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Grandes tendances et variations temporelles

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Nesta fase, a condição psicológica e o compromisso profundo de cada parceiro para ouvir a realidade do outro e assumir a sua própria realidade são fundamentais, pois este momento se caracteriza pela revelação das verdades de cada um e do papel que cada qual desempenha no conflito enfrentado pelo casal. O trabalho envolvendo o que cada cônjuge espera do outro pede um exame claro e objetivo de como a relação se apresenta em termos de comunicação, apoio, cooperação e harmonia sexual, além da questão de serem essas expectativas realísticas ou não.

O terapeuta, neste momento da terapia, pode identificar a estrutura egóica de cada cônjuge, seus recursos e disponibilidade interna para adentrar em campos altamente energizados e caracterizados por sentimentos ambivalentes. Esse trabalho envolve o enfrentamento por parte dos parceiros de seus próprios complexos na busca por defesas mais criativas para lidar com as ameaças consteladas na relação. O confronto com os conteúdos sombrios é inevitável, pois

estes, por se encontrarem fortemente indiscriminados, acabam interferindo na dinâmica conjugal. Neste momento, o trabalho de diferenciação e discriminação entre o que pertence à esfera pessoal de cada cônjuge e aquilo que pertence aos dois enquanto casal é muito importante.

Jung (1991a) escreve sobre a força autônoma do complexo e sua capacidade de transpor a intenção do indivíduo. Assim, na dinâmica conjugal é importante que o complexo seja trabalhado e conscientizado, pois sabemos que apesar de todo o esforço do ego para lidar com as situações que o afligem diante de um complexo ativado, quando o ego não se rende, ele faz muito pouco para consertar uma dada situação (ULANOV, 1996). Desse modo, o que ocorre muitas vezes, é que o casal é levado por comportamentos compulsivos e desnorteados, reproduzindo um padrão que já lhes é familiar.

Quando isso acontece, a tríade terapeuta-casal, muitas vezes, sente que não está progredindo, o que nem sempre é verdadeiro. É preciso retomar o trabalho com os complexos do casal e ajudar os parceiros a discriminá-los ao invés de projetá-los. E, por sua vez, o parceiro que recebe a projeção, ao invés de se identificar com o complexo correspondente a ele, precisa discriminá-lo. Exemplo disso é o parceiro movido pelo complexo materno e que atua como o protetor do outro, devendo evitar atitudes que o infantilize.

Ulanov (1996) discorre sobre como o parceiro pode facilitar o caminho de individuação do outro. Para ela, quando destacamos o complexo de alguém, ao invés de identificar-se com ele, este fica apenas como uma parte do eu, sem tomar conta da pessoa ou do relacionamento. Tal intervenção da consciência abre espaço tanto para o complexo quanto para a possibilidade de transcendê-lo. É deste modo que o casamento pode ser um espaço para a transformação, no qual cada parceiro pode se sentir livre para ser quem ele é e a partir daí, relacionar-se verdadeiramente com o outro, diferenciado de si. Este é o desafio desta etapa, quando não mais podemos olhar o outro como o único responsável pelo problema conjugal, pela felicidade do casamento e pelo próprio processo de individuação. Assim, procura-se trabalhar com o casal sua habilidade em encontrar seus recursos, ajudando-os e direcionando-os para o centro da relação de forma que a energia psíquica se dirija no sentido da resolução do conflito.

2.2.2. 3 Possibilidades de saída do impasse

Nesta etapa, auxiliamos o casal a desenvolver sua capacidade de dialogar consigo mesmo e com o outro, e a caminhar em direção às mudanças necessárias para a superação do impasse. O terapeuta procura observar o quanto o casal está apto a dar um sentido prospectivo ao conflito e lidar criativamente com as vicissitudes da relação, legitimando suas ideias próprias para restabelecer intimidade e confiança.

As expectativas que cada um trouxe para o casamento e a necessidade de reavaliá-las foram discutidas e estão mais adequadas à situação do casal. Esse estágio, que chamamos a saída do impasse, é decisivo na terapia, pois apesar da tensão dos opostos estar presente, o casal agora pode perceber-se como capaz de lidar com os desafios e as diferenças. O conflito agora pode ser olhado com seriedade e lidado conscientemente a partir do envolvimento responsável de cada um.

Nessa etapa, o casal precisa se empenhar para construir encontros maiores, mais significativos e com junções mais espaçosas, que permitam a existência de pontos de vistas diferentes entre os dois. É preciso exercitar uma comunicação efetiva, que traga maior clareza sobre o que o outro(a) deseja dar e receber. Isso significa que cada um deve ter bem claro consigo mesmo o que ele deseja para si, o que ele coloca disponível para o outro e também o quanto ele se dispõe para novas formas de receber.

Como escreve Benedito (2004, p.95):

Neste momento, para haver uma transformação, o ego tem que abrir mão de posturas que até então se justificavam pela inconsciência das próprias feridas, e cuja dor estava, de forma transferencial, atrelada e justificada pelo comportamento do outro.

Isso não significa que impasses e discussões não irão mais existir nem que essas terminarão em acordos felizes, mas sim que o casal pode buscar a completude em um relacionamento suficientemente bom, porém, não perfeito. Significa também que ambos precisam desenvolver posturas ativas que fortaleçam e protejam o casamento. Para Nell (2005), a fase final da terapia começa quando terapeuta e casal vislumbram essa possibilidade. E o final acontece quando os

parceiros conseguem compreender seus mais significativos problemas, assim como se comunicar um com o outro de maneira construtiva.

No decorrer do processo terapêutico, alguns pontos já trabalhados nas fases anteriores são retomados, sem que este movimento configure mera repetição, mas sim um movimento circumbulatio (JUNG, 1986), pois observamos que depois de algum tempo de trabalho, o casal tem maior consciência da dinâmica conjugal e pessoal que está vivenciando e mais recursos para lidar com temas já conhecidos. Assim, há diferentes maneiras de entendermos quando um atendimento está chegando ao fim, mas podemos dizer, que quando o casal encontra sua maneira própria de dialogar, de cuidar da relação e, quando cada um se responsabiliza pelo seu processo de individuação, a terapia chegou ao fim.

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