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3. L’intervention au centre François Gallouedec

3.2. Des observations au bilan final

3.2.3. Le groupe de travail : la construction de la demande, un dévoilement tardif

«Um programa de saúde escolar efetivo … é o investimento de custo-benefício mais eficaz que um País pode fazer para melhorar, simultaneamente, a educação e a saúde».

Gro Harlem Brundtland, Diretora-Geral da OMS (abril 2000)

Os jovens são constantemente assediados para o consumo de álcool, nos diferentes contextos sociais em que se encontram. Uma das melhores maneiras de prevenir o uso e abuso do consumo de SPA, nomeadamente do álcool, é assegurando- nos de que a população está bem informada sobre o assunto. Com o desenvolvimento tecnológico, sabemos que hoje em dia, o acesso à informação é bastante facilitado. Contudo, nem sempre a informação é a mais correta, ou nem sempre é bem apreendida e, para além disso, a informação por si só não é suficiente. É necessário que essa informação seja correta, bem apreendida, com vista a mudanças de atitudes e de comportamentos, no sentido da promoção de hábitos de vida saudável. Sabemos, porém, que a mudança não é fácil. Implica uma coordenação e colaboração de todos (família, comunidade educativa e sociedade em geral) e, sobretudo, a adoção de mudanças políticas e sociais. É necessário unir esforços para limitar a oferta e reduzir a procura.

Gordon (1987) propôs três tipos de abordagens preventivas:

Universal – concebidas para a população em geral, a grandes grupos, sem prévia

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substâncias psicoativas, fornecendo a todos os indivíduos a informação e as competências necessárias para prevenir o problema.

Seletiva – Dirigida a subgrupos da população geral, que estão sujeitos ao risco de

abuso de substâncias por pertencerem a segmentos específicos da população. Os grupos podem ser identificados com base em fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais associados ao abuso de substâncias e definidos a partir da idade, sexo, história familiar e contexto social envolvente.

Precoce ou Indicada – Dirige-se a indivíduos em situação de risco. O objetivo

destes programas não é apenas a redução dos primeiros consumos, mas também, o atraso do início do uso de substâncias e/ou a redução da severidade do consumo/abuso.

Geralmente, as campanhas costumam ser ações isoladas e fora do contexto, dirigidas a uma população heterogénea e realizadas à margem dos grupos organizados da comunidade. Este tipo de ações costuma ter uma eficácia limitada, já que seu impacto é momentâneo. Para que a prevenção seja pró-ativa e realmente efetiva é necessário o envolvimento de todos os agentes de educação: professores, alunos, pais e/ou encarregados de educação, auxiliares da ação educativa, profissionais de saúde, autarquias, … É necessário unir forças e trabalhar no sentido de desenvolver a capacidade de tomar decisões refletidas, assertivas e responsáveis, permitindo que os jovens consigam resistir às constantes pressões da sociedade, dos pares e até mesmo da própria família. Devemos trabalhar nos jovens a resiliência, que se traduz na boa capacidade para gerir a adversidade, minimizando os danos pessoais. A resiliência permite atenuar os fatores de risco e facilitar os fatores de proteção, promovendo a saúde.

Os pais e/ou encarregados de educação deverão estar mais atentos aos seus filhos/educandos e deverão transmitir valores promotores de saúde. Os jovens deverão estar mais atentos aos seus pares/amigos/colegas, para melhor os poderem ajudar. Os profissionais ligados aos jovens (professores, assistentes operacionais, técnicos de saúde…) deverão empenhar-se para trabalhar no sentido da prevenção do consumo de SPA.

As ações preventivas devem incidir sobre a neutralização dos fatores de risco detetados no diagnóstico, e potenciar os fatores de proteção. A prevenção será tanto

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mais eficaz quanto melhor for a sua planificação e quantos mais agentes preventivos se implicarem na atividade. Para além disso, devem adequar-se à grande diversidade de alunos. Um bom projeto de prevenção deverá determinar tarefas para cada um dos agentes envolvidos, com vista a retardar ou evitar o uso/abuso de SPA, dotar os alunos de competências e outros recursos pessoais necessários para lidar adequadamente com situações de risco e diminuir a influência dos fatores de risco que podem favorecer o aparecimento de problemas com o uso/abuso de SPA. Quanto mais precoce for a ação mais efetiva é (Costa & López, 2008).

Também Barroso, Barbosa e Mendes (2006) defendem que os programas de intervenção preventiva devem ser planeados no âmbito da educação para a saúde, de modo a prevenir o início precoce do consumo de álcool e o seu uso inadequado nos jovens, beneficiando a sua saúde atual e futura. Estes autores analisaram vários programas de intervenção de uso/abuso de álcool dirigidos a adolescentes em meio escolar, tendo sido na sua maioria eficazes, mesmo que desenvolvidos num limitado prazo de ação. Todavia, são da opinião de que se as intervenções forem mais longas e/ou com reforços anuais, haverá uma melhoria de resultados. Acresce ainda que, para melhorar os programas de intervenção, é necessária a sua repetição organizada, quer em grupos diferenciados quer com a alteração controlada de componentes. Contudo, consideram ser difícil prever sucesso a longo prazo. Barroso et al. (2006) defendem ainda que, como os hábitos de consumo se iniciam na adolescência, os programas de prevenção de consumo de álcool deveriam integrar o curriculum escolar.

