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4 - Guillemets ou Apostrophes ?

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Sob uma perspectiva diferente do aspecto da formação da personalidade, outra ênfase dada às questões da infância no século XX, foi na obra do suíço Jean Piaget e sua teoria interacionista do desenvolvimento humano. Esse pensador, interessado, inicialmente, pelo estudo científico da formação do conhecimento no homem, encaminhou suas pesquisas a reflexões acerca da formação (primeiramente) do conhecimento na criança, episódio este, que o tornou à época, praticamente pioneiro, na sistematização e na postulação de uma teoria específica sobre o desenvolvimento cognitivo infantil.

Biólogo de formação estudou também filosofia e psicologia antes de dedicar-se à elaboração de instrumentos para mensurar a inteligência infantil. Entretanto, ao trabalhar no diagnóstico de testes, Piaget atentou-se não pela análise dos acertos alcançados pelas crianças, mas sim, pelas respostas „erradas‟ emitidas pelos pequenos. Para compreender a intenção das crianças, o autor suíço dispôs-se a questioná-las e se deixar questionar, pois segundo ele:

Para saber como a criança pensa espontaneamente, não há método mais eficiente que o de pesquisar e analisar as perguntas que faz abundantes, às vezes, quase ao mesmo tempo em que fala. (PIAGET, 2003, p. 29)

Em suas observações, esse pensador verifica o empenho da criança em ser coesa ao oferecer explicações na compreensão do mundo a sua volta, ou mesmo para explicar o que lhe é estranho:

Indubitavelmente, a criança procura logo a coerência; é o mesmo que acontece com todo pensamento, e o seu obedece às mesmas leis funcionais que o nosso. Mas ela se contenta com outras formas de coerência que nós e – quando se trata de conceitos necessários a esta estrutura especial, a coerência formal do pensamento – podemos dizer que não a atinge de uma vez. Ela raciocina frequentemente de maneira que, para nós, é contraditória. (PIAGET, 2003, p. 168)

De acordo com suas constatações, Piaget sugere-nos a imagem de uma criança ativa no seu processo de construção do conhecimento. Uma vez que ela organiza o real por intermédio da ação sobre o objeto do seu conhecimento, na medida em que constrói hipóteses explicativas para si mesma – e para quem a questionar. Todo

esse propósito evidencia a maneira pela qual as crianças raciocinam sob uma lógica diferente da lógica do adulto, e é fundamentalmente essa lógica do funcionamento intelectual do infante, que difere do funcionamento intelectual do adulto.

Em busca de como a lógica infantil transforma-se em lógica adulta, as pesquisas piagetianas revelaram que a infância é um período importante da constituição do pensamento, que por sua vez tem sua completude na vida adulta.

Contudo, é válido ressaltar que o interesse inicial desse pensador não foram as especificidades infantis. Na verdade, suas investigações não visam conhecer melhor a criança, mas sim a gênese do pensamento do homem, sua formação e a elaboração do conhecimento. De acordo com Fontana e Cruz:

Ele não se dedicou a estudar o pensamento infantil motivado por um interesse pela infância em si e também não elaborou sua psicologia genética movido pelo interesse por questões propriamente psicológicas. O centro de seu trabalho e de todos os seus estudos é o desenvolvimento do conhecimento (1997, p. 45).

Piaget observa o quão é indispensável o fato de compreender a construção dos mecanismos mentais cognitivos na criança, para posteriormente entendê-los no adulto e coloca a noção de equilíbrio como base da sua teoria. Em suas palavras:

O desenvolvimento psíquico, que começa quando nascemos, termina na idade adulta, é comparável ao crescimento orgânico: como este, orienta-se para o equilíbrio. Da mesma maneira que um corpo está em evolução até atingir um nível relativamente estável – caracterizado pela conclusão do crescimento e pela maturidade dos órgãos - , também a vida mental pode ser concebida como evoluindo na direção de uma forma de equilíbrio final, representada pelo espírito adulto (2003, p. 13).

Compreendemos que Piaget apreende a aquisição do conhecimento respaldado pela biologia, afirmando que para conhecer, a criança precisa estruturar a realidade por intermédio das relações estabelecidas com seus objetos de conhecimento. Para ele, essas relações são trocas, por meio das quais o infante se adapta ao meio onde está inserido, assimilando-o conforme suas estruturas internas, num processo constante de equilibrações. Sendo, portanto, em termos da equilibração, que a perspectiva piagetiana descreve a evolução cognitiva infantil. Do ponto de vista da noção de equilíbrio, o pensador suíço assevera,

O desenvolvimento mental é uma construção contínua, comparável à edificação de um grande prédio que , à medida que se acrescenta algo, ficará mais sólido, ou à montagem de um mecanismo delicado, cujas fases gradativas de ajustamento conduziriam a uma flexibilidade e uma mobilidade das peças tanto maiores quanto mais estável se tornasse o equilíbrio. (PIAGET, 2003, p. 14)

A construção consecutiva do desenvolvimento mental na criança acontece por intermédio de ininterruptos processos de equilibrações e desequilibrações. Todavia, Piaget salienta que, embora constantes, esses processos experimentam etapas ou períodos diferenciados, os quais organizam a atividade mental na infância construindo estruturas cognitivas. Em suas postulações esse pensador sistematiza:

Cada estágio é caracterizado pela aparição de estruturas originais, cuja construção o distingue dos estágios anteriores. O essencial dessas construções sucessivas permanece no decorrer dos estágios ulteriores, como subestrutura, sobre as quais se edificam as novas características (2003, p.17).

Não obstante, não podemos entender a continuidade dos períodos do desenvolvimento cognitivo propostos por Piaget como uma simples extensão da fase anterior. Visto a dimensão das transformações ocorridas no modo de pensar dos pequenos, a cada etapa experimentada em seu desenvolvimento.

Na perspectiva piagetiana então, observamos que a criança enquanto sujeito ativo no seu processo de construção do conhecimento, acaba por constituir com o meio, ou objeto a ser conhecido, uma relação de completude. Na medida em que o meio se modifica oferecendo à criança algo de novo e que lhe sirva de estímulo, necessariamente ela tem seu equilíbrio cognitivo desestabilizado, e é impelida a novas condutas ou esquemas, no sentido de buscar novamente seu estado de equilíbrio, todavia com um repertório de condutas cognitivas mais complexas.

Em suma, realizando suas próprias tentativas, as crianças são capazes de edificar ativamente, o seu próprio conhecimento, conforme a estrutura mental experimentada por ela a cada fase do deu desenvolvimento cognitivo. Piaget distingue o desenvolvimento cognitivo na infância em estágios. A saber, sensório-motor, pré- operacional, operações concretas e operações formais. De acordo com esse pensador, em sua obra: “Seis estudos de psicologia”, “Cada estágio constitui então,

pelas estruturas que o definem, uma forma particular de equilíbrio, efetuando-se a evolução mental no sentido de uma equilibração cada vez mais completa” (2003, p. 15).

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