• Aucun résultat trouvé

“Durante as últimas duas décadas, a RDD dispôs não só de uma panóplia muito diversa de instrumentos de desenvolvimento, como conseguiu ainda obter um conjunto diversificado e substancial de apoios aos investimentos infra-estruturais e produtivos, que ajudaram a região a ganhar uma crescente visibilidade e uma nova dinâmica de promoção e valorização (Bianchi, 2002).”

O concelho do Peso da Régua possui um grande e diversificado potencial natural, patrimonial edificado e cultural. Os recursos naturais do concelho, como as paisagens, o rio e a vinha, têm sido enunciados como os principais factores facilitadores de desenvolvimento do concelho, quer economicamente, quer socialmente. A actividade vitivinícola, responsável pela existência da paisagem cultural que nos distingue e pela concepção de vinhos conhecidos mundialmente é maioritariamente tradicional, com baixas produtividades, sendo a principal actividade do concelho, o sustento de muitas famílias, e o sector mais importante na dinamização do concelho.

Contudo é de salientar que o concelho tem muitos outros recursos que carecem de ser valorizados e dinamizados, não se pode associar o concelho apenas ao vinho e à vinha, às paisagens e ao Rio Douro. Urge a necessidade de se apostar na diversificação dos recursos, interligando-os, e tirando o máximo beneficio que daí possa advir.

É um concelho com uma economia muito pouco diversificada, onde os sectores de actividade estão relacionados nomeadamente com o vinho, o comércio e o turismo. Este último visto como uma actividade sazonal que só funciona maioritariamente no verão.

A escolha do tema deste estudo recaiu em grande parte ao facto de o concelho não estar a empenhar-se o mais correctamente diante dos seus recursos. A verdade é que nos tempos mais recentes o concelho tem tido uma maior visibilidade e capacidade de iniciativa, porém alguma coisa está a falhar quando se fala da gestão dos recursos locais, e através do estudo pretendeu-se mostrar quais os principais obstáculos e as medidas a realizar para uma melhor gestão dos recursos, através de que meios podem ser valorizados e dinamizados, e consequentemente o desenvolvimento económico e social do concelho.

As aldeias do concelho têm sofrido um decréscimo populacional excessivo, um abandono permanente por parte dos mais jovens. Os esforços que têm sido feitos no sentido de inverter essa tendência, como o investimento na qualificação e formação profissional da população, os apoios na escolaridade, não são ainda suficientes para

combater esta desertificação. Este abandono deve-se na sua maioria à falta de oportunidades para os jovens fora do sector da agricultura, à inexistência de infra- estruturas que os cativem a ficar, deve-se particularmente à ausência de uma boa qualidade-de-vida.

Após a entrevista com os inquiridos, e depois de comparar as respostas dadas por todos eles, constatou-se que todas as organizações têm plena consciência da importância que os recursos e os valores do concelho apresentam para a sua dinamização. Porém, verificou-se que cada uma das entidades apela maioritariamente para a necessidade de valorização dos recursos relacionados com o seu sector de actividade.

Apuraram-se muito poucas parcerias entre as organizações inquiridas. Apesar de se terem verificado novos investimentos na valorização dos recursos, como a criação do Museu do Douro, da Biblioteca Municipal, da requalificação da zona ribeirinha, entre outros, a capacidade de iniciativa e de empreendedorismo por parte dos actores locais é ainda reduzida, sobretudo por parte dos mais velhos, onde existe uma maior resistência à mudança e é necessário alargarem-se os campos de visão.

A capacidade de iniciativa demostrada por parte dos jovens, movidos pelos apoios que lhes têm sido colocados ao dispor, particularmente no sector da agricultura e pelo aumento da qualificação e formação profissional, têm vindo a aumentar. A aposta na divulgação do concelho através de actividades que contemplam os seus recursos naturais e culturais são a prova de tal afirmação, que é ainda mais sedimentada com o facto de a maioria dos inquiridos se enquadrar numa faixa etária jovem.

Os recursos culturais e patrimoniais edificados, considerados, estes últimos, de extrema importância na história do concelho, sofreram uma degradação constante, o saber- fazer local e a cultura identitária que outrora se foram extinguindo à medida que os jovens iam abandonando as suas terras foram nos últimos anos alvo de um aumento na sua valorização, através da criação de infra-estruturas, na requalificação de edifícios de elevada importância e da zona ribeirinha do concelho. A cultura, cada vez mais difundida, por parte dos actores locais, ainda não tem o reconhecimento e a elevação pretendida diante da população local e externa ao concelho.

