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SOBRE A PRÁTICA DO SWING

Daniel Bruno de Melo Oliveira

INTRODUÇÃO

Nas páginas, a seguir, trago um panorama de uma prática complexa, cuja dinâmica se dá entre o segredo e o público, entre o esconder e o publicar, transitando entre o desvio e o conser- vadorismo. Tal prática é muito comumente associada a um universo caótico e machista. Por um lado, pessoas desviantes, pervertidas e “poluídas”45, e por outro, pessoas de mente aberta,

inovadoras e modernas. Trata-se de uma prática que, de uma maneira ou de outra, desperta o imaginário e a curiosidade até mesmo das pessoas que a difamam: a troca de casais.

Este artigo é um desdobramento da minha pesquisa na graduação e propõe levantar e discutir questões acerca dos relacionamentos afetivo-sexuais entre homens e mulheres a partir da prática do swing, mais comumente conhecida como troca de casais, na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, realizada entre 2010 e 2011. O objetivo é discutir as noções de conjugalidade, sexualidade e representações de gênero que estão sendo negociadas no meio swinger, procurando entender que práticas e comportamentos definem o que é ser homem e mulher no universo da troca de casais. Procura trazer

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questionamentos para refletir sobre as construções dos papéis femininos e masculinos em relacionamentos afetivo-sexuais entre homens e mulheres, tendo como base a experiência de casais adeptos da prática do swing, buscando compreender as transformações nas representações de gênero e ideais de conjugalidade e sexualidade. O que leva homens e mulheres a procurarem a troca de parceiros em uma relação? Como os casais delimitam as regras do que pode e o que não pode em seus relacionamentos? Quais as definições de fidelidade e infidelidade para os casais praticantes de swing? Afinal, que performances caracterizam o que é ser mulher e homem em um universo onde os participantes “podem tudo, mas não são obrigados a nada”?

Em 2009, assisti a um documentário de 1999 dirigido por David Schisgall, chamado The Lifestyle – Swinging in America que mostra casais das camadas médias urbanas da Califórnia, Estados Unidos, que praticam o que eles chamam de recreational

group sex, ou sexo recreativo em grupo. O documentário mostra

as histórias e as trajetórias de cerca de 10 casais que fazem parte de um clube chamado de Swinging group in Orange County, localizado a cerca de 60 km de Los Angeles, no sul da Califórnia. Na mesma época também assisti a um filme francês chamado

Peindre ou Fairel’Amour46, o qual mostra como a amizade que

surge entre dois casais coloca em jogo noções tradicionais de conjugalidade. Foi a partir do documentário e deste filme que começaram a surgir para mim algumas questões acerca das relações existentes no Brasil entre conjugalidade e sexualidade. Antes do documentário, eu não tinha muitas informações sobre

46 Pintar ou fazer Amor – Direção de Arnaud Larrieu e Jean-Marie Larrieu. 2005/França.

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a prática da troca de casais, que também é conhecida como o swing47. Nada além do que era publicado em periódicos e abor-

dado em algumas séries de TV. Interessava-me, assim, saber como os casais adeptos da prática do swing lidam com os ideais de monogamia, infidelidade e liberdade sexual.

Depois de ter assistido ao documentário, os relatos dos casais estadunidenses entrevistados ficaram na minha cabeça. Nunca imaginei que eu teria a oportunidade de conhecer de perto pessoas que adotavam a “mesma” prática narrada no documentário, na mesma cidade que eu morava, por imaginar este universo definitivamente distante do meu, misterioso e inalcançável, e mesmo sabendo que o swing poderia existir de alguma forma na cidade, ele parecia ocupar um espaço à parte, com suas próprias regras.

Durante o período do trabalho de campo, entrevistei48

nove casais moradores da cidade de Natal, um casal morador da cidade do Rio de Janeiro, um outro casal de Brasília, além de duas mulheres solteiras e um homem solteiro que também faziam parte do grupo de amizades dos casais e eram adeptos da prática, totalizando 25 pessoas. A partir de janeiro de 2011, passei a acompanhar também um site especializado49, no qual

criei um perfil chamado “Pesquisador UFRN” e pude, além de participar do fórum de discussões (que trata, em geral, de temas relacionados à prática do swing), entrevistar virtualmente

47 Os termos swing e swingers são usados aqui como palavras nativas utili- zadas pelos casais entrevistados para denominar a prática que realizam e para se autoclassificarem.

48 Aqui foram feitas entrevistas semiestruturadas tanto presencialmente quanto virtualmente.

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casais de várias cidades do Brasil. Participei de um total de 12 encontros realizados por casais potiguares adeptos do swing em bares e restaurantes da zona sul de Natal. Minha participação nesses encontros aconteceu entre dezembro de 2010 a agosto de 2011, em meses não consecutivos, e cada encontro durava pouco mais de duas horas, totalizando aproximadamente 25 horas.

