Existem no total seis escolas no campo em São José do Rio Pardo. Quatro delas são gerenciadas pela Rede Municipal desde o ano de 2000: EMEB Estação Fazenda Venerando, EMEB Fazenda Vila Maria, EMEB Fazenda Santa Amélia e EMEB Fazenda Barreirinho, que atendem até o 5º ano do Ensino Fundamental. As
Escolas Água Fria (que atende também até o 5º ano do EF) e Sítio Novo (a única que atende até o 9º ano do EF) possuem turmas tanto da Rede Municipal quanto da Rede Estadual e não serão tratadas com ênfase nesta pesquisa, pois o trabalho de implementação do programa Escola Ativa aconteceu mais sistematicamente nas outras quatro.
A EMEB Estação Fazenda Venerando é a maior escola rural do município, com um total de 9514 alunos, atendendo crianças do 1º ao 5º anos, além de turma de Educação Infantil. Em 2011 existiam apenas salas seriadas de 1º, 2º, 3º, e 4º anos. É a única escola que possui a monografia sugerida pelo programa Escola Ativa, que nos deu acesso a documentos sobre sua origem. Foi instalada em São José com o nome de Escola Rural do Rio Claro em 1929, com uma só sala multisseriada e 36 alunos matriculados. Permaneceu assim até os anos 1950. Em agosto de 1951 foi instalado o Grupo Escolar Estação de Venerando, mudando de nome para Grupo Escolar Onofre Ribeiro da Silva em 1962. Em 2000, quando houve a municipalização das escolas rurais de São José, a Venerando tornou-se escola nucleada com o fechamento das escolas das fazendas Tubaca, Santa Teolinda, Santa Justa e São Geraldo. É composta por quatro salas de aula, uma cozinha, uma sala dos professores, um pátio, uma área para refeitório, uma sala de informática, uma quadra descoberta e uma área de gramado. É a escola sede/unidade executora das escolas do campo. As outras cinco escolas do campo estão vinculadas a ela. Por ser uma escola nucleada, muitas das famílias que a utilizam moram em casas dispersas e distantes da escola.
Fig. 4: Frente da EMEB Venerando Fig. 5: Pátio da Venerando.
14 O número de alunos e a existência ou não de salas multisseriadas variou no período estudado. Os dados apresentados aqui são de 2011.
A EMEB Vila Maria, em contrapartida, é a menor escola do município em número de alunos e em tamanho do prédio. É composta por uma sala de aula, uma cozinha, um banheiro, um bebedouro e duas pequenas áreas exteriores. O cantinho para o refeitório funciona no fundo da sala de aula. Ao contrário da EMEB Fazenda Venerando, situa-se no centro da colônia da fazenda, rodeada de casas de famílias de alunos e também de trabalhadores rurais que não possuem filhos na escola. São, no total, sete alunos de uma turma de Educação Infantil.
Fig. 6: EMEB Vila Maria, vista da entrada. Fig. 7: Colônia ao redor da EMEB Vila Maria.
A EMEB Fazenda Santa Amélia é uma escola com três salas (uma delas funciona como sala de aula e de informática ao mesmo tempo), um pátio interno com refeitório, dois banheiros, uma cozinha e duas pequenas áreas externas. São seis alunos da turma infantil e duas turmas multisseriadas de 16 e 18 alunos. Atravessando a rua de terra situada em frente à escola, encontramos um campo de futebol utilizado pela comunidade escolar para festas e outros eventos.
A EMEB Fazenda Barreirinho foi a escola que restou entre outras daquela região do município. No início da década de 2000 as fazendas Carneiros, Santa Helena e Santa Martha tiveram suas escolas fechadas e os alunos foram transferidos para a escola da fazenda Barreirinho. Os pais dos alunos da Santa Helena, segundo a professora Açaí, não quiseram que seus filhos fossem diariamente transportados para a Barreirinho em razão do trajeto perigoso e da passagem pelo Rio Pardo. Estes alunos foram então transferidos para uma escola urbana.
A Barreirinho possui duas salas de aula (uma delas também funciona como sala de informática), uma cozinha, dois banheiros, um pequeno refeitório e uma área externa. Entre os anos de 2009 e 2010, a escola funcionava de manhã com uma turma multisseriada de Ensino Fundamental e à tarde com uma turma de Educação Infantil de cinco alunos. Em 2011 a turma infantil foi fechada pela Secretaria de Educação com o argumento de que o número de alunos era muito baixo. A Secretaria forneceu transporte para a turma do infantil até uma escola da cidade durante todo o ano de 2011. A turma multisseriada permaneceu estudando ali e o período passou a ser integral. Porém, o fechamento da turma infantil provocou uma reação na comunidade, que exigiu a reabertura da turma no ano seguinte. A manifestação da comunidade surtiu efeito e a turma infantil voltou a estudar na escola Barreirinho em 2012.