Há um longo caminho a percorrer na valorização dos recursos, existe uma necessidade enorme de se criarem parcerias e projectos entre os actores locais e externos, onde se identifiquem problemas e se definam respostas com um objectivo comum: o desenvolvimento do concelho. Apostar na diversificação do turismo, interligando-o a

É fundamental criarem-se infra-estruturas e investimentos com o intuito de fixar os jovens e os turistas ao concelho. Devem ser criados programas de preservação e gestão, com o objectivo de salvaguardar os recursos do concelho, mantendo as suas características únicas e que nos tornam Património da Humanidade.

A gestão e salvaguarda dos recursos e infra-estruturas é, na sua maioria, da responsabilidade do município, sendo que as organizações públicas e privadas apresentam também importância nesta gestão. O ideal seria aprofundar as sinergias conseguidas até agora entre os actores locais e criarem-se investimentos estratégicos que respondam às necessidades do concelho, o apoio à inovação em actividades com carácter promissor (em todos os sectores), nomeadamente em termos de valorização dos recursos endógenos, criação de emprego de qualidade e capacidade de retenção de mais valor acrescentado.

Com a realização deste trabalho constataram-se dois factos muito importantes e que são de realçar, o primeiro é que o concelho do Peso da Régua é, sem margem para dúvidas, privilegiado pela diversidade e riqueza enorme de recursos que o caracterizam, porém, e o segundo facto, a inexistência de sinergias entre os actores com a finalidade de desenvolver o concelho.

Se, por um lado, os recursos locais são os principais factores facilitadores a este desenvolvimento, por outro, surgem os actores e factores externos como sendo os principais obstáculos à valorização e dinamização dos recursos.

Existe ainda um longo caminho a percorrer para que o concelho tenha a dimensão que se ambiciona. Os primeiros passos já foram dados, agora resta seguir com o trabalho feito até aqui, procurando mais e melhor na gestão dos recursos.

Referências Bibliográficas

ABADE, E. & Cardoso, M. (1997). Região Demarcada do Douro: breve caracterização. Casa do Douro – Gab. Marketing e Comunicação. DOURO DOC, pp. 1-9.

ANIMAR (1999). Desenvolvimento Local – Uma Oportunidade de Futuro. Amarante: Ed. Autor, pp.4.

BAPTISTA, F. (2006). Desenvolvimento e Território: Espaços Rurais Pós-Agrícolas e Novos Lugares de Turismo e Lazer: o Rural depois da Agricultura. Lisboa, pp. 85-106.

BASTOS, D. (2002). Alto Douro Vinhateiro – Património Mundial: Vinho do Porto Região Demarcada do Douro. Pp. 93-103.

BIANCHI, F. (2002). O Alto Douro Vinhateiro, uma paisagem cultural, evolutiva e viva. DOURO – Estudos & Documentos: Ano 7. Nº 13, pp.143-154.

BRITO, C. (1997). Estrutura e dinâmica do sector do Vinho do Porto. Douro – Estudos & Documentos.

CARDOSO, A.. Viticultura: Método de Pontuação das Parcelas com Vinha da Região do Douro de Moreira da Fonseca. Douro, pp.29-38.

CIPRIANO, J. (2009). Cidade de Peso da Régua e Vilarinho dos Freires: História.

Recuperado em Maio de 2013 em

http://clubevinhosportugueses.wordpress.com/2009/08/25/cidade-de-peso-da-regua-e- vilarinho-dos-freires/

COVAS, A. (1999). As Amenidades Rurais: um contributo para o desenvolvimento de zonas desfavorecidas. Direcção – Geral de Desenvolvimento Rural, Lisboa.

COVAS, A. (2006). Desenvolvimento e Território: Espaços Rurais Pós-Agrícolas e Novos Lugares de Turismo e Lazer: A Ruralidade do nosso tempo: decálogo para 2ª modernidade.

CRISTÓVÃO, A. (1999). Para a Valorização dos Recursos Naturais do Vale do Douro. DOURO – Estudos & Documentos: Ano 4. Nº 8, pp. 19-31.

CRISTOVÃO, A. & Gerry, C. (2001). Iniciativas Empresariais e Criação de Emprego no Espaço Rural do Interior Norte. Recuperado em 28, Janeiro, 2013 em http://home.utad.pt/~des/acervo_des/

CRISTÓVÃO, A. (2002). Turismo Rural - Tendências e Sustentabilidade: Mundo Rural: Entre as Representações (dos urbanos) e os Benefícios Reais (para os rurais). Santa Cruz do Sul: EDUNISC. Páginas 81-116. Recuperado em 28, Janeiro, 2013 em http://home.utad.pt/~des/acervo_des/

DENTINHO, T. & Rodrigues, O. (2007). Periferias e Espaços Rurais – comunicações apresentadas ao II Congresso de Estudos Rurais. Princípia Editora, Estoril, pp. 145-148.

