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Développement de la Liaison externe gériatrique

As análises quantitativas sobre o comportamento das crianças de cinco e seis anos, obtidas pela somatória das três dimensões da avaliação pró-social (raciocínio, sentimentos e tendência à ação), apontaram que as crianças de seis anos demonstraram maior frequência de avaliações pró-sociais que as crianças de cinco anos nos três âmbitos que requerem atos pró-sociais: necessidade material, emocional e instrumental, em consonância com a hipótese 1.

7.3.1 Raciocínio, sentimentos e tendência à doação em crianças de cinco e seis anos

A maior frequência de avaliações pró-sociais quanto à doação-empréstimo nas respostas dos participantes de seis anos comparados com os de cinco anos está em confluência com os estudos que mostram que o aumento da idade e o raciocínio moral são preditores do comportamento de doar (Ongley et al., 2015).

Apesar desta pesquisa não ter constatado a maior frequência de doação no semi-experimento por parte das crianças de seis anos comparadas com as de cinco anos, as pesquisas indicam a tendência ao aumento desta habilidade, sendo que o comportamento de doar aumenta substancialmente entre os seis e os nove anos de idade (Malti et al., 2012). Conforme citado, possivelmente a pouca aderência infantil ao ato de doar nesta pesquisa ocorreu em função das variáveis situacionais do semi-experimento, como a ausência do apelo à necessidade das crianças receptoras das balas, o que pode ter dificultado o raciocínio em prol do próximo, ou mesmo a dificuldade para doar por parte das participantes, considerando que a doação de bens é apontada pela literatura como árdua para as crianças (Brownell et al., 2009).

A motivação para a doação, envolvendo os pensamentos e sentimentos relacionados à situação de necessidade material vivenciada pelo outro, apresenta relação significativa com o processo cognitivo infantil de tomada de perspectiva, no qual a criança consegue avaliar a necessidade do outro e com isso doar (Ongley et al., 2015).

Dentre as crianças de cinco anos que apoiaram o ato do protagonista não emprestar o lápis ao outro, muitas justificaram que ele não deveria emprestar porque o amigo não trouxe o lápis ou não cuidou do material devidamente. Esse raciocínio infantil pode ilustrar normas e valores aprendidos por essas participantes que dificultam a tomada de perspectiva e a compreensão da necessidade do outro, o que teria implicação para a não ocorrência da análise pró-social. As crianças menores, aos quatro anos de idade, muitas vezes, apresentam menos avanços em suas habilidades e análises cognitivas, estando em fases anteriores do raciocínio moral do que as crianças maiores, aos oito anos de idade, o que dificulta a compreensão dos eventos sociais pelas menores (Malti et al., 2016).

Os participantes de seis anos, ao justificarem que o amigo não tinha o lápis e por isso seria necessário o empréstimo, evidenciaram a lógica infantil que ilustra a tomada de perspectiva e a compreensão da necessidade alheia. A doação está relacionada ao raciocínio e a análise cognitiva que as crianças fazem a respeito da situação e das necessidades dos outros (Ongley et al., 2015). Esses mesmos autores destacaram que os níveis mais elevados de raciocínio moral podem aumentar as chances das crianças doarem por perceberem seu dever para com as necessidades dos outros.

No entanto, mesmo entre as crianças de seis anos, surgiram justificativas baseadas no receio da sanção da professora, caso não emprestasse o lápis ao amigo. Resposta que indica que ações pró-sociais são influenciadas por variados motivadores, dentre eles o intuito de evitar a repreensão adulta. Isso mostra que as crianças podem apresentar o comportamento de doar aos destinatários por receio de represálias, em especial, as menores (Malti et al., 2016).

Sentimentos como arrependimento e culpa surgiram nas atribuições das crianças de seis anos ao personagem algoz que não doou o lápis, o que evidencia a sensibilidade dessas para com a necessidade alheia. O sentimento de culpa é caracterizado como um componente essencial para o desenvolvimento do comportamento moral pró-social, em que a criança demonstra inclinação para a orientação e a compreensão das necessidades dos outros, por meio da empatia (Hoffman, 2000).

As respostas sobre a tendência à doação não evidenciaram diferenças entre os participantes de seis e cinco anos. Porém, as pesquisas indicam predisposição ao aumento da doação, de acordo com os avanços da idade das crianças, entre os seis e os oito anos (Malti et al., 2016). As crianças maiores, de oito anos, compartilham de forma mais igualitária seus recursos e em maior frequência que as de quatro anos, as quais muitas vezes não chegam nem mesmo a compartilhar (Malti et al., 2016).

