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Para Rodrigues (2012, p.40), “a Engenharia Econômica utiliza um conjunto de métodos e técnicas para a quantificação e avaliação dos riscos financeiros envolvidos nos projetos e fornece indicadores para uma comparação consistente entre opções de investimentos tecnicamente viáveis”. Em complemento a esse conceito, Zago, Weise e Hornburg (2009, p.2), definem a análise de investimentos como “o conjunto de técnicas que

Antonio Robson Gurgel 42 permitem a comparação entre os resultados de tomada de decisões referentes a alternativas diferentes de forma científica”.

A importância da avaliação econômica de projetos no contexto desta pesquisa advém do fato da indústria do petróleo, mas principalmente o segmento de exploração e produção (E&P), se constituir em uma indústria altamente intensiva em capital e tecnologia (CANELAS, 2005). Como as empresas não dispõem de recursos infinitos, principalmente do ponto de vista financeiro, a avaliação das viabilidades técnica e econômica de um determinado projeto é fundamental para a maximização do retorno financeiro, bem como para a minimização dos riscos de um determinado projeto (RODRIGUES, 2012).

Assim, a escolha de uma alternativa equivocada dentre um conjunto de opções, pode levar a empresa a obter lucros menores do que obteria se tivesse escolhido a alternativa adequada e, em caso de uma má opção, poderá conduzi-la a graves prejuízos financeiros (RODRIGUES, 2012). Em especial, no caso da avaliação da aplicação de métodos de recuperação avançada de petróleo, o método ou condição que leve à maior extração de hidrocarbonetos não necessariamente implicará em maior retorno financeiro.

Sobre a análise econômica de investimentos, a literatura específica apresenta vários métodos. Assaf Neto (1992) indica as seguintes opções que considera mais utilizadas: valor presente líquido (VPL), taxa interna de retorno (TIR), índice de lucratividade (IL) e taxa de rentabilidade (TR), e ainda o tempo de payback. O mesmo autor também elenca um rol de informações mínimas, que considera necessário para a avaliação de investimentos, e serviram como base para este aporte teórico.

2.7.1. Informações mínimas para a avaliação de investimentos

Para Assaf Neto (1992), o conjunto de informações mínimo para o processo de avaliação de investimentos é o seguinte: fluxo de caixa líquido; valores incrementais e taxa mínima de atratividade.

Antonio Robson Gurgel 43 A base para a avaliação de investimentos é o fluxo da caixa líquido, que é medido, para cada intervalo de tempo, como a diferença entre os fluxos de entrada e saída de caixa. Eles devem computar apenas o movimento efetivo dos recursos, inclusive seus reflexos financeiros sobre o caixa, mas desprezando receitas e despesas de natureza eminentemente contábil (depreciação, amortização, reavaliação patrimonial, dentre outros resultados que não são pagos ou recebidos em termos de caixa) (ASSAF NETO, 1992).

O dimensionamento dos fluxos de caixa é considerado o aspecto mais importante no processo de decisão, uma vez que a análise de investimento é processada em cima dessas informações. Vão ser o rigor e a confiabilidade desses fluxos de caixa estimados que irão determinar a representatividade dos resultados obtidos (ASSAF NETO, 1992).

Nesses fluxos de caixa são considerados valores incrementais, ou seja, os fluxos de entrada e saída de caixa que são originados com base na proposta de investimento em consideração. Portanto, conclui-se que não havendo o referido investimento, os fluxos de caixa atribuíveis à proposta tornam-se inexistentes (ASSAF NETO, 1992).

A definição da taxa mínima de retorno exigida é outro requisito para a avaliação de um investimento, que também é referenciada como a taxa de atratividade econômica do projeto. Essa taxa é considerada a meta econômica mínima a ser alcançada com a materialização da referida proposta (ASSAF NETO, 1992). No Brasil, é comum as pessoas pensarem na taxa da poupança como uma referência de retorno mínimo para a aplicação de um capital, pois essa aplicação é considerada segura, embora de baixo rendimento (DINIZ, 2014).

Além dos itens já citados, a análise de investimento também pode levar em consideração a motivação das propostas (expansão, lançamento de novos produtos, modernização, instalação, relocação, dentre outras) e o tipo de investimento (independentes, economicamente dependentes, mutuamente excludentes, com restrições orçamentárias). Em geral, é necessário que sejam considerados aspectos de risco inerentes a todo projeto e como os fluxos de caixa são valores previstos para ocorrer ao longo de um tempo futuro, ter em mente a existência de incertezas associadas a essas previsões (ASSAF NETO, 1992).

