2.4 Le graphène crû sur SiC
2.4.3 Caractéristiques du graphène sur SiC utilisé pour notre étude
2.4.3.1 Graphène avec couche tampon
Depois da abordagem sobre o que são os GPUs e seus efeitos sobre o espaço das cidades, e a influência sobre o mercado imobiliário, cabe agora mostrar exemplos importantes no cenário internacional e nacional. Aqui discute-se os desempenhos de alguns desses projetos, destacando os seus contextos e os principais resultados com enfoque na valorização/precificação imobiliária dos casos de das Olimpíadas de Barcelona (1992), da Expo 98 de Lisboa (1998), a Renovação do Porto Madero na Argentina, os Jogos Pan Americanos do Brasil (2007), a Copa do Mundo da África do Sul (2010) e no Brasil (2014). Antes de haver uma
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preocupação selecioná-los pela finalidade (se esportivo e exposição), privilegiou-se seus poderes de influência sobre a configuração espacial e valorização/precificação imobiliária.
Dentre as principais experiências de Grandes Projetos Urbanos de eventos esportivos apontadas como referência na literatura, destaca-se o modelo Barcelonês popularizado pelas Olimpíadas de 1992. Vivia-se na Europa influências das posturas neoliberais de Tatcher no Reino Unido e de Reagan nos EUA, que recrudesceram políticas públicas sociais em favor dos interesses de mercado. No início de década de 1990, Barcelona encontra-se marcada pelo seu processo de redemocratização em virtude do fim da ditadura franquista, pelo anseio de projeção internacional e pelas experiências de planejamento urbanístico na década de 1980, que serviram para aquecer um debate internacional quanto à renovação urbana (JESUS, 2013).
Conforme aponta Muxi (2012), Araújo (2011) e Botelho (2004) dentre essas intervenções73 destacam-se transformações em escalas pontuais (praça, no parque, na rua),
seguidas da abordagem no conjunto de ruas, edifícios e parques num sistema de gestão integrada. Paralelamente à essas estruturas ocorriam intervenções nas zonas portuárias e industriais em decadência que se tornaram distritos de grandes empresas de tecnologia, comunicação, hoteleiras, comerciais e de convenções, associadas a espaços de consumo, lazer e culturais a exemplo de museus e centro culturais.Logo depois, operações de maior alcance são realizadas a partir de parcerias público-privadas tendo as Olimpíadas de 1992 como importante marco.
Balula (2011, p. 97) registra que
Apenas durante a década de 1980 realizaram-se em Barcelona cerca de 150 projetos de reabilitação de espaços públicos tradicionais. Em primeiro lugar, esses projetos promoveram qualidade e vitalidade no ambiente urbano. Em segundo lugar, diversos dos projetos ganharam prêmios internacionais, o que ajudou a projetar a imagem de uma cidade espacialmente dinâmica – uma cidade em transformação.
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Para o autor, pode-se reunir a produção urbanística barcelonesa em duas dimensões: estratégico-radical e qualitativo–incremental. Muito embora o propósito das duas seja o de captar investimentos a partir da transformação da cidade em um espaço mais atrativo, o primeiro objetiva criar geografias urbanas através de projetos urbanísticos espetaculares e a produção de paisagens temáticas em lugares de arquiteturas de “grife”. O segundo atinge a escala dos espaços públicos cotidianos, numa aproximação local orientada para residentes e usuários habituais.
Dentro das posturas estratégico-radicais barcelonesas enquadram-se as intervenções urbanas para hospedagem dos Jogos Olímpicos de 199274 que, conforme Tello (1993, apud
Jesus, 2013, p. 168), se contextualiza a uma estrutura administrativa municipal dedicada a pensar espaços olímpicos porque se pretendia implementar o Plan General de Ordenación Urbana75, que desde a segunda metade de década de 1970 visava suprir o déficit de espaços
públicos mediante aquisição de terrenos privados para usos coletivos. A origem do projeto olímpico se dá então pela necessidade de captações de recursos privados76 dada a dimensão
dos investimentos nas intervenções do plano que a municipalidade77 sozinha não conseguira
assumir na região do centro histórico.
