Chapter 6: Characterizing the role of socioeconomic pathways in shaping
6.3.3. Future urban heat hazard
Para melhor compreender a frequência de micronúcleos e a sua relação com a idade, tempo de tabagismo, quantidade de cigarros consumidos e concentração de Chumbo-210 foram elaborados gráficos a partir da Análise de Componentes Principais (ACP).
Na figura 31, o gráfico apresenta a primeira componente principal 1 para as amostras dos fumantes, esta componente apresenta 44% da informação e mostra as relações entre as variáveis definidas para idade, T (tempo de tabagismo), Q (quantidade de cigarros consumidos), F (Frequência de Micronúcleo) e C (Concentração do 210Pb). Na região mais
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positiva encontram-se agrupadas entre si fatores como a frequência de micronúcleo e a quantidade de cigarros consumidos.
Observa-se no lado negativo do eixo PC1 um grupo associado à concentração de Chumbo-210. Todas essas variáveis estão dispostas conforme suas afinidades naturais e agrupadas com a maior variância possível. Uma sugestão para tal comportamento é que existam comportamentos distintos para os dados de entrada, uma vez que a concentração mensurada para o Chumbo está em uma posição oposta aos demais parâmetros, como o tempo de tabagismo e a idade do indivíduo. Essa possibilidade é corroborada pelo fato de que os organismos e mecanismos de fixação e excreção do Chumbo-210 são distintos e não contemplados neste estudo.
101 Figura 31. Gráfico obtido por ACP para as correlações entre idade, tempo de
tabagismo, quantidade de cigarros consumidos, frequência de micronúcleos e concentração do 210Pb na urina de fumantes
Figura 32. Gráfico obtido por ACP para o comportamento dos indivíduos fumantes em relação as frequência de micronúcleo, concentração de 210Pb e
fatores como idade, tempo de tabagismo e quantidade de cigarros consumidos
Legenda. Na Figura 31 é possível observar no eixo das abscissas (Componente Principal 1 – PC1) que as variáveis Frequência de micronúcleo (F) e Quantidade de cigarros consumidos (Q) apresentaram maior correlação, como indicado pelo circulo verde. O tempo de tabagismo (Tempo) e a idade dos voluntários (idade) aparecem agrupados – indicado pelo circulo vermelho - sem correlação significativa com a concentração de 210Pb (C).
Legenda. Os indivíduos delimitados pelo quadrado azul representam aqueles que têm maior representatividade para a excreção do 210Pb. Por sua vez os indivíduos delimitados pelo quadrado verde são os maiores representantes da relação quantidade de cigarros e frequência de micronúcleo. Os voluntários indicados pelo quadrado vermelho apresentam maior expressividade para as variáveis como a idade e tempo de tabagismo. Os voluntários F4, F5, F7, F10, F11 e F12, estão mais relacionados com os parâmetros idade, tempo, frequência do micronúcleo e quantidade de cigarros. Os indivíduos F8, F9 e F14 não são expressivos por não se enquadrarem em nenhum conjunto das variáveis.
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Com essa análise estatística foi possível evidenciar e descrever o comportamento associado à variabilidade natural dos indivíduos que tiveram seu perfil estudado. Conjuntamente com o gráfico das variáveis, o gráfico dos indivíduos (Figura 32) mostra o agrupamento e disposição dos perfis dos indivíduos com maior representatividade entre os grupos de parâmetros formados. Assim, comparando-se os dois gráficos, observa-se que os indivíduos F1, F2, F3, F6, F13 e F15 estão no lado esquerdo do eixo PC1, mostrando sua relação mais representativa com o parâmetro concentração do Chumbo-210. Já no lado direito do eixo PC1 estão os indivíduos F4, F5, F7, F10, F11 e F12, mais relacionados com os parâmetros idade, tempo, frequência do micronúcleo e quantidade de cigarros. Neste método caracterizam-se os indivíduos F8, F9 e F14 por estarem em cima da linha do eixo PC1 como pouco representativos para qualquer um dos lados, e assim podem ser descartados para elaboração deste modelo de representatividade entre perfis e as variáveis. Comparando-se os dois gráficos verifica-se ainda em relação ao eixo componente principal 2 (PC2), que contém 30% da informação da variância, que a concentração de Chumbo-210 tem alguma relação com os parâmetros idade e tempo de tabagismo somente quando totalmente descorrelacionados dos parâmetros de quantidade cigarros e frequência de micronúcleos, e que esse agrupamento é mais significativo com os indivíduos F1, F3, F5, F7, F8 e F12.
Já a aplicação da Regressão Logística Multinominal (Anexo C1), para esta pesquisa, sugere que a idade e o tempo de tabagismo não têm correlação significante com a frequência de micronúcleos. Esse resultado está de acordo com a pesquisa de Burgaz et al. (1995) que teve por objetivo estudar a excreção do Tioéter e a frequência de micronúcleo em células esfoliativas da urina de fumantes e não fumantes, a idade não exerceu efeito significante.
No trabalho de Raeli e col. (1987) a avaliação da frequência de micronúcleos em células esfoliativas, e a mutagenicidade em urina de fumantes relacionada com a idade foi inconclusiva, não havendo diferença significante entre as faixas etárias. Outros estudos também corroboram para os resultados aqui encontrados, para esta variável (ESPINOZA et al., 2008; SUHAS et al., 2004; LEHUCHER-MICHAEL et al., 1996; WARNER et al.,1994).
A relação entre idade e frequência de micronúcleo é mais pronunciada em células esfoliativas da mucosa bucal (BONASSI et al., 2011). Fenech e Bonassi (2011) explicam que aumento da frequência de micronúcleo com idade é devido a uma combinação de fatores que incluem: a) o efeito acumulativo adquirido de mutações envolvendo o reparo do DNA, segregação de cromossomos e os checkpoints do ciclo celular; b) aberrações numéricas e estruturais no cromossomo causadas por genotoxinas endógenas, nutrição inadequada,
exposição ambiental ou ocupacional a agentes genotóxicos, bem como uma ampla gama de fatores envolvendo um estilo de vida pouco saudável.
O efeito desses fatores foi similarmente reportado em pesquisas envolvendo a relação da idade com a frequência de micronúcleos em linfócitos do sangue periférico (BONASSI et al., 2011).
No presente estudo, o consumo de bebida alcoólica não foi levado em consideração para a pesquisa dos micronúcleos, devido ao álcool não ser diretamente um agente carcinogênico para o trato urogenital. Além disso, estudos mostram que consumo de bebidas não resultou em um aumento da frequência de micronúcleos em células esfoliativas da urina (NERSESYAN et al., 2014; BONASSI et al., 2011; FONTANA et al., 2001; BURGAZ et al., 1995; RAELI et al., 1987). Contudo, pode haver uma interação sinérgica entre o consumo de álcool e cigarro, e o efeito disso seria um aumento na frequência de micronúcleos, como observado por Stich e col. (1982) em células da mucosa bucal.
Santos Lima e Chagas (2010) explicam que um dos produtos do álcool, o acetaldeído pode se comportar como um solvente, permitindo que substâncias genotóxicas interiorizem-se nas células. Além disso, o álcool acelera o metabolismo do fígado, ativando assim substâncias capazes de causar danos no DNA. Esses autores encontraram associações positivas entre álcool e micronúcleo em linfócitos de produtores de hortaliças expostos a pesticidas.