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A análise por meio do teste Qui-quadrado foi utilizada para averiguar o cruzamento entre a idade das crianças e a análise das tendências às ações das crianças acerca das suas possíveis ações perante a suposta experiência da situação vivenciada pelo protagonista na história 3, conforme Tabela 40:

Tabela 40- Respostas das crianças sobre suas possíveis ações (tendência à ação) nas análises da história 3 Respostas das crianças sobre sua possível ação na

história 3

História 3- Tendência à ação Total

Não identificável Não ajudaria = Não pró-social Ajudaria = Pró-social

Idade 5 anos Frequência 6 3 47 56

% dentre crianças com 5 anos 10,7% 5,4% 83,9% 100%

% do total de 110 crianças 5,5% 2,7% 42,7% 50,9%

6 anos Frequência 0 4 50 54

% dentre crianças com 6 anos 0% 7,4% 92,6% 100%

% do total de 110 crianças 0% 3,6% 45,5% 49,1%

Total Frequência 6 7 97 110

% do total de 110 crianças 5,5% 6,4% 88,2% 100%

X2= 6,201, gl=2, p=0,045*

Observa-se na Tabela 40 que 97 (88,2%) das crianças apresentaram respostas pró-sociais ao mencionarem que ajudariam o colega a juntar os materiais, caso vivenciassem situação semelhante; dentre essas, 50 crianças de seis anos e 47 de cinco anos apresentaram esta resposta, sendo evidenciadas diferenças significativas entre os grupos (p=0,045).

Dentre as respostas não identificáveis, todas (6) foram emitidas por crianças de 5 anos, sendo que 5 (83,3%) crianças expuseram justificativas não elaboradas, como: “Eu ia falar para a professora”; e uma (16,7%) expôs uma explicação não pró-social (Tabela 40).

Justificativa das crianças que não apresentaram tendência à ação pró-social- História 3

Dentre as sete crianças que responderam que não ofereceriam o auxílio, isto é, emitiram respostas não pró-sociais, as justificativas foram (Tabela 41):

Tabela 41- Justificativas das crianças que responderam que não auxiliariam o amigo nas análises da história 3 Justificativas das crianças que responderam que não

auxiliariam o amigo a juntar os materiais- Não pró- social- História 3

Justificativas- Ausência da tendência a ação pró-social infantil- história 3

Total Não pró-social Motivação pró-social

Idade 5 anos Frequência 3 0 3

% dentre as crianças com 5 anos 100% 0% 100%

% do total de 7 crianças 42,9% 0% 42,9%

6 anos Frequência 3 1 4

% dentre as crianças com 6 anos 75% 25% 100%

% do total de 7 crianças 42,9% 14,3% 57,1%

Total Frequência 6 1 7

% do total de 7 crianças 85,7% 14,3% 100%

X2= 0,875, gl=1, p=0,350

Verifica-se (Tabela 41) que se mostrou incoerente o dado de uma criança que apresentou a justificativa pró-social para uma ação não pró-social, em que esta participante respondeu que não auxiliaria a pegar os objetos, mas que ficaria feliz se ajudasse o amigo a catar os livros, o que pode ilustrar a fase de transição do julgamento e das análises. Dentre as respostas não pró-sociais, surgiram falas como: “Eu não faria nada”. Mas não houve diferenças estatísticas significativas entre as justificativas ofertadas pelos participantes de cinco e de seis anos e idade (p=0,350).

Justificativas das crianças que apresentaram tendência pró-social - História 3

Dentre as 97 crianças que responderam que auxiliariam o amigo, apresentando tendência pró-social, as justificativas estão expostas na Tabela 42.

Tabela 42- Justificativas das crianças que responderam que auxiliariam o amigo nas análises da história 3 Justificativas das crianças que responderam que

auxiliariam o amigo a juntar os materiais na história 3- Pró-social

Justificativas- Tendência a ação pró-social- história 3

Total

Empática Motivação

pró-social

Idade 5 anos Frequência 1 46 47

% dentre as crianças com 5 anos 2,1% 97,9% 100%

% do total 97 crianças 1% 47,4% 48,5%

6 anos Frequência 1 49 50

% dentre as crianças com 6 anos 2% 98% 100%

% do total 97 crianças 1% 50,5% 51,5%

Total Frequência 2 95 97

% do total 97 crianças 2,1% 97,9% 100%

X2= 0,002, gl=1, p=0,965

Ao analisar as justificativas apresentadas pelas crianças que responderam que ofertariam auxílio instrumental (Tabela 42), isto é, houve tendência a agir de forma pró-social, observa-se que surgiram respostas classificadas em empáticas e pró-sociais, sendo as empáticas ilustradas pelas seguintes falas: “Tem que ajudar, se não ele vai ter que arrumar tudo sozinho”; e as pró-sociais: “ Eu peguei tudo pra ele, daí vira amigo e fica andando junto com o amigo”, “Eu ia ajudar a juntar e esperar”. Não foram detectadas diferenças estatísticas significativas entre as justificativas das crianças de cinco e seis anos (p=0,965).

