 1995). No entanto, as comunicações mediadas também são utilizadas para manter a distância social, documentar soluções, ou quando a mensagem envolve medo, desgosto, embaraço ou intimidação (cf. Walther 1996).

Investigar os efeitos e influências da personalidade dos alunos nos tipos e padrões de comunicação, interacção de grupo, empenho nas tarefas com os membros da comunidade de aprendizagem, e atitude do estudante perante a aprendizagem via software social pode ajudar- nos a perceber como os alunos com diferentes personalidades interagem uns com os outros

durante o processo de aprendizagem (cf. Sorensen, 2004).