DIÁRIO DA RÉPUBLICA – I Série – B. Ministérios da Agricultura, Pescas e Florestas e do Ambiente e do Ordenamento do Território. Portaria nº 389/2005. Nº 66 – 5 de Abril de

2005, pp. 2864-2865. Recuperado em 12 Setembro, 2012 em

http://www.turismodeportugal.pt/Portugu%C3%AAs/conhecimento/legislacao/planeament oeordenamentodoterritorio/ordenamentodoterritorioeurbanismo/Documents/Portaria_389- 2005_5Abril.pdf

FERRÃO, P. (1999). Informação e Desenvolvimento Rural. Seminário Internacional "Desenvolvimento Rural - Desafio e Utopia", 22-23 de Abril de 1999, Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa. Recuperado em 28, Janeiro, 2013 em http://home.utad.pt/~des/acervo_des/

FERREIRA, J. & Portugal, J. (1995). 20 valores do mundo rural: Artesanato da Tradição à Modernização. Porto, pp. 37-40.

FERREIRA, J. (2002). O Douro e sua Região. Alto Douro Vinhateiro – Património Mundial, pp.48-63.

FERNANDES, M. (2002). Turismo, o próximo desafio. Alto Douro Vinhateiro – Património Mundial: pp. 30-33.

FIGUEIREDO, E. & Valente, S. (2003). As Políticas de Desenvolvimento Rural e os novos modelos de utilização do espaço: Habitantes e Visitantes – Uma Luta Inevitável. V Colóquio Hispano-Português de Estudos Rurais, Bragança, Portugal. Recuperado em

Fevereiro de 3013 em

http://www.academia.edu/322801/_Habitantes_e_visitantes_uma_Luta_Inevitavel_

FONSECA, F. & Ramo, R. (2007). Recriar e Valorizar o Território: O turismo no espaço rural como eixo estratégico de desenvolvimento sustentável: o caso de Almeida. 1º Congresso de Gestão e Conservação da Natureza. Universidade dos Açores. Recuperado

em Março de 2013 em

http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/8487/1/13congAPDR-198.pdf

GUERREIRO, J. (2006). Desenvolvimento e Território: Espaços Rurais Pós Agrícolas e Novos Lugares de Turismo e Lazer: As Economias Regionais e a Disseminação do Conhecimento. Lisboa, pp. 75-84.

MARTINHO, V. (2000). Reflexões sobre o desenvolvimento rural nacional. Recuperado

em maio, 2013, em

http://repositorio.ipv.pt/bitstream/10400.19/907/1/Reflex%c3%b5es%20sobre%20o%20de senvolvimento.pdf

MICHELE, (2009). Turismo e Desenvolvimento Local. Artigonal – Directório de Artigos Gratuitos. Recuperado em 29, Maio, 2012, em http://www.artigonal.com/turismo-e- viagem-artigos/turismo-e-desenvolvimento-local-1022843.html

MIRANDA, R. & CRISTÓVÃO, A. (2005). Dinâmicas Organizacionais e Desenvolvimento Local no Douro – Duero: Organizações Locais e Desenvolvimento Rural, pp.29-54.

MONTEIRO, F. (2009). Economia, Sociologia e Desenvolvimento Rural: O Regadio em Angola na perspectiva do Desenvolvimento Rural. Actas do 1º encontro Luso-Angolano. Évora pp.55 -74.

O’CONNER, J. (2001). Douro Património da Humanidade. The Douro World Heritage. Editorial Noticias. Lisboa.

PETITINGA, C. (n.d.). Mais definições em Trânsito: Desenvolvimento Local.

Recuperado em 29 maio, 2012, em

http://www.cult.ufba.br/maisdefinicoes/DESENVOLVIMENTOLOCAL.pdf

PINTO, A., Amaral, J., Mendes, M., & Lobo, A. (2007). Peso da Régua – à descoberta da “Terra Nova”. Edição da Câmara Municipal do Peso da Régua e Garça Editores.

PLANO DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO DO VALE DO DOURO. (2004). Promotor - Presidência do Conselho de Ministros.

PORTELA, J. (1999). Do (sub) desenvolvimento do Douro: um rol de perguntas. DOURO – Estudos & Documentos: Ano 4. Nº8, pp. 11-18.

RUIVO, P. (2006). Marketing e Territórios Rurais – Procura e oferta de Amenidades. Tese de doutoramento apresentada à Universidade Técnica de Lisboa, Instituto Superior de Agronomia, 343.