74 Conforme Fuão (1992), na mesma época, mas não como os mesmos efeitos, ocorria a Expo Sevilha (Com o Tema: A Era dos Descobrimentos). A escolha da Isla de La Cartuja – banhada pelo rio Guadalquivir - se deu pela proximidade com centro histórico de Sevilha e do Mosteiro de Santa Maria del Cuevas, bem como pela disponibilidade de terrenos vazios (MONTEIRO, 2009). Apesar de ter havido um concurso de idéias prévio, foi aprocada a proposta do Plano Diretor de Sevilha que previa acréscimo de área para implantação do parque de exposições mesmo reconhecendo uma demanda de visitantes menor do que a estimada inicialmente. Embates políticos, disputas partidárias e interesses eleitorais geraram resultados negativos principalmente do ponto de vista espacial, destacando-se a precária integração entre o local da intervenção com outras áreas da cidade bem como o sucateamento e a adaptação de alguns edifícios para atividades de empresas públicas, como correios e órgãos de preservação, uma vez que por lei a região não poderia receber o uso habitacional. Para Netto (2010) os efeitos positivos no mercado imobiliário sevilhano se restringiram ao período em que as obras de Expo dinamizaram a indústria de construção civil colaborando com um boom das bolsas de valores e de negociações bens imobiliários.
75 O urbanista Oriol Bohigas foi o idealizador do plano.
76 Viabilizada pela captação por intermédio de grandes eventos a exemplo das exposições de 1888 e 1929. 77 Conforme Proni, Araújo e Amorim (2008, p. 18) 32,7% dos investimentos partiram da iniciativa privada (entre
1986 a 1993 (em torno de 313 bilhões de pesetas dos quais 1/3 proveniente de capital estrangeiro). O investimento público foi estimado 67,3% (643,6 bilhões de pesetas), dos quais 193,6 bilhões de pesetas partiram do Estado espanhol. Desse montante 78 bilhões foram canalizados através de empresas de controle da administração central que efetuaram 20,3% do total de investimento público. Ou seja, boa parte dos investimentos foram canalizados de empresas de propriedade estatal mas de natureza administrativa privada. Nesse caso, o investimento privado parece ultrapassar o que as estatísticas apontam.
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Da necessidade de ampliar o alcance das intervenções78 justifica-se a candidatura da
cidade 1986 e a recepção das Olimpíadas em 1992 para a execução de uma segunda etapa conhecida como segunda modernidade de Barcelona e que, em nível de gestão urbana, incluiu a formação de novas centralidades metropolitanas, mediante planejamento estratégico79.
Entretanto, o diferencial da experiência barcelonesa está na (1) busca por um equilíbrio urbano dado pela distribuição espacial das instalações olímpicas (figura 01) em quatro parques ao longo da cidade para evitar subutilização (“elefantes brancos”) e também para minimizar o contraste existente entre zona oeste (bairros nobres) próximos a balneários, e zona leste (industrial), operárias e de carente infraestrutura (figura 02); (2) a revitalização da área costeira provida de áreas de amenidades naturais pela posição litorânea (figura 03); (3) não concentração do uso residencial para camadas mais favorecidas a despeito da limitação do alcance social mais amplo.
Figura 01: Áreas de intervenção dos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992.
Fonte: SILVESTRE (2017) com base no Conselho de administração da candidatura de Barcelona para os Jogos Olímpicos de 1992.
78 Segundo Jesus (2013, p. 169 o projeto olímpico em Barcelona incluiu: a revitalização do centro histórico, com
abertura dos espaços públicos e reutilização edifícios; a recuperação da zona costeira para reinseri-la à dinâmica da vida social urbana através do uso residencial; implantação de parques, novas centralidades e monumentalidades na periferia; recuperação de equipamentos obsoletos (fábricas e terminais ferroviários subutilizados); melhorias de infraestruturas da rede de metrô e destinação de vias de acesso exclusivo de pedestres; distribuição de grandes equipamentos para lazer, esporte e cultura; adequação das redes de esgoto, e previsão de políticas sociais destinadas a prover o déficit de moradia e segurança pública.