UM RETRATO DO SWING

Atualmente, a prática do swing é conhecida, na língua inglesa, como swinging50 ou apenas the lifestyle, como é mais

conhecida nos chamados países anglo-saxônicos. Hoje, os adeptos do lifestyle procuram se diferenciar do antigo termo

wife swapping, que é por eles considerado ultrapassado, princi-

palmente por não dar conta das inúmeras variantes de práticas sexuais as quais os swingers podem adotar, tais como ménage a

trois (casal + homem ou mulher, com ou sem bissexual feminino

ou bissexual masculino), sexo grupal, gang bang (quando uma mulher transa com vários homens em sequência), voyeurismo (observar pessoas transando), exibionismo, entre outras práticas.51 Ligeiramente diferente da cena internacional da

prática do swing, onde os locais destinados à pratica do swing são normalmente chamados de clubes (GOULD, 1999), no Brasil estes ambientes ganham o nome de casa de swing.

Ainda é difícil traçar com precisão o número de casas de

swing no Brasil, já que boa parte desses locais funciona como um pub e uma boate “tradicional”, e apenas passa a funcionar como

50 A própria palavra swinging faz alusão a oscilar, balançar, poder ir e voltar. 51 http://www.portaldoscasais.com.br/swing-swingers.php

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casa de swing a partir de um determinado horário e apenas durante alguns dias da semana. Além disso, na internet, até mesmo alguns sites especializados52 não parecem dispor de

informações atualizadas sobre este aspecto.

Entre setembro e outubro de 2010, procurei fazer um mapeamento de quantas casas de swing existiam em Natal, Rio Grande do Norte. Para minha surpresa, descobri que até então não existiam casas de swing em Natal. Passei a me perguntar, portanto, como os casais de Natal faziam para se encontrar e conhecer outros casais também adeptos da prática da troca de parceiros.

Georg Simmel (2001) nos ajuda a pensar por que essa ausência casas de swing em Natal. Em sua obra escrita no início do século XX, o autor indica que os moradores de grandes centros urbanos aprendem a desenvolver o que ele chama de uma postura espiritual como defesa contra a grande quantidade de estímulos e acontecimentos que surgem numa velocidade cada vez maior e de forma cada vez mais inesperada. Esta postura pode ser vista como estratégia de defesa que se apre- senta de várias maneiras, como aversão repulsa e indiferença para com os outros, tendo isso como ramificação a garantia de liberdade aos indivíduos habitantes dessas grandes cidades. Ao contrário de metrópoles como São Paulo, que possuem várias casas de swing53, Natal não se mostra ainda como uma grande

metrópole, tendo apenas 170.298 km2 e com aproximadamente 810 mil habitantes54, fato que, até certo nível, dificultaria a

52 http://www.stylogyn.com.br/v2/outras-regioes.php

53 http://www.baladaliberalsp.com/

54 Fonte: Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/ Natal,_Rio_Grande_do_Norte

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existência e vivência de práticas como a troca de casais com a mesma garantia de anonimato e discrição daqueles adeptos da prática em grandes cidades.

Depois de descobrir a ausência de casas de swing na cidade de Natal e sem ter muita certeza por onde começar, ou para onde ir, comecei a “surfar” na internet, à procura de contatos do Rio Grande do Norte. Encontrei um site55 em que existem perfis

cadastrados de todos os estados do Brasil e dispõe de várias ferramentas de interação entre os usuários. Na ferramenta de busca, selecionei Rio Grande do Norte e apareceu um total de 1.238 perfis cadastrados, categorizados da seguinte forma: “Mulheres, Homens, Casal Ele/Ela, Casal Ela/Ela, Casal Ele/Ele, Transex”. Usei a ferramenta de filtros e selecionei apenas “Casal Ele/Ela” e um total de 496 perfis apareceram. Utilizei a mesma ferramenta para as demais classificações e tive o seguinte resultado para o Rio Grande do Norte56:

Homens 531 perfis

Mulheres 96 perfis

Casal Ela/Ela 32 perfis

Casal Ele/Ele 66 perfis

Transex 17 perfis

55 www.sexlog.com.br.