TAPADA, A. (2012). DOURO. Guia Turístico da Natureza: Paisagem – Geologia – Fauna – Flora – Turismo. Greca – Artes Gráficas. Recuperado em Maio de 2013 em http://www.cm-mesaofrio.pt/uploads/assets//Turismo/Guia_Natureza/guia_natureza_pt.pdf

VENTURA, M. (2010). Património e Turismo em áreas de baixas densidades: o caso das aldeias do Pessegueiro e do Esquio. Dissertação de Mestrado em História da Arte, Património e Turismo Cultural apresentado à Faculdade de Letras da Universidade de

Coimbra. Recuperado em Fevereiro de 2013 em

https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/17900/1/Disserta%c3%a7%c3%a3o%20de% 20mestrado_Marta%20Ventura.pdf.

Outra Bibliografia Consultada

CABRAL, A. & Pinto, A. (2004). Vila Real: Seis dias para um distrito. A district in six days. Governo Civil de Vila Real.

CRISTÓVÃO, A. & Diéguez, V. (2005). Dinâmicas Organizacionais e Desenvolvimento Local no Douro – Duero. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro com financiamento do INTERREG III A.

CRUZEIROS (2011). O Douro está na moda. Verde Turismo.

ENCONTROS NA CASA DA CALÇADA (1998). O Douro em debate (Actas). Cadernos da Revista Douro – Estudos & Documentos.

ESTRUTURA DE PROJECTO DO MUSEU DO DOURO (2004). Relatório de Missão Janeiro 2002 – Abril 2004. Peso da Régua.

FONSECA, M. (2006). Desenvolvimento e Território: Espaços Rurais Pós-agrícolas e Novos Lugares de Turismo e Lazer. Lisboa.

HISTÓRIA DA VILA E CONCELHO DO PÊSO DA REGUA (1936). Câmara Municipal do Peso da Régua. Imprensa do Douro.

MANSILHA, A. (2002). Alto Douro Vinhateiro – Património Mundial. Peso da Régua.

MARQUES, M. (2006). Perfil Sócio – Cultural do Homo Duriensis: uma contribuição para o estudo das Gentes do Alto Douro. CICDAD – Círculo de Cultura e Desenvolvimento do Alto - Douro.

PROPRIEDADE, EDIÇÃO E COORDENAÇÃO GERAL (2011). Páginas Verdes – Edições e Publicidade Escrita, Lda.

SALVADOR, J. (2007). As Rotas dos vinhos do Porto, do Douro e de Trás-os-Montes. Bertrand Editora.

SILVA, J. (2002). Inserção Territorial das Actividades Turísticas em Portugal – uma tipologia de caracterização. Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

SOEIRO, T., ROSAS, L., & FAUVRELLE, N. (2002). O Património Vernacular construído do Alto Douro Vinhateiro: Ritmos e Valores. DOURO – Estudos & Documentos: Ano 7. Nº 14.

20 Valores do Mundo Rural (1995). Instituto de Estruturas Agrárias e Desenvolvimento Rural (IEADR). Programa da Iniciativa Comunitária “LEADER”. Porto.

Recursos on-line e websites consultados:

http://www.artigonal.com/turismo-e-viagem-artigos/turismo-e-desenvolvimento-local- 1022843.html (consultado em Fevereiro de 2013)

http://clubevinhosportugueses.wordpress.com/2009/08/25/cidade-de-peso-da-regua-e- vilarinho-dos-freires/ (consultado em Julho de 2013)

http://www.infopedia.pt/$peso-da-regua,2;jsessionid=q3bC5K2xzvFlqxd1-kWskA__ (consultado em Julho de 2013)

http://www.douro-turismo.pt/concelhos.php?op=pr (consultado em Julho de 2013)

http://franz.sinabell.wifo.ac.at/lehre/2011/Exzerpte/Oskam_etal_19.pdf (consultado em Novembro de 2013)

http://www.keepeek.com/Digital-Asset-Management/oecd/urban-rural-and-regional-

development/cultivating-rural-amenities_9789264173941-en#page1 (consultado em Novembro de 2013)

http://wikienergia.com/~edp/images/thumb/2/20/PesoRegua.gif/350pxPesoRegua.gif (consultado em Novembro de 2013)

http://www.dourohistorico.pt/_imagens/tmpl_fe_adh_mapa_zona_abordagem_leader.gif (consultado em Novembro de 2013)

Relatório Brundtland: http://pt.wikipedia.org/wiki/Relat%C3%B3rio_Brundtland

Instituto dos Vinhos do Douro e Porto: http://www.ivdp.pt

Museu do Douro: http://www.museudodouro.pt

IPTM – Delegação do Norte e Douro – http://www.douro.iptm.pt

Câmara Municipal de Peso da Régua – http://www.cm-pesoregua.pt

PRODER – http://www.proder.pt

Programa Operacional Factores de Competitividade - www.pofc.qren.pt/compete

Legislação da EU - http://europa.eu/legislation_summaries/agriculture/environment /l28021_pt.htm

Documents relatifs