Fig. 10: Vista diagonal da EMEB Fazenda Barreirinho.
Fig. 11: Vista de trás da EMEB Fazenda Barreirinho.
A seguir, podemos observar um mapa do município com a localização das escolas do campo municipais e das duas escolas do campo estaduais, além de algumas culturas existentes nas fazendas ou sítios próximas às escolas.
MAPA DE SÃO JOSÉ DO RIO PARDO – Escolas e culturas.
Fig. 12: Adaptada de “Mapa didático ilustrado de São José do Rio Pardo”, 2011. Secretaria Municipal de Educação.
Todas as escolas do campo possuem uma sala de informática com computadores, utilizados como recursos pedagógicos, mas ainda sem internet. Nenhuma delas possui telefone. Nas áreas externas de todas existe uma horta feita pelos professores com a ajuda dos alunos e da comunidade, e um parquinho com brinquedos de plástico cedidos, no caso da escola Santa Amélia, pelo fazendeiro e nas outras pela prefeitura. Todas as escolas receberam, tanto pelo programa Escola Ativa quanto por uma parceria entre município e Estado, um acervo de aproximadamente 230 livros de literatura e livros didáticos, além de jogos de alfabetização e de matemática. As bibliotecas escolares estão também disponíveis para as comunidades locais.
As escolas do campo atendem uma população de alunos moradores das áreas rurais do município, filhos de meeiros ou trabalhadores rurais e de mães donas de casa ou diaristas, que vivem nas fazendas onde estão instaladas as escolas ou em sítios e fazendas próximos a elas. O transporte escolar é feito por ônibus e peruas fornecidos pela prefeitura municipal, tanto para levar alunos do campo para a cidade (no caso de estudantes das séries finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio) quanto para levar crianças de suas casas para as escolas do campo.
O Plano de Gestão Escolar do Setor Zona Rural caracteriza as comunidades atendidas pelas escolas do campo como comunidades de nível socioeconômico C e D, que têm acesso a atividades recreativas como pesca, futebol e passeios, sem que a maioria saia da fazenda para viagens mais longas. Isso significa que estão distantes das atividades culturais urbanas como cinemas, museus e bibliotecas. São famílias de religião católica e evangélica, predominantemente. Para muitas famílias, o ambiente escolar é importante em termos de orientação e encaminhamento médico, odontológico e psicológico. Muitos alunos têm pais semiempregados e sofrem de carência alimentar, portanto a merenda escolar e o fornecimento de material como cadernos, lápis e borrachas são necessários. As condições de vida dessas famílias afetam a frequência regular na escola e a aprendizagem dos alunos (SÃO JOSÉ DO RIO PARDO, 2010b).
As professoras entrevistadas trabalham no campo em São José desde o ano 2000, embora Açaí e Magnólia tenham trabalhado nas escolas do campo durante a gestão Estadual. Açaí é professora da escola Barreirinho e tem 44 anos. Apesar de ter trabalhado em outras escolas do campo, tem um vínculo forte com a comunidade da Barreirinho, pois leciona ali por vários anos. Gerânio é da escola Venerando e tem 66 anos. Efetivou-se no município e foi para o campo em 2000, entretanto, em 2001 foi transferida para a Secretaria e retornou em 2008 para a sala de aula. Pitanga tem 34 anos, começou no campo em 2000, em regime de contratação temporária, e trabalhou por onze anos na EMEB Santa Amélia. Efetivou-se em 2011 e foi transferida para a Venerando, mas tem maior vínculo com a comunidade da Santa Amélia. Ipê tem 42 anos, está atualmente na Venerando, tendo passado por outras escolas rurais. Magnólia tem 48 anos e leciona na Santa Amélia. Liana lecionou na Santa Amélia durante o período de coleta de dados da pesquisa, mas em 2012 foi transferida para uma escola urbana.
A gestora das escolas do campo, Verbena, tem 32 anos e ingressou na Rede Municipal em 2000. Foi professora da EMEB Vila Maria até 2004, quando foi chamada para ser coordenadora pedagógica do Setor Zona Rural. Em 2007, assumiu a direção do setor, cargo que ocupa até hoje.