56 Selecionando todos os estados brasileiros, o número total de perfis cadastrados neste site era de 124.392 mil.

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Nota-se que, embora os usuários masculinos formem a maioria dos perfis cadastrados, o site coloca em evidência o perfil de casais (ele/ela) e mulheres na página inicial, dando destaque para fotos e vídeos com o maior número de comen- tários. A maioria das fotografias era bem explícita, com vários registros de cenas de sexo. Visitei alguns perfis classificados como “Casal Ele/Ela”, à procura de algum e-mail para contato. Logo percebi que a maioria das fotos desses perfis era da mulher. Seu corpo todo era exibido em várias poses, com pouca ou sem nenhuma roupa, com exceção do rosto, que nas fotos sempre estava borrado e desfocado, assim como outros atributos, como tatuagem, que poderiam facilitar sua identificação. Poucas foto- grafias mostravam o marido dessas mulheres, e normalmente quando se via fotos do marido, ele estava acompanhado de sua esposa, em cenas de sexo57. Pierre Bourdieu (2003) indica que a

exibição do corpo da mulher, encarnando uma passividade em relação aos desejos masculinos além da capacidade de sedução de seu corpo, serviria para honrar os homens aos quais ela está direta ou indiretamente ligada. Roberto DaMatta (1985), também reforça a ideia apresentada por Bourdieu, ao analisar o romance Dona Flor e Seus Dois Maridos. DaMatta apresenta o caráter relacional que o feminino assume na estrutura ideo- lógica brasileira como mediador por excelência. Para este autor, a mulher seria a fonte de elos entre os homens.

Continuei navegando pelo site, e em um desses perfis vi o link para uma postagem de um blog de um casal58 identificado

57 Vale a pena mencionar que este padrão não se repete com os perfis de casais mais novos, com idades entre 18 e 25, que normalmente continham várias fotografias de ambos, tanto da esposa quanto do marido, tanto juntos quanto sozinhos nas fotos.

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pelo apelido de Beto e Amelie. Nesse blog, com posts desde 2007, o casal costuma relatar suas experiências no mundo swinger e refletir sobre a prática. Mandei então uma mensagem para o e-mail disponibilizado no blog, me identificando como estu- dante de Ciências Sociais, fazendo um estudo sobre a prática da troca de casais, explicando os interesses da minha pesquisa e seu caráter puramente acadêmico. Não obtive nenhuma resposta durante mais de uma semana. Continuei enviando mensagens para outros casais que tinham seus e-mails dispo- nibilizados em seus perfis, mas não recebia de volta nenhuma resposta, por mais evasiva que fosse. Minha impressão era que, acima de tudo, os casais swingers poderiam desejar preservar suas identidades e permanecer no anonimato e que esta poderia ser uma preocupação constante. Talvez eu fosse um pesquisador querendo entrar em um ambiente no qual muitos de seus integrantes não gostariam de ser pesquisados (descobertos, revelados), ou ainda, por ser uma pessoa “fora do meio”, minha presença ali, mesmo que em um ambiente virtual, não era “autorizada”. Para minha surpresa, vários dias depois de ter enviado a mensagem, recebo a resposta do casal que mantinha o blog mencionado recentemente.

Beto e Amelie formam um casal que mora na cidade do Rio de Janeiro. Ambos com 34 anos. Em reposta ao meu primeiro contato, eles falaram que nunca participaram de uma entrevista antes, mas que gostaram do tema da minha pesquisa. Mencionaram ainda que em conversa com outros casais, chegaram a falar que seria interessante “participar de algum estudo sobre o meio swinger59, seja para revistas ou

59 Aqui, o termo meio swinger é uma categoria nativa que se refere a um cenário em que o estilo de vida swinger se desenrola.

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para canais de televisão, como já aconteceu com outros casais.” Ainda no e-mail eles me sugeriram conversar pelo MSN60, ideia

que aceitei prontamente.

Pelo Messenger, as conversas estabelecidas com este casal duraram aproximadamente 3 semanas. Nos falávamos todos os finais de semana, de sexta a domingo e, mesmo estando sempre juntos, quem escrevia era a Amelie. As conversas tomavam contornos para além da pesquisa. Com relação a esta, Beto e Amelie (que vou chamar de Casal 01) foram os responsáveis em me fornecer um vasto panorama das variantes da prática do

swing em grandes cidades do Brasil, desde as várias maneiras

pelas quais os casais se articulam entre si, das regras existentes no meio swinger e a importância que elas têm para o casal, até a forma como funciona uma casa de swing e como as pessoas se comportam lá dentro. Foi também durante essas conversas que, em setembro de 2010, eles me falaram de um casal que eram amigos deles de longa data, residentes em Brasília, que estavam indo passar as férias em Natal e que ficaram curiosos quando souberam da minha pesquisa e da amizade que eles estavam mantendo comigo, como pesquisador. Perguntei se poderia adicioná-los ao Messenger e, depois de certa hesitação, a resposta foi positiva.

Fiquei contente ao perceber que começava a se formar ali a minha primeira rede de contatos neste universo de pesquisa. O casal de Brasília, que vou chamar a partir de agora de Casal 02 chegaria a Natal em dezembro. Carlos e Carla61, 41 e 34 anos,

60 MSN Messenger é um programa de comunicação instantânea pela Internet, que permite um usuário falar com outra pessoa que tenha o mesmo programa, em tempo real.