Segundo Fishbein e Ajzen (1975) é possível explicar e predizer o comportamento humano através da Teoria da Ação Racional. De acordo com esta teoria, as pessoas tendem a atuar de modo racional e voluntário, tomando decisões comportamentais baseadas nas informações.

A Teoria da Ação Racional defende que a intenção comportamental é determinada por fatores pessoais e sociais. O fator pessoal refere-se à atitude em relação ao comportamento, enquanto o fator social é a perceção que a pessoa tem das pressões sociais para a realização ou não de determinado comportamento. As crenças representam as informações adquiridas ao longo da vida e conhecendo as crenças, mais facilmente se compreendem as razões para o comportamento. Segundo Fishbein (1980), uma pessoa tem um determinado com portamento que lhe trará benefícios junto das pessoas que considera. Algumas crenças gerais ou pessoais influenciam a previsão da intenção, como por exemplo, a crença de que “beber é prejudicial à saúde” é diferente

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da “ao beber estou a prejudicar a minha saúde”. Para compreender melhor e prever a intenção e o comportamento em áreas que implicam decisões importantes deve-se ter em conta as crenças, a atitude e a intenção sobre as diferentes alternativas e avaliar estas variáveis a nível pessoal.

Costa & López (2008) consideram que o Modelo ABC pode ser aplicado na educação para a saúde. O acrónimo ABC representa antecedentes, biografia e consequências, que correspondem aos três componentes estruturais e funcionais do modelo. Os antecedentes correspondem às informações e sinais do contexto que interferem na biografia. A biografia corresponde às vivências do dia-a-dia e as consequências são o resultado dos comportamentos e escolhas da biografia. Este modelo, ao permitir conhecer as vivências e comportamentos dos alunos, admite uma intervenção mais focada no problema.

O que todos os professores, pais e/ou encarregados de educação pretendem é que os programas de intervenção sejam eficazes. Para isso é necessário conhecer os alunos e seus hábitos, de modo a fortalecer os seus comportamentos e promover hábitos de vida saudável. É aqui que o modelo ABC dá um contributo fundamental para uma intervenção transformadora, baseada no conhecimento dos alunos, tornando-a mais eficaz (Costa & López, 2008).

Segundo Costa & López (2008), o Modelo da Potenciação ou Empowerment consiste num modelo profissional de intervenção, que pretende capacitar os alunos para controlar a sua própria vida, numa aprendizagem de comportamentos e estilos de vida saudáveis. Neste modelo, é necessário equilibrar a aceitação, a validação e o apoio, com a assertividade, ou seja, com a persistência para manter o compromisso responsável com as decisões, ações de aprendizagem e transformação, bem como com a motivação para delinear ações de mudança.

Costa & López (2008) apresentam algumas propostas de intervenção:

a) desenvolvimento de hábitos de vida saudáveis, que descreve princípios e critérios operativos para promover esses hábitos e condutas saudáveis;

b) orientação de crianças e de adolescentes para resistir à pressão dos pares, dando relevância ao contexto social do grupo de amigos, na aprendizagem de hábitos saudáveis, de modo a puderem ultrapassar os riscos e obstáculos que podem enfrentar;

c) desenvolvimento de comportamentos críticos e clarificação de valores, de modo a desenvolver a consciência crítica face às adversidades e solicitações do

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meio, face aos seus comportamento de risco, tornando as crianças e jovens agentes ativos de transformação;

d) capacitação da competência social e resolução de problema;

e) promoção da autonomia e estabelecimento de normas e limites, essencialmente a pais e/ou encarregados de educação e professores, de modo a ajudá-los a ensinar os seus filhos/educandos ou alunos a orientarem a sua vida, de modo responsável.

Também Ferreira-Borges e Filho (2008) defendem que as intervenções preventivas permitem reduzir comportamentos de risco. Defendem que a escola deve promover estratégias que desenvolvam capacidades nos pré-adolescentes de resistir à pressão dos pares, para consumirem bebidas alcoólicas, bem como atividades extracurriculares, que envolvam também a família. As intervenções que conjugam adequadamente fornecimento de informação, desenvolvimento de maturidade afetiva, treino de competências sociais e intervenção na reorganização social da comunidade, são mais eficazes, por serem mais abrangentes.

Consideramos fundamental que os jovens assumam como objetivo da sua vida ser saudáveis, regendo-se por escolhas positivas para a saúde. O desafio de marketing, parece-nos, ser tornar o saudável um conceito da moda!

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