76 Figura 02: Imagem aérea do bairro portuário de Icária em 1987 (à esquerda) e depois da renovação em 1992 (à direita). Ausência de galpões antigos e abertura para as frentes de água.
Fonte: https://pt.slideshare.net/ARQ210AN/03-barcelona
Figura 03: Imagem aérea do Parque Olímpico de Montjuic.
Fonte: https://pt.slideshare.net/ARQ210AN/03-barcelona
O caso de Barcelona também não esteve livre de críticas. Segundo Araújo (2011) um processo de polarização foi desencadeado a ponto de favorecer a concentração de
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profissionais liberais, diretores, pessoal técnico administrativo e comércios em áreas centrais deBarcelona, e concentração de trabalhadores manuais da indústria, da construção e dos serviços nos entornos (UTE, 2004 apud ARAÚJO, 2011).
Além disso, houve uma tendência de fechamento de indústrias pela ausência de investimentos provocando a relocação de outras atividades econômicas e a evasão de populações das áreas centrais geradas pela supervalorização espacial das áreas objeto de intervenções, segundo Botelho (2004 apud Araújo, 2011) e Copans (1998 apud Araújo, 2011).
Proni, Araújo e Amorim (2008, p. 18) apontam que a ausência de terrenos livres destinados a edificações elevou os custos de construção, que acabaram sendo transferidos para o valor das habitações, gerando uma expressiva diferença entre os preços do mercado espanhol e o resto da Europa emtre 1986 e 1992 para novas construções (figura 04). Por outro lado houve redução em relação às habitações que não eram novas a partir de 1990, em função da disponibilidade de imóveis na vila olímpica. Brunet (2006) expõe tais resultados a partir dos gráficos 01 e 02.
Figura 04: Conjunto habitacional Três Manzanas (Implantação à esquerda e vista das habitações para a área portuária a direita).
78 Gráfico 01: Valorização média de novas construções em Barcelona (acima) e Valorização média de
construções antigas em Barcelona (abaixo), em Milhares de pesetas x ano.
Fonte: Brunet (1996, apud Proni, Araújo e Amorim, 2008, p. 23)
Já em Lisboa (Portugal), o GPU consistiu em intervenções em áreas portuárias e industriais degradada e que no ano de 1998 abrigou a Expo 98 que tinha como tema “Os Oceanos: um patrimônio para o futuro”. A área que se volta para uma das margens do rio Tejo, passou de repositório de lixo industrial80 e reservatório de materiais obsoletos, para
palco de novas infraestruturas culturais, comerciais, ferroviárias e de um novo parque habitacional, preservando a relação panorâmica para as águas (FIGUEIRA, 2010, P. 152).O evento se contextualiza à experiência de Sevillha na Expo 92, que inaugurou questionamentos sobre a utilidade das megaestruturas: o chamado day after81, onde ideia do legado estava
embutida nas iniciativas de planejamento estratégico.
O projeto urbanístico82 de autoria de Luis Vassalo Rosa foi dividido em Planos de
Pormenor (um total de seis), conforme figura 05, cujos encarregados eram diferentes equipes de arquitetos. Segundo Scherer (2003) o Parque Expositivo corresponde ao Plano de
80 Figueira (2010) reforça que a relativa perda da relação da cidade de Lisboa com o Rio se deu a partir do século
XIX com progresso industrial impulsionado pelas ferrovias que direcionaram a expansão para outros territórios. Além disso, a expansão para o centro-norte se deveu à aberturas da Avenida Liberdade e do Plano das Avenidas Novas como um todo.