61 Carlos e Carol são nomes fictícios, criados por mim que, assim como todos os outros casais mencionados ao longo do texto, não refletem os nomes

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respectivamente. Assim como as conversas informais com o casal do Rio de Janeiro, as conversas com o Casal 02 também tomavam diversos matizes e não falávamos de forma exclusiva sobre a pesquisa. Mais tarde, descobriria que seria por meio desse casal que eu chegaria até os casais potiguares. Soube que eles conheceram alguns casais de Natal em uma festa na cidade de São Paulo naquele mesmo ano e decidiram que iriam visitar a capital potiguar em breve, já que além da amizade que estabeleceram com alguns casais potiguares, eles tinham em primeiro lugar vontade de conhecer o litoral do Rio Grande do Norte. Mesmo com certa desconfiança de minha parte, devido à facilidade que tive na minha aproximação do campo, em manter um primeiro contato sólido rapidamente com estes casais e suas respostas positivas em relação aos meus pedidos, senti que, em breve, finalmente eu poderia sair de uma etno- grafia meramente virtual (enviar e-mails, entrevistar casais pelo MSN) e passar para uma etnografia observante.

Mesmo não considerando que a pesquisa se trata profun- damente de um estudo de caso, ao longo da construção da etnografia, recorri a fontes primárias, aliadas a entrevistas e à observação participante como técnicas centrais de coletas de dados. Não apenas as informações fornecidas durante a etnografia nas entrevistas, mas inclusive as conversas infor- mais com os entrevistados foram devidamente relatadas no diário de campo, que acabou se mostrando uma ferramenta bastante útil. Bronislaw Malinowski (1978) nos lembra como era importante registrar tudo que era apresentado ao pesqui- sador em campo, uma vez que coisas, por mais periféricas e sutis que aparentavam ser naquele momento, se mostravam

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posteriormente centrais na construção do trabalho. Contudo, vale ainda ressaltar que, como este é um olhar sobre uma prática sexual, não se procura “verdades universais” por trás dos sujeitos pesquisados, uma vez que a própria antropologia se trata, nas palavras de Clifford Geertz (1989), de “uma ciência interpretativa”. Portanto, quando estava em campo, mesmo quando em conversas informais com os casais, foi necessário estar atento aos detalhes e às interpretações das ações desses sujeitos, procurando interpretar ações que continham em si um significado diferente. Sabemos das dificuldades enfrentadas ao transportar a experiência de uma observação para a escrita, já que existem tantas outras interpretações válidas para a “verdade” que estamos construindo. A prática da etnografia é muito bem analisada por Geertz (2001, p. 33) quando afirma que “entendida de modo literal, a observação participante é uma forma paradoxal e enganosa, mas pode ser considerada seriamente se reformulada em termos hermenêuticos, como uma dialética entre experiência e interpretação”. Por isso, foi importante diferenciar na observação participante, por exemplo, o cruzar de pernas das mulheres apenas para se sentirem mais confortáveis no bar, e uma cruzada de pernas para fazer charme e atrair a atenção das pessoas ao redor. A observação participante, junto a estes casais, permitiu interpretar performances de gênero que tantos os homens e as mulheres, sejam casais, sejam pessoas solteiras, articulam em ambientes de sedução, como os bares e boates visitados.

Apesar da importância do uso da observação participante, não foi preciso se tornar um swinger (categoria êmica), como sugere o exemplo de Loic Wacquant (2000) no seu estudo antro- pológico sobre os boxeadores profissionais, em Chicago, que para entender a exploração e a mercantilização do corpo dos

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lutadores de boxe, tornou-se um boxeador, chegando ao ponto de cogitar em abandonar a carreira acadêmica e se dedicar ao boxe profissional. Além desse aspecto, boa parte de minha pesquisa se deu em um ambiente virtual, isto é, navegando em sites de casas de swing, fotologs, blogs, e redes sociais orientadas para a “população swinger”, caracterizando o que poderia se chamar de uma etnografia virtual (HINE, 2000), e aqui, as mesmas exigên- cias que recaem sobre qualquer outra etnografia são também aplicadas e exigidas. O “estar em campo”, neste caso, adquire um significado bem diferente daquele lembrado por Malinowski (1978), já que não montei uma cabana para conviver com os “nativos” em campo. Várias entrevistas aconteceram no final da noite, quando eu estava sozinho em meu quarto, e ao mesmo tempo, conversando com vários “nativos” por meio dos sites e comunidades virtuais (JONES, 1995).

NATAL EM NATAL: A PRIMEIRA ENTREVISTA

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