6.2.3.4 Pontuação total das análises infantis (raciocínio, sentimentos e tendência à ação pró-social) - História 3 (auxílio instrumental)

A pontuação total, compreendendo a somatória dos resultados obtidos pela análise das três dimensões (raciocínio, sentimentos e tendência a ação) relatadas pelas crianças ao julgarem história 3, está apresentada na Tabela 43:

Tabela 43- Pontuação obtida pela somatória das respostas ofertadas pelas crianças nas três dimensões avaliadas-

raciocínio, sentimentos e tendência à ação- nas análises da história 3

Total de dimensões pontuadas pelas crianças nas análises da história 3

Pontuação total - História 3 Total

Não há analise pró-social em nenhuma dimensão Análise pró-social em uma dimensão Análise pró-social em duas dimensões Análise pró-social em três dimensões

Idade 5 anos Frequência 2 5 19 30 56

% dentre as crianças com 5 anos

3,6% 8,9% 33,9% 53,6% 100%

% do total de 110 crianças 1,8% 4,5% 17,3% 27,3% 50,9%

6 anos Frequência 0 0 17 37 54

% dentre as crianças com 6 anos 0% 0% 31,5% 68,5% 100% % do total de 110 crianças 0% 0% 15,5% 33,6% 49,1% Total Frequência 2 5 36 67 110 % do total de 110 crianças 1,8% 4,5% 32,7% 60,9% 100% X2= 7,809, gl=3, p=0,05*

Os dados expostos na tabela 43 indicam que apenas 3,6% das crianças não pontuaram análise pró- social em nenhuma pergunta relacionada ao raciocínio, aos sentimentos e a possível ação; 4,5% pontuaram em uma dimensão e 32,7% em duas dimensões. Verifica-se que 67 (60,9%) pontuaram em todas as dimensões, o que significa que essas participantes consideram incorreta a ação do protagonista ao não auxiliar o amigo a juntar os materiais, apresentaram sentimentos negativos ao presenciar a ausência de ajuda do protagonista ao outro personagem e afirmaram que auxiliariam o amigo, indicando a tendência pró-social. Há de se destacar que entre as crianças de seis anos houve maior frequência de análises pró- sociais nas três dimensões (68,5%) do que entre as de cinco anos (53,6%), com diferenças significativas (p=0,05), demonstrando uma possível evolução do comportamento pró-social entre os cinco e os seis anos de idade.

Ao somar os índices das crianças que pontuaram em uma, duas e nas três dimensões comportamentais pró-sociais, tem-se que 108 crianças apresentaram julgamentos pró-sociais relativos ao auxílio instrumental, totalizando 98,1% das crianças participantes.

De forma geral, as análises infantis acerca da história 3 mostram que a maioria das crianças (98,1%) apresentou análises pró-sociais e que as crianças de seis anos se destacaram em relação as de cinco anos (p=0,05), achados correspondentes as expectativas deste estudo (hipótese 1).

Ao sintetizar os resultados das dimensões do comportamento pró-social infantil avaliadas por meio das análises infantis às três histórias:

Os julgamentos infantis acerca da história 1 (doação) mostraram que a maioria das crianças (96,4%) apresentou análises pró-sociais, de acordo com as propostas da hipótese 1. Além disso, não houve diferenças estatísticas significativas entre as crianças de cinco e seis anos em relação ao raciocínio, aos sentimentos e a tendência à ação pró-social ao julgarem a situação de necessidade de doação-empréstimo de bens materiais (história 1), o que não está em concordância com a hipótese 1

Os resultados para a história 2 (oferta de conforto) evidenciaram que a maioria das crianças (97,3%) apresentou análises pró-sociais, dados congruentes com a hipótese 1. As crianças de seis anos apresentaram, de forma significativa (p=0,003), maior frequência de sentimentos negativos ao detectarem a ausência da oferta de conforto pelo personagem protagonista que as crianças de cinco anos. E houve maior frequência de pontuações totais relativas ao raciocínio, sentimentos e tendências às ações pró-sociais de oferta de conforto (história 2), nos relatos das crianças de seis anos comparadas com as de cinco anos (p=0,003), em consonância com a hipótese 1.

As avaliações infantis em relação à história 3 apontaram que a maioria das crianças (98,1%) apresentou análises pró-sociais, o que corresponde as expectativas deste estudo (hipótese 1). Ao julgarem a ausência de auxílio instrumental pelo protagonista, as crianças de seis anos expressaram maior reprovação do ato do protagonista do que as crianças de cinco anos (p=0,053), conforme a hipótese 1.

Ao retratarem como agiriam na situação apresentada pela história 3, apesar da maioria das crianças expressarem que ajudariam o outro instrumentalmente, as crianças de seis anos manifestaram maior frequência à tendência a ação pró-social que as crianças de cinco anos (p=0,045), em conformidade com a hipótese 1.

E por fim, houve maior frequência de pontuação total referente ao raciocínio, aos sentimentos e as tendências às ações pró-sociais nas análises da história 3 efetuadas pelas crianças de seis anos do que as de cinco anos (p=0,005), em conformação com as propostas da hipótese 1 desta pesquisa.

6.3 Semi- experimento relativo a doação de balas pelas crianças: Situação da dádiva anônima