81 O efeito day after, ou seja, o que fazer com a megaestrutura pós evento residia em uma noção de que,
finalizada a exposição, toda localidade pudesse ser revertida para uso da cidade. Para isso seriam necessários equipamentos especiais, para que o usuário permanecesse com noção de cidadão, apesar de estar transitando por um território de grandes estruturas feitas por arquitetos e urbanistas de grife
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Pormenor 283 (figura 06 e 07), e contém projetos arquitetônicas de vários autores84
conhecidos internacionalmente85 (figura 08).
Os planos têm características específicas, que formam um tecido repleto de colagens (SCHERER, 2003). O Pormenor 01 (Zona Central) contém a Estação Oriente com plataformas para edificações multiuso. O Pormenor 2 (Zona Sul) dispõe de praça ribeirinha contendo edifícios sobre pilotis próximos aos trilhos de trens. O Pormenor 3 (Zona Norte) corresponde à área de exposição próxima à Ponte Vasco da Gama. O Pormenor 4 (Zona Sacavém) com setores isolados do contexto urbano envolvente, mas nas proximidades dos rios Tejo e o Trancão, com ponte para um parque urbano. O Pormenor 5 (Parque do Tejo e Trancão) que dispõe de zona verde com variedade de atividades (lazer, esporte e educação ambiental). E finamente o Pormenor 6 (Recinto Expo 98), que segue a malha da cidade.
Figura 05: Imagens aproximadas de cada Plano de Pormenor.
Fonte: https://pt.slideshare.net/carlosgomes/lisboa-expo
A despeito das qualidades urbanísticas o empreendimento não cumpriu o suposto custo zero pago pelas operações imobiliárias (uma equivalência entre as receitas e as despesas) que acabaram por gerar pressão construtiva sobre a zona de Intervenção, o que
83 Concebido por Manuel Salgado.
84Dentre obras e autores podem-se citar o oceanário (Serge Chermayeff); o Pavilhão da Utopia (Regino Cruz e S.O.M.), depois Pavilhão Multiusos; o Pavilhão de Portugal (Álvaro Siza); o Pavilhão do Conhecimento dos Mares (João Luís Carrilho da Graça); e o Pavilhão do Futuro (Paula Santos e Rui Ramos), depois cassino. Áreas de representações nacionais: ao sul é criada uma estrutura efêmera; a norte, a Feira Internacional de Lisboa (António Barreiros Ferreira e Alberto Dória). Dispõe-se ainda da Gare do Oriente (Santiago Calatrava) e o Centro Comercial Vasco da Gama (José Quintela/Sonae).
85 Dentre eles Santiago Calatrava e Álvaro Siza, autores do Gare do Oriente e do Pavilhão de Portugal,
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representou uma lógica contabilística sobre o caráter regenerador (CABRAL, 1999, APUD FIGUEIRAS, 2010, P. 158).
Figura 06: Plano de Urbanização da Expo 98 de Lisboa, por Luiz Vassalo Rosa. Destaque para área de Pormenor 2 e o Parque das Nações.
Fonte: http://www.arquiteturaportuguesa.pt/urbanismo-em-portugal/
Figura 07: Plano de massas da área de Pormenor 02 – Parque de Exposições.
Fonte: http://pt.slideshare.net/DialogoComunicacao/palestra-claudio-sat-expo-98-ao-parque-das- naes
Figura 08: Pavilhão de Portugal (Álvaro Siza) e Torres gêmeas São Gabriel e São Rafael (Regino Crus e Grupo SOM – Sidmore, Owings & Merril).
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Observa-se que, apesar da requalificação da zona portuária ter retomando níveis de urbanidade que antes não ocorriam com o processo de degradação da região, optou-se por adotar referentes arquitetônicos de grande força simbólica para a atração de visitantes. Esse contexto reforça o marketing urbano86 para a região que se supervalorizou dando lugar a
interesses especulativos do setor privado, estimulando a concentração de renda e de segregação (CABRAL, 1999).