Apesar das diferenças relacionadas aos comportamentos pró-sociais das crianças aos cinco e aos seis anos de idade, o incentivo por parte dos cuidadores responsáveis possibilita a maior ocorrência dos atos pró-sociais em ambas as faixas etárias, conforme demonstram os dados desta pesquisa. As práticas educativas, variáveis que fazem parte do contexto sociocultural em que a criança está inserida e que devem ser avaliadas para que não se realize uma análise parcial em relação à idade e ao aumento da frequência do comportamento pró-social, tem um papel relevante e influente sobre este repertório, o qual não se desenvolve somente decorrente da passagem do tempo.

7.3.2 Raciocínio, sentimentos e tendência à oferta de conforto em crianças de cinco e seis anos

As crianças de seis anos reprovaram mais frequentemente, mas não de forma significativa, o fato do protagonista não visitar o amigo, por meio de justificativas mais empáticas e pró-sociais, em que foram elucidadas a tomada de perspectiva e a citação de sentimentos daquele em necessidade. As justificativas morais e empáticas geralmente envolvem a percepção da obrigação de ajudar, não tão afetada pelas convenções sociais, mas sim pela necessidade de oferecer auxílio ao outro, em especial, nas situações em que não há tantos custos ao emissor da ação pró-social (Sierksma et al., 2014). Ao mesmo tempo em que as crianças identificam que é possível auxiliar e que isso nem sempre gera grandes exigências para a mesma, aumenta-se a percepção da necessidade da prestação de auxílio ao outro, o que não é tão afetado pelas conveniências sociais, mas sim pela constatação das dificuldades alheias.

O comportamento pró-social aumenta com o avançar da idade (Lourenço, 1991), pois as crianças menores tendem a focar em seus interesses devido as suas limitações cognitivas, enquanto as maiores conseguem julgar e ponderar as relações com os demais, considerando aspectos morais (Lourenço, 1997). As crianças maiores, aos treze anos de idade por exemplo, apresentam maior compreensão acerca da perspectiva e da necessidade do outro ao serem comparadas com as menores, de oito anos (Sierksma et al., 2014).

A ausência de atos generosos é reprovada por crianças aos seis anos de idade, assim como essas atribuem sentimentos negativos em relação à ausência da ação generosa (La Taille, 2006). Na presente pesquisa foi evidenciado que as crianças de seis anos atribuíram mais sentimentos negativos de forma significativa ao analisar a ausência de ajuda do que as crianças de cinco anos.

Ao relatar sobre como agiriam em situação semelhante, as crianças de seis anos expuseram justificativas mais criativas contendo motivadores pró-sociais que elucidaram a intenção de atender ao pedido do amigo ao visitá-lo e de interagir brincando com ele, inclusive jogar a bola por meio da janela. Conforme as crianças crescem, elas tendem a apresentar mais soluções alternativas, ponderar diferentes fatores e a possibilidade de prestar auxílio em outros momentos, até mesmo distintos da história (Sierksma et al., 2014).

Desta forma, em situações de necessidade de conforto e consolo, as crianças de seis anos apresentaram maiores índices de raciocínio, sentimentos e tendência à oferta de conforto quando somados. Esse resultado está de acordo com pesquisas que indicam o avanço do raciocínio moral pró-social ao longo do desenvolvimento infantil (Eisenberg et al., 2006; Ongley et al., 2015; Malti et al., 2012) e apoia a hipótese 1 deste estudo.

7.3.3 Raciocínio, sentimentos e tendência ao auxílio instrumental em crianças de cinco e seis anos

Os relatos das crianças de seis anos reprovaram de forma significativamente mais alta a ausência de auxílio instrumental do protagonista do que as crianças de cinco anos, além das menores apresentarem mais justificativas não elaboradas para a situação, o que pode ilustrar a falta de compreensão sobre tais

fenômenos. As crianças pequenas nem sempre conseguem detectar as complexidades das relações sociais, as necessidades alheias com clareza e a prestação de auxílio necessária ao receptor (Warneken, 2015).

A descrição dos sentimentos apresentados pelas crianças de seis anos foi mais elaborada do que as de cinco anos ao mencionarem tristeza, mágoa, arrependimento, incômodo, vergonha e culpa. Esses sentimentos negativos estão relacionados à moralidade, sendo que a culpa é auto-orientada em relação ao cumprimento ou não de normas morais (Malti, & Ongley, 2014). As emoções morais são relevantes para o desenvolvimento dos valores, das motivações e das ações pró-sociais, em especial as relacionadas à empatia, as quais estão associadas à compreensão e à experiência de um estado emocional semelhante ao vivenciado pelo outro (Eisenberg et al., 2006).

As participantes de seis anos também demonstraram maior capacidade de compreensão da necessidade alheia, que as de cinco anos (de forma estatística significativa), ao relatarem com maior frequência que auxiliariam o amigo a juntar os objetos, sinalizando a tendência à ação pró-social. As crianças maiores, por terem mais habilidades físicas e competência social, apreendem a necessidade de auxílio instrumental, o que facilita a assistência mais direta (Eisenberg et al., 2006).

