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Groupe A : évolution du décodage, de la fluence et de la compréhension

Partie 2 : mise en pratique du projet Lalilo

1/ Groupe A : évolution du décodage, de la fluence et de la compréhension

Indagados se se percebem como idosos, os Irmãos deram as respostas expressas no Gráfico 13.

Gráfico 13 – Autopercepção como idosos, por geração

Em todas as faixas etárias, há Irmãos que afirmam não se perceberem idosos, mesmo reconhecendo que, pelo critério de idade, estão incluídos nesse grupo. Como os números variam em cada geração, cabem pontuações específicas a respeito de cada uma.

Desta vez, começando da primeira geração: nenhum dos Irmãos na faixa dos 60 anos se percebe idoso. Dois deles responderam “sim” à pergunta, mas acrescentaram justificativas, como o Ir. Adorátor: “Não me sinto veeeeelho, não, ultrapassado, não!” Há fundamentos para esta percepção: como visto anteriormente, a funcionalidade é mais preservada do que em outros idosos e o ritmo de vida sofre

0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5 5 80- 70-79 60-69

Percebem-se como idosos Não se percebem como idosos

pouca alteração – os Irmãos continuam exercendo a missão institucional da mesma forma como a assumiam anteriormente. Alguns deles relatam problemas de saúde típicos de pessoas com excesso de trabalho: stress, fadiga, hipertensão... Também pontuam que o ritmo de vida e a escassez de tempo lhes dificultam priorizar os cuidados com a saúde e a dedicação a atividades que aliviariam o stress. Enfim, como o estilo de vida se mantém muito similar ao que mantiveram até então e são mantidas a autonomia e a independência, faz sentido que a percepção a respeito da terceira idade advenha somente na próxima geração.

Entre os Irmãos na faixa dos 70 anos, a maioria afirma se perceber como idoso. A percepção tem início com as limitações físicas, como expressa Ir. João Alexandre: “Psicologicamente, não [me sinto idoso]. Fisicamente, às vezes eu tomo a consciência de que sim. Quero fazer algumas coisas simples e tenho que tomar cuidado. Por exemplo, subir uma escada rápido.” Ir. Claude-Régis referenda:

Tenho consciência de ser idoso. Embora a saúde seja boa, embora me sinta capaz pra muita coisa, sinto que a idade vai minando, vai pesando, encontrando alguns aspectos que não são mais da juventude, a elasticidade, a visão, são todas limitações próprias de pessoas que têm mais idade.

Como nessa faixa etária a tendência é se afastar de funções executivas, a velhice também é percebida por esse viés. Na fala do Ir. Sébastien-Camille, “alguns querem ficar nos colégios, mas às vezes nem podem, porque atrapalham. E outros realmente não querem e, não querendo, se encostam.” Como a aposentadoria costuma assinalar a entrada na velhice (PACHECO e CARLOS, 2006), com todo o peso simbólico de deixar a função produtiva, faz sentido que os Irmãos comecem a se perceber idosos quando deixam de ocupar os espaços nos quais trabalharam ao longo da vida. A questão que aparece, nesse caso, é a ressignificação do espaço institucional e, nele, o lugar a ser ocupado pelo Irmão idoso. Essa questão será aprofundada ainda neste capítulo.

Na geração seguinte, surpreende que seja grande o número de Irmãos que não se reconhecem como idosos. Como a funcionalidade é mais preservada do que entre outros coetâneos, alguns percebem pouca mudança no estilo de vida. Segundo o Ir. Bonius, “olhando a carteira de identidade, vejo que sou idoso. Mas assim, na teoria, não me sinto idoso não. [...] Continuo dirigindo carro [...]. Nunca fiz

cirurgia nenhuma, nunca fiquei doente. [...] Em vez de ter 85, estou com 58. Quase chegando à terceira idade.” Um pouco mais velho, o Ir. Diomedes tem outra percepção: “Hoje, quando fui ao dentista, tem o vidro, a gente se vê, eu me vi andando e pensei: ‘Puxa, eu tou velho mesmo!’”. Ir. Hipólito fica no meio-termo: “Sim, sou idoso, mas não sou velho! [...] Idoso é quem atingiu uma certa idade, né? E velho é que está enferrujado. Eu não tou enferrujado, não!” Todas essas falas, que situam diferentes reconhecimentos sobre a terceira idade, confirmam Beauvoir (1990): a percepção da velhice é subjetiva. E, entre os Irmãos, decorre da tensão entre as limitações físicas e as mudanças no estilo de vida.

Entre os que se percebem idosos, há novamente o dado da restrição na funcionalidade, que pode ser reconhecida pelo próprio idoso ou trazida à consciência por outra pessoa. O mesmo Ir. Diomedes conta como começou a se perceber idoso:

O pessoal ia jogar, eu não jogava. Mesmo no trabalho, trabalho na horta, os Irmãos diziam: ‘Não pode fazer esse trabalho mais, não! Deixa pra gente fazer!’ Isso também me fez acordar. É mais a percepção de outras pessoas pra gente perceber isso.

Novamente, ecos de Beauvoir (1990): a consciência de ser idoso tem relação com o olhar dos outros sobre a pessoa idosa. Entre os Irmãos, essa consciência é alimentada nas relações intergeracionais: mesmo quando a intenção é de cuidado, o resultado de tentar “proteger” o Irmão idoso é reconhecido como um atestado de incapacidade. Moral Barrio (2009, pp. 13-14) problematiza essa relação de piedade dos adultos e jovens no trato com os idosos, reconhecendo nela um matiz de compaixão, mas não de reconhecimento do sujeito: “nos ocupamos [dos idosos] por medo de faltar gravemente com os princípios de humanidade, mas não pelo valor que tem sua vida nem por fazer dela um objeto de nossa reflexão”.

Neri (2006) referenda que perceber-se útil e capaz é fundamental para que o idoso tenha uma autopercepção positiva. Nesse sentido, as atitudes de condescendência têm efeito contrário sobre as crenças de autoeficácia, compreendidas como a confiança do sujeito na própria capacidade de executar determinadas ações. O sentido de autoeficácia cumpre a função de regular a manutenção e promoção da saúde, a funcionalidade e o bem-estar subjetivo dos idosos. A autora critica a influência negativa das instituições sociais sobre essas

crenças, quando “se antecipam e criam barreiras à participação social das pessoas mais velhas, antes mesmo que eventuais incapacidades se instalem” (NERI, 2006, p. 1.268). Leers (2003) destaca que a comunidade religiosa e a rede de amizades e relações humanas têm papel importante para que o idoso se integre positivamente à velhice, seguindo o ritmo das mudanças individuais. O contrário também é verdade e desenha uma situação delicada, na vida religiosa consagrada: manter a postura de cuidado e afeto, sem abalar as crenças do Irmão idoso em sua própria capacidade de autocuidado e eficiência nas diversas tarefas que assume.

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