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Corrélations

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Para o procedimento da análise dos dados utilizamos a análise de conteúdo, que, segundo Bardin (1979) e Rey (2005), é definida como um conjunto de técnicas de análise da comunicação que objetiva alcançar, por meio de procedimentos sistemáticos, indicadores que permitam a inferência de conhecimentos relativos às produções e recepções das mensagens. Dessa forma, neste estudo, por meio da análise de conteúdo, os elementos objetivos e subjetivos foram considerados e a análise foi feita de maneira exploratória, de modo que esse conteúdo foi organizado em categorias.

Inicialmente, procedemos à leitura do material, das sessões transcritas dos dois atendimentos de casal. Foi necessário ler e ouvir o material coletado para termos uma ideia de todo o processo terapêutico.

Como o nosso objetivo era elaborar um método de trabalho com os sonhos, realçamos os sonhos no atendimento, selecionamos as sessões em que eles foram trazidos, assim como observamos o modo como os sonhos foram trabalhados e o resultado deste trabalho.

Em seguida, construímos as categorias para a elaboração do método. À primeira categoria denominamos Fases e subfases do método.

5.3.1 Categoria I

Percebemos que o método que emergia se desdobrava em três momentos ou fases: Sonho do casal, Apreciação e Reflexão.

5.3.1.1 Sonho do casal

A primeira fase do método, Sonho do casal, refere-se ao momento inicial do trabalho com os sonhos, quando este foi trazido por um dos cônjuges e o casal passou a olhá-lo conjuntamente. Tratou-se, portanto, de direcionar o trabalho com o sonho compartilhado por um dos parceiros no setting, em direção ao relacionamento conjugal, colocando-o a serviço da relação.

Esta fase dividiu-se em algumas subfases, que denominamos: • Contar o sonho

No início do atendimento os casais foram estimulados a atentar para os seus sonhos e anotá-los se achassem necessário. Qualquer sonho poderia ser contato nas sessões. Todos os sonhos trazidos pelos parceiros foram ouvidos pela terapeuta atentamente e sem interrupção.

• Escolher o sonho

Depois de contar o sonho, o casal decidia se gostaria de trabalhar ou não com ele na sessão. Caso houvesse mais de um sonho, o casal poderia escolher um deles para ser trabalhado.

• Relato

Após o casal definir o sonho a ser trabalhado, pedimos ao parceiro sonhador que relatasse o sonho duas vezes em voz alta e no tempo presente. Enquanto o parceiro sonhador narrava o sonho, o parceiro ouvinte era estimulado a ouvir o sonho “como se fosse seu”.

Neste momento, os parceiros podiam se concentrar nas emoções que sentiam e, assim, como casal, entrar em contato com o contexto da experiência onírica. Então, o sonho podia passar a ser visto como algo diferenciado, que estava a serviço da relação, como o “sonho do casal”.

• Título

Num momento seguinte, propusemos um exercício com o objetivo de abrir um espaço para o casal exercitar sua capacidade de dialogar e de encontrar uma resolução comum, com base em diferentes opiniões. Solicitamos ao casal que

escolhesse um título para o sonho narrado, que sintetizasse as ideias dos dois parceiros sobre a narrativa. Concedemos o tempo necessário para que os parceiros pudessem dialogar a respeito da percepção de cada um sobre o sonho narrado e chegassem a um acordo, baseado nas sugestões de ambos. Nesse momento, a terapeuta permanecia em silêncio, apenas observando a discussão do casal.

5.3.1.2 Apreciação

Refere-se à observação detalhada por parte do casal das imagens oníricas e dos temas que elas evocam. Esta etapa envolveu a apreciação do sonho em seu contexto intrínseco. Procuramos nos aproximar das imagens oníricas, observando os aspectos dos elementos que o compõem. As imagens dos sonhos foram exploradas por meio de descrições detalhadas, o que ajudou o casal a experimentar as emoções ligadas a elas e motivar associações. Utilizamos os quatro momentos da narrativa dramática sugeridos por Jung (1984), que são: exposição, intriga, culminação e desfecho ou lise. Realizamos com o casal uma observação mais completa possível do sonho relatado, procurando acompanhar sua narrativa.

Estimulamos os parceiros a participar da análise dos elementos e a contribuir com o trabalho de compreensão da estrutura dramática, solicitando que falassem de suas impressões, dos temas presentes no sonho, sobre as associações e amplificações tecidas e sobre os insights alcançados após o contato com as imagens.

Nesta fase, os sonhos foram trabalhados, na sessão, segundo os critérios: contexto onírico, associações pessoais, amplificações, temas oníricos, insights do casal e hipótese sobre os conflitos.

• Contexto onírico

Trata-se do cenário onde se passa o sonho, quando a cena da ação, a situação e os protagonistas são apresentados por meio da narrativa.

• Associações pessoais

quais se encontram ligadas às vivências pessoais do casal. • Amplificações

Material expresso verbalmente pelo casal ou pelo terapeuta que promoveu a expansão do contexto da interpretação das imagens oníricas, permitindo que seu conteúdo, tanto manifesto como latente, fosse explorado.

• Temas oníricos

Motivos encontrados na narrativa do sonho que ajudaram o casal a identificar e abordar os elementos presentes na dinâmica relacional.

• Insights do casal

O sentido que o trabalho com o sonho propiciou ao casal em relação a uma situação específica, isto é, as percepções das conexões significativas entre as mensagens oníricas e o conflito conjugal.

• Hipóteses sobre os conflitos

As hipóteses dos conflitos dos casais que, segundo a terapeuta, os sonhos foram apontando no decorrer do trabalho.

5.3.1.3 Reflexão

Nesta terceira fase, finalmente, o casal foi estimulado a relacionar os aspectos trabalhados com os sonhos aos conflitos do casal. Ou seja, foi estimulado pela terapeuta a se situar na narrativa e nas imagens oníricas, a fim de relacioná-las ao conflito conjugal. Toda vivência com o sonho, os aspectos dos elementos presentes nele, assim como as próprias imagens oníricas, neste momento, foram evocados tanto pelo casal como pelo terapeuta, para ilustrar, clarear e mediar o diálogo sobre o conflito e as possíveis formas de lidar com ele. Procuramos estimular o casal a lidar com problemática do relacionamento por meio do que foi vivenciado com o trabalho com o sonho. Nesta fase, o casal foi convidado a falar sobre seu relacionamento, seus conflitos, expectativas em relação ao casamento e

os insights alcançados. E por fim, refletir juntos sobre as possíveis formas de resolver os conflitos emergentes.

5.3.2 Categoria II

Após o delineamento das fases, observamos quais as repercussões que cada subfase provocara na dinâmica do casal. Construímos, então, a categoria II, denominada “As repercussões do método na dinâmica conjugal”.

A partir das análises nas Categorias I e II pudemos construir um método de trabalho com os sonhos, que inclui: objetivos, procedimentos e atitudes terapêuticas, que serão apresentados na discussão.

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