Desta forma, as avaliações da somatória das dimensões comportamentais, as quais envolvem o raciocínio, o sentimento e à tendência à ação pró-social, indicaram a maior frequência de avaliações pró- sociais pelas crianças de seis anos que as de cinco anos nas três situações que ensejam atos pró-sociais, conforme a hipótese 1. Porém, as análises descritivas e qualitativas referentes a cada uma das dimensões comportamentais nas três situações mencionadas (doação, conforto e auxílio instrumental) mostraram as especificidades das situações em que são constatadas diferenças e semelhanças nos julgamentos das crianças de cinco e seis anos.

7.4 Raciocínio, sentimentos e tendência pró-social em crianças de cinco e seis anos: análises descritivas e qualitativas

Por meio das análises qualitativas sobre o raciocínio, os sentimentos e a tendência à ação pró-social das crianças de cinco e seis anos de idade, foram detectadas algumas semelhanças e diferenças entre as participantes. Em relação à doação de bens materiais (história 1), não houve diferenças significativas entre as crianças de cinco e seis anos referentes ao raciocínio, aos sentimentos e a tendência à ação de doação e empréstimo, o que contrapõe a proposta da hipótese 1.

Concomitantemente, discrepâncias no repertório das crianças de seis anos foram identificadas nas análises qualitativas, em que estas expressaram significativamente mais sentimentos negativos ao detectarem a ausência da oferta de conforto (história 2), reprovaram com maior frequência e de forma significativa a ausência de auxílio instrumental (história 3) e retrataram com maior incidência, de forma significativa, que prestariam auxílio instrumental (história 3), se comparadas às crianças de cinco anos. Dados que estão em conformidade com a hipótese 1 desta pesquisa.

Sobre a maior frequência de atribuição de sentimentos negativos pelas crianças de seis anos, ao analisarem a ausência da oferta de conforto ao amigo, os resultados foram semelhantes aos achados de La Taille (2006). Este indicou que as crianças aos seis anos não atribuem sentimentos positivos a quem falta com generosidade e que tal ímpeto está relacionado à gênese da moralidade (La Taille, 2006). Além disso, os sentimentos morais que envolvem a preocupação empática exercem um papel primordial à ação pro- social, em que a comoção ao observar o outro em situação de necessidade motiva a ação pró-social da criança (Hoffman, 2010).

As mensurações dos sentimentos morais infantis, detectadas pelo relato das crianças ao analisarem as histórias baseadas no paradigma do vitimizador feliz (Arsenio, & Kramer, 1992), demonstraram que as crianças mais velhas (oito anos) tendem a identificar e atribuir sentimentos negativos aos personagens algozes do paradigma do vitimizador feliz com maior frequência que as menores (quatro anos) (Arsenio, & Kramer, 1992). Acerca das crianças menores (dois anos), algumas delas podem apresentar dificuldade de entendimento das situações, bem como a incompreensão das próprias emoções, fatores que podem atrapalhar a emissão dos comportamentos pró-sociais (Scrimgeour et al., 2016).

Por meio da análise do raciocínio expresso pelas crianças de seis anos, constata-se que houve significativamente maior rejeição à ausência de auxílio instrumental e maior frequência de justificativas empáticas que entre as de cinco anos. Essse resultado vai ao encontro dos achados da literatura que mostraram que as crianças maiores, aos nove anos de idade, tendem a reprovar as ações em que o protagonista não ofertava auxílio para aquele que necessitava de ajuda nas histórias contadas para as mesmas, geralmente, por meio de justificativas de cunho moral (Sierksma et al., 2014). Além disso, aquelas

que apresentam maior facilidade para compreender a perspectiva do outro, tendem a censurar ainda mais a falta de auxílio para com o outro, (Sierksma et al., 2014).

A literatura indica que a habilidade de ajudar está presente em bebês, aos 14 meses de idade, mas a destreza na detecção e na prestação de auxílio para solucionar diferentes problemas aumenta de acordo com o avançar da idade (Warneken, 2015). A análise para a oferta de ajuda tende a evoluir com o aumento da idade e está relacionada à habilidade acurada de representar a necessidade instrumental do outro que envolve a atribuição e a suposição da intenção do outro (Dunfield, 2015).

As crianças de seis anos expressaram de forma significativa maior tendência à ação pró-social em situações em que o outro necessita de auxílio instrumental que as crianças de cinco anos, demonstrando melhor compreensão da situação vivenciada pelo outro. As crianças com raciocínios morais avançados apresentam capacidade de observar as dificuldades e inferir as metas alheias (Warneken, 2015), o que aumenta a possibilidade da oferta de auxílio aos pares e aos adultos (Miller et al., 1996).

7.5 Raciocínio, sentimentos e tendência pró-social - O que dizem as crianças e as mães sobre o