Antonio Robson Gurgel 44 Para a avaliação dos riscos, podem ser utilizados métodos matemáticos e estatísticos para se buscar conhecer a probabilidade de ocorrência de determinados estados de natureza, bem como seus respectivos resultados, podendo alguns desses métodos serem: método de Monte Carlo, árvores de decisão, simulações, etc. (ASSAF NETO, 1992).

No geral, para que sejam tomadas decisões de investimento, deve ser avaliado se os ativos terão condições de oferecer o desempenho desejado pelos investidores, ou seja, adotados critérios para analisar o desempenho esperado do projeto. Tais critérios devem possibilitar ao analista a aceitação ou rejeição de propostas, bem como a comparação e classificação dos diversos ativos sob análise (RODRIGUES, 2012).

2.7.2. Método do valor presente líquido - VPL

Embora a literatura especifique vários métodos de análise de investimento, nesta pesquisa foi adotado o método do valor presente líquido (VPL), razão pela qual este método foi enfocado especificamente neste aporte teórico.

O valor presente líquido indica a riqueza em excesso aos dispêndios determinados pelo projeto para uma determinada alternativa de investimento (ASSAF NETO, 1992; DINIZ, 2014). Embora este critério seja o mais utilizado em análises de investimentos, não é possível afirmar que existam critérios melhores, pois cada um deles mede diferentes aspectos de um projeto (RODRIGUES, 2012).

Este método tem como finalidade a determinar, no instante inicial considerado, a partir de um fluxo de caixa formado por uma série de receitas e dispêndios, o que representa o ganho absoluto do ativo (RODRIGUES, 2012). Teoricamente, todo investimento que resulte um VPL maior ou igual a zero pode ser aceito, sendo desconsiderados todos os investimentos que resultem em VPL negativo (ASSAF NETO, 1992).

Antonio Robson Gurgel 45

 

0 1 1 N t t t F VPL I i    

Portanto, quando analisado o fluxo de caixa referente a uma alternativa de investimento, são computadas as receitas e os dispêndios associados. Será chamada de valor presente líquido a soma algébrica de todos os valores envolvidos nos períodos considerados, reduzidos ao instante inicial estabelecido e levando-se em consideração a taxa de desconto “i” (RODRIGUES, 2012).

Na forma algébrica, o VPL pode ser descrito como:

Eq. 2-36

Sendo:

VPL = valor presente líquido do fluxo de caixa da alternativa considerada;

𝐹𝑡 = cada receita ou despesa envolvida no fluxo de caixa, no instante t considerado;

i = taxa mínima de atratividade considerada para o investimento; 𝐼𝑜 = investimento inicial do projeto;

𝑡 = instante de tempo considerado;

N = tempo total de projeto.

Portanto, o valor presente líquido de uma alternativa é o mesmo que a somatória algébrica dos vários valores presentes 𝐹𝑡 envolvidos no fluxo de caixa (RODRIGUES, 2012).

O VPL foi o critério adotado nesta pesquisa, devido a ser um método aceito internacionalmente pelos profissionais de finanças, conceitualmente correto e que leva a decisões financeiras adequadas. Sua aplicação não possui restrições, deixando facultativo ao tomador de decisão a adoção de outros critérios para complementar as informações sobre o projeto (RODRIGUES, 2012).

Antonio Robson Gurgel 46 Para Assaf Neto (1992), a razão para o VPL não ser mais difundido como método de análise é devido à necessidade de determinação prévia de uma taxa de atratividade, o que ele considera ilusório, uma vez que a taxa interna de retorno precisa ser identicamente comparada com a taxa de retorno exigida pelo investimento.

Por outro lado, Rodrigues (2012) afirma que a principal vantagem desse método é a determinação do valor que é criado ou perdido quando se decide pela realização de um projeto. O mesmo autor também cita que o VPL pode ser calculado para diversas taxas mínimas de atratividade, o que torna possível realizar uma análise de sensibilidade em função de possíveis alterações nessas taxas.

Dentre as vantagens desse método também existe o fato de que ele torna possível a classificação de investimentos com base em seus VPLs. Portanto, se o VPL de um investimento A for maior que o VPL de um investimento B, logo o investimento A pode ser considerado mais vantajoso. Adicionalmente, como o VPL mede sempre os valores atuais de um investimento, VPLs podem ser somados ou subtraídos (RODRIGUES, 2012).

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