No caso da Expo 98 Lucília Caetano (1997, p. 23) confirma
Nesta área, sujeita à intervenção urbanística, existem bairros ribeirinhos que alojam uma população envelhecida e com carências econômicas. Esta população residente será expulsa por não ter, no novo modelo de urbanização, condições econômicas para aí se manter. (...) Após a intervenção, vão implantar-se, preferencialmente, terciários sofisticados, comércio de luxo, unidades industriais não poluentes baseadas em tecnologias de ponta, equipamentos culturais, e de lazer associados ao turismo, e função residencial de alta qualidade, beneficiando do prestígio da localização (frente de água).
De fato, o espaço do Parque das Nações é propício à frequentação pública e à prática de atividades cotidianas. Porém morar na região da Expo 98 é caro, não só pelo valor imobiliário das habitações, mas pela infraestrutura disponível e pelos serviços que ali são oferecidos para manter a dinâmica de uso que é direcionada à atração turística (GARCIA, 2010).
Scherer (2003) observa que os espaços livres preservam um diálogo espacial com orla e áreas verdes onde localizam-se equipamentos como escolas e postos de saúde, necessários ao dia-a-dia dos residentes. Entretanto, se instaurou uma espécie de febre especulativa que teria desarticulado o “fazer cidade” necessário à escala metropolitana, inserindo a noção corriqueira de condomínio.
As habitações (figura 09) repetem modelos de operações imobiliárias que implicaram em custos urbanos tão elevados quanto aqueles praticados em casos em que não há o
86 Barbosa (2014) reforça que a força simbólica de obras icônias concebidas por arquitetos e urbanistas da mídia
mundial tende a influir em pacote de vantagens locacionais e portanto, no valor do solo e imobiliário Isso porque, na compra do imóvel, compra-se também um referente de paisagem.
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contexto dos megaeventos (FIGUEIRA, 2010, P.158). Matias Ferreira (1996, apud Figueira, 2010, p.160) questiona então se tratava “de realizar um grande evento (…) que tem uma cidade à sua volta ou, pelo contrário, (…) de desencadear uma importantíssima intervenção urbana, socioeconômica e cultural na cidade com uma exposição mundial dentro”.
Figura 09: Aspecto de alguns dos blocos habitacionais da Expo98.
Fonte: http://portfolio.soaresdacosta.com/pt/portfolio/urbanizacao-do-parque-da-expo-98/
Vê-se que, as críticas ao projeto da Expo 98 referem-se à formação de enclaves pouco integrados à área urbana. O que se pode perceber então é que se privilegiam grandes áreas para uma demanda de usuários temporária (na maioria visitantes) provocando o risco de subutilização.
A permissividade pública no sentido de modificar regras de zoneamento, a formação de áreas segregadas e a retirada de uma população de baixo poder aquisitivo, provocados pela supervalorização; a destinação de áreas muitos restritas ao uso habitacional– mesmo assim, quase sempre de alta renda - e a insuficiência de ações de mobilidade são os efeitos mais comuns em estratégias de instervenções como esta.
Além disso a distância das instalações da Expo 98 encontram-se mais próximas ao aeroporto (figura 10) do que à áreas de atividade portuária atuais, demonstrando clara ênfase a atividade turísticas e não na requalificação das áreas portuárias propriamente ditas.
83 Figura 10: Localização da Expo98 em Lisboa. Proximidade do Aeroporto de Lisboa.
Fonte: https://pt.slideshare.net/carlosgomes/lisboa-expo
As experiências até aqui expostas reverberaram em capitais latino americanas podendo-se destacar o caso de Buenos Aires no que diz respeito à revitalização do Puerto Madero87, que apesar de bem-sucedida projetualmente, gerou um enclave elitizado, de
elevado status e valor imobiliários representados majoritariamente por grandes empresas.
De acordo com Miguel Jurado (2014, apud Shluger e Danowski, 2014) o processo que resultou em um grande projeto urbano destinado a revitalizar a região do Porto Madero ocorreu em um contexto de redemocratização na Argentina88. Em 1989, o Ministério de Obras
e Serviços Públicos, o Ministério do Interior e a Prefeitura da Cidade de Buenos Aires assinaram um ato de constituição de uma sociedade anônima chamada Corporação Antigo
87A região de 170 mil metros quadrados que abriga uma arquitetura de galpões ingleses– símbolos da fase agroexportadora da Argentina, entre fins do século XIX e início de XX. Apresenta um sítio que dispõe de quatro grandes diques e barragens enfileirados executados entre os anos de 1882 e 1897, solução idealizada por engenheiros ingleses (Hawkshaw, Son e Hayter) - em articulação com o comerciante Eduardo Madero. Essa estrutura possibilitava a ancoragem da maior quantidade de navios no Rio Prata, que por apresentar pouca profundidade, obrigava grandes embarcações a ancorarem distantes da costa para descarregar mercadorias (JURADO, 2014, p. 120 in: SHLUGER e DANOWSKI, 2014).
88 Segundo David Rock (1987) em Argentina (1516-1987): from Spanish Colonization to Alfonsin, a
última ditadura argentina caiu em 1983, e nos 25 anos que antecederam o processo de redemocratização da nação 14 ditadores ascenderam à presidência, através de sucessivos golpes de estado, entre 1930 e 1976. (ROCK, 1987)
‘ Área da Expo 98 ‘ Aeroporto de Lisboa
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Porto Madero Sociedade Anônima89, com o objetivo de urbanizar a área através da parceria
entre governos da nação e da cidade, apesar da Administração dos Portos já ter contratado uma empresa de consultoria alemã para desenvolver um plano na área que tem sobreposição de jurisdição90.
Segundo Jurado (2014), o porto estava separado da microrregião do centro há apenas 100 metros, de modo que o projeto parecia ser capaz de promover efeitos positivos para setores marginalizados a partir da interferência do setor privado. Nesse sentido, em função da inviabilidade de construir edifícios de ponta em terrenos do centro – pela própria configuração do parcelamento e, em decorrência disso, pela a necessidade de negociar com vários proprietários – optou-se por definir em um primeiro projeto, encomendado a profissionais catalãs91 (figura 11), um polo empresarial na parte leste do Porto Madeiro, próximo à desembocadura dos diques92 sequenciais. Além disso, foi proposto a reciclagem de
15 galpões ingleses a oeste para atividades comerciais, recreativas e culturais.
Em função da oposição ao projeto catalão, a Corporação do Antigo Puerto Madero assina acordo de realização do Concurso Nacional, realizado pela Prefeitura de Buenos Aires e pela Sociedade Central dos Arquitetos (entidade que promovia concursos de arquitetura para orientar investimentos públicos), objetivando resgatá-lo do abandono das áreas do centro, determinando uma ocupação máxima de um milhão e meio de metros quadrados (metade do previsto no projeto anterior), além de enfatizar áreas verdes e de livre acesso ao rio, o que nunca se concretizou de fato como aponta Jurado (2014).
89Antes disso, membros da Universidade de Buenos Aires e da Universidade de Lousanne já estudavam a possibilidade de um reabilitar o porto. No caso do Puerto Madero, a configuração de uma sociedade anônima surge como uma solução para superar os aspectos jurídicos num novo contexto que se desenrolava nos anos 80 e 90, a saber a exemplo do liberalismo do governo Carlos Menem que promoveu inúmeras privatizações
90 Essa sobreposição consiste nas seguintes entidades: Administração Geral dos Portos, a rede de Ferrovias
Argentinas e a Administração Nacional de Grãos. Entretanto a transferência da maior parte dos hectares foi feia à Corporação Antigo Puerto Madero, e a prefeitura responsabilizou-se por regular o desenvolvimento urbano. 91Porém, conforme o autor, críticas apareceram com relação ao projeto acerca da alta densidade que os catalães previram para uma área mais próxima ao rio bem como a previsão de uma faixa de uso